Royal Oak

1 O Prólogo - Carma


Notas iniciais
Oláaa~! Olha só a Yu postando mais uma história enquanto deveria estar completando Casanova, LOL. Mas deixando minha incompetência de lado, lhes apresento minha mais nova história, "Royal Oak"!
Para quem está se perguntando por que esse nome estranho... esse é um nome bem comum de pub(aqueles barzinhos fechados e rústicos) britânico, e é também o nome do pub apresentado aqui na fic.
Não se preocupe com a confusão que com certeza vai parar na sua cabeça, tudo será explicado no seu devido tempo!
Boa leitura! ♥

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Estava tudo quieto. Talvez muito quieto para algumas pessoas, mas no presente momento, Izaya Orihara agradecia mentalmente o silêncio que pairava no ar. Qualquer som o deixaria irritado – ainda mais do que já estava.

Era véspera de Natal. Se Izaya olhasse pela janela logo atrás de si, veria várias pessoas correndo pela longa avenida, cheias de sacolas nas mãos enquanto faziam compras de última hora. Ele deveria invejá-las? Talvez.

O Orihara não se importava tanto com celebrações e coisas do tipo, não, ele realmente não se importava. Preferia ficar em casa com um notebook no colo, enrolado num cobertor bem confortável e com uma xícara de chocolate quente segura em suas mãos.

Porém, ele ainda estava no prédio onde trabalhava, e em alguns minutos todas aquelas pessoas que podiam ser vistas por aquela mesma janela, logo atrás dele, estariam no conforto de suas casas, com seus notebooks, seus cobertores confortáveis e seus chocolates quentes, santo Deus, quem sabe quantas coisas mais estariam disponíveis em suas mesas e refrigeradores! E ele deveria invejá-las?

Ele começava a pensar que sim.

A mesa de madeira escura logo à sua frente estava coberta com papéis de todos os tipos – relatórios, cartas, recibos; qualquer coisa que fosse feita de papel estava lá, e formava uma pilha quase do tamanho de uma esfinge.

Izaya torceu o nariz ao examinar alguns papéis. A maior parte deles nem deveria estar lá; já haviam sido devidamente assinados e carimbados. Deveria ser algum tipo de carma.

O jovem desistiu. Praguejou mentalmente, soltou um suspiro profundo e cansado e se levantou da mesa, jogando nos ombros sua jaqueta pesada e indo em direção à porta, rumo à liberdade.

Após alguns passos, seu mau-humor piorou. O escritório estava completamente vazio – se um grão de areia caísse naquele chão imaculado, ele ouviria.

Sozinho no escritório, na véspera de natal, cansado e com frio. Se era mesmo carma, era dos bem grandes.

Saiu pela porta do prédio, inalando o ar fresco que misturava o aroma suave da neve com a fragrância natural da noite. Um arrepio percorreu sua espinha vagarosamente, quase como se quisesse torturá-lo, e ele saiu andando pela cidade.

Já ia para casa quando imaginou que, se chegasse lá e visse algum objeto pontudo de fácil alcance, a polícia teria sérios problemas pra descobrir o que aconteceu lá, sem contar o trabalho que teriam pra limpar toda a sujeira.

Chacoalhou a cabeça para tirar o pensamento, e decidiu que seria melhor tentar a sorte e ir até seu pub preferido. Felizmente, não era muito longe de onde estava, então foi a pé. Em poucos minutos, chegou ao seu destino.

Seu carma decidiu lhe dar um tempo de folga – na porta de vidro do pub estava uma plaquinha discreta que lia “Aberto”. Com um suspiro de contentamento, Izaya entrou no lugar, e o pequeno sino sobre a porta tocou.

- Bem vindo ao Royal Oak! – Ao ouvir a voz não familiar, o Orihara levantou a cabeça e olhou o barman que o cumprimentava com um largo sorriso no rosto. O homem era de ótima aparência – possuía belos olhos cor de chocolate, cabelos curtos e dourados e seus ombros eram largos, dando-lhe uma postura um tanto imponente.

O sorriso no rosto do barman virou um bico pensativo enquanto examinava Izaya, que ia abrindo um pouco o zíper de sua jaqueta e se aproximava do balcão, murmurando boa noite. Sentou-se em um dos banquinhos e bocejou suavemente. – O velho Yama não veio trabalhar hoje?

