Rumor has It...
24 Capítulo 23 – Medos
Notas iniciais
Capítulo 23 – Medos.

“Deve-se ter medo mais do amor de uma mulher, do que do ódio de um homem.”
O clima na mansão Mikaelson era de completo nervosismo, Caroline via Klaus andar de um lado para o outro, a face fechada como sempre que estava preocupado, com raiva ou principalmente, com medo. A loira se sentou no sofá e os olhos de todos que estavam em pé na sala se voltaram para ela, praguejou-se por ter se sentado. Aquele clima era tenso e até mesmo Rebekah estava distante, respondendo poucas perguntas sobre como estava se sentindo.
Afinal, fora o irmão dela sequestrado.
Um nó se formou na garganta da Forbes ao pensar nisso, Elijah poderia se considerar uma pessoa boa, ele a havia ajudado várias vezes e principalmente na noite em que Klaus a humilhara. Caroline suspirou, lembrar daquilo a fazia mal, mas ao mesmo tempo a lembrava do que o Mikaelson era capaz. Era ela a estranha ali e não ele.
Não estava no seu meio, era uma família que até pouco tempo não fazia ideia de existir, uma família que sua melhor amiga havia lhe escondido, e depois dos poucos dias convivendo ali percebeu o porquê. Klaus era um controlador, ele tinha que ter posse de tudo e todos, principalmente dela. Demorou para entender que gostava da forma controladora dele, mas não podia mentir que da mesma forma que gostava, temia.
— Você foi a última a falar com ele, Caroline — a voz de Klaus soou indiferente pelo salão da mansão Mikaelson, ela fitou as orbes azuis esverdeadas dele e mordeu o lábio inferior nervosa — Tem certeza que não viu ninguém suspeito no restaurante?
— Ele estava com Katherine, eu não fiquei com eles, já o disse isso.
O celular dela tocou quando o loiro bufou e Caroline se levantou tirando o aparelho do bolso atendendo-o. Se afastou do salão para outro cômodo da casa, não conseguia entender ao certo o que Stefan falava.
— Caroline preciso de você no hospital agora — a voz de Stefan parecia nervosa e tremia quando ele falava. A loira franziu o cenho e se sentou na poltrona que havia no sentindo suas pernas vacilarem — Elena levou um tiro e esta em coma.
Caroline deixou o celular escorregar da mão e ir de encontro ao chão, fitou em um ponto fixo enquanto se lembrava da última vez que havia falado com a morena. Céus, ela malmente havia falado com Elena, sabia que a amiga estava passando por um grande problema a respeito de Stefan e preferiu ficar do lado dele do que da Gilbert. Fechou os olhos com força quando sentiu seus olhos marejarem e uma mão pousar em seu ombro, sabia quem era apenas pelo aroma amadeirado que invadiu o local.
— Elena esta em coma — sussurrou e ergueu o rosto em direção a Klaus — Eu sei que esta preocupado com seu irmão, mas eu preciso ir vê-la, Stefan precisa de mim.
— De nós — completou o loiro e ela se levantou abraçando-o.
Sentiu medo, mas não estava sozinha, não quando os braços de Klaus a confortavam tão bem e ela soube que podia confiar nele, independente de tudo.
[...]
Bonnie franziu o cenho ao ver as carteiras vazias no auditório, onde diabos fora todas as suas amigas? Praguejou o celular estar descarregado ou já teria ligado para Elena, temia pela amiga estar passando por tantos problemas.
O som da porta do auditório se abrindo chamou a atenção de todos os alunos, inclusive da negra que focou as orbes castanhas rapidamente em direção a mulher de cabelos loiros presos num alto rabo de cavalo e vestida num estilo social, sabia quem era, aquela era a secretária do vice-reitor. O que ela fazia ali?
— Boa noite a todos — disse a loira depois de subir no pequeno palco, Bonnie sentiu um arrepio estranho passar pelo seu corpo, havia algo de muito errado ali — Receio que a palestra tenha sido adiada, recebemos um telefonema a poucos minutos informando que o Professor Damon Salvatore sofreu um grave acidente, estão todos dispensados exceto — a mulher olhou novamente no papel que carregava na mão voltando o olhar para todos que cochichavam causando murmúrios — Bonnie Bennett.
A negra pode sentir seu coração saltar dentro do peito e precisou controlar as pernas ao se levantar e erguer a mão chamando a atenção da loira.
— Senhorita Bennett encontre-me na sala 315U em menos de cinco minutos.
