Runaways
17 Fabray
Notas iniciais
Tenho que cumprir alguns prazos para o trabalho e não tenho certeza sobre quando poderei atualizar novamente, mas fiquem atentos, pode ser antes do que eu espero...
Esse capítulo é para LuadaDi e Fernanda Meinert, obrigada pelas recomendações! :D
Espero que gostem (Rachel e os Fabray nesse capítulo).
24 de Dezembro – Minnesota, dia 2
Judy parou em frente a porta fechada do quarto de sua filha e hesitou por um instante antes de bater. Não houve resposta e ela tentou novamente, sabendo que provavelmente não teria sucesso, considerando-se o sono pesado que Quinn sempre tivera.
Aparentemente, Rachel também sofria do mesmo mal, pois não se ouvia som algum vindo de dentro do quarto. Ela olhou o relógio em seu pulso, o café estava pronto e Quinn tinha dito que queria passar na loja de música, que fecharia as 11 naquele dia.
Ela acabou decidindo por abrir a porta.
"Filha?" Ela perguntou, acendendo a luz e vendo um emaranhado de cobertas e pessoas em cima da cama. Seus olhos caíram sobre a cama sobressalente, que se encontrava intacta. Judy deu alguns passos a frente e espiou o montinho embaixo do edredom, reconhecendo os cabelos loiros de sua filha misturados com mechas castanhas muito mais longas. "Oh..."
Rachel piscou os olhos abertos, se acordando com a luz e sorrindo para Quinn, que ainda dormia em seus braços, antes de levantar a cabeça do travesseiro. Ela olhou para o pé da cama, percebendo que não estavam sozinhas e se sentou abruptamente.
"Sra. Fabray..."
Judy limpou a garganta e enrolou os dedos no colar de perolas em seu pescoço. "Rachel, algum problema com a sua cama?"
"Não, não..." Ela arregalou os olhos, olhando para o colchão no chão e depois novamente para Judy. Ela revirou o cérebro em busca de uma desculpa. "Nós ficamos conversando até tarde e eu acho que pegamos no sono..."
"Oh.. Vocês dormem juntas assim, as vezes?"
"A..." Rachel franziu as sobrancelhas e passou uma mão pelos cabelos. "Acho que as vezes..." Ela respondeu, sem querer mentir, mas sem dizer toda a verdade. "P-por quê?"
"Eu posso pedir para a Senhora Flores desfazer a cama se vocês preferirem..." Algum tipo de emoção estranha se fez presente nos olhos verde claros, mas Rachel ainda não estava acordada o suficiente para perceber, ou reconhecer o que era.
"Er... Não sei..."
"Rach..." Quinn murmurou de repente, em um estado semi desperto. "Volta aqui..." Ela tateou com a mão e puxou o braço da morena, tentando fazê-la deitar novamente.
"Ela continua dormindo como um urso não é mesmo?" Sorriu Judy.
"Fazer ela acordar para ir para a aula é um exercício de paciencia..." Concordou a morena, relaxando e rindo um pouquinho. Quinn a havia feito deitar novamente e enterrara o rosto na lateral de seu corpo. Rachel não sabia se devia se sentir constrangida com a presença de Judy ou não. A mulher não parecia horrorizada ao vê-las deitadas juntas...
"Ela tinha dito que queria buscar uma encomenda na loja de música hoje de manhã e já são quase dez horas. Se importa em acordá-la para mim?" Ela consultou o relógio mais uma vez. "A ajudante da cozinheira acabou de chegar e essa casa no Natal é como uma orquestra, precisa ser regida propriamente, se não a harmonia se perde..."
A cantora franziu ainda mais a testa, mas fez que sim com a cabeça.
"Ótimo... Vejo vocês no café, querida."
...
"Como você pode não acordar?" Rachel apoiava uma mão na cintura e brandia uma escova de cabelos com a outra. "Sua mãe estava conversando com a gente e..."
"Com você."
"O que?" Rachel se virou para encará-la diretamente.
"Tecnicamente ela estava conversando com você, eu estava dormindo..."
"Isso é irrelevante, Quinn." Ela fechou a cara. "A questão é que, sua mãe nos viu dormindo juntas, na mesma cama!"
"Nós só estávamos dormindo..." A loira deu de ombros enquanto calçava as botas.
"Abraçadas."
"Amigas fazem isso, não fazem?"
"Não sei... Fazem?"
"Ela pareceu surtada pra você?"