O barman piscou algumas vezes, como se houvesse saído de algum tipo de transe. – Ah... não, ele vai passar o feriado com a família em Hokkaido. Eu vou cuidar do bar por algum tempo. -, respondeu cuidadosamente. Ainda observava Izaya com interesse, mas cansado que só ele, o Orihara não notou. – E como se chama?

- Shizuo... Shizuo Heiwajima. E você?

- Izaya Orihara. — , respondeu enquanto olhava o resto do pub. Além dele e do barman Shizuo, havia apenas mais três pessoas lá, sentados numa mesa perto da janela, do outro lado do bar. – E como eu posso servi-lo, Orihara-san?

- Um whisky. E me chame só de Izaya.

- Muito bem então, Izaya, um whisky saindo. – Enquanto Shizuo preparava o drinque, Izaya descansava a cabeça em um das mãos, apoiando o cotovelo sobre o balcão. Seu trabalho estava cada vez mais consumindo seu tempo livre, e ele não estava nada feliz com isso.

Na verdade, não sabia nem por que estava trabalhando fechado num escritório. Seu negócio foi sempre físico, e carimbar cinqüenta papéis por minuto não era exatamente um esporte... porém, ele estava ganhando um bom dinheiro, então o serviço era suportável.

Um copo de whisky foi posto no balcão logo à sua frente, e ele deu um gole tentador. – O que um jovem bonito como você faz aqui, à uma hora dessas? -, disse Shizuo enquanto enxugava um copo. – Tentando salvar meu feriado.

Shizuo riu baixinho, guardando o copo enxuto. – Será que dar uma volta ajudaria?

Izaya olhou o barman, considerando a proposta. Não havia nada de errado em dar uma volta, havia? E quem sabe ajudaria mesmo a tirá-lo do tédio; se ele tivesse sorte o passeio o deixaria menos estressado. – É, ajudaria sim. — , respondeu-lhe antes de dar mais um gole em seu whisky.

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Um tecido macio e confortável... um cobertor. Um travesseiro. Uma cama de colchão fofo. Dor de cabeça. Um pássaro cantando baixinho ao fundo... por trás de uma janela. A luz fraca do sol acariciando seus olhos...

Luz do sol? Izaya não se lembrava nem de ter visto a lua indo embora. Ele havia dormido? Mas só se lembrava do bar... havia uma cama lá? O balcão de um bar não parecia tão macio e confortável...

Uma cama?

O Orihara abriu os olhos. Estava, realmente, deitado numa cama, mas não era dele... nem o cobertor, nem o travesseiro, e nem o pássaro cantando lá fora. A única coisa que ele tinha mais do que certeza que era dele, era a dor de cabeça excruciante que o atacava no momento.

...dor de cabeça e uma cama que não era dele não pareciam uma combinação muito agradável.

Izaya decidiu não se mexer. Tentava lembrar o que havia acontecido para que ele fosse parar aonde estava, mas só conseguia se lembrar do pub, de suas reclamações sobre o trabalho, do whisky e daquele barman simpático, Shizuo.

Apertou as sobrancelhas, encarando o travesseiro branco sob sua cabeça. Shizuo... ele já havia ouvido esse nome antes. Shizuo Heiwajima... Shizuo...

Ao ouvir o som de uma porta rangendo suavemente, Izaya levantou o olhar e fitou, incrédulo, aquele mesmo barman, parado na porta do quarto, segurando uma xícara de café em cada mão. Os dois permaneceram imóveis por algum tempo, até que Shizuo quebrou o silêncio. – Pensei que não fosse acordar mais.

Izaya não respondeu ainda. Seu cérebro ainda lutava para relacionar o Heiwajima àquela cama desconhecida, e nada em que ele pensasse parecia a resposta correta.

Vendo a confusão no rosto do menor, Shizuo andou até a cama, sentou-se e entregou-lhe uma das xícaras de café. – Não sabia que você é do tipo que esquece o que fez enquanto estava bêbado.

Aquelas palavras deixaram Izaya congelado no lugar. Ele tinha até medo de se lembrar, sinceramente.