A loira saiu apressada, havia algumas meninas chorando e outras tremendo, Bonnie não sabia ao certo o que estava sentindo. Afinal, era apenas seu professor, mas, por que diabos aquele aperto no coração não passava?
Desceu a escada do auditório saindo do mesmo a passos rápidos não demorando ao entrar na sala a tempo de ver a secretária se sentar na cadeira atrás da mesa, mas a pessoa que aguardava ali deixou a Bennett magoada, era... era Rebekah e tudo poderia estar bem se a loira não estivesse chorando de mãos dadas com Matt.
Com seu Matt.
— Que merda é essa? — gritou ganhando a atenção dos dois.
— Bonnie agora não — pediu o loiro se levantando, mas a negra apenas se afastou dele — Não é o que esta pensando, escute.
— Não é o que ela esta pensando? — gritou Rebekah ficando de pé em meio a lágrimas — Você ainda tem coragem de dizer isso num momento como esse?
A Bennett sentiu seu estômago revirar, o que aquela maldita loira estava querendo dizer? Voltou o olhar para os olhos de Matt e não precisou pensar em mais nada, a resposta estava bem a sua frente, transmitida nas orbes azuis dele: culpa.
— Rebekah, cale a boca — rosnou o loiro se irritando, Bonnie já sentia seus olhos marejarem, aquele maldito aperto no coração apenas aumentava — É Elena.
— O que tem a Elena?
— Ela esta em coma! — gritou Rebekah dando um sorriso superior para a Bennett, pareceu meio demoníaca em meio as lágrimas e sarcasmo.
E Bonnie sentiu seu mundo dispedaçar.
[...]
Gostava das madeixas castanhas dela, das orbes castanhas e da pele levemente bronzeada, gostava de tudo em Katherine, do corpo perfeito que tinha e de toda sua coragem, enfrentava o que podia sempre para si proteger.
O único problema era a morena ser egoísta o suficiente para não se importar com ele. E nisso, Elijah a detestava.
— Descobrimos que me querem morta e que agora você também entrou na lista — comentou a Petrova tirando o Mikaelson do transe que era fitá-la — Que lindo.
— Pelo menos vamos morrer juntos — ironizou o moreno vendo as orbes castanhas dela fitá-lo com raiva, semicerradas — Só faltava um bom uísque ou você me contar como se meteu nessa enrascada e me meteu junto.
Katherine rosnou socando a parede e praguejando todos por ter sido sequestrada logo com Elijah, tudo o que queria era vingança, havia voltado para aquela maldita cidade apenas para isso e agora estava presa com a última pessoa no mundo que queria.
— Eu sou a vítima de tudo isso, você que é o vilão.
— Eu?
— Você me traiu com a minha irmã!
— Eu pensava que era você!
A morena riu descrente de tudo aquilo, deveria ter imaginada desde cedo que Elijah não teria coragem de machucá-la a ponto de ameaçá-la com um sequestro, aquilo era obra de gente grande e ela sabia perfeitamente quem. Não sabia o que mais a preocupava, o fato de saber quem estava por trás daquilo, ou de saber o que aquele maldito era capaz. Ah, mas Silas a pagaria e muito caro.
— Não vamos sair vivos daqui, você não escutou aqueles caras? Eles não aceitaram o seu suborno e eu sei quem esta por trás disso.
— O que? — questionou o Mikaelson com o cenho franzido.
— Silas, Elijah, Silas armou tudo isso, ele não vai me deixar sair viva, sei de muito e acredite, Damon também, não duvido que já tenha dado um jeito nele também.
Elijah escutava tudo aquilo de forma lenta, tentando entender o que estava realmente acontecendo, então era tudo muito maior do que apenas dinheiro? Havia segredos? Um arrepio passou pela nuca do moreno, agora sim estava parecendo que pioraria tudo de uma vez.
— Katherine, o que você fez para estar aqui?
A morena o encarou de forma entediada, o que ela havia feito? Primeiro se envolver com Damon, eram tão inconsequentes, não passavam de jovens idiotas, depois conhecer Silas com certeza foi o pior que fizera, mas nunca contaria a ninguém, nem mesmo a Elijah, mesmo o Mikaelson sendo uma das melhores escolhas dela.
— Eu vivi, Elijah, vivi.
[...]
As pessoas andavam apressadas de um lado para o outro, Stefan se sentia cada vez mais aflito enquanto focava os enfermeiros sem nenhum notícia. Como estava Elena? Como estava seu irmão? Respirou fundo se sentando no banco do hospital, aquele maldito hospital que só o trazia lembranças ruins, não podia perdê-los, não podia perdê-los de forma alguma. Colocou o rosto dentre as mãos e sentiu os olhos marejarem, precisava de alguém para passar aquele momento.
