Run The World

5 Capítulo cinco


Notas iniciais
Oi.............................................................................

Mônica estava dentro de um banheiro, trancada. Suspirou, contendo as lágrimas, que insistiam em cair de seu rosto. Nunca havia imaginado que aquilo ia acontecer.

– Mônica... – a voz de sua melhor amiga a chamou. – Eu realmente... Sinto muito. Ninguém esperava por isso, sério!

O silêncio seguinte foi totalmente constrangedor para Magali. Ela, olhando-se no espelho com uma expressão totalmente mortal, pensou em como Mônica foi forte à frente da escola mesmo depois daquilo.

– Mônica... – repetiu Magali, nem um pouco incomodada com o silêncio da amiga. – Por favor, fale comigo.

– Desculpa Magali. – Mônica finalmente proferiu, com a voz trêmula. – Eu só... Não queria parecer frágil.

– Do momento em que você saiu da visão de TODA a escola, você veio correndo para cá. Não banque a forte, Mônica. – a garota de cabelos longos, presos como sempre, replicou revirando os olhos. Aquela conversa era antiga. – Não entre em desespero, anda, sai daí.

– Não posso. – a dentuça soluçou uma vez. – Magali, as pessoas vão ficar falando sobre isso durante semanas!

Magali suspirou. Realmente, Mônica tinha alguma razão. O povo da escola não largaria do pé da Mônica – que, por acaso havia acabado de voltar do Japão – por pelo menos um mês depois daquele tipo de humilhação.

– Não sei quantas vezes já te disse isso, mas... – ela retocava a maquiagem enquanto Mônica estava enfiada dentro de um Box do banheiro. – O Cebola é um idiota. Não se preocupe. Aquilo não passou de uma brincadeira de mau gosto. Cadê a Mônica que sempre encara tudo e nunca tem medo de nada?

– Foi sugada por um garoto sem alma que a humilhou. – Mônica disse, limpando as lágrimas com a palma da mão. – Não é medo. É vergonha.

– Vergonha de quê, sua boba? – Magali riu. – Tudo bem, sei que você quer ficar sozinha, não vou mais pegar no seu pé. Mas uma hora ou outra você vai ter que sair daí e encarar todo mundo, igual você fazia antes. Não se sinta mal, todo mundo irá esquecer disso uma hora ou outra.

A garota vestida de verde saiu, deixando Mônica dentro do Box olhando para o chão do banheiro, onde estava esparramada. Não estava exatamente com vergonha também. Só estava amuada, triste, e completamente sem graça e sem jeito.

“Desde que chegara à escola estava com o pensamento voando, divagando em como iria ‘se declarar’ para Cebola. Deveria simplesmente gritar? Pensou Mônica, olhando para seu professor, não escutando nenhuma palavra sequer que ele sibilava.

– Mônica. – chamou Marina. – Intervalo, ok?

– Sim. – ela suspirou, sentindo-se completamente perdida.

Quando o sinal havia tocado, e todos estavam no refeitório, Mônica segurou com firmeza sua bandeja de comida e sentou-se ao lado de Magali, em uma mesa que estava consideravelmente longe da de Cebola.

– Não tem escapatória? – Mônica arquejou, com dificuldade de respirar.

– Você sempre pode dizer que está com cólica. – Magali riu, brincando com as unhas. – Escapei de muitas encrencas desse jeito.

Por um momento, Mônica realmente considerou a hipótese de fugir. Mas se lembrou que sempre haveria um amanhã, e Marina – amiga de Mônica – nunca iria esquecer daquilo. Suspirou e olhou para a mesa do garoto em questão, que brincava com a comida de seu prato como se sua vida dependesse da brincadeira idiota.

– O que você faria se estivesse no meu lugar? – ela perguntou.

– Olha Mônica. – Magali desistiu de brincar com as unhas e segurou a mão de Mônica. – Vai lá, se declara, pede uma chance. Pronto. Se quiser, depois vamos ao shopping e eu compro um sapato novo para você. Só não amarele, isso seria ruim. Marina é capaz de fazer você comer esterco de vaca na frente de todos se não fizer isso.

A garota suspirou, pensando que Magali, provavelmente, tinha razão. Levantou-se sem nenhum aviso e postou-se a andar na direção da mesa mais cobiçada de toda a escola. Na mesa estavam sentados: Cebola, Cascão, Marina, Toni e Maria Mello. Não que Mônica ou Magali não pudessem sentar-se lá, qualquer um podia. Mas somente se atendessem ao padrão, que era ser julgado por toda a escola.

Os maiores boatos sujos vinha da mesa dos populares, então, quase ninguém tinha o interesse de se sentar por lá. Por exemplo, que Cebola já havia ‘ficado’ com todas as garotas da escola em uma das salas desertas. Ou que Marina gostava de Do Contra, e espantava as meninas que gostavam do mesmo – mas isso nunca o impediu de ficar com elas – mas todos duvidavam da veracidade das informações que recebiam.

Sentiu todos os olhares em suas costas, todos as centenas de olhares maltrapilhos, de pessoas que não tinham nada melhor para fazer do que ver o maior mico que Mônica já tinha pagado na vida dela.

– Cebola! – Mônica quase berrou, de uma distância que ela considerava segura, de onde podia ver a expressão dele e que Cebola podia escutá-la. – Eu. Gosto. De. Você! Por favor, fique comigo!