Principalmente depois de perceber que as roupas que ele estava usando faziam parte do grupo de coisas que não eram dele.

Izaya se levantou bruscamente, depositando a xícara de café no criado mudo ao lado da cama, e apontou um dedo acusador para Shizuo. – Seu-! O que você fez comigo?! O que eu tô fazendo aqui ?! Por que eu-

Antes que pudesse terminar a frase, Izaya foi puxado para um corpo quente e forte, e lábios úmidos chocaram-se contra os seus. O Orihara ficou alguns segundos sem se mover, e então quando percebeu o que estava acontecendo, deu um empurrão em Shizuo e se afastou.

- Maldito! O que pensa que tá fazendo?! – Não era nada difícil imaginar uma veia saltando da testa do Orihara. – Você estava histérico. -, disse Shizuo enquanto encarava o outro com uma expressão um pouco irritada. – E se você não consegue se lembrar do que fez, isso não é problema meu.

- Como não?! Seu... seu... estuprador!

Izaya saiu correndo naquele exato momento, mesmo usando aquelas roupas que com certeza eram de Shizuo. Honestamente, ele não se importava, só queria chegar logo em casa e tomar um banho estupidamente quente. Claro que, enquanto isso, xingava seu carma de todos os palavrões que conhecia.

Enquanto isso, Shizuo suspirava, tomando um gole de seu café.

-Flashback-

- Shizuooo~! Olha aqui, olha aqui~! — , gritava Izaya enquanto fazia peripécias na fonte do parque, que jorrava água alto e forte. Naquele momento, Shizuo se arrependia de ter oferecido alguns drinques pesados por conta da casa – não fazia idéia de que o outro ficaria tão bêbado...

Não que o plano não fosse esse. Shizuo só queria que Izaya ficasse alto e feliz o suficiente para dizer com sinceridade se ele se lembrava ou não do loiro, mas com as coisas fora de mão daquele jeito, ele nunca descobriria.

Distraído com seus pensamentos, Shizuo não viu o menor escorregando na beira da fonte e caindo direto na água congelante. – SH- SHIZUO!!

- Mas o que... – O loiro sentiu suas sobrancelhas tendo tique enquanto olhava o Orihara completamente encharcado, tremendo e pálido, quase tão branco quanto a neve. Ele nem tinha palavras para expressar o quanto ficou descontente assistindo à cena.

Suspirou pesadamente e andou até o jovem, jogando sua jaqueta nos ombros dele e o guiando até sua casa. Izaya mal conseguia andar, de tanto frio que passava.

Shizuo ergueu-o nos braços e o carregou todo o caminho, deu-lhe um trabalhoso banho quente para que não pegasse uma gripe, teve um trabalho ainda maior para vesti-lo e colocá-lo na cama.

O Orihara virou de um lado para o outro por alguns minutos, até que finalmente caiu no sono. Deitava com a barriga virada para cima, seu rosto fitava uma das paredes e seus braços descansavam sobre o travesseiro, ao lado de sua cabeça. Shizuo sentou-se na cama e observou-o por algum tempo.

Quase não tinha dúvidas – era o mesmo Izaya de anos atrás.

Com um suspiro suave, levantou-se da cama e foi até a sala esperar o despertar do outro, que com certeza seria um tanto desastroso.

-Fim de Flashback-

Shizuo terminou seu café e levantou-se, colocando sua xícara ao lado da de Izaya, que ainda soltava vapor. Colocou um cigarro na boca e acendeu-o enquanto olhava pela janela – de lá, via a silhueta de Izaya correndo pela rua, de pijama.

- ...continua o mesmo retardado impulsivo de sempre.

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Notas finais
Yama, que nome mais terrível né? HAHOIAHIOA foi mais pra preencher lacuna mesmo... e Izaya beberrão?! Shizuo pacífico?!
Desculpem pela falta de personalidade dos personagens! ):
Mas não se preocupem, logo muitas coisas serão atiradas, o humor não vai ser tão vago e estúpido e tudo vai fazer sentido!
Como dito anteriormente, tudo será explicado em seu devido tempo!
Espero que tenham gostado, e até o próximo capítulo! ♥