Rotten Flesh

9 Capítulo IX


Notas iniciais
O capítulo dessa semana é um pouquinho maior que o de costume, porque agora as coisas vão ficar complicadas, hehe :3 Boa leitura ^^

Amber:

“George desapareceu.

Eu fiquei desesperada quando acordei e não o vi ali, Marina não estava lá também, na verdade muitas pessoas que dormiam naquela mesma ala que nós haviam desaparecido.

—Dan... Daniel acorde, rápido! —o balancei em seu colchão

Ele abriu seus olhos meio preguiçosamente, balancei-o com mais força tentando fazê-lo despertar mais rápido.

—Caralho, Amber, o que foi?! —xingou ao se sentar

—George sumiu! —falei

—O que? —ele olhou para o colchão de George, vazio e intocado como se ninguém tivesse dormido ali—Ele deve ter ido ao banheiro, Amber, pelo amor de Deus onde mais alguém iria depois de acordar?!

Calei-me. Talvez ele estivesse certo e eu estivesse me preocupando por nada, mas George nunca sairia sem dizer nada, algo no meu coração me dizia que aquilo não estava certo.

—Eu vou procurar por ele. —me levantei rápido do chão

Dan revirou os olhos e me seguiu.

Passamos em frente da área dos enfermos, tapamos a boca e o nariz ao passar por lá, George não estava ali obviamente. Seguimos o corredor até a ‘cantina’, eu esperava ver as pessoas que não estavam dormindo na nossa ala ali, mas só havia militares andando de um lado para o outro e comendo.

Ele não estava nos banheiros, nem na entrada, nem no ‘estacionamento’ ou na enfermaria dos civis que não estavam doentes. Ele não estava em lugar algum!

—Ele sumiu! —falei começando a chorar—Ele sumiu, Dan! Eu quero meu irmão, eu não posso perdê-lo!

—Hey! — ele agarrou meus ombros—Te acalma mulher! Os militares devem saber de algo, ele não pode ter sumido assim do nada, a menos que tenha sido abduzido.

—Daniel! —bradei

—Os mortos estão andando, Amber, quem te assegura de que não há aliens também?! —falou exasperado

Bufei secando as lágrimas, eu não tinha tempo para chorar, eu tinha que achar George, devia ter algum lugar que eu não havia procurado ainda, ou talvez ele tivesse voltado para o dormitório quando sai.

Segui de volta ao dormitório, nós estávamos no ‘estacionamento’, era melhor sair de lá o quanto antes, pois os militares não gostavam de nós civis perto de seus carros. No caminho me esbarrei com Castiel na ‘cantina’, ele parecia perturbado e cansado.

—Você viu George? —perguntei

—Ou Marina... —Dan falou

—Não. —ele passou as mãos no rosto tentando se recompor—Vocês viram minha prima por acaso?

—Sua prima? —indagamos

—Bianca. —ele falou—Ela e Joe saíram ontem a noite e eu não os vejo desde então...

Negamos com a cabeça, muita gente havia sumido, aquilo definitivamente não estava certo. Talvez fosse o momento de ir falar com os militares, embora Castiel me dissera que não devíamos confiar neles e essa era a única coisa que George concordava com ele, eu não tinha outra escolha.

Major Wells era o responsável por aquele acampamento, era um homem alto e assustador como a maioria dos outros, seus olhos azuis eram estranhos e me davam arrepios. Castiel costumava zombar de todos os outros militares menos daquele homem, talvez compartilhasse o mesmo medo que eu.

Caminhamos até o Major que estava sentado à uma mesa tomando café da manhã, ele diferente de todos os outros militares ou não, tinha suas regalias, não comia mingau de aveia ou nada como nós. Ele comia panquecas e tomava suco, ou comia frutas e pão, sua mesa de café da manhã era colorida e deliciosa, mas era tão exclusiva à ele que nós tinhas que ficar a uma certa distancia enquanto falávamos.

—E é isso, senhor, minha prima e mais algumas pessoas desapareceram, gostaríamos de saber se o senhor sabe de alguma coisa. —Castiel falou por mim e Dan

—Um grupo foi escolhido para ir buscar suprimentos e pessoas na cidade, você Smith já devia estar acostumado com isso. —o homem falou sem nem mesmo olhar na cara de Castiel

—Sim, senhor, mas geralmente somos avisados antes disso acontecer e eu não fique sabendo de nada dessa vez e...

—Meu irmão não sairia sem me avisar antes, além do mais, nós não pretendíamos ficar aqui por muito tempo, ele não tinha obrigação alguma de ir. —bradei

O homem finalmente desviou seu olhar da comida para nós e me encarou fixamente.

