Notas iniciais
Bom dia/Boa tarde/Boa Noite Minha culpa, minha maxima culpa. Minha irma esta no hospital e eu viajei pra uma reunião de familia. Sinto muito por não ter postado o capitulo toda sexta como virou tradição! Bom, antes tarde que nunca. Espero que gostem.

Haila

ULTIMOS PASSOS

Lenora era como uma típica dona de casa. Bom, seria caso eu não soubesse que além de ex-líder de Ginásio ela também era curadora do museu de Nacrene City. Deidran parecia muito contente perto da mulher e a mesma reciprocidade era nítida exalando de Lenora.

O barulho ao redor era intenso – devo na verdade ao Pokémon de Cilan, caso aquele Simisage não tivesse interferido eu provavelmente estaria no hospital agora – comentei meio sem graça.

Não por estar falando com Lenora, nem por ter sido chamada de heroína, mas sim pela troca de olhares afetuosos entre os dois a minha frente. Suspirei me sentindo sem lugar.

– Não importa – comentou Deidran – o importante é que estamos sãos e salvos.

Dei um sorriso sem graça tentando não parecer frustrada e Lenora me acompanhou – bem, imagino que esteja com pressa Deidran. Afinal de contas o que você queria comigo?

Me senti mais confusa ainda, por que Deidran precisaria de mim e de Lenora? – Na verdade apenas aproveitando a oportunidade, gostaria de dar uma olhada no fóssil que foi trazido para cá.

Lenora pareceu contente com a revelação, mais contente do que o normal se quer saber – a peça esta sendo tratada no terceiro andar, venham – ela nos chamou fazendo um movimento com a mão.

Enquanto Lenora nos mostrava o caminho Dr. Deidran se aproximou de mim e colocou sua mão em meu ombro. Tive o impulso de tira-la, mas depois de resmungar mentalmente deixei que ele o fizesse – te chamei minha querida, pois queria agradece-la novamente.

– Acho que já agradeceu vezes suficientes – murmurei.

Subimos vários degraus até nos encontramos em uma enorme biblioteca localizada no segundo andar. Percorremos fileiras e mais fileiras de estantes até finalmente chegarmos ao fim da sala.

Lenora tirou um chaveiro enorme do bolso e depois de selecionar uma chave grande e enferrujada ela abria as enormes portas de madeira negra que separavam a biblioteca do ultimo pedaço do corredor que levava a mais escadas.

Depois de subirmos mais um lance delas nos deparamos em um lugar como um extenso galpão onde várias pessoas trabalhavam. Bem a minha frente uma mulher com possíveis trinta anos passava com uma leveza impressionante um pincel fino sobre a moldura de um quadro.

Em uma mesa atrás dela um homem a imitava em um processo que deduzi certeiramente ser de restauração.

Seguimos Lenora até o meio da sala onde encontramos dois homens que estavam de pé em frente a um enorme pedaço de rocha com pequenas picaretas de mão, batendo levemente sobre a superfície do objeto.

– Impressionante – Deidran exclamou. Eu me aproximei um pouco mais, tentando diferenciar qualquer formato, mas sinceramente não vi nada além de pedra negra.

Lenora nos apresentou os dois homens que apenas fizeram uma mesura e voltaram a se concentrar no trabalho. Deidran retirou os óculos do bolso e aproximou mais seu rosto do objeto, semicerrando os olhos e franzindo o cenho.

A pequena lâmpada que estava sobre ele fez com que cada centímetro do rosto do homem fosse iluminado, deixando mais claros seus olhos cor de folha secas. Peguei o olhar de Lenora fixo nele e senti meu estomago embrulhando.

Por que gente velha não se toca?

Assim que reparei na cadeira vazia logo atrás da mesa corri até ela e me larguei. Eu estava cansada e entediada. Eles devem ter passado mais de uma hora comentando sobre o Pokémon que um dia não foi uma pedra enquanto minha mente ficou vagueando.

Tirando o fato de estar em um lugar indesejado minha saída de casa estava fluindo de maneira positiva. Eu havia me metido em uma pequena aventura, conhecido um garoto bonito e lutado junto a um Pokémon incrível. Além é claro de ter dado o primeiro passo para completar o Pokedex de Jaden.

Mas uma pontada de medo crescia dentro de mim, afinal eu tinha dado a burrada de virar o comentário da cidade. Nesse momento as pessoas deveriam estar falando sobre como uma garotinha viajante salvou o Doutor do terrível Zoroark, heroicamente.