"A sua mãe?" Rachel largou a escova e sentou ao lado de Quinn na cama. "Não sei, eu conheci a mulher ontem, não faço ideia de como ela seja surtada..."
"Bem, ela não te arrastou para longe nem te expulsou do quarto, acho que ela não deve ter pensado nada de mais." A loira mordeu o lábio pensativamente.
"Ela pediu se havia algo de errado com a minha cama."
"É uma pergunta válida..." A violoncelista chacoalhou a cabeça e pegou a mão de sua namorada. "E eu acho que você está exagerando. Minha mãe pode ser bem confusa as vezes, mas tenho certeza que ela não pensou nada de mais.. Não tem por que fazer uma tempestade em copo d'agua por isso, ok?" Ela beijou as costas da mão da morena e lhe ofereceu um sorriso.
Rachel suspirou e se escorou em Quinn. "E por que eu não posso ir com você pra loja de música?"
"Por que está fazendo -20 graus. Você realmente quer sair de casa?"
"Acho que não..." Resmungou a morena, enterrando o rosto na jaqueta fofinha que Quinn usava. "Só não demora muito, tá?"
A loira beijou sua testa com um sorriso. "Tá bom."
...
Rachel desceu as escadas sozinha alguns minutos depois de Quinn ter saído e atravessou o hall e a sala de jantar para chegar a cozinha. Ela parou na porta e observou três mulheres desconhecidas e um homem grande e careca se movimentarem de um lado para o outro. Ela limpou a garganta e a mais velha das três mulheres lhe lançou um olhar.
"Oh, você deve ser a Srta. Berry." Ela fez uma pequena reverencia com a cabeça que serviu para que a morena se sentisse desconfortável. Até ontem ela realmente não fazia ideia do quão rica era a família Fabray, Quinn nunca havia falado sobre isso e era um pouco (muito) desconcertante. "O café está servido na sala de TV."
Rachel não respondeu, apenas a encarou por um momento, sem conseguir formar palavras. "Eu só queria uma fruta, na verdade..."
"Sim, querida, na sala de TV." Uma outra mulher, a mais alta, respondeu, também sorrindo, mas sem reverencias.
"Eu..." Ela corou. "Não sei onde fica a sala de TV..."
"Eu estou indo para lá."
Ela se virou para encontrar Tia Kay perto da porta. A mulher enganchou o braço no seu e começou a guia-la na direção certa.
"Essa casa pode ser pior que um labirinto as vezes... Não sei como minha irmã aguenta viver aqui dentro..." Ela comentou de maneira amigável.
Rachel concordou com a cabeça.
"A sala de TV fica depois da sala de estar, não é tão difícil de encontrar." Ela continuou tagarelando. "Sempre que venho aqui agradeço por haver um banheiro em cada quarto, caso contrário, eu provavelmente me perderia no meio da noite."
A morena riu suavemente, ganhando um sorriso da mulher mais velha.
Tia Kay era uma figura interessante, ela pensou. Com suas roupas estranhas (ela usava um vestido verde desbotado com micro estampas estranhas em um tom um pouco mais claro e botas de montaria azuis) e seu olhar gentil, tão diferente do resto da família...
Elas atravessaram uma grande porta marrom na sala de estar e encontraram Judy sentada em um sofá com uma xicara na mão e um notebook branco em seu colo enquanto assistia o que parecia ser o noticiário local.
"Parece que teremos uma nevasca essa noite." Ela comentou, sem tirar os olhos da TV e bebericando o que quer que houvesse dentro de sua xícara.
"Mais uma..." Kay sentou como índio em uma poltrona e apoiou os cotovelos nos joelhos. "Me faz sentir falta do clima da África e da América do Sul..."
"Você não pretende voltar para o Brasil no mês que vem?"
"Se os voos não forem cancelados." Ela olhou para sua irmã. "E eu espero que não sejam, é uma conferencia que não posso perder."
"Você diz a mesma coisa sobre todas as suas conferencias, Kay..."
"Bem, todas são importantes..."
"Você não vai sentar, meu bem?" Judy perguntou de repente, olhando para Rachel, que permanecera parada no meio da sala. "Eu prometo que não mordo..." Ela falou com um sorriso, apontando o espaço ao seu lado no sofá.
Rachel hesitou por um momento antes de sentar.
Havia uma mesa de centro em frente ao sofá repleta de frutas, bolinhos e um bule de chá. Ela se espichou e pegou uma tigela de mirtilos.
"Sobre, sobre o que é a conferencia?" A cantora perguntou timidamente depois de alguns momentos em silencio.
