Royal - Lily Evans e James Potter
14 O Baile
Notas iniciais
POV James Potter
O dia do baile chegou, e eu obviamente não estava nada animado. Como poderia? Estava fazendo isso pra ver se parava de pensar na Lily e focava em construir uma família. Pensando melhor, essa é uma péssima distração. Claramente não vou parar de pensar na Lily.
Terminei de dar o nó na minha gravata e fui até a sala do meu pai. Bati e ouvi ele me mandando entrar. Abri a porta e ele estava olhando pela janela.
— Estou pronto, pai.
— Está mesmo? — ele disse, enquanto se virava.
Meu pai não concorda com esse baile. Ele e minha mãe sempre quiseram que eu me casasse por amor. Mas eu já encontrei o amor, e ele não me quer.
— Sim – respondi — já conversamos sobre isso.
— Tudo bem, não irei mais insistir nisso. Você sabe o que está fazendo.
— Que bom que entendeu.
— Não entendi – ele rebateu – mas não quero te dizer o que fazer.
Ele ficou olhando para mim com uma feição triste, e então começou a ir em direção a porta.
— Vamos, os convidados já estão chegando.
Segui ele até o salão, e ele se sentou no trono. Fiquei ao seu lado, em pé, e então notei que o trono de minha mãe estava vazio.
— Cadê minha mãe?
— Ela teve que resolver alguns assuntos essa tarde, deve estar chegando – ele respondeu, enquanto olhava os convidados entrando no salão.
— Que assuntos? — perguntei, estranhando.
— Nada demais. Hora de receber os convidados.
As pessoas começaram a se aproximar do trono e fazer reverências, nos cumprimentando. Meu papel agora era ser apresentado a todas as mulheres nobres de todos os reinos possíveis, enquanto suas mães e pais tentavam me convencer de que elas eram a melhor opção e o quanto sabiam tocar harpa graciosamente ou pintar aquarela.
Estava começando a ficar entediado, até que avistei duas pessoas que queria muito ver. Marlene e Sirius estavam vindo em minha direção. Ambos vestidos para um baile formal, o que era uma visão bem engraçada, porque nunca imaginei ver Sirius nesses trajes.
— Lindo baile, Vossa Majestade – disse Sirius, fazendo uma reverência e rindo logo em seguida.
— Não sei o que é mais engraçado — comecei a rir — Você me chamando de Vossa Majestade ou estar usando uma gravata.
— Nunca vou te perdoar por me fazer usar isso — então ele mexeu na gravata de maneira desconfortável.
— Foi uma luta conseguir colocar isso nele – Marlene de um tapa na mão de Sirius – mas não consegui vencer a batalha de fazer ele pentear esse cabelo.
— Eu jamais vou passar gel nesse cabelo, entendeu? — ele parecia perplexo – Jamais.
— Você é uma figura, Sirius – comecei a rir mais ainda – Mas brincadeiras à parte, quero que conheçam meu pai. Pai – me virei para ele – esses são meus amigos, Marlene Mckinnon e Sirius Black.
Meu pai os encarou de maneira curiosa e divertida. Fez um aceno com a cabeça e falou:
— É um prazer conhecer os amigos do James. Obrigado por terem ajudado ele durante a estadia na casa dos Evans.
Eles fizeram uma reverência e disseram algo sobre amigos servirem pra isso. Depois decidiram se retirar, pois a fila estava ficando grande.
Então eu continuei conhecendo moças e mais moças, mas agora pensando em Lily, pois meus amigos me fizeram lembrar dela. Nenhuma dessas moças chegava aos pés dela. Nem em beleza, e muito menos em inteligência. Como eu sentia falta dela.
Ouvi uma movimentação atrás de mim, e quando olhei, minha mãe havia chegado, e estava se sentando no trono dela. Ela me deu um sorrisinho discreto, e começou a cumprimentar os convidados também.
Aquele sumiço repentino dela era muito estranho. Que assuntos ela estava cuidando? Mas enfim. Eu tinha uma missão essa noite, e precisava ter foco. Encontrar uma esposa era o que eu precisava para tentar deixar Lily para trás.
Depois de todos os cumprimentos e todas as milhões de moças que conheci, era hora de dar início ao baile com uma dança. Eu, como anfitrião, deveria escolher uma moça para dançar. Minha única missão com todos esses cumprimentos foi me interessar pelo menos por uma o suficiente para chamá-la para a primeira dança, mas nem isso eu consegui fazer. Belo príncipe.
Uma música começou a tocar, eu deveria ir até o centro da pista e escolher alguém, mas estava ficando cada vez mais nervoso. Fiquei paralisado e meu coração começou a disparar. Então, do outro lado do salão, eu avistei. Ela.
Lily entrou no salão, usando um lindo vestido de baile verde escuro. Seus cabelos estavam presos em um coque no alto da cabeça, e algumas mexas onduladas caíam sob seu rosto. Ela estava olhando ao redor, um pouco perdida, e as pessoas não pareciam notar sua presença. Como é possível ninguém notar a presença dela?
Eu finalmente saí de onde estava e fui em direção a ela. Confesso que nem a música eu conseguia ouvir mais. Minha cabeça ficou completamente vazia, e eu só conseguia enxergar aquela linda moça ruiva. Fui desviando das pessoas e elas iam abrindo caminho para mim na esperança que eu escolhesse alguma delas, mas não. Eu só tinha olhos para uma.
