Rotten Flesh
5 Capítulo V
Notas iniciais
Dan:
“Minha cabeça doía, sangue escorria da minha testa pelo meu rosto, havia tantos sons diferentes, vozes que eu não conseguia reconhecer, batidas que não eram do coração.
Havia um peso sobre mim, o peso de uma pessoa, uma respiração no meu pescoço.
Tudo doía, como da vez em que eu tentei jogar futebol americano- pior decisão da minha vida. Eu tentei abrir os olhos, mas minha cabeça doía de mais para isso, ouvi uma voz familiar, desespera, seguida por outra também conhecida muito aflita.
—George, eles ainda estão no carro!! —era Amber
Eu sentia o cheiro de combustível e fumaça, poeira e sangue, carne podre.
Ouvi o barulho de metal raspando em metal, como algo emperrado tentando ser aberto. Ouvi tiros, barulhos que eu estava acostumado a ouvir, ouvi também rosnados e a chuva.
O metal parou de raspar, algo foi tirado de cima de mim, logo depois mãos agressivas começaram a me puxar pelos ombros, não as mesmas que tiraram o peso de cima de mim. Um fedor pútrido entrou em minhas narinas, nem com isso eu consegui abrir os olhos, o rosnado se aproximava de mim. Mas um tiro o encerrou, as mãos agressivas me soltaram e pelas minhas pernas outras mãos me puxaram. A chuva me atingiu, fria contra meu corpo quente, alguém me jogou sobre algo e começamos a nos mover, minutos depois houve uma explosão, tão alta, quente e chamativa. Ainda me movimentava, passos apressados podiam ser ouvidos, assim como tiros e respirações ofegantes.
Eu não queria abrir os olhos, estava assustado de mais, minha cabeça doía de mais. Acho que foi ai nesse momento que minha ficha caiu, eu iria morrer, talvez não fosse nesse dia, mas era inevitável que isso acontecesse, de uma forma rápida e indolor como um tiro na cabeça ou lenta e dolorosa como ser devorado vivo. Eu podia desistir ali se eu quisesse, seria mais rápido, podia me fingir de morto e esperar pelo tiro de misericórdia, seria menos angustiante que continuar e esperar a morte dolorosa todos os dias.
—Rápido!! —Amber gritou
—Atire naquele ali, eu levo ela!! — George mandou
Então mesmo sem abrir os olhos eu os vi lutando e correndo para se manter vivos. Desistir não estava na lista de afazeres dos dois.
Por eles eu abri os olhos.
George:
Havia muitos deles ali, estávamos cercados. A chuva nos castigava, o barulho alto não me deixava pensar, Amber e eu havíamos subidos em um tanque de guerra deixado ali, Dan e a tal Marina caídos aos nossos pés, nós tentávamos afastar os mortos dali, mas eram muitos. Sabíamos que não tínhamos chance, entretanto reuníamos força e coragem para tentar lutar contra aquelas coisas.
Antes disso tudo eu era um geek, passava noites em claro assistindo filmes, series e jogando videogames sobre isso e desejando viver em um mundo de aventuras e sobrevivência como aqueles. Minha irmã não, tudo o que ela sempre quis foi entrar para Stenford, fazer design gráfico, arrumar um namorado legal e viver uma vida normal, ela realizou seu sonho dando duro e então meu sonho egoísta e idiota tirou tudo dela... e do mundo todo.
Ela sempre me diz que não foi culpa minha, eu sei disso, eu sei o que realmente aconteceu, mas não consigo parar de lembrar que um dia desejei isso, com todas as minhas forças. Eu odeio esse novo mundo mais que odiei meu primeiro dia no time de baseball, esse ódio era o meu combustível ali, eu o usei como carvão para me alimentar, me manter lutando e amassando aquelas cabeças podres com meu taco.
Amber estourou a cabeça de um morto que tentava morder Marina. Seus olhos verdes, assim como os meus, tinham um brilho furioso, é estranho pensar que até uns dias antes disso ela nunca havia tocado em uma arma.