Eu conhecia as rotas bem, havia estudado o mapa de Unova grudado a minha parede varias vezes. A ponte que atravessa o rio e que me levaria a Castelia não estava muito longe agora. Eu não podia me demorar a ir embora.

Depois que eu chegasse a Castelia City seria quase impossível ser encontrada e finalmente eu poderia me acalmar e descobrir o que fazer dali em diante.

Me levantei em um salto e disse alto – bom gente, preciso ir agora, tenho que seguir jornada.

Deidran fez uma cara de desapontado e Lenora caminhou até mim – venha, quero lhe dar uma coisa. Fiquei um pouco surpresa, mas decidi segui-la sem relutância. Percebi que quanto menos debatesse, menos teria de ouvir.

Chegamos a um corredor que nos levou até uma porta que parecia ser feita de metal maciço. Lenora digitou um código no painel digital embutido a parede e elas se abriram lentamente. Deidran nos encarava a distancia.

Ela fez um sinal com a mão para que eu a seguisse e assim que entrei na sala percebi que se tratava de outra biblioteca. Haviam poucas estantes dispostas bem separadamente. Em alguns pontos objetos, de vários tipos, eram resguardados por estufas de vidro sobre pedestais. – Aqui Haila guardamos nossos principais tesouros – fortes lâmpadas iluminavam com intensidade o lugar fazendo meus olhos arderam um pouco até que eu me acostumasse com a claridade.

Olhei em volta um pouco deslumbrada. Mesmo não sabendo exatamente o que aqueles objetos eram, eles me passavam uma certa imponência, como se até o direito de olha-los fosse algo raro.

Lenora surgiu com um livro nas mãos logo em seguida. Ele tinha uma capa marrom e o desenho de uma folha seca na capa. Tão bem desenhada que por um instante imaginei que deveria ser de verdade.

– Esse guia foi escrito em meados do século passado – me contou Lenora – poucas edições foram manuscritas. Duas, talvez três. Ele vai te ajudar na sua jornada.

Franzi o cenho nervosa – não posso aceitar, isso deve custar uma fortuna – comentei meio assustada.

– Na verdade quase não tem valor de mercado – ela revelou – mas descreve bem o uso de plantas de formas medicinais, trata também de Pokémons tipo planta e de todo tipo de fruto da floresta – ela pegou minha mão direita e a pôs sobre o livro – por favor, aceite. É de coração, o que fez por Deidran merece recompensa.

Se eu dissesse que não queria eu seria hipócrita, então para ser liberada o quanto antes aceitei de bom grado, e com um enorme sorriso no rosto sai museu.

=8=

Fui o mais rápido possível de volta ao centro Pokémon na esperança de encontrar Tom. Havia acabo de anoitecer e eu queria me despedir dele, dizer que iria ir embora bem cedo pela manha. Estava com a impressão de ter esquecido algo, mas relevei o fato até que as portas de vidro do centro Pokémon se abriram.

Ao invés de Tom, sentado na primeira mesa estava Cilan. Minha vontade foi de estalar os dedos no alto e dizer “é mesmo” e voltar pela porta fingindo que havia esquecido algo. Na verdade tinha, mas pelo amor de Deus, esse garoto era muito estranho. Ele se vestia estranho, andava estranho e falava usando metáforas de comida.

Antes que eu pudesse tomar qualquer atitude ele sorriu e acenou pra mim. Eu sorri de volta e acenei. “Porcaria” xinguei mentalmente, agora eu havia me lembrado do que Tom havia dito.

Na minha mente vagou por algo como “venha me encontrar no centro Pokémon a noite”, mas o que ele realmente havia dito era “vou buscar o Cilan, acho que ele quer falar com você, nos encontre no centro Pokémon no fim da tarde”.

Eu teria colocado minha língua pra fora e feito uma careta se não estivesse sendo seguida pelo olhar animado do garoto de cabelos verdes. Suspirei e me repreendi mentalmente por estar tão ansiosa para ver Tom.

Cilan ficou de pé enquanto eu me sentava e depois me cumprimentou formalmente – como esta a cabeça? – Perguntei.

– Ótima – disse ele levando a mão ao curativo. Instintivamente fiz o mesmo. Mal me lembrava que ele ainda estava ali – eu estava ansioso para falar com você. Depois do que você fez com Simisage eu não...