Kay abriu um grande sorriso e Judy levou uma mão a testa.
"Você não devia ter perguntado, querida.." Suspirou a Sra. Fabray. "Minha irmã adora falar sobre isso..."
"Claro que adoro falar sobre isso Jud! É o meu trabalho! Eu amo o meu trabalho!"
"Eu também amo o meu trabalho, mas não fico falando sobre ele o tempo inteiro."
"Não? Aposto o minha conferencia que você está conversando com algum dos seus alunos no Facebook agora..."
"Eles são meus orientandos de mestrado e eu estou solucionando dúvidas, Kay."
"Bem, Rachel acabou de fazer uma pergunta e eu vou responder, se você deixar, Jud..."
A morena observava a discussão com olhos arregalados, segurando um mirtilo perto dos lábios.
"É uma conferencia sobre Construção de uma Cultura de Paz." Explicou Tia Kay, seus olhos dourados brilhando de repente. "Diversos pensadores do mundo inteiro se reúnem para discutir temas como paz, justiça, saúde, educação, meio ambiente... Somos convidados a trocar experiências entre nós e com quem mais quiser participar."
"Nossa, parece... interessante." Rachel comentou, um pouco impressionada.
"Eu sou convidada a falar em várias dessas, inclusive, vai haver uma em NY em outubro, aonde eu vou apresentar os últimos resultados das minhas pesquisas de pós doutorado... Vou mandar um e-mail para Quinn sobre isso se vocês quiserem participar!" Ela falou alegremente.
"Err..." Rachel sorriu,pós doutorado?! Ela nunca teria dado tanto crédito à mulher (convenhamos, relativamente esquisita) ao seu lado. "Seria ótimo, obrigada."
Mais uma vez elas ficaram em silencio e a cantora olhava para a TV sem ver, absorta em pensamentos sobre como a família de Quinn era tão diferente do que ela imaginara que seria.
"Ah! Vocês estão aqui..." A loira em questão apareceu de repente, já sem seu casaco fofinho. Ela pegou um bolinho de chocolate coberto em glace vermelho e sentou pesadamente entre sua mãe e Rachel. "Está congelando lá fora e uma boa parte das ruas está interditada..."
"Você foi com qual carro?" Perguntou Judy, levantando os olhos do computador.
"O Jeep."
"Conseguiu comprar as suas coisas?" Rachel passou uma mão pelos cabelos dourados, que estavam úmidos e gelados por causa da neve.
"Mhum.." Respondeu Quinn, com a boca cheia. "Você já tomou café?"
"Sim..."
"Ela só comeu alguns mirtilos." Disse Tia Kay, fazendo um gesto com a mão sem desviar os olhos da TV.
"Eu não estou com fome." Rachel deu de ombros.
"Você tem Facebook, Rachel?" Judy perguntou de repente, fazendo com que as duas meninas trocassem um olhar.
"Er..." A cantora não tinha certeza do que responder. "Sim?"
"Qual o seu nome?"
"O que você está fazendo, mãe?" Quinn perguntou, espiando por cima do ombro de sua mãe e vendo-a digitar 'Rachel' no mecanismo de busca. "Desde quando você tem Facebook?"
"Oh! Já faz mais de um ano! É uma ferramenta de comunicação muito útil, Quinnie.. Eu ia perguntar por que você ainda não faz parte dela.."
Quinn a encarou com os lábios partidos em choque. "Eu não tenho tempo para gastar na internet, mãe."
"Rachel..?"
"Ahh.. Berry, Rachel B. Berry." A morena respondeu, um pouco chocada.
"Bem, as suas amigas tem, e é uma boa maneira de manter contato, querida." Judy localizou Rachel e sorriu, adicionando-a aos amigos.
Quinn fechou os olhos, chacoalhando a cabeça de um lado para o outro, tentando processar o fato de que até mesmo a sua mãe tinha Facebook e ela não.
...
"Também amo vocês..." Rachel sorriu e prendeu uma mecha de cabelos atrás da orelha. "Essa recomendação não faz sentido nenhum, pai." Ela revirou os olhos. "Sim, eu digo pra ela... Feliz Natal..."
Quinn abriu a porta do quarto e entrou silenciosamente.
"Tchau."
"Seus pais?"
"Finalmente consegui falar com eles." Rachel concordou. "Eles te mandaram um abraço."
