Notas iniciais
Olá você, meu amigo, minha amiga. Hoje no Mais Você vamos ver a receita para o desestrate. Com uma pitada de Pokémon tipo planta e um Ginasio tipo inseto, vamos descobrir que tempero Haila usará para conseguir chegar ao resultado final da receita. Uma insígnia. Eita, falei como Cilan. Acho que esse negocio pega. Espero que gostem do capitulo!

Haila

TURBILHÃO

Burgh estava na minha frente com aquele sorriso afetado, esperando que eu me preparasse. Leaf se espreguiçou ao sair da Pokéball, esticando os músculos depois de horas de inercia. A Pokémon olhou para o enorme inseto a frente dela e depois para o lugar ao redor, fez seu típico barulho de desaprovação e depois me encarou esperando algum comentário.

Seria um problema, Deedee não havia me dito que teríamos uma batalha três a três, mas se ele estivesse certo sobre Burgh eu provavelmente não teria problemas para vencê-lo com apenas dois Pokémon.

– Preciso que se esforce – pedi a Leaf que apenas posicionou seu corpo na direção do líder de ginásio do outro lado da arena e balançou a cauda de folha.

Peguei o Pokédex de Jaden e o ergui na direção do Pokémon a minha frente. Nunca tinha visto nenhum como aquele, infelizmente ele já. Asas ruidosas, corpo amarelo e esguio. A imagem da criatura logo apareceu na tela, era um Vespiquen, Pokémon inseto e voador. – Duplamente efetivo – murmurei começando a me preocupar.

Olhei para trás e busquei Deedee, ele me olhou de relance e sorriu. Suspirei tentando me acalmar, mas eu estava irritada de mais para que isso ajudasse em alguma coisa. Eu ainda não estava aceitando bem o fato de Deedee estar trabalhando e eu não.

O problema em si não era esse, eu não estava com ciúmes. O maior problema era que ele, diferente de mim, teria alguém para ligar caso tudo desse errado. Eu estava há dias de distância de casa e caso meu dinheiro acabasse eu não teria alternativa, não teria a quem recorrer.

Como eu voltaria para casa? Se voltasse, como seria tratada? Mas essa não era minha maior preocupação, eu temia, sem querer admitir, não ter mais um lugar pra voltar.

Eu esperava chegar a Nacrene City e ter de fugir, me esconder, mas diferente do que eu imaginei, não havia nenhum alerta. Ninguém comentou nada sobre o desparecimento de uma garota. Talvez não houvesse ninguém me procurando. Talvez meu pai simplesmente tenha desistido de mim. A decepção pode ter sido tão grande que ele decidiu que não tinha mais uma filha.

Eu não podia voltar para casa agora. Não podia dizer que falhei. Não podia correr o risco de descobri que não havia mais para onde voltar. Jaden havia depositado sua confiança em mim e uma promessa havia sido feita. Apertei forte a Pokéball em minha mão e olhei para frente vendo Burgh me encarar.

O juiz surgiu um instante depois, batendo as mãos na calça, provavelmente as secando. – Estão prontos? – Ele perguntou. Burgh balançou a cabeça positivamente e eu fiz o mesmo. – Então, comecem.

– Vou deixar que faça o primeiro movimento como cortesia – anunciou Burgh fazendo uma mesura. – Quero ver os movimentos da orientadora de December.

Senti meu rosto corar. Não era possível que ele ainda acreditasse naquela historia. Ou talvez ele só quisesse me irritar. – Certo. Leaf comece com um Magical Leaf depois use o Quick Attack – comandei e vi um sorriso brotar no rosto de Burgh.

Leaf ronronou e depois de arquear as costas, folhas envoltas por uma aura roxa voaram na direção de Vespiquen. O Pokémon não se moveu, recebeu o ataque diretamente me deixando animada.

Pude jurar ouvir um grito de comemoração acuado de Deedee vindo do fundo enquanto Leaf começava a correr em direção ao Pokémon. Ganhou velocidade a cada metro que percorria e por fim saltou, jogando seu corpo contra Vespiquen que parou um metro atrás, com os braços a frente do corpo.