E então sentira uma mão delicada em seu ombro, conhecia aquele toque leve e fraterno, não precisou erguer o rosto para saber que era Caroline. A loira se abaixou ficando em frente a ele, tirou as mãos do loiro do rosto do mesmo e sorriu tristemente, ela sabia que precisava passar força para ele, mas estava tão acabada quanto.
— Ela, ela esta em coma — disse o Salvatore balançando a cabeça negativamente — Isso é tudo culpa minha, Carol, se eu...
— Shh..., ninguém é culpado, fique calmo — a Forbes sorriu, dessa vez conseguindo ser sincera logo beijando a costa das mãos dele — Estou aqui, com você.
O Salvatore assentiu com um movimento de cabeça, desviando o olhar das orbes azuis da loira para o corredor franzindo o cenho ao não encontrar a figura de Klaus, voltou o olhar para Caroline que sorriu acariciando o rosto dele.
— Ele veio, o deixei no estacionamento e corri para cá, sabia que precisava de mim, eles disseram mais alguma coisa sobre ela?
— Ela sofreu traumatismo craniano e foi baleada, Caroline, atiraram no carro deles, eu não sei como esta o Damon, ninguém me fala nada.
— Senhor Salvatore — os dois ergueram o olhar para uma enfermeira em pé ao lado deles, Stefan foi o primeiro a se levantar fitando a morena que carregava uma prancheta, Caroline se ergueu tentando ver o que a enfermeira tinha escrito ali — É o irmão de Damon Salvatore, suponho?
— Sim.
— Ele passou por uma cirurgia de risco, mas se recupera, conseguimos controlar a hemorragia e remover a bala que não acertou nenhum ponto vital.
— E Elena? — questionou Caroline antes de Stefan.
— Elena Gilbert? — a enfermeira foliou na prancheta e franziu o cenho ao ler algo escrito na folha — Qual o parentesco de vocês com a paciente?
— Eu sou o namorado dela — disse Stefan e a enfermeira pareceu ponderar — Quando ela deu entrada me disseram que estava em coma.
— Eu sinto muito mas, o quadro dela não melhorou, esta na UTI, esperamos que o quadro mude até amanhã de manhã ou então a relocaremos para um dos quartos onde ficará com o auxílio de aparelhos.
Stefan se sentou sentindo as pernas vacilarem, não muito diferente de Caroline, mas a loira foi amparada por um loiro que ela tão bem conhecia. Klaus encarou o melhor amiga e depois a loira que rapidamente o abraçou começando a chorar.
— Não se preocupem com os gastos, eu pago tudo o que for necessário — disse para a enfermeira que assentiu saindo dali deixando os três sozinho de novo.
Malmente o loiro pode confortar ainda mais Caroline e o corredor foi invadido por três pessoas que corriam, duas seguindo uma figura de cabelos negros, que chorava. Stefan se levantou a tempo de retribuir o abraço de Bonnie, a Bennett chorava preocupada com Elena e o que poderia ter acontecido de pior a amiga.
— Ela, ela esta bem? — questionou fitando as orbes verdes de Stefan.
O loiro balançou a cabeça negativamente e por um momento a dor deles pareceu ser compartilhada ali, até o celular de Klaus e Rebekah tocarem simultaneamente com uma mensagem um tanto suspeita. Caroline sentiu Klaus a afastar e se aproximar da irmã que chorava ainda mais.
— O que aconteceu? — questionou fitando os loiros?
— Elijah, é o negociador — disse Klaus abraçando a irmã em plantos.
O Mikaelson entregou o celular para Caroline, afagando os cabelos loiros da Mikaelson que chorava se esquecendo de todo orgulho e barreira que a prendia contra Klaus, era seu irmão e estava precisando dele.
— Mas... — a Forbes se calou vendo o celular e o que dizia na mensagem, era um encontro onde trocariam Elijah por Klaus.
A loira quase soltou o celular de Klaus quando o próprio celular dela vibrara dentro da bolsa, voltou o olhar para os Mikaelson que pareciam ter um momento apenas deles, e abriu a bolsa pegando o maldito aparelho que vibrava. Não pode deixar de arfar ao ler de quem era. Merda, aquilo estava ficando cada vez pior.
Pegou o aparelho e abriu a mensagem de Silas sentindo uma culpa enorme a abater. “Hora de começar sua vingança, Carrie, me retorne quando acabar seu teatro no hospital”.
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