Royal Diary
12 Príncipe zangado.
Notas iniciais
A rainha Valerie se adiantou na frente e pediu que todas as outras convidadas permanecessem em suas cadeiras e não atrapalhassem.
Quando ela saiu, acompanhada pela empregada, todas as Selecionadas se entreolharam, vi Cassandra resmungar uma palavra de maldição e fazer careta.
— Não gostei muito dela! — ouvi a loira comentar para uma de suas amigas mais intimas entre as Selecionadas. — Imaginei que fosse uma pessoa digna e elegante, mas dá ouvidos para pedintes como a Daisy.
Senti uma forte pontada no estômago ao ouvir a menção do meu nome.
— Todas nós — continuou Cassandra, olhando feio para mim. Parecia cuspir cada palavra. — sabemos que isso não é verdade. Uma filha de empregada, cria de agricultor, motorista, lixeiro... nunca será uma rainha! Nunca chegaria aos pés de uma e nem seria mesmo que nascesse duas vezes.
— Cassandra você é tão bonita, — Eleven comentou. — uma pena que não sabe refrear a língua, no primeiro encontro com o príncipe vai ser posta para fora do castelo, já posso imaginar.
— Ria muito — a loira gargalhou para a ruiva. — porque quando eu for rainha, você sua família vão comentar nos estábulos com os animais do castelo.
Me levantei da mesa, ficava enjoada só de ter que ouvir aquela vozinha chata que só saia implicância. Fui para dentro do castelo. Enquanto caminhava pelos corredores admirava os retratos e as estatuas que decoravam os saguões. Um baque surdo atrás de mim que me deixou paralisada.
— Me... desculpe. — viro para trás e me deparo com Nataniel. O rosto molhado de lágrimas, os olhos vermelhos.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto com uma mescla de hesitação e medo. — você quebrou isso?
— Eu estou farto! — ele gritou. — As pessoas acham que eu sou o que?
Fiquei tremula, não sabia direito como reagir ou se deverei. Então me aproximei e o abracei.
Era a primeira vez que eu sentia o calor de seu corpo, sua respiração pesada e o movimento forte do bater de seu coração.
— O que aconteceu? — perguntei.
— Meu pai — ele gemeu e me apertou com tanta força. — ele está muito mau e a culpa é toda minha.
— Seu pai? — perguntei enquanto nos separávamos. — Céus! Sinto muito... ele teve problemas com o coração?
— Sim — Nataniel confirmou. — nós dois estávamos discutindo, eu fui tão grosso, não sei me controlar quando tenho raiva.
Olhei para o vaso de porcelana quebrado no chão. Era verdade. Nataniel parecia um leão selvagem quando zangado.
— Daisy, me leve daqui, por favor! — ele me pediu. Ouvi passos se aproximando. Peguei em sua mão e o guiei em direção aos passos, eram de Cassandra e Juniper, as duas nos encaravam mas não liguei. Levei Nataniel até a cozinha e dei a ele um pouco de água fria.
— Já se sente melhor? — perguntei.
Ele assentiu.
— Sobre o que discutiam? — perguntei.
— Não é seguro dizer. — me respondeu e se recompôs. — como estão as Selecionadas?
Franzi as sobrancelhas. — Por que está me perguntando sobre isso?
— Se esqueceu? Você é a minha informante, Juniper. — ele replicou.
— É Daisy. — o corrigi, sentindo uma dorzinha no peito por causa que ele se esquecera do meu nome. — Você tem que tirar a Cassandra Headley. Céus, ela é terrível! Egocêntrica, quer pisar na cabeça de todo mundo e sem contar que diz ser a melhor por ser rica.
— Cassandra Headley? Quis dizer que preciso tirar a loira modelo? — ele ergueu as sobrancelhas. — não vai ser possível, pelo menos não agora. Sabia que tem muita gente por aí que torce por ela? Cassandra é a favorita entre o público.
— O que? — fiquei paralisada. — ela é uma bruxa, isso sim.
— Mas é famosa e bonita. As pessoas gostam disso e dá audiência. — disse simplesmente.
Fiz uma careta. Virei as costas para ele. O absurdo de descobrir que o Nataniel real se importava com a opinião das pessoas me abalou. Nunca pensei que o garoto que sempre amei fosse um idiota presunçoso que se importava com fama e beleza.
— Daisy. — ele me chamou mas não me voltei para ele.
+++
— Preciso urgentemente de um banho. — disse ao adentrar no meu quarto, imaginando ver Hazel. — Quem é você?
— Sou Clarisse. — respondeu a mulher de aparência severa parada ao lado da cama. Ela riu, ou tentou rir. — Hazel é a minha filha. — ela me olhou de cima a baixo. — e ela está doente. Vou cobri-la.
— Mas você não trabalha para a rainha? — perguntei.
— Sim, mas os meus serviços a ela são desnecessários. Sou uma das criadas mais velhas desse castelo, fiz o parto do próprio príncipe Nataniel. — ela me disse.
Eu pensei, "então deverei conhecer a minha mãe. Deve ter pelo menos trabalhado ao lado dela." Mordi a língua para tentar não perguntar se ela sabia de algum caso entre outro homem e mamãe ou se pelo menos tivesse pistas do meu verdadeiro pai.
— Um banho. — disse apenas.
Clarisse assentiu.
Fale com o autor