A sensação de vitória ficou em mim apenas por um instante. O Pokémon estava no ar e intacto. – Você usou a mesma tática do garoto que venceu December – comentou Burgh colocando a mão no queixo – usou uma técnica chamativa para confundir Lolita e depois a atacou usando uma técnica direta porque achou que seria mais efetiva.

Abri a boca pra dizer alguma coisa, mas as palavras não saíram. Ele estava certo. De qualquer forma eu não tinha pensando nisso, não dessa forma. – Infelizmente o nível do seu Pokémon é muito inferior. Lolita, Furry Cutter. – Comandou tranquilamente Burgh.

O Pokémon era rápido e surgiu depressa sobre Leaf. As pequenas garras em suas mãos começaram a brilhar e logo golpes sucessivos recaíram sobre Leaf. Não tive tempo para pedir-lhe que se esquivasse. Ela começou a saltar para trás tentando fugir do ataque instintivamente.

Infelizmente o Pokémon inimigo tinha a vantagem aérea, Leaf não conseguiu se esquivar por mais que vinte segundos. Vespiqueen acertou-lhe vários golpes que cortaram a pele de Leaf a fazendo grunhir de dor.

– Tackle, depressa – pedi fazendo-a reagir no mesmo momento, investindo contra o adversário, o empurrando a alguns centímetros de distância. O suficiente para tomar fôlego e saltar rapidamente para trás, ganhando tempo para se recompor.

Burgh deu uma risadinha e meu sangue entrou em ebulição – seu Leafeon agiu bem, mas ela não é rápida o suficiente para se esquivar, talvez você devesse treiná-la mais e voltar depois.

Olhei para trás furiosa e encontrei o olhar surpreso de December. Quase joguei minha Pokeball no chão e corri até ele, para dar-lhe um soco na cara. Seria fácil não é? O perguntei em pensamento, podendo jurar que ele os leu.

– Veremos – indaguei voltando-me para Burgh. Eu precisava de um plano, meu arsenal com Leaf não era muito grande. Eu gostaria muito de uma batalha em um campo aberto, mas aqui, em um ginásio com chão de concreto eu não poderia usar armas naturais.

Golpes do tipo Grass não teriam verdadeira vantagem contra um Pokémon mais forte que o meu. Não um tipo Bug, afinal não era efetivo. Os ataques tipo Normal de Leaf eram limitados, então eu teria que explorar a fraqueza do meu adversário. A questão era, que fraqueza?

– Quick Attack mais uma vez, depois use Razor Leaf. – comandei nervosa. Leaf sabia que eu sempre costumava dar-lhe dois comandos. Isso sempre evitava que no fim o ataque fosse um fiasco por completo. Nesse caso, eu não esperava que Burgh fosse pego pelo Quick Attack, mas eu tinha esperança que Lolita não conseguisse desviar de dois ataques consecutivos.

Leaf fez seu típico barulho e saltou pegando impulso. Um instante depois ela estava sobre Vespiqueen que voava baixo, jogando o peso de seu corpo contra o Pokémon inseto. Arregalei meus olhos aos perceber que Vespiqueen não havia se movido.

A intenção de Burgh era aquela o tempo todo.

Vespiqueen recebeu o ataque diretamente, segurando Leaf entre os braços. – Agora suba, querida – comandou Burgh sorridente. Leaf começou a se debater enquanto a Pokémon subia e meu desespero foi às alturas junto com as duas.

Quando as duas chegaram ao teto do ginásio Burgh bateu palmas e Lolita soltou Leaf. – Vine Whip, depressa – gritei como última esperança. Os chicotes surgiram das costas de Leaf e buscaram desesperadamente se prender, para a minha sorte alcançando a cintura de Lolita a alguns centímetros do chão.

– Lolita, agarre os chicotes, suba e use o Air Slash – Burgh pediu voltando a cruzar os braços.

Vespiqueen agarrou os chicotes de Leaf e começou a puxa-los, trazendo-a para cima quando por fim, Leaf não teve mais como estendê-los. – Razor Leaf – comandei sem saber o que fazer.