Dan abriu os olhos e se levantou meio atrapalhado, lhe lancei um olhar, nada mais que isso, e ele já soube o que fazer, pegou Marina e a colocou nas costas, ele ainda estava tonto, mas conseguia ficar de pé.
Nós não íamos fugir, não tinha jeito, mas íamos nos proteger até que o último caísse.
Alguns mortos atraídos pelo carro em chamas, por mais que a chuva as tornasse menores do que deveriam ser.
—O que faremos? —Amber indagou—As balas da garota acabaram!
—Não dá para entrar nessa coisa? —Dan gritou se referindo ao tanque
—Tem um deles lá!! —gritei de volta
Ele estava desesperado.
Ouvimos o barulho de um carro.
Alguma coisa foi jogada entre os carros.
Booom!
Sangue e pedaços de corpos voaram para todos os cantos.
Fiquei meio surdo por um tempo, e tonto, pois a explosão quase nos jogou longe- não era culpa só da explosão, mas sim dos braços e pernas que nos acertaram.
A nossa esquerda havia um jipe, dois caras e uma garota ficaram de pé nos bancos erguendo os braços em comemoração. Um deles tinha a cabeça raspada de um lado e os cabelos pretos arrepiados no outro lado e na frente, usava calças de combate, uma camisa branca e coturnos, para mim parecia mais com um punk que com um militar. A garota tinha cabelos loiros curtos e usava roupas parecidas com as dele. Eles conversavam, mas eu não conseguia ouvir.
Um cara de jaqueta jeans e roupas sujas de sangue assim como o rosto- mesmo com a chuva o sangue não parecia querer desgrudar de seu rosto-, parou de comemorar e desceu do jipe atirando com um fuzil nas cabeças dos mortos que ainda restavam e nos que chegavam. Ele se aproximou de nós com os outros cuidando de sua retaguarda sem sair do jipe, apenas atirando com suas grandes armas nos mortos que se aproximavam de seu amigo por trás.
Ele ajudou Amber a descer do tanque, depois a mim e Dan que carregava Marina. Havia um zumbido terrível em minha cabeça, chegava a doer. O cara nos levou para o jipe, ficamos na parte de trás sem protestar- não estávamos em condições para isso mesmo-, Amber tinha um corte feio no braço e sua cabeça sangrava, a cabeça de Dan também sangrava, Marina estava desacordada e eu tinha um corte na perna.
O cara de cabeça raspada de um lado começou a dirigir, não sem antes lançar um olhar nada puritano para o lado da minha irmã- não gostei.
[grunhido irritado]
[risada divertida]
—Olá. —consegui ouvir a garota loira dizer com um sorriso—Eu sou Bianca, esses são Castiel—apontou para o punk— e Joe. —apontou para o de jeans
—Vamos leva-los para o nosso acampamento, vamos cuidar de vocês lá. —Joe disse
Assentimos amontoados no banco de trás com o que sobrara de nossas coisas e Marina desacordada.
Dan lutava para se manter acordado e Amber tentava não chorar e amarrar um pano em seu machucado, tentei ajuda-la, mas minhas mãos tremiam.
O zumbido diminuía aos poucos, mas ainda era doloroso.
Eu sou um geek, não um guerreiro.
Ainda não.
Não sei quando desmaiei, mas eu o fiz.
Quando acordei estava em um lugar quentinho e consideravelmente macio, eu ouvia o barulho da chuva caindo sobre alguma coisa e escorrendo, ouvia pessoas também, mas pareciam distantes.
Abri os olhos, estava deitado um colchão jogado no chão e coberto por um cobertor. O teto e as ‘paredes’ eram de lona branca, ao meu redor haviam outros colchões, Marina se deitava em um deles a minha direita e a minha esquerda Dan acabara de acordar e esfregava os olhos, sua cabeça estava enfaixada.
Me sentei meio tonto e olhei melhor ao redor. Em uma das fileiras de colchões Amber estava caída no chão e um homem caído em cima dela, com cada joelho de um lado do corpo dela e os braços acima da cabeça dela.
—Amber! —gritei”
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