Notas iniciais
Ola pessoal o/ - De novo da segunda Julio? Olha, tia Chibieska e eu conversamos e decidimos mudar a data de postagens, desde que voltamos o destino tem conspirado para nos atras e então decidimos aceita-lo. Espero que gostem. Vamos a caçada.

Haila

RUMO

As minhas noites não estavam melhorando com o tempo, as malditas imagens repassaram na minha cabeça toda vez que eu peguei no sono. E agora, talvez decorrente do cansaço, uma dor de cabeça continua me atormentava.

Acordei com o som do Xtransceiver tocando e ainda meio desorientada atendi o aparelho. Era Cilan, ele finalmente respondera meu pedido da noite passada, quando eu havia ligado para o Centro Pokémon de Accumula Town e pedido que ele entrasse em contato.

Me sentei na cama e bocejei enquanto a imagem do garoto de cabelos verdes surgia na tela. Porém me surpreendi com a paisagem no fundo da tela. Ele não estava em casa, ele estava em Nimbasa.

– Espero não tê-la acordado – ele disse com uma expressão curiosa enquanto avaliava meu rosto provavelmente inchado. – Oh, o seu cabelo está... diferente.

Sorri meio sem jeito, afinal, diferente nunca significava bom, e ajeitei rápido a camisa no corpo. – Obrigada. Não se preocupe, apenas estava deitada, mas acordei há horas. Está em Ninbasa?

– Cheguei agora a pouco. Kilin me ligou do centro Pokémon de Accumula e me passou seu numero. – Mudou de assunto franzindo o cenho.

– Sim, eu queria saber como você estava depois de... – hesitei – você sabe.

– Estou bem, estou... Bom, tive meus atrasos e finalmente consegui chegar aqui – disse olhando para a estação ferroviária atrás de si – vou finalmente conseguir me despedir dele de forma correta, sabe.

Tive vontade de desviar o olhar. Não queria encara-lo e ver em seu olhar a dor que ainda sentia pela perda do seu primeiro Pokémon. Olhei para Leaf que dormia aos pés da minha cama e