Vespiqueen começou a bater as assas mais forte e subir, Leaf moveu sua cabeça e folhas começaram a ir em direção a Lolita que recebeu o ataque diretamente gemendo de dor pela primeira vez.

Burgh arfou e me olhou – Lolita comece a girar e depois use o Air Slash.

Vespiqueen moveu a cabeça confirmando e começou primeiro a rodar em círculos, Leaf continuou tentando arremessar suas folhas, mas aos poucos ela estava sendo pega pela força do movimento e errando todos os ataques. Então Vespiqueen ergueu seus braços e começou a girar como um peão. Leaf foi forçada ao movimento, sendo erguida pela força centrifuga, deixando minha parceira na horizontal.

Leaf começou a gritar e eu a ser tomada por angustia, quando de repente Vespiqueen a soltou a em seguida usou Air Slash, acertando-a ainda no alto. Uma pequena explosão de luz aconteceu e em seguida Leaf estava no chão.

Leaf gemeu alto de dor e depois se silenciou, permanecendo deitada imóvel por alguns segundos. O juiz deu alguns passos procurando uma visão melhor da minha Pokémon e meu coração apertou. – Leaf – chamei e seu corpo tremeu.

Com muito esforço ela conseguiu girar a parte superior do seu corpo ficando sentada. Grunhiu enquanto forçava-se a levantar olhando cansadamente para a Pokémon que zumbia em cima de si.

– Acabou Haila, é melhor chamar outro Pokémon. – comentou Burgh agora com um semblante sério.

Abaixei a cabeça e a raiva que eu estava sentindo se tornou tristeza. Olhei para Leaf e a vi se esforçando para se manter em pé. Eu não á havia preparado pra isso, eu nunca tinha estado em uma batalha séria antes.

Já havia batalhado contra alguns garotos do colégio e muitas vezes com Jaden antes dele sair em jornada, mas um líder de ginásio era dezenas de níveis, superior.

Mexi no meu bolso e ergui a Pokéball de Leaf, o raio de luz vermelho iluminou meu rosto enquanto ela retornava para o descanso merecido. Agora estava tudo nas mãos de Simi. Se eu quisesse a insígnia, ele precisaria cuidar de Vespiqueen e de mais dois Pokémon que tinham vantagem sobre ele.

– Aconteceu algo, você precisa que paremos a luta? – Perguntou Burgh. Ergui a cabeça e ele me olhava preocupado. O barulho das asas de Vespiqueen preenchiam o ambiente.

Me agarrei a última faísca de raiva dentro de mim e cerrei meus punhos. – Não, vamos até o fim – respondi pegando a Pokeball de Simisage, a lançando para o alto.

O Pokémon primata girou no ar assim que o raio de luz vermelho o deixou, caindo no chão já em posição de ataque. Me olhou sorridente e depois olhou para cima onde seu oponente observava tudo.

– Que belo espécime, – comentou Burgh – mas acredito que séria mais prudente se você escolhesse outros tipos de Pokémon, imagino que esta ciente das desvantagens de...

– Sim – o interrompi – vantagens e desvantagens de tipo. Simisage pode ganhar, eu sei disso – afirmei em um tom nervoso. Simi ergueu a pata e grunhiu animado. Eu tinha que acreditar que ele podia. Eu tinha.

Burgh deu de ombros e encarou o juiz que fez um sinal positivo com a cabeça – Lolita vamos animar um pouco as coisas. Use o Air Slash.

Do alto Vespiqueen ergueu suas mãos e uma esfera de luz branca surgiu. – Simisage, evasiva com Agilidade depois Seed bomb.

Com um movimento brusco de braços, da esfera nas mãos de Vespiqueen, começaram a surgir rajadas de luz que vieram na direção de Simi. Ele saltou para trás desviando da primeira rajada que explodiu no chão como vidro se parte ao cair. Depois de recuperar o equilíbrio se lançou para frente em uma velocidade incrível.

