Run: Love Is a Lie
2 Um (Não Tão) Bom Começo
Notas iniciais
Antes de qualquer coisa, saiba que o amor é uma mentira. Tudo isso que contam, frio na barriga e mais, é verdade. Mas não são sinais de amor, ou de estar gostando de alguém, são sinais que seu corpo está te dando para se livrar de uma merda gigante.
Ouça esses sinais! Se não você pode acabar como eu. Então toda vez que vier o friozinho na barriga, corra! Porque é encrenca.
Se você acha que estou dizendo isso porque apenas estou frustrada com um pé na bunda, não é isso. Eu juro! Resolvi que depois de uma decepcionante vida amorosa que mal estava na metade mas já tinha dado de errado tudo que tinha para dar, precisava ajudar outras pessoas como eu. Por isso estou escrevendo esse... Negócio – ainda não sei como chamar.
O ponto é: O amor é totalmente uma mentira; seja ele por sua família ou amigos. No máximo você sente admiração, respeito ou intimidade. Mas com certeza não é amor. Sei que é duro de ler isso, e se você ainda acredita no amor, bem, pode continuar lendo que eu vou te mostrar o porquê dessa idiotice não existir.
E se você for como eu e não acredita no amor, leia também, porque garanto que vai querer ver o circo pegar fogo – tá, nem tanto.
Mas antes de começar, gostaria de dizer que só porque estou indicando que você não acredite no amor, não significa que você deva encarar a vida com amargura ou depressão. Seja feliz e alegre, seja bobo(a); mas não por amor e sim por você.
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— É seu primeiro dia de aula na minha escola, é óbvio que eu tinha que te buscar! – Taehyung disse animado e eu o encarei com descrença.
— Tudo bem, mas precisava vir me acordar?
— Para uma garota você é rabugenta demais, Sara! – novamente o encarei só que dessa vez com um olhar mortal.
— Me diz um motivo para eu não te agredir agora?
— Você está indo para uma escola nova e não tem nenhum amigo além de mim. – touché.
— Já disse o quanto eu te amo? – ele deu de ombros e nós saímos juntos caminhando para a escola, já que era muito perto da minha casa. – Tem alguma garota no seu grupo de amigos? Assim não vou me sentir tão solitária.
— Não. Se bem que o Jin é quase uma garota, então pode considerar ele. – dei um soco leve no braço dele. – É sério, não tem. Mas os caras são legais, eles vão te respeitar. Pode comer com a gente até fazer outros amigos, ou sempre que quiser na verdade.
— Valeu!
— Caso alguém te trate mal, é só falar comigo. – disse mostrando o músculo que não tinha.
— Ah por favor, você mal tem força de bater na porta da minha casa! – ele abriu a boca para rebater a ofensa mas foi interrompido por um garoto que chamava escandalosamente seu nome no portão da escola.
— Bom dia, Hoseok. – cumprimentou assim que chegamos perto.
— Nossa, que animação! – ironizou – Quem é sua amiga?
— Essa é a Sara, ela é nova aqui. E antes que invente alguma coisa, somos apenas amigos.
— Ainda bem. – Hoseok riu o que fez Tae ficar com a cara fechada.
— Ingrata! – murmurou.
— Gostei de você. Prazer, Hoseok. Ou como costumam me chamar, J-Hope.
— Quem te chama assim? – Tae questionou.
— Ninguém chama ele assim. – um outro garoto com o cabelo castanho se aproximou, colocando o braço por cima dos ombros de Hoseok.
— Odeio vocês! – ri da careta dele.
— Sara, esse é o Namjoon. E aquele idiota que tá vindo ali do jardim de infância é o Jin. – Tae tinha me contado que um dos seus amigos tinha uma namorada do primeiro ano e rir dele por isso era quase que uma tradição.
— Olá. – os cumprimentei e eles acenaram.
— Ela é nova na escola então por favor sejam legais e educados, obviamente o oposto de como costumam ser no dia a dia. – Hoseok avançou na direção de Tae e os dois trocaram soquinhos amigáveis. – Para! Você está manchando minha imagem máscula.
— Como se um dia você tivesse tido uma. – soltei e arregalei os olhos quando percebi que tinha feito essa brincadeira na frente de pessoas que eu havia acabado de conhecer. – Desculpe. – eles riram.
— Tudo bem, sabemos disso. – eles começaram a conversar entre si e eu aproveitei para dar uma olhada em volta. Tinha alunos de todo tipo: loiras metidas, nerds, idiotas que se acham a última bolacha do pacote e muito mais. Como um típico filme adolescente onde uma história de amor complexa iria se desenvolver. Só rezo para não ser a protagonista.
Alguns adolescentes me encaravam de um jeito meio estranho, acredito que não só por eu ser aluna nova e sim por também estar ao lado daqueles quatro. Taehyung me contou que eles eram populares na escola mas não populares do tipo “jogadores de futebol que batem nos outros” e sim por sempre estarem participando dos projetos e coisa e tal. Ou seja, popularidade por fazer algo útil.
Logo o sinal tocou e Taehyung me conduziu até a sala de aula. Era algo relacionado à ciências ou algo do tipo, pois haviam aquelas bancadas. Como eram duplas, sentei com meu amigo mesmo, na mesa do fundo.
Os garotos que sentaram ao lado da nossa mesa me encararam e depois cochicharam alguma coisa, fingi não me importar e me aproximei de Tae.