Quinn sentou ao seu lado e afastou alguns fios castanhos de seus olhos. Sua franja de antigamente estava quase desaparecida, mas alguns fios rebeldes insistiam em atrapalhar sua visão. A loira gostava mais de Rachel sem franja, o rosto dela parecia mais delicado...
"E o seu pai? Será que ele já chegou?" A morena murmurou, pegando a mão de Quinn na sua.
"Acho que não. Ele ligou antes do almoço dizendo que iam se atrasar..." Ela respondeu, sem ter muita certeza. "Você ainda está preocupada?"
Rachel mordeu o lábio. "Um pouco, mas a sua mãe parece gostar de mim, pelo menos..."
"Sim.." Quinn deu uma risadinha. "Acontece que você é muito gostável."
"Eu sou." Concordou Rachel em um tom brincalhão.
Elas compartilharam um sorriso e a loira se inclinou para a frente, beijando sua boca suavemente. "E tem um gosto bom também.." Ela comentou, percorrendo os lábios com a língua ao se afastar.
"Acho que seus pais não precisam saber disso..."
"Humm.." Quinn a beijou de novo. "Humm, mas falando sério," Ela aprofundou o beijo, deslizando a língua de encontro a da morena. "Você está com gosto doce." Um selinho. "Muito doce, e quente..." Mais um beijo.
Rachel sorriu contra seus lábios. "Eu comi uma bala de gengibre há alguns minutos atrás..."
A loira a beijou uma ultima vez antes de se afastar. "Dor de garganta de novo?" Ela perguntou, franzindo a testa em preocupação.
"Não, eu só achei uma bala dentro da bolsa e por acaso era de gengibre..." A cantora deu de ombros.
"Oh.."
"Não precisa se preocupar." Rachel sorriu, desfazendo as pequenas rugas na testa de sua namorada com o polegar e beijando o canto de sua boca.
"Eu só não quero que você fique doente de novo..."
A morena lhe deu mais um beijinho. "Eu sei."
...
Antes do Jantar de Natal
Era quase onze horas quando Quinn e Rachel terminaram de se arrumar para a ceia de Natal. Russel e Glenn já haviam chegado, mas a cantora ainda não tivera a oportunidade de conhecê-los. Provavelmente todo o resto da família já estava no andar de baixo, aguardando por elas.
Quinn terminava de aplicar a maquiagem no banheiro enquanto Rachel se vestia no quarto. A loira usava um vestido branco que ia até a altura de seus joelhos e um cardigã cor de sangue por cima. Uma tiara vermelha mantinha seus cabelos loiros e lisos longe dos olhos e o colar com a cruz adornava seu pescoço, como sempre.
Ela fechou o delineador e deu uma ultima olhada em seu reflexo antes de voltar ao quarto.
"Wow!" Rachel levantou o rosto em sua direção e lhe ofereceu um sorriso de lado. "Wow!"
A morena riu. "O que isso significa?"
"Você está linda..." Respondeu a loira, indo até ela e apoiando uma mão em sua cintura.
"Prende pra mim?" Pediu Rachel, lhe estendendo uma pulseira prateada com um monte de pingentes no formato de estrelas que tilintavam a cada movimento que ela fazia.
Quinn aceitou a corrente e prendeu em volta de seu pulso delicadamente. "Você está tão linda..." Ela se repetiu, seus olhos percorreram o corpo da morena de cima a baixo e um calor inesperado tomou conta de todo o seu corpo.
Rachel estava incrivelmente sexy. Ela usava um vestido de mangas compridas azul marinho que ia até a metade de suas coxas e revelava suas pernas excepcionalmente longas. O decote da frente era uma fenda que ia até o seu umbigo, coberta por um tecido transparente bordado com contas prateadas em um padrão elegante. Era revelador sem ser vulgar e a loira não poderia ter aprovado mais a sua escolha.
A cantora pegou sua mão e entrelaçou seus dedos. "Vamos?" Ela perguntou suavemente.
...
Elas desceram parte das escadas de mãos dadas, até que o hall se tornou visível e Quinn a soltou com um leve aperto, colocando a mão na base de suas costas.
Rachel logo identificou os dois homens no meio das mulheres da família. O mais novo deles, Glenn, era ruivo e segurava Vince no colo com um grande sorriso no rosto. E o outro, Russel... A cantora engoliu com dificuldade quando o viu pela primeira vez.
Ela havia achado a irmã de Quinn intimidadora, mas Reese era um gatinho inofensivo perto do homem a sua frente. Ele não era muito alto, mas sua pose era imponente, bem como a farda de general que usava, em seu tom imponente de verde oliva com estrelas nos ombros e uma plaquinha com o nome 'Fabray' no peito direito.
