Rotten Flesh
7 Capítulo VII
Notas iniciais
Marina:
“George ficou bem intrigado depois disso, eu não liguei muito, estava segura ali, tinha comida quentinha, um lugar para dormir e nem tinha que me preocupar com os mortos. Podia ficar ali para sempre enquanto não tivesse que me preocupar com nada.
Dan e a garota irmã de George, Amber, ficaram afastados dos outros não importava o quanto Castiel, o punk, e mais duas pessoas, uma tal de Bianca e um Joe, tentassem se aproximar, os três só se afastavam alegando que não queriam criar vínculos, pois partiriam o quanto antes. Eu estava na minha, de manhã nos davam mingau de aveia com mel, era simples, porém bom, no almoço nos davam pão, carne, salada e suco, a noite a mesma coisa. A comida era racionada, todos tinham o direito a apenas três porções por dia, os machucados com chance de se recuperar com o tempo tinham direito a quatro, os doentes não precisavam de tanto.
À noite naquele lugar o barulho que havia de dia diminui, mas se torna assustador. Você pode ouvir as lamurias sussurradas, gemidos arrastados e últimos suspiros, os passos dos militares nunca paravam, eu os agradecia por isso.
George não dormia, eu podia ver o brilho de seus olhos verdes no escuro, sempre guardando Amber e Dan. Não sabia se os sons o mantinham acordado ou se ele desconfiava demais do lugar para dormir, também não tinha certeza se queria perguntar.
—Pare de me encarar. —ele mandou
—No. —respondi—Você me intriga.
—Não me importa, só pare de me encarar. —ele torceu o nariz
Resolvi tentar, respirei fundo e perguntei:
—Você não gosta daqui, por quê?
Ele não respondeu a principio, apenas ficou encarando o nada com seus olhos frios, escorado em uma pilha de colchões perto de sua hermana e o garoto.
Depois de algum tempo ele disse:
—Preciso voltar para casa e achar meus pais, mas sinto que não vão me deixar sair daqui.
—Por quê?
—Perguntei a eles se podiam nos arranjar um carro e alguns suprimentos, mas nenhum deles me respondeu. —contou
Me virei e passei a olhar para o teto.
—É obvio, por que os deixariam ir se aventurar de forma suicida se o trabalho deles é mantê-los a salvo, aqui.
Ele ficou em silêncio, ele sabia disso, sabia que era o trabalho dos militares, mas não estava convencido de que era apenas isso. George é uma pessoa complicada, ouvi dizer que antes disso tudo ele era um geek fracote, mas agora tem toda a pose de um líder.
Ouvimos um grito de dor, me sentei olhando para os lados alerta, George se levantou tão, ou mais, alerta que eu. Outro grito, G correu e eu o segui meio hesitante. Estava tudo escuro, não havia militares naquele corredor como havia pela manhã, mais um grito vindo de uma área atrás da enfermaria.
Passamos pelos enfermos gemendo e choramingando, George tapou o nariz e a boca ao passar por lá, repeti a ação sem pensar. Ele tateou a lona até achar uma abertura, ele empurrou a lona branca devagarinho e passou para o outro lado, eu o segui. Acabamos chegando a um corredor que seguia reto, não havia outra forma de acessa-lo além daquela abertura na lona por onde passamos, seguimos reto até encontrarmos uma outra abertura, George entrou.
Essa dava a um lugar como uma sala de cirurgia, uma mulher estava deitada em uma maca no centro, ela tinha seus braços e pernas amarrados e era ela que gritava de dor. George se aproximou aos poucos, muito cautelosamente, eu o segui. Nos escondemos atrás de uma maquina cheia de fios, vimos seis homens se aproximarem da mulher, três militares e três médicos.
Avaliaram seriamente a mulher que parou de gritar para rosnar para eles e tentar morde-los.
—Alguma descoberta relevante? —Um militar, Major Wells de acordo com o que estava escrito em sua farda, inquiriu
—Nada apenas constatamos o que já sabíamos, —um médico, Doutor Willis de acordo com o crachá, informou— a criatura não sente dor, embora quando nos afastamos ela às vezes grita para chamar nossa atenção...
—Left for Dead... —George sussurrou com um sorriso amargo
Olhei para ele indignada, não acreditava que ele estava se lembrando de um jogo bobo num momento como aquele.
—A luz forte não incomoda seus olhos ou causa nenhuma reação na pupila, entretanto isto parece atrair assim como o barulho e a fome compulsiva se prolonga até mesmo após o óbito e a volta...
—Não me interessa! —Major Wells bradou—Quero uma vacina, não informações sobre essas coisas que podemos facilmente eliminar com um bom tiro na cabeça como fazemos com qualquer um que nos atrapalhe!
Willis engoliu em seco, eu e George nos esgueiramos por detrás de algumas maquinas tentando encontrar um lugar melhor para ver.
—Nós estamos cuidando disso, já preparamos um protótipo, assim que estiver pronto vamos começar os testes...
—Não! Amanhã mesmo vocês vão começar esses testes, estou cansado de esperar, precisamos de resultados! —Wells disse—Se formos os primeiros a achar a cura para isso... imagine as recompensas depois.
—Mas senhor, é apenas um protótipo, não sabemos se vai funcionar ou se haverão consequências. —Willis disse
A mulher tentou morder a mão de Wells, ele estalou os dedos e um dos soldados deu um tiro na cabeça dela, graças ao silenciador, não houve barulho para acordar ou assustar as pessoas, mas os médicos se assustaram por todos.
—Lidaremos com as consequências dessa mesma maneira. —Wells se aproximou do homem com uma expressão assassina—Agora façam o que eu mandei fazer!
Os médicos assentiram pálidos.
Nós olhávamos tudo aquilo assustados, senti uma mão em meu ombro.
—Vocês não deviam estar aqui.”
Fale com o autor