— Quem são esses dois? – apontei discretamente e ele olhou e deu de ombros.
— Não lembro o nome deles. Ei, tome cuidado com aqueles babacas! – apontou para três garotos que entravam na sala de aula parecendo animais selvagens – Aqueles são Chris, Jonathan e Marcos. Típicos jogadores de basquete retardados e sem cérebro.
— Tudo bem. – assenti e olhei discretamente para os garotos ao nosso lado e percebi que um deles ainda estava me olhando. Rapidamente desviei a atenção para a porta e logo a professora havia chegado.
Por enquanto minha meta era sobreviver ao primeiro dia de aula.
Deus me ajude!
***
— Cadê o gay do Namjoon? – Tae perguntou assim que nos sentamos na mesa com os amigos dele.
— Olha a boca! – o tal de Jin reprendeu.
— Cadê o homossexual do Namjoon? – reformulou a frase.
— Não sei mas se ele estivesse aqui, te bateria.
— Ele foi comprar salgadinhos. Não vou me arriscar a comer essa comida da cantina hoje. – Jin reclamou.
— Fresco!
— Se você visse o que eu vi enquanto estava na fila iria concordar. Parecia que tinha algum animal vivo ali dentro da panela. Quero dizer, agora nem tão vivo. – fizemos cara de nojo.
Observei Namjoon que estava voltando com os salgadinhos e do nada senti algo frio cair nas minhas costas e me virei rapidamente. O garoto que estava me encarando na aula de biologia estava com uma cara apavorada atrás de mim.
— Me desculpe eu... – ele recuou dando alguns passos para trás e acabou tropeçando no tal de Marcos. O garoto escorregou e a bandeja dele voou, fazendo com que a comida caísse nele e no outro.
— VOCÊ QUER MORRER? – gritou jogando a bandeja dele longe e nós levantamos. Marcos o empurrou e o segurou pela gola. — ESCUTA AQUI SEU IMBECIL... – me aproximei e segurei o braço do jogador.
— Calma, foi apenas um acid... – ele me empurrou com força.
— Qual é seu problema, otária? Não se mete! – sem pensar duas vezes, acertei um soco forte na bochecha dele que o fez cambalear e bater na mesa.
Todo mundo permaneceu parado em silêncio, nem mesmo Taehyung tinha acreditado no que eu tinha acabado de fazer.
Nem mesmo eu tinha acreditado no que tinha acabado de fazer.
Logo o inspetor veio e levou nós três para a direção. Chegando lá, Marcos foi chamado para entrar primeiro e eu e o outro garoto ficamos esperando sentados nas cadeiras do corredor.
— Desculpe por ter causado essa confusão. – disse envergonhado e eu ri.
— Tudo bem, acredito que não foi culpa sua. Esse Marcos parece ser um idiota. – ele assentiu – A propósito, meu nome é Sara.
— O meu é Jungkook. – estendeu a mão e eu apertei. – Foi mal pela camiseta.
— Tudo bem. Sinto muito pelo casaco. – falei me referindo à comida que tinha caído.
— Ainda bem que existem máquinas de lavar. – disse em um tom brincalhão e nós rimos novamente.
Marcos saiu da sala do diretor com gelo no lugar onde eu tinha socado e nos lançou um olhar mortal. Em seguida Jungkook entrou e eu fiquei do lado de fora.
O inspetor trouxe um pouco de gelo para minha mão, já que o soco tinha me machucando tanto quanto tinha machucado Marcos.
Não deu muito tempo e Jungkook saiu da sala e fez uma careta, fazendo com que a minha tensão diminuísse. Em seguida entrei e sentei na cadeira em frente à mesa do diretor.
— Seu primeiro dia e já agrediu alguém... Senhorita Wright? – assenti e Sr. Hared me encarou sem acreditar. Pelo visto pensou que eu era uma aluna calma, o que de fato sou, a menos que ocorra algo que me tire do sério. Geralmente não sou de criar problema.
— Eu sinto muito, eu só quis impedir que o tal Marcos batesse no outro garoto. Aí o ele me empurrou, me ofendeu e eu perdi a cabeça. Desculpe, não vai mais acontecer. – disparei nervosa.
— Como é apenas o primeiro dia e eu conheço bem o temperamento do Marcos, não vai haver punição. Até porque, pelo que vi no seu histórico, você é uma ótima aluna. Pode ir para a aula. – sorriu.
— Muito obrigada. – quase me ajoelhei na frente daquele homem por não ter me punido, mas apenas levantei e saí.
Assim que cheguei no corredor, joguei minha cabeça para trás impaciente e apertei os olhos desejando que fosse apenas um sonho. Agora provavelmente vou ser conhecida pelo resto do ano como uma garota que agrediu um dos jogadores do time de basquete. Que ótimo!
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Com isso tudo aprendemos que:
1 – O primeiro dia de aula é algo tão desnecessário que nem deveria existir. Não me pergunte a lógica, porém sabemos que não é legal.
2 – Não estabeleça metas de sobrevivência escolar, elas provavelmente serão frustradas.
3 – Garotos com olhares esquisitos não tem esse olhar por acaso.
4 – Socar as pessoas é errado, exceto se essa pessoa for o Marcos.
5 – Nem todo diretor é um monstro cruel sugador de energias positivas adolescentes.
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