Ele segurava um copo de Whisky na mão e levantou os olhos para a escada no segundo em que elas pisaram no hall.
"Quinn." Algo faiscou em seus olhos azuis.
"Pai." A loira respondeu, se aproximando cautelosamente, mantendo sua mão nas costas de Rachel de forma protetora.
A morena observou o rosto do homem se contorcer em uma espécie de sorriso e ele apoiou uma mão no ombro de sua filha, apertando um pouco, como se não soubesse se um abraço seria aceitável. (Se bem que talvez ele apenas não soubesse como abraçar alguém...)
"Como foi a viagem?" Ele perguntou educadamente.
"Longa, mas tranquila." A postura de Quinn era perfeitamente ereta e ela o olhava diretamente nos olhos. "Como foi o seu evento na base?"
"Bom."
Rachel olhou em volta e percebeu que todas as pessoas tinham parado de falar. Todos olhavam a cena em alerta, prontos para interferir caso alguma coisa acontecesse – afinal, um encontro entre Quinn e Russel podia ser explosivo. Essa percepção fez com que ela se sentisse um pouquinho mais segura.
"Essa é a minha amiga, Rachel." Quinn apresentou, olhando para a morena e sorrindo minimamente em sua direção (era impossível para ela olhar para Rachel sem sorrir).
"Russel." Disse ele, apertando a mão da pequena diva firmemente. "É um prazer." Ele parecia ser muito cortês e impessoal. Tão cortês que Rachel se sentia desconfortável. Russel apertou os olhos e inclinou a cabeça para o lado. "Desculpe, mas você me parece familiar... Não nos conhecemos antes?"
As bochechas da cantora esquentaram e ela fez que não com a cabeça. "Acho difícil, senhor."
Ele largou sua mão, mas continuou a encará-la. Rachel olhou para sua namorada e teve certeza que elas compartilhavam o mesmo pensamento naquele momento. O coração da cantora batia em sua garganta e ela rezou para que ele deixasse isso para lá e não tentasse reconhece-la. Ela não fazia ideia do que ele pensaria se lembrasse quem ela era e quem eram seus pais.
Quinn odiava aquilo. Já era ruim demais ter que esconder a realidade sobre seu verdadeiro relacionamento com Rachel, ela não queria que a morena tivesse que negar seus próprios pais também.
"Hey, Quinn!" Glenn exclamou, quebrando a tensão e se movendo para abraçar sua cunhada. "A quanto tempo..." Ela concordou, abraçando-o de volta. "E Rachel..." Ele a abraçou também. "Eu ouvi falar bastante sobre você, a menina dos biscoitos..."
Rachel sentiu vontade de revirar os olhos, mas apenas sorriu. Ele estava tentando ser simpático.
"Eu to com fome, mãe!" Exclamou Vince, encerrando as apresentações.
...
A maior parte do jantar transcorreu normalmente. A comida era muito boa e tinha um pouco de cada coisa que Rachel pudesse imaginar. Inclusive pratos vegans, feitos especialmente para ela. A conversa era amena, Judy fez algumas perguntas sobre NY e ela descobriu que Kay era advogada (a ultima coisa que havia passado em sua cabeça) e que viajava o mundo inteiro estudando diferentes formas de justiça em diferentes culturas (o que era o tema do seu pós-doutorado).
Ela também ficou sabendo que Judy era professora em uma universidade católica chamada St. Catherine e também em Hamline (uma das mais importantes universidades do estado), além de Doutora em filosofia. E que Reese e Glenn pretendiam adotar uma criança em um futuro próximo...
"Já faz dois anos que estamos tentando ter um segundo filho, mês passado acabamos decidindo por parar de tentar e nos cadastramos no serviço de adoção." Declarou Reese, colocando a mão sobre a de seu marido.
"Você sabe que eu não concordo com isso." Começou o Senhor Fabray em um tom mal humorado. "Essas crianças podem vir de qualquer lugar e podem ter todo o tipo de problema de saúde e comportamento. Sem contar que elas sempre querem saber sobre os pais biológicos e acabam trazendo mais problemas do que alegrias."
Rachel parou de mastigar e largou seu garfo dentro do prato no momento em que ouviu essas palavras. Ela olhou para Quinn – que teve a mesma reação – e abriu a boca.
