Royals

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Essa sou eu me matando pra postar antes de ter que sair pra música, só não postei mais cedo porque eu dormi... Sério mesmo. Obrigada a todos que estão acompanhando, vocês são uns amores. Agora eu tenho que sair, bjos.

Um mês.

Havia se passado um mês desde o maldito baile e as coisas iam de mal à pior.

Começando pelo fato de que o diário de minha querida avó era simplesmente impossível de ler uma vez que ele era praticamente feito de pensamentos aleatórios e frases desconexas, segundo porque eu não estava conseguindo me concentrar o suficiente nas aulas para conseguir realizar qualquer tipo de magia.

Sarah tentava me animar com meu aniversário, que cairia amanhã, num sábado feliz, e dizia que as coisas iriam melhorar uma vez que eu completasse 16 anos, mas alguma parte dentro de mim fazia meu coração se acelerar só de pensar.

Para finalizar minha situação, eu estava no meio de uma maldita prova de matemática e simplesmente não conseguia me concentrar. Eu sei que a coisa estava feia, mas alguém estava tentando me ajudar através da manipulação da minha mão e eu podia apostar que era Alex. Teria de agradecê-lo depois.

Era meio estranho o professor não perceber conexões mágicas rolando no meio de cada prova como eu conseguia assistir de camarote. Matt estava de olhos fechados e rabiscando as respostas que ele conseguia prever, Ryan e Victor trocavam as provas todo o momento e Lena ajudava Scarlet do mesmo modo que Alex fazia comigo.

Quando acabei a prova, ou Alex acabou por mim, fui me juntar ao grupo que já havia acabado no Suffugium.

–Hey, Amy. Você, a Kate e o Alex vão cumprir a detenção hoje? –John perguntou.

É, eu me esqueci. Tinha de cumprir a maldita detenção e todos me olhavam com certo receio e medo. Nós três havíamos simplesmente matado a aula de educação física e o professor, Matthew, resolveu que seria adequado nos mandar acampar na floresta. As pessoas tinham medo por mim e eu tinha que fingir compartilhar pelo menos um pouco da preocupação.

Porém lobos eram meus amigos, então não havia muito problema, tirando o frio.

–É, é hoje. –Resmunguei. –Eu vou para meu quarto arrumar as coisas. Vejo vocês amanhã. –Pensei que seria mais fácil sair de lá, então fui com pressa para meu quarto.

Senti a presença antes mesmo de vê-lo, porém ele não estava nada contente.

–Por que você precisa dar tanto trabalho? –Ele me deu outro daqueles choques.

–Não tem nada demais. Acampar deve ser legal. –Murmurei, indo pegar minha mochila.

–Não é tão seguro. –Ele disse.

–E você se importa? –Arqueei uma sobrancelhas. –E as criaturas horrendas que existem lá são apenas lobos bonitos.

–Não são apenas lobos bonitos.

–Então é melhor contar com a sorte. –Dei de ombros e fui colocar um monte de agasalhos na mochila.

–Você não precisa agir como se não me importasse. –Eu levei um susto com a proximidade. Fiquei tão concentrada em pegar as roupas que mal o vi se aproximar.

–Não é que eu esteja tentando não me importar, eu só não tenho mais espaço para nada. Eu estou simplesmente exausta.

–Hoje é noite de caça. –Ele informou depois de algum tempo.

–Que bom. –Fiquei confusa. –Só não cause muito na cidade.

Ele riu atrás de mim.

–Não são todos que caçam na cidade, sabe? Alguns caçam na floresta para variar um pouco.

Meu corpo estremeceu.

–Bem, de novo, vou ter que contar com a sorte. –Ele grunhiu com a minha resposta, irritado.

–Você vai ter de contar comigo, não com a sorte.

–Pelos deuses, Thomas! Você não precisa fazer nada! –Me exaltei. Quando me virei para encará-lo ele estava tão perto que eu praticamente me estatelei nele.

–Não é por você e nem por querer, mas é a droga do acordo dos nossos pais, se lembra?

Aquilo doeu mais do que deveria. Assenti e abaixei o tom.

–Você não vai ficar com sede?

Ele deu de ombros.

–Há lobos por lá, não é? –Ele parecia querer me irritar, mas Lupa foi quem mais se indignou. Ela grunhiu do outro lado do quarto.

–Você não vai pegar qualquer lobo que seja. –Adverti.

–O que você sugere então, princesinha? –Ele sabia que eu não conseguia raciocinar com tanta proximidade?