Os ataques de Lolita o perseguiram por toda arena, até que ele se aproximou de mais de Burgh, quase no fim do espaço demarcado e os ataques deram meio minuto de folga. Tempo que Simisage aproveitou para lançar seu ataque.

Juntando as mãos, uma bola de energia verde surgiu e dela, segundos depois, disparos começaram, indo em direção a Pokémon inseto que mal teve tempo para posicionar seus braços à frente do corpo.

Simi conseguiu acertar seis disparos, o suficiente para deixar marcas no corpo de Vespiqueen e tirar o sorriso do rosto de Burgh.

– Lolita – chamou Burgh para se certificar de que a Pokémon estava bem. Vespiqueen zumbiu mais fortemente, mostrando que seu espirito ainda não havia sido derrotado. O sorriso voltou ao rosto de Burgh que descruzou os braços e comandou – use o Confuse Ray.

Me assustei ao ouvir as palavras. Aquele era um ataque tipo Ghost.

Bolas de energia amarela surgiram na frente das mãos de Lolita, que apenas abriu as garras e as mesmas vieram velozmente na direção de Simisage. Ele olhou perdido em volta antes de tentar saltar, mas era tarde de mais, as bolas luminosas já giravam em torno dele deixando desorientado.

– Agora vamos desarmá-lo, Poison Sting. – Na parte inferior de Vespiqueen um ferrão de cor roxo meio brilhando surgiu. Ela abriu os braços e começou a descer em um voo rasante em direção a Simisage que estava parado estático.

– Evasiva – gritei desesperada, mas Simisage não pareceu ter me ouvido. O ataque o acertou no meio do peito, o deixando no chão de braços abertos.

Tive o impulso de correr até ele, mas me contive, cerrei com mais força os punhos e gritei novamente – Simisage.

Ele se sentou meio atordoado, levou à mão a cabeça e depois ao peito fazendo uma expressão terrível de dor. Jogou seu peso para frente e depois se apoiou em uma perna ficando como se ajoelhando, porém com uma perna flexionada.

– Você consegue continuar? – Perguntei nervosa. Ele balançou a cabeça positivamente e fechou um dos olhos fazendo novamente uma careta.

Burgh suspirou e passou a mãos no cabelo – acho imprudente que você leve isso a diante, o veneno já está no corpo dele e em poucos minutos ele pode ficar seriamente ferido.

– Acho que sei quando meu Pokémon tem que parar – respondi com o máximo de arrogância que pude. Ouvi Deedee fazendo algum barulho e só então lembrei que ele estava ali. Havia me esquecido com a tensão da batalha.

Ele estava encostado na parede olhando para a luta de olhos arregalados, provavelmente já havia perdido a esperança em mim também, ou essa era simplesmente a minha mente brincando comigo.

– Vamos lá – murmurei tentando pensar em que técnica usar. Eu ainda não conhecia todas de Simisage, não havia tido tempo para experimentar todas as possibilidades. Enquanto Vespiqueen se mantinha no alto, ataques normais não funcionariam. Ataques tipo planta eram pouco efetivos e repetir o mesmo ataque em Burgh havia se mostrado extremamente ineficiente.

Simisage me encarou esperando um comando, me fazendo sentir mais nervosa ainda. As expectativas dele estavam sobre mim. – Lolita – disse Burgh antes que eu pudesse me decidir – Air Slash.

A mesma esfera de luz. O mesmo movimento brusco com os braços. E em um segundo varias rajadas estavam em cima de Simi, que tentou se defender erguendo os braços, em vão. Estilhaços de luz o cobriram por um segundo e no outro ele estava estirado no chão. Seu peito subia e descia ofegante.

– Simisage esta fora de combate – disse o Juiz.

Passei a mão com força por meu rosto e mordi o lábio por dentro. – Você fez o melhor Simi, agora vamos – exclamei o chamando de volta para a Pokeball, dando as costas para Burgh.

Assim que dei o primeiro passo ele gritou – ei, a batalha ainda não terminou.