—Quem é você? —ele perguntou

—Eu quero meu irmão. Agora. —o encarei de volta

Castiel ficou inquieto ao meu lado enquanto o homem me avaliava de cima a baixo.

—Eu lhe fiz uma pergunta. —falou inquisitivo—Responda.

Abri a boca, mas Castiel pisou no meu pé e me olhou com raiva.

—Diga seu nome, docinho.

—Nã... —levei uma cotovelada de Dan

—O nome dela é Amber, Amber Peterson. E o irmão dela tem sido a única coisa que não permitiu que ela se matasse esse tempo todo, então é por isso que ela está assim. —ele falou com um sorriso falso—Ela é uma idiota, atiraria no próprio pé se colocassem uma arma nas mãos dela.

O homem se levantou e se aproximou de mim, agarrou meu queixo e o levantou para que eu o olhasse nos olhos.

—Sabe, Amber... é por causa de pessoas como você que as coisas estão assim lá fora. —ele falou com um sorriso debochado— Inúteis e assustados de mais para fazer alguma coisa, fracos... quando isso tudo começou, ninguém sabia que os mortos se rebelariam contra nós, mas pessoas como você tinham medo de mais da doença, entraram em pânico e atrapalharam os fortes.

—Hey, velhote! —Daniel me puxou e olhou feio para o Major—Não encosta nela...

Wells deu um tapa no rosto de Dan que teria caído se eu não tivesse o segurado.

—E então vieram os delinquentes, como ele, que não tem medo da autoridade, que acham que podem fazer e falar o que quiserem. —ele continuou—Eles começaram a usar a cidade como seu playground particular, queimaram carros, saquearam lojas, mataram pessoas... tudo isso nos atrapalhou e não demos atenção para os doentes ou os mortos que voltavam e cresciam o numero aos poucos, foi por causa de gente como vocês que nós estamos longe de nossas casas agora, estamos em perigo.

—Onde é que meu irmão estar desaparecido entra nisso? —rosnei

Ele riu com escarnio.

—Você realmente não entende... por isso tudo ser culpa de gente como vocês, é obrigação de vocês, querendo ficar aqui ou não, ajudar aqueles que foram atrapalhados, ou seja nós militares. —ele falou—Então seu irmão foi cumprir com a obrigação dele, aceite isso. Agora saiam da minha vista.

Eu não acreditei muito nele, algo estava muito errado, eu conhecia meu irmão, ele iria se fingir de morto, mas não ajudaria esses homens.

Depois disso Castiel ficou muito bravo comigo.

—Será que você não ouviu uma única palavra do que eu disse? Não se meta com os militares! —brigou

Mas logo em seguida ele voltou a falar comigo, um pouco emburrado principalmente porque notou que eu não dava a mínima para o fato de ele estar ou não com raiva de mim. Embora eu não goste de admitir, eu fiquei um pouco feliz quando ele voltou a falar comigo.

[Dan: Hmmmm Ambeeer...]

[risada maliciosa]

[Amber: E- eu quero dizer... porque ele seria muito útil no futuro.]

Dois dias se passaram e uma caravana chegou, eu estava muito animada achando que havia veria meu irmão, mas ele não estava lá, nem Bianca, Marina ou Joe... logo depois eu ouvi alguns comentários, um grupo de vivos apareceu e matou algumas pessoas do grupo.

Meu mundo caiu, eu entrei em desespero. Tentei fugir, tentei sair de lá e ir atrás do meu irmão sozinha. Mas eles me prenderam, me apagaram.

Eu acordei algumas horas depois, Castiel e Dan cuidavam de mim, não me deixavam a sós um minuto sequer. Tudo o que eu queria era morrer.

Eu estava praticamente sozinha, sem meu celular eu não podia me comunicar com a minha família, nem certeza se eles estavam vivos ou não, eu não tinha esperança alguma.

Depois de quatro dias eu já não queria mais seguir em frente.

—Amber! —Castiel gritou quando me viu durante a noite indo em direção a uma das cercas do acampamento

Havia alguns mortos ali naquele ponto e nenhum militar vigiando, então eu ia me jogar para eles.

Castiel me abraçou por trás e tentou me puxar para longe dali enquanto eu me debatia.

—Me solta! —gritei enquanto chorava

—Daniel, me ajude aqui!

Dan veio e me encarou desesperado e ao mesmo tempo raivoso.