–Eu acho que você ganha mais com o meu. –Murmurei antes que pudesse perder a coragem, felizmente ele ouviu.

Mas então ele arqueou as sobrancelhas com uma mistura de perversão e diversão. Eu quis morrer.

–É tão bom assim? –Provocou, colocando as mãos em minha cintura. Eu estremeci.

–Melhor que te imaginar caçando os meus lobos. –Falei rápido até demais.

Ele sorriu com certa diversão e me tirou do chão, me levando para a beirada da cama.

–Você está usando muitos casacos. –Ele sussurrou em meu ouvido. Não consegui controlar um espasmo. Aquilo estava virando palhaçada já, eu mal tinha controle da minha cabeça, imagine do meu corpo então. Tudo o que eu sei é que meu rosto conseguiu ficar ainda mais vermelho, mas eu tirei os casacos.

–Você está com muita sede? –Perguntei, tentando mudar o clima da situação.

–Sim, porém seu sangue parece ser extremamente suficiente para me manter bem por uma semana inteira. Não se preocupe. –De qualquer modo, precisei respirar fundo umas dez vezes para me acalmar o bastante.

Thomas me empurrou para me deitar na cama e se colocou quase por cima de mim, como da última vez, então afastou meus cabelos e um pouco do tecido da blusa, expondo minha clavícula.

Eu não estava com medo dele enfiar seus caninos em mim, pelo contrário. Mas a situação dos meus hormônios estúpidos não me deixava muito tranquila. Ele ainda tinha uma mão em minha cintura quando afundou seus dentes em minha pele e a minha vontade era tocá-lo de algum jeito.

Ele bebeu o suficiente para me fazer sentir tranquila e cansada ao mesmo tempo, então tirou os dentes de meu pescoço, deitando-se ao meu lado.

–Você está bem? –Ele soou rouco.

–Sim. –Eu também soei rouca.

–Bom. Você vai estar mais forte em alguns minutos. –Ele informou e então puxou o edredom para cima de mim.

Silêncio.

–Meu pai pediu proteção, não foi? –Falei depois de algum tempo.

–Sim.

–O que seu pai recebeu em troca? –Ele demorou tanto para responder que soube que havia algo à mais naquela situação.

–Algo. –Ele falou.

–Que seria.... ?

–Eu não posso te dizer ainda.... E nem adianta insistir, gritar, ameaçar, brigar, fazer protesto, me atacar ou qualquer coisa do gênero.

–Não é justo. –Resmunguei.

–Não, não é. Mas você vai sobreviver.

–Unh.

Silêncio novamente. Geralmente eu odiava o silêncio, era meio deprimente, mas eu estava cansada e não queria forçar muito minha cabeça, então agradeci.

Depois de cerca de dez minutos Kate praticamente invadiu o quarto, trazendo uma mochila imensa nas costas. Alex vinha trazendo outra logo atrás.

–Você ainda não está pronta, Amy? E oi para você, Tommy. –Ela disse. Kate havia gostado de Thomas desde que soubera que ele me salvara depois do maldito baile, porém ela parecia sentir um imenso prazer em irritá-lo.

–Oi. Bom, eu tenho coisas pra fazer agora. Juízo vocês. –Ele disse alto e então se retirou quase que em segundos. Eu sabia muito bem que ele não tinha exatamente nada para fazer.

–Por que ele estava aqui? –Kate me olhou com malícia. Revirei os olhos.

–Ele veio dizer que hoje é noite de caça e que alguns sanguessugas entediados caçam na floresta. –Contei.

–Ótimo. Tudo por causa daquela maldita porta que não abriu. –Alex grunhiu. Dei de ombros e fui trocar de roupa, vestindo um conjunto de moletom e uma blusa de manga cumprida por baixo. Separei luvas, gorros e cachecóis também.

–Eu consegui pegar cobertores. –Kate contou. Entendi porque a mochila dela era duas vezes mais gorda e larga que a minha. –Fiz amizade com a camareira e ela me deu cinco edredons grossos e três cobertores. –Se gabou.

–Tudo isso está na sua mochila? –Perguntei confusa. A mochila dela era gigante, mas não pra tanto.

–Sim, é um feitiço básico que li num livro lá no Suffugium. Saiu meio errado, mas pelo menos consegui arrumar uma certa profundidade. –Ela franziu o nariz e eu sorri.

–Bom.

–Eu tenho comida. Dei um jeito de pedir na cozinha. –Alex falou. –E estou com a barraca. Vai ser complicado montá-la no escuro.