Então a Lily me notou. Conforme as pessoas foram causando uma movimentação diferente pela minha presença, ela olhou ao redor e finalmente me viu. Seus olhos verdes brilharam e pude notar que ela estava usando um batom vermelho que deixou ela ainda mais bonita.
Quando finalmente consegui alcançá-la, peguei sua mão e disse:
— Me daria a honra dessa dança?
Ela piscou algumas vezes e disse que sim com a cabeça. Então, a puxei para o centro do salão, coloquei as duas mãos em sua cintura e ela entrelaçou meu pescoço com os dedos. Comecei a guiá-la pela pista no ritmo da música, e a olhei nos olhos.
— Não esperava te ver aqui – falei.
— Eu não esperava vir – ela disse, um pouco tímida.
— E o que te convenceu? — perguntei de forma despretensiosa.
— Você.
— Eu? — perguntei surpreso.
— Eu queria te ver — ela acariciou meu pescoço com os dedos, me causando um arrepio.
Fiquei um pouco sem reação, porque confesso que agi por impulso quando chamei ela pra dançar, e agora caindo na real achei que ela teria vindo por conta dos amigos, ou porque seus pais mandaram. Não achei que seria para me ver.
— Estava com saudades? — falei brincando, para tentar quebrar o clima, mas ela permaneceu séria.
— Sim, estava.
A dança ficou mais agitada e comecei a guiá-la em outros passos que a levavam para longe de mim. As outras pessoas começaram a encher a pista, dançando conosco. Ainda bem, porque fiquei sem palavras. Não sabia o que dizer depois de ela afirmar que sentia minha falta. Meu coração estava dando cambalhotas.
A música foi chegando ao fim, e eu ainda não sabia o que dizer. Finalizei a dança pegando sua mão e beijando os nós de seus dedos. Aqueles olhos verdes me encaravam intensamente, e fiquei sem reação, segurando a mão dela. Então ela chegou bem perto e falou:
— Podemos conversar?
Assenti, peguei na mão dela e fui a conduzindo até o jardim. Essa parte da casa não estava aberta ao baile, então teríamos um pouco de privacidade. Fomos caminhando lado-a-lado pelo labirinto de flores e arbustos e ela permaneceu quieta, pensativa.
— O que você tanto pensa?
— Estou tentando tomar coragem – ela disse, soltando o ar com força.
— Coragem? Você pode me falar qualquer coisa Lily, eu jamais ficaria bravo com você — olhei para o céu e notei que estava cheio de estrelas.
Ela parou de andar de repente, pegou no meu braço e fez eu me virar de frente para ela.
— Certo – ela pigarreou – James...
— Oi – respondi, incentivando. Peguei em sua mão e ela estava muito gelada — Está tudo bem? Aconteceu algo com seus pais? Por que você está nervosa desse jeito?
— Não, não aconteceu nada com eles – ela olhava para nossas mãos.
— Então o que foi?
Ela suspirou e olhou nos meus olhos. Vi insegurança naqueles olhos verdes, mas não sabia o que poderia ser.
— A sua mãe foi me procurar hoje.
— Minha mãe? Por quê? — franzi o cenho.
— Ela veio me contar a história dela e do seu pai. A origem dela. Aquilo que você queria me contar quando não deixei você falar e fui embora.
— Minha mãe te contou? Ela foi até lá?
— Sim – ela deu um passo para frente – E eu percebi que sou uma idiota. Por deixar você ir — a última frase saiu como um sussurro.
— Lily...
— James – ela me interrompeu – eu sei que agora pode ser tarde demais, e que você fez esse baile hoje para procurar uma esposa e esquecer totalmente de mim, mas eu não poderia desperdiçar essa última chance que o universo me deu. Eu tinha que tentar – ela segurou minha mão com mais força — Eu criei coragem pra vir aqui te dizer que eu também te amo, e que não quero viver sem você. Eu estava com medo de tudo que poderia dar errado, de eu sofrer vendo você ir embora, da rejeição dos seus pais. Mas aí sua mãe veio e colocou um pouco de juízo na minha cabeça. Ela me fez ver tudo que você queria me dizer e eu não deixei. Me desculpa por ser tão teimosa.
Ela finalmente parou de falar e deu uma respirada funda, puxando todo o ar que não respirou durante o tempo que falou. Eu, pelo contrário, soltei todo o ar que estava prendendo em meus pulmões.
— Confesso que parei de ouvir no “eu também te amo”.
Com uma mão segurei sua nuca, e com a outra enlacei sua cintura e a puxei para perto de mim. Consegui sentir todo o calor do seu corpo, e depois de olhar profundamente nos olhos dela, eu a beijei. O que eu mais desejei fazer nessas últimas semanas se realizou. Eu tinha Lily em meus braços.
Aprofundei nosso beijo e senti sua língua encontrar a minha. Como era bom finalmente sentir que ela é minha. Tirei a mão de sua nuca e segurei com mais força sua cintura. Ela segurou meu pescoço com as duas mãos e me puxou mais para perto. Então afastamos nossas bocas apenas alguns centímetros.
— Você ainda me ama? — ela perguntou.
— Nunca ia conseguir deixar de te amar, Lily.
— Eu fiquei com medo de ter te perdido pra sempre.
— Eu achei que tinha te perdido pra sempre — falei, passando a mão em seu rosto.
— Me perdoa por ser uma idiota?
— Só se você se casar comigo.
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