Ergui o olhar e encontrei o de December. Sua expressão era de incredulidade e pena. Tudo estava dando errado. O universo estava conspirando contra mim. Talvez ter saído de casa tenha sido uma má ideia, talvez eu não tivesse sido feita para sair e conhecer o mundo. Meu destino talvez fosse cuidar de Eevee para sempre.

– Meu pai estava certo. – Murmurei ignorando o comentário de Burgh. Eu estava explodindo por dentro. Raiva, frustração, medo. Senti as lagrimas vindo aos meus olhos.

Deedee deu dois passos em minha direção. – Tudo bem – tentou me consolar colocando a mão sobre meu ombro.

Dei um tapa em seu braço e gritei – não preciso da sua piedade. – Os olhos dele se arregalaram de susto. O garoto deu um passo para trás e colocou a mão sobre onde eu havia batido.

Então não aguentei, sai correndo da sala. Segui pelo corredor, atravessei a galeria e o sorrisinho no rosto de Kara me veio à mente. Ela havia acabo de sair vitoriosa e eu era uma perdedora.

Corri até ficar sem ar. Entrei em ruas que nunca tinha visto, mas segui em direção do norte e por fim depois de algum tempo acabei no porto. Minhas pernas queimavam com o esforço e meu pulmão parecia ter se atrofiado. Inspirei quanto ar eu pude e senti o suor surgindo por todo o meu corpo.

Mordi meu lábio novamente contendo a enorme vontade de gritar, de socar o ar, de amaldiçoar Jaden por ter me feito sair de casa.

E as lágrimas não desceram. Eu não ia chorar. Não poderia me permitir.

Suspirei profundamente quando turbilhão de sentimento dentro de mim se acalmou e caminhei um pouco até encontrar um ponto onde eu pudesse me sentar a beira do mar. Desci até um píer vazio e me sentei nas escadas onde havia pouco movimento.

Mexi na minha bolsa encontrando os últimos fracos de Potion que eu tinha. Eu sabia que se levasse meus Pokémon ao centro nenhuma enfermeira se recusaria a cuidar deles, não no estado em que estavam. Mas eu só queria ficar sozinha.

Depois de administrar a poção nos dois vi que Simisage ainda parecia mal. Eu precisava de um antidoto para o veneno de Vespiqueen. Então tentei parar de ser egoísta e procurei ali no porto mesmo algum lugar onde eu pudesse encontrar algo que pudesse ajudá-lo. Olhei em algumas lojas, mas não encontrei nada medicinal.

Pedi informações a um garoto de cabelos traçados que usava camiseta larga, e ele me orientou a levar Simisage ao Centro Pokémon. Quando eu disse que não pretendia fazer isso ele me encarou por um tempo, imagino que avaliando porque alguém se recusaria a levar um Pokémon doente ao centro, mas depois de dar de ombros ele comentou sobre algo chamado Casteliacone, que era vendido na Mode Street. Segundo ele era como um sorvete, mas que tinha ótimos benefícios medicinais aos Pokémon.

O agradeci e fui em direção a tal sorveteria. No caminho repassei os últimos dias na cabeça. Desde minha partida de casa e o rosto de Corin ao olhar de Deedee depois de eu tê-lo dado um tapa.

Meu dinheiro já estava nas últimas e agora, mesmo que me aceitassem no Centro Pokémon eu não teria dinheiro para comer. Eu mal sabia onde ficava o hotel, nunca conseguiria lembrar onde a casa da tal amiga da minha mãe ficava, talvez ela ajudasse uma garota sem teto.

Ergui os braços frustrada e depois os coloquei atrás da cabeça. Andei o mais depressa que pude, seguindo as orientações do garoto, infelizmente, como ele havia dito, não era muito perto.

Vi de longe a barraca rosa. Havia uma pequena fila de pessoas que tomavam o tão falado sorvete junto aos seus Pokémon. Coincidentemente um dos garotos do Contest estava lá. Fiquei feliz por ele não me conhecer, a última coisa que eu queria era conversar com alguém.

Uma mulher de longos cabelos castanhos estava atendendo sozinha. Olhei para a tabela de preços atrás dela e fiquei aliviada em saber que seria mais barato que um antidoto. Se aquilo funcionasse seria uma mão na roda.