–Vamos dar um jeito. –Tentei soar otimista. –Eu vou levar almofadas então, porque minha bolsa não é grande e vou levar lanternas também. Eu fiquei com todas daquele dia.

Eles assentiram e eu abri meu guarda-roupa, retirando três lanternas carregadas e depois peguei seis almofadas, socando tudo dentro da bolsa.

–Pronto. Melhor irmos agora porque está começando a escurecer. –Falei assim que terminei de fechar o zíper da mochila.

–A barraca pelo menos é grande. –Alex murmurou e nós saímos depressa com Lupa vindo logo atrás, para não perder o pôr-do-sol.

Como sou uma pessoa extremamente prestativa, mostrei o caminho para a clareira onde encontrara aquele bando de lobos, e estava exatamente do jeito que eu lembrava, pequena, mais iluminada e um tanto assustadora.

Alex foi o primeiro a jogar a mochila no chão e nós praticamente voamos em cima das coisas, abrindo todos os sacos da barraca de uma vez.

–Essa coisa preta é o que vai por baixo, né? –Perguntei, estendendo o negócio imenso.

–Isso. –Alex confirmou, se esforçando para ler o manual.

Arrumei aquele pano no meio da clareira e começamos a colocar as armações de metal, que por acaso eram mais pesadas do que eu.... Ou quase. Quando colocamos a última parte cobrindo tudo, estava tudo completamente escuro.

Nós entramos na barraca com as coisas e com Lupa e posicionamos as lanternas estrategicamente para termos uma iluminação considerável. Realmente a barraca era grande.

Cobrimos o piso com os edredons, afim de criar algo parecido com um colchão, e pegamos os cobertores, junto com as almofadas, delimitando o espaço de cada um. Felizmente fiquei na ponta, ao lado de Kate e Alex ficou na outra ponta. Lupa resolveu se instalar sobre minhas pernas e me deixou meio sem possibilidades de movimento.

–Eu acho que é melhor a gente dormir de uma vez, sabe? Aí isso acaba mais rápido e a gente pode voltar para aquele disfarce de hospício.

–Você tem meu apoio, Alex. –Kate murmurou. –Mas eu gostaria muito de poder comer antes, estou com fome.

Alex assentiu e tirou o resto que tinha em sua mala. Havia alguns sanduíches de queijo, sucos de caixinha e pacotes de biscoitos. Era suficiente.

Comi de tudo porque estava meio fraca depois da doação de sangue e me senti totalmente mal.

Conforme o tempo passava meu coração se acelerava, meu corpo tremia e não tinha muita certeza de o único motivo era o frio. Eu tinha um sentimento ruim dentro de mim e aquilo estava me apavorando.

Quando nos deitamos para dormir, Alex e Kate levaram cerca de meia hora para apagarem, porém eu e Lupa ficamos naquela situação.

Horas passavam e a sensação ruim sempre piorava. Já tinha vestido mais um casaco por conta do frio e usava luvas e gorro, mas mesmo assim meu corpo estava inquieto. E Lupa era Lupa, quer dizer, o bicho mal dormia. Ela dormia geralmente umas duas horas comigo à noite sendo que as outras horas ela tirava do período no qual eu estava em aula.

–Querida, você me ouve? –Eu segurei um grito e acendi minha lanterna. Meu coração pareceu querer explodir no peito. Torci para ter sido algo apenas da minha cabeça. –Precisamos conversar.

Era a mesma voz que havia me chamado nos primeiros dias.

Olhei para o lado, mas Kate e Alex pareciam petrificados no sono. Mas Lupa estava de pé, preparada para sair da barraca e parecia calma, pois me olhou paciente e tranquila com aqueles olhos imensos.

Respirei fundo e abri o zíper da porta.

Eu estava esperando encontrar nada, como antes, e que Thomas me xingasse por ter saído da barraca ou algo do tipo, mas bem perto de mim havia um tipo de espectro.

Era uma mulher de cabelos castanhos, longos, até a cintura. Ela aparentava ter uns 35 anos, porém seus olhos negros aparentavam terem vivido muito mais. Ela também era alta, usava um vestido branco longo e sua pele, assim como a luz que a contornava, era azul. Eu não sei porque não gritei.

Talvez a presença de quase vinte lobos calmos tenha me mantido consciente.