– Olha realmente me desculpe – comecei a dizer depressa. Eu odeio ser repreendida e também estava envergonhada. Primeiro porque dei comandos para o Pokémon de outro treinador e isso não é nada comum e depois por temer que o Pokémon dele estivesse muito machucado – eu não sabia o que fazer – disse por fim.

Ele deu uma risadinha que confirmava mais ainda o quão estranho ele era e depois completou – pelo contrario, me pareceu que você sabia muito bem.

– Desculpa, o Zoroark o atacou, ele só queria me defender – completei impedindo novamente que ele continuasse – eu não queria que ele se machucasse.

Cilan franziu o cenho e apoiou o corpo sobre os braços em cima da mesa – o Simisage esta ótimo, eu queria te agradecer.

Eu abri a boca tentando falar, mas as palavras não saíram de primeira. Então tentei de novo – bom, sendo assim – disse puxando uma mecha do cabelo. Olhei para todas as pessoas que estavam no Centro Pokémon naquele momento antes de voltar a encara-lo.

Vontade de gritar e sair correndo.

– Eu queria te fazer uma proposta – ele disse. O encarei com estranheza que não fiz questão de esconder – como você deve saber eu já fui líder de um ginásio. Eu e meus irmãos na verdade.

Concordei com a cabeça e ele prosseguiu – nessa época eu e Simisage batalhávamos sempre e era nítido o quanto ele gostava dessa vida. Mas depois que tivemos que fechar o Ginásio eu não tive como continuar batalhando junto dele. Sem rodeios, eu percebi o sabor maravilhoso que vocês dois juntos formam e queria que você cuidasse do Simisage pra mim por um tempo.

Eu quase cai da cadeira. Meu cérebro deve ter levado um tempo para processar a informação porque Cilan ergueu a sobrancelha esperando a resposta depois de um tempo – você quer mesmo que eu cuide dele? Eu não... você mal me conhece.

Cilan ficou sério quase que pela primeira vez desde o conheci – olha, eu não te conheço, mas sei que o meu Pokémon sabe julgar melhor as pessoas do que eu. Se ele te obedeceu é porque sentiu que ha algo grande e bom dentro de você.

Devo ter ficado vermelha, eu senti minha pele ficando vermelha, eu senti. Abri um sorriso gigantesco. Que dia! – é claro que eu aceito, seria uma honra.

– Bom, eu tenho que voltar pra minha cidade – disse ele se levantando e tirando a Pokéball do bolso. Ele jogou a esfera pro alto e ela girou três vezes antes de abrir e o raio de luz vermelho materializar o Pokémon na minha frente.

Ele estava de costas para Cilan a principio, quando olhou para o meu rosto um sorriso primata se abriu. Me agachei e o abracei – como vai você garotão? – Perguntei meio sem graça. Não tínhamos tido chance para uma conversa amigável.

Ele fez alguns grunhidos e moveu as mãos. Sinceramente não entendi nada, mas como ele parecia feliz deduzi que havia sido algo bom.

Cilan se agachou e colocou a mão no ombro do Pokémon que se virou pra ele – ela aceitou – ele disse baixinho. Simisage olhou para trás e se deparou novamente com meu sorriso.

Eu estava realmente muito animada.

– Eu acho que eu já disse tudo e não quero chorar – Cilan disse abraçando o Pokémon. Eu vi a força que ele estava fazendo para não chorar e mesmo sem entender a dor que ele estava sentido, eu me senti também triste por um momento.

Fora o remorso por ter tentando ignora-lo antes.

Simisage disse algo a ele enquanto os dois se abraçavam e então o laço foi desfeito. Cilan se ergueu com um sorriso meio forçado e Simisage me olhou contente, mas com os olhos molhados – acho que agora é comigo – comentei sem saber novamente o que dizer.

Cilan estendeu a mão e a Pokeball reluziu sob a lâmpada fluorescente do Centro Pokémon. Eu a peguei com força e senti todos os meus átomos vibrarem. Eu havia pego um Pokémon. Meu primeiro Pokémon. Tecnicamente.

Sim, havia ganho, mas e dai? Eu mereci não foi? – Simisage, volte – disse apontando o objeto para o Pokémon macaco que desapareceu em um relâmpago.

– Cuide bem dele – Cilan pediu.

– Eu vou cuidar – respondi confiante. Suspirei e não resisti. Me joguei nos braços de Cilan dando um abraço muito forte no garoto. Ele gemeu um pouco de susto e depois respondeu o abraço envolvendo-me em seus braços.