Depois dos gritos, Mônica abriu os olhos que estavam fechados com força. Sentiu-se tão idiota que ficou esperando receber um tapa na cara de uma das fãs dele, mas nada se comparou com:

– Me desculpe Mônica... – ele gritou, com um sorriso de escárnio estampado no rosto. – Mas eu preciso de um tempo!”

Mônica balançou a cabeça, tentando esquecer-se do que ele dissera. Ainda caída no Box, lembrou-se de todos rindo e batendo palmas como se aquilo fosse uma grande piada. Sentiu as lágrimas quererem cair de novo, mas segurou-as. As palavras de Cebola haviam sido as mesmas de Mônica, quando deu o fora nele antes de ir ao Japão.

– O feitiço virou contra a feiticeira. – ela murmurou baixinho, tendo consciência de que estava perdendo as últimas aulas daquele dia.

Lembrou-se de que estaria sozinha em casa, quando chegasse. Seus pais tinham saído naquele dia mesmo para uma viagem de última hora, intitulada como ‘Segunda Lua de Mel’, mas era só uma viagem de duas semanas para Paris, a trabalho.

Escutou o sinal das aulas acabando, e ouviu o barulho de passos indo ao banheiro feminino. Mônica prendeu a respiração escutando risadinhas estridentes.

– Mônica provavelmente foi para casa, de tanta humilhação. – uma voz chata, que Mônica nunca havia escutado antes disse, com deboche. – Coitadinha. Cebola mandou bem, precisava abaixar a bola dela.

– Coitada mesmo. – a voz era um pouco mais madura. – Nunca mais voltaria para escola se fosse ela.

– Pois bem. – aquela voz era de... Marina. – Vamos parar de bobagem, meninas. Mônica nunca fez mal a ninguém. Não podemos falar dela assim. Principalmente você, Pâmela.

– Disse a garota mais falsa de todo o Limoeiro. – Mônica julgou que aquela de voz mais chata deveria ser Pâmela. – Qual é. TODO mundo sabe que essa tal de Mônica é uma vadia fingida. TODO mundo sabe que ela gosta de pegar o Do Contra. Aposto que ela já até...

A porta do Box onde Mônica estava se abriu lentamente, rangendo, fazendo todas se sobressaltarem. Pâmela era, na opinião de Mônica, a garota mais provocativa do mundo. Usava mini saia, uma blusa branca transparente que mais parecia um sutiã, uma bota de cano longo com cadarço que – Deus livre Mônica – deveria demorar mais de meia hora para amarrar.

– Eu já o que? – Mônica perguntou, recuperando a compostura e cruzando os braços, observando a menina de baixo para cima.

– N... Nada! – ela gritou, com os olhos esbugalhados observando a expressão de ódio de Mônica, que ficava cada vez mais intensa e quase era possível ver pequenos demônios saindo dela. – Desculpa Mônica!

Cada passo que Mônica dava, Pâmela andava um para trás. Mônica encostou a garota na parede, segurando o colarinho da blusa/sutiã de Pâmela. A olhou com tanto ódio que se sentiu totalmente descoberta.

– Senhorita Mônica, por favor, o que está acontecendo aqui? – a dentuça abaixou o braço, que estava levantado para desferir um soco. – Largue a Pâmela e, por favor, me acompanhe.

Mônica olhou com os olhos arregalados o jeito que Pâmela estava. A garota estava trêmula e caiu no chão, chorando com soluços altos, como se tivesse voltado do inferno. A dentuça engoliu a saliva que preencheu sua boca enquanto estava andando atrás da diretora cuja Mônica havia esquecido o nome.

A sorte dela era que todos já haviam ido para casa, e os boatos não seriam postados tão brevemente assim. Chegaram à sala, e Mônica entrou de cabeça baixa, como uma condenada. A diretora, uma morena robusta, sentou-se a sua frente, e Mônica observou seus lábios estranhamente preenchidos, que provavelmente havia sido o resultado de uma operação.

– Mônica Sousa – a diretora falou quase automaticamente, como um robô ou uma artista, com suas falas já decoradas. – Eu sei como se sente.

– Hã?

– Sei como é levar um fora na frente de todos na escola. – a diretora ajeitou seus óculos de fundo de garrafa e a olhou com um sentimento verdadeiro de culpa. – Mas, convenhamos, querida, não é motivo para arranjar briga com alguém!

Seguiu-se um silêncio enjoativo para Mônica, que a olhava estupefata. Como ela pode pensar isso, Mônica se perguntou, juntando as sobrancelhas.

– Você vai ligar para minha mãe? – a dentuça perguntou como se fosse uma garota da sexta série, não do primeiro ano, fazendo a diretora rir.

– Sei que ela está de viagem... – um pequeno sorriso brotou no rosto de Mônica. – PORTANTO não irei incomodá-la, mas você vai ter de vir aqui na minha sala TODOS os intervalos para me ajudar a preencher esses formulários.

– Até quando?

– Até quando eu achar que você pode parar de vir.

Notas finais
Olá, bem, eu sei. Demorei bastante. Foi porque... Bem *suspiro*, eu realmente queria postar, tinha as ideias, mas estava ocupada [juro]. Pelo menos eu postei, né c: Aguardo comentários bons ou ruins ou construtivos sobre a história. Me motivem, pessoas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.