Então era minha vez – desculpa, me disseram que o Casteliacone é medicinal – comentei olhando com o cenho franzido para a mulher.

Ela balançou a cabeça positivamente respondendo em seguida – sim, alguns ingredientes da fórmula são muito benéficos aos Pokémon. O seu está com algum status especifico?

– Ele levou uma ferroada de um Vespiqueen – respondi apoiando meus braços sobre o balcão. – Vocês tem alguma coisa que ajude?

– Talvez... Esse aqui – disse ela voltando com um potinho com um creme amarelo dentro. Paguei e a agradeci.

Atravessei a rua e me sentei na calçada junto a outros garotos que estavam ali. O movimento na rua era bem grande e ninguém parecia ligar para a nossa presença ali, talvez aquela cena fosse comum.

Chamei Simi e o ofereci o pote. Ele hesitou primeiro, cheirou o pote e depois deu uma lambida acuada. Depois sua expressão símia se tornou alegre e ele atacou o creme.

Enquanto Simisage sujava sua cara com sorvete eu notei uma plaquinha presa pouco abaixo do balcão da sorveteria. ”Precisa-se de entregador”. Eu não vi nada relacionado à experiência. Me levantei e atravessei a rua correndo. A moça estava de costas, mexendo em qualquer coisa, então a chamei. A essas alturas não tinha mais nada a perder.

– Gostaria de mais um? – Ela me perguntou segurando um pote branco.

– Na verdade estou mais interessada na vaga de entregador – respondi meio ansiosa.

Ela me encarou um pouco e depois limpou as mãos em um pano de prato. – Você sabe andar de bicicleta?

=8=

À volta pra casa foi bem longa. O emprego seria meio puxado, segundo Elli, a dona da sorveteria, ela fornecia para vários lugares e reposições deveriam ser feitas diariamente. Claro que não era como trabalhar em uma galeria de arte tirando poeirinha, mas era um trabalho e não pagaria mal.

Cheguei ao hotel no fim da tarde. Subi as escadas pesadamente até chegar à porta do nosso quarto e fiquei ali, apoiada nela, imaginando o que dizer a Deedee.

Dei uma risada sem querer me lembrando de como a cara dele ficou quando a Patrat dele atacou Leaf. Segundo ele, dez dias atrás ele mal sabia o que eram batalhas, nunca tinha tido um Pokémon pra chamar de seu. Devia estar sendo difícil começar agora. Era tão natural pra mim. Um monte de Eevee correndo pela casa. Dar comida, banho, ajudá-los a se exercitar.

Tomei coragem e abri a porta do quarto. Ele estava deitado na cama lendo. Bacon estava nos pés da cama com o focinho enterrado na barriga, cochilando. Ele desviou o olhar do livro e se sentou na cama depressa quando me viu. Bacon fez barulho reclamando inconscientemente do movimento da cama enquanto dormia.

Me sentei na minha cama, de frente pra ele e fiquei um pouco em silêncio. Nunca fui boa pra me desculpar com ninguém. – Foi mal por hoje mais cedo. Eu ando com muita coisa na cabeça.

Ele não tinha raiva no olhar, na verdade parecia preocupado – você esta bem?

Balancei a cabeça positivamente. Pra uma garota que fugiu de casa eu estava ótima – arrumei um emprego.

– Foi mal, pelo Burgh. Eu não sabia que aquela Vespiqueen era tão forte – disse ele abaixando o olhar.

– Esquece. Eu volto pra pegar aquela insígnia depois – respondi me levantando e sentando do lado dele. Bacon acordou e meio sonolento caminhou até nós e se largou nas pernas de Deedee, fazendo um barulho muito engraçado com o nariz.

– Eu não senti pena de você – ele disse por fim, e o aperto no meu coração diminuiu.

Notas finais
E é isso, a garota marrenta se deu mal, no entanto se deu bem. A estadia em Castelia City ainda promete, então não deixem de comentar e nós acompanhar. Até a proxima sexta pessoal!