– Haila demonstrando afeto? Tem alguma coisa errada – ouvi uma voz familiar dizendo. O dia não poderia ficar melhor, ele havia chegado.

Me virei sorrindo pronta para abraçar Tom e contar-lhe a novidade, mas agarrada ao braço dele estava uma garota de cabelos castanhos. Olhos felinos e se quer saber, mais alta que eu.

Ela era bonita e era a namorada de Tom. Quis me jogar do telhado do museu, ou talvez mata-la quando ela perguntou sorrindo cinicamente – ela é a namorada de Cilan?

– Não sou namorado dele – respondi rispidamente e Tom gargalhou.

– Essa é a garota que eu conheci – ele comentou.

Segurei a Pokeball firme e apertei o botão fazendo-a diminuir de tamanho – obrigado mesmo Cilan – disse mais uma vez dando as costas ao casalzinho.

Cilan fez uma mesura e então eu comecei a andar em direção ao fundo do centro. Eu sinceramente não estava a fim de fingir que não queria estrangular Tom – ei – ouvi a voz dele chamando – achei que fossemos sair pra comemorar sua ação heroica.

– Eu vou embora amanha as sete – respondi secamente – preciso dormir cedo.

Ouvi alguém fazendo um barulho de espanto e Cilan comentou – mas não são nem oito da noite.

Eu nem sequer olhei para trás. Ouvi alguém me chamando, mas não voltei. Entrei no meu quarto e amaldiçoei o mundo em um misto de felicidade boba e raiva. Graças a Arceus não tinha ninguém no quarto pra me dizer que eu estava com ciúmes porque eu a mataria.

Dormi lendo o livro que Lenora me deu horas e horas depois. Acordei as seis morrendo de frio e tomei um café forte no Centro Pokémon antes de seguir caminho. Segui a rota a caminho da ponte olhando para a Pokeball de Simisage com Leaf caminhando do meu lado.

Pensei em tudo o que estava deixando para trás e em como estava sendo surpreendente seguir em frente. Não era mais hora para duvidas, eu ia ser uma grande treinadora, cuidadora, ou seja lá o que eu me tornasse. O importante é que...

Eu parei de andar porque meu cérebro deu curto. Meu coração parecia estar tentando fugir do meu peito. Ele estava parado lá, sentado no primeiro degrau das escadas que dava acesso a ponte, vestindo uma blusa de frio vermelha de Ranger.

Quando voltei a caminhar soltei o ar, eu nem sequer havia percebido que estava segurando a respiração. Ele ergueu a cabeça quando me aproximei e com as sobrancelhas franzidas ele me encarou – você achou que me acusaria de tentativa de assassinato e ainda iria embora sem se despedir?

Novamente fiquei vermelha, mas dessa vez não me preocupei, pois o frio era uma desculpa – então adeus – disse sorrindo.

Ele estendeu a mão e a segurei – boa sorte para descobrir o que você vai ser. Eu estou apostando todas as minhas fichas em você.

Apenas quando soltei a mão dele senti o papel arranhando a minha. Ergui o papel e antes que eu perguntasse ele respondeu – esse é o meu numero. Me ligue quando quiser.

Eu fiz de tudo, eu juro, mas não teve como conter o sorriso – vou pensar no seu caso – respondei começando a subir a escada.

Eu queria voltar e abraça-lo, mas ele tinha namorada e eu não era esse tipo de garota. Mas ele veio, veio mesmo. Dei as costas a ele enquanto subia os degraus. Um enorme sorriso tomava conta de improváveis cinquenta por cento de meu rosto.

Quando cheguei ao ultimo degrau ele estava lá embaixo ainda, olhando pra mim com um sorriso. Acessei para ele antes de entrar no lance seguinte e ele me respondeu com o mesmo movimento.

Eu estava indo pra Castelia agora e tudo ia mudar mais uma vez.

Notas finais
Uma coisa que gostaria de lembrar é que mantivemos praticamente metade dos personagem do jogo. Todos os lideres de Ginasio e alguns outros personagens como perceberam no decorrer da historia. Deidran, Tom, Cassie, Adzia e assim por diantes são nossos. Então qualquer opinião sobre os personagens da franquia como as de Haila sobre Cilan são apenas ficção. Em grande maioria (ou não) minha opinião e a da Tia Chibieska divergem da dos personagens. Espero que tenham gostado e se quiser deixar de ser um leitor fantasma hoje, amanha voce pode ganhar um presente de Natal atrasado. Pense nisso! Ps: Não de mim ou Chibieska, somos pobres cara.