–Finalmente nos encontramos, minha querida. Eu gostaria de poder abraçá-la, porém essa forma não me deixa fazer quase nada.... –Ela franziu os lábios, parecendo frustrada, e então pareceu voltar a mente para mim. –Oh, eu devo estar te assustando, é claro, peço desculpas. Eu não sou um fantasma, não mesmo, essa é apenas a forma que me permite viajar sem sair do lugar. Meu nome é Seraphine. –Ela se apresentou. –Sou sua avó.

Foi difícil engolir aquilo.

–Minha avó? –Saiu mais engasgado do que alguém morrendo de asfixia.

–Exatamente minha querida. E eu sou mais bonita pessoalmente, lhe garanto. –Ela sorriu. –Porém não tão bonita quanto você.... Foi estranho, quando vi Jane ao lado de Frederick e ela me disse sobre sua gravidez eu soube que nasceria a criatura mais bonita desse mundo. Ninguém duvidou. Foram tempos bons.

–Eu não entendo....

–É claro que não, Amy. Não sei dizer se seria interessante saber também, talvez seja uma grande perda de tempo. Mas eu estou aqui por você e meu tempo é curto. Da última vez que eles me sentiram analisando o castelo eu quase fui descoberta. Isso seria terrível. –E de repente ela ficou séria. –Eu não sei se você sabe mas eu estou desaparecida desde seu nascimento. Eu não posso voltar.

–Por que? –Eu me flagrei mais estável.

–É perigoso para alguém como eu. Havia muita magia envolvida naquele dia, Amy. Houveram sacrifícios e mudanças por sua causa, mas não é muito importante agora. Você precisa me ouvir agora, seu aniversário começa em nove minutos e meio e eu tenho muito para explicar.

–Mas...

–Não conte à ninguém que falou comigo, as pessoas acreditam que eu esteja morta e assim é até melhor. Mas vamos falar sobre você. –Ela deu uma breve pausa. –Seu nascimento foi um momento de muita magia e grande parte dessa é desconhecida pela nossa sociedade. Porém isso implicou no seu nascimento como um ser extremamente forte. Minha querida, você, entre mais ninguém, pode realizar feitiços e encantamentos nunca vistos antes. Você é como uma fonte para a natureza da magia e isso é algo fantástico, sim, porém é perigoso.

“Quando der meia noite, nas próximas vinte e quatro horas, a magia vai estar circulando livremente por você, totalmente descontrolada. Sua cabeça vai ficar totalmente tensa e qualquer coisa que você quiser fazer, mesmo que seja beber um copo d’água, pode causar acidentes bem indesejáveis. Você não vai poder controlar.”

­Meus olhos se arregalaram.

–Por que está me dizendo isso se não tem outro jeito?

Ela sorriu.

–Porque há um outro jeito, sempre há. Entretanto vou precisar de seu consentimento, é claro.

–O que é?

Ela sorriu.

­-Você me lembra sei pai..... Bem, você não vai poder fazer nada se sua mente não estiver ligada à seu corpo. –Eu ia pedir explicação mas ela se adiantou. –Posso fazer com que você perca a noção de seu corpo pelo tempo suficiente. Você fica desmaiada, porém consciente. Poderá escutar, falar e entender, mas não poderá se mover. Sua cabeça não doerá e você não sentirá enjoos.

Pensei um pouco.

–Parece melhor, porém se eu desmaiar aqui vou ter de ficar vinte e quatro horas no chão e eu nem vou saber o que explicar....

–Eu acredito que o príncipe possa dar uma ajuda. –Ela sorriu para algo atrás de mim e eu simplesmente trombei com Thomas outra vez. Ele estava totalmente imóvel atrás de mim.

–Ele sabe? Como assim? –Me senti incomodada. Por que ele tinha de saber tudo sobre mim antes?

–É demais para explicar agora, querida, mas não se preocupe. Ele é um bom rapaz. –Meu instinto era dizer que eu sabia, porém meu orgulho era maior. –Temos alguns segundos agora, você está pronta, Amy? –Ela perguntou e eu assenti com a cabeça sem nem pensar.

Minha avó fechou os olhos suavemente e recitou algumas palavras numa língua estranha e eu me senti meio tonta. Thomas estava com as mãos em minha cintura e quando eu perdi os movimentos ele me tirou rapidamente do chão. Um minuto depois ela abriu os olhos e sorriu.

–Está feito. Agora você precisa descansar, meu bem. Leve-a para o quarto, Thomas, eu cuido das duas crianças.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, já estava quase chegando em meu quarto.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar, por favor. Digam se está muito confuso, ruim ou bom, mas preciso saber. Beijos.