—Você enlouqueceu? —bradou—Tem noção do que ia fazer?

—Eu não aguento mais esse mundo, não aguento... —chorei

—George não ia querer que você fizesse isso, docinho, ele ia querer que você lutasse. —Castiel falou

—Você não sabe nada sobre ele, você não o conheceu! —rosnei, ele me arrastou até a lona, longe da cerca

Me soltou me virando para si me fazendo encarar seu rosto.

—Você está certa, eu não o conheci, mas conheço você e eu sei que você é uma guerreira, então ele também foi. —falou sério

Desabei em seus braços permitindo que ele me abraçasse. Papai, George e Adam me abraçavam assim quando eu estava triste, com ternura, cuidado e preocupação.

—Meus pais e meu irmão morreram em um acidente de carro quando eu tinha cinco anos, desde então eu fui criado pelos meus tios, os pais da Bia. —contou—Há duas semanas eu vi eles, minha única família, sendo devorados. Bia quis desistir, quis atirar em si mesma e estourar os próprios miolos, mas eu continuei e a fiz continuar lutando... você também consegue fazer isso, Amber, sua família ainda está por ai. Pense nisso.

—E ela tem a mim! —Dan falou—Eu sou tudo o que ela precisa.

Castiel torceu o nariz e eu consegui sorrir um pouco.

—Eu vi um movimento ali! —uma voz masculina gritou

—Merda! —Castiel resmungou—Eu posso dar um jeito de livrar a gente, mas você, toquinho, você precisa correr. Eles não vão ficar felizes de nos pegar acordados depois do toque de recolher.

Dan xingou e me lançou um olhar antes de se enfiar em baixo da lona. Vimos as luzes das lanternas e o barulho dos passos pesados dos coturnos dos militares.

—Okay, não me contradiga, esses caras me devem então não vão pegar tão pesado com a gente. —ele explicou

Assenti, então ele me agarrou pela cintura me puxando para mais perto e me beijou esquecendo toda a ternura daquele abraço pouco tempo atrás. Seus dedos se perderam nos meus cabelos e a cada segundo pare4ciamos nos aproximar mais e mais embora eu acreditasse que mais perto que aquilo fosse impossível.

Eu ainda estava em choque quando os militares chegaram.

—Hey, vocês! Não deviam estar aqui fora! —um homem bradou

Cas se afastou sorrindo sacana.

—Olá policiais, juro que não estávamos fazendo nada de errado... ainda. —zombou

—Castiel, você está começando a me irritar. —o militar trincou o maxilar e se aproximou de nós com as narinas dilatadas de raiva—Você pode ter seus privilégios, mas ainda é só um civil, não se esqueça disso.

—Não se preocupe, policial, nós íamos usar proteção. Sei que de bebês babões nesse lugar já basta vocês. —passou o braço em volta dos meus ombros

Passei o braço em sua cintura e senti algo ali nas suas costas. Uma arma!

—Hey, Cas, vamos voltar ao que interessa, hm? —me aproximei dele novamente ainda com o braço em volta da sua cintura

Ele me olhou surpreso e corou quando eu o beijei. Eu odiava fazer aquilo, estava traindo Adam, mas era o único jeito. Tirei a arma de debaixo da sua camisa com cuidado e consegui esconde-la atrás de mim antes que os militares nos separassem.

—Para dentro os dois! Já chega disso! —rosnaram

Escondi a arma em mim da mesma maneira que Castiel escondera, usando a desculpa de estar endireitando a roupa. Castiel lhes lançou um ultimo sorriso de escarnio e me puxou para dentro. Ao chegarmos no dormitório não encontramos Dan e eu entrei em pânico de novo.

—Onde ele esta? —indaguei desesperada—Oh meu Deus! Oh meu Deus!

—Não se desespere, Amber, ele deve estar bem, provavelmente só está escondido.—Castiel tentou me acalmar

Foi então que ouvimos o grito dele. Eu não esperei nem um segundo mais, corri na direção do som. No fim do corredor escuro perto da ala dos enfermos dois militares cercavam Dan, um deles segurava uma 38 e outro um taser.

—Eu vi o que vocês fizeram, seus monstros! —ele bradou—Eles são pessoas, não ratos de laboratório!

Os militares se entreolharam, um deles, o com o taser pegou um walkie talkie e ligou.

—Major, nós temos um problema aqui, permissão para...

Dan lhe deu um chute no meio das pernas.

O militar se curvou e o outro apontou sua arma para o meu menino.

Nem precisei pensar.”

Notas finais
Cometários? Favoritos? ;-;