"Desculpa, mas eu não concordo." Todos os olhares da mesa se voltaram em sua direção e ela se endireitou na cadeira. "Acho que adotar uma criança é o maior ato de amor que alguém pode fazer. É equivalente a dar a vida por outra pessoa. Por que é exatamente isso que um pai faz quando adota, ele da uma vida, uma oportunidade de que essa criança cresça feliz junto com alguém que a ame. E crianças adotadas, proporcionalmente, tem a mesma quantidade de problemas de conduta que filhos biológicos." Ela fez uma pausa e olhou para o próprio prato.
Quinn pegou sua mão por baixo da mesa e a apertou gentilmente.
"Eu fui adotada, senhor Fabray, e posso te garantir que nunca causei nenhum tipo de problema para os meus pais."
Todos ficaram em silencio depois disso, Russel não se desculpou, mas também não olhou mais para a morena durante o resto do jantar. Judy e Kay resgataram a conversa depois de alguns minutos. A empregada mais velha que Rachel tinha visto na cozinha de manhã apareceu com sobremesas e depois disso, todos se moveram para a sala de estar, onde estava o pinheirinho, para a troca de presentes (já passara da meia, já era Natal).
Quinn ficou para trás, segurando Rachel pela mão enquanto elas atravessavam o hall de entrada.
"Você está bem?" Ela perguntou baixinho. A cantora quase não abrira a boca depois de sua breve 'discussão' com Russel.
Rachel levantou os olhos para Quinn e eles se encheram de água quando encontraram os dourados. "Ele me odeia, não é mesmo?" Ela perguntou com uma voz tremula. "Eu não devia ter falado nada, agora ele..."
"Shhh..." A loira a puxou para perto, envolvendo-a em um abraço de urso. Ela pressionou um beijo nos cabelos escuros e apenas a segurou por quase um minuto. "Não chora... Vai estragar a sua maquiagem..."
Rachel riu fracamente contra seu pescoço. "Idiota..." Ela murmurou.
"Você achou engraçado..." Sorriu Quinn, se afastando um pouco e limpando com o polegar o rímel borrado de sua namorada. "E ele não te odeia. Ninguém aqui te odeia." Ela a abraçou novamente, acariciando seus cabelos. "E se você não tivesse dito nada, eu teria. E acho que teria sido bem pior..."
"Quinn?" Reese apareceu na porta da sala. "Oh..." Disse ela, quando se deparou com o abraço. A irmã mais velha se aproximou e colocou uma mão no ombro da morena. "Isso é sobre o que papai falou antes?" Ela perguntou para a loira, que concordou com a cabeça. "Não fique assim, Rachel... Ele não sabia."
Quinn concordou, encostando a bochecha em sua cabeça. "Nosso pai é o rei dos comentários infelizes... Você vai ouvir muitos deles essa semana, meu amor."
Rachel levantou o rosto do pescoço de sua namorada e a encarou, umedecendo os lábios. Meu amor. Pensou ela, enquanto a violoncelista corava ao perceber as palavras que haviam acabado de escapar. Ela não planejava chamar a morena assim, ela raramente usava termos como esse com qualquer pessoa, mas naquele momento, não conseguira evitar.
"Manhê!" A voz de Vince veio da sala e Reese se afastou das duas meninas, deixando-as sozinhas novamente.
Quinn limpou a garganta. "Sabe, é tradição de família trocar os presentes durante a madrugada..."
Rachel não respondeu, apenas piscou algumas vezes, a palavra amor parecia estar flutuando dentro de seu cérebro.
"Algo me diz que minha mãe colocou uma coisinha para você embaixo da árvore..." Ela continuou nervosamente, com medo de ter assustado a morena com o termo carinhoso.
"Ah, eu tenho um presente para você.." A cantora finalmente falou, olhando para a escada. "Está lá em cima..."
Quinn sorriu, passando uma mão pelos cabelos escuros. "O seu também está lá em cima. Mas eu reservei um lugar especial para te entregar ele mais tarde..."
"Lugar especial?"
"Mhumm..."
"O que é?"
"Surpresa." Piscou a loira, caminhando em direção a sala.
"Quiiin!" Exclamou a morena, sentindo-se mais do que curiosa. "Eu odeio quando você faz isso!"
...
Notas finais
Esse capítulo foi mais sobre a interação da Rachel com a família da Quinn do que sobre a interação delas, mas prometo que o próximo será mais do que 100% Faberry...
Por favor, Deixem Comentários, espero que tenham gostado e até o próximo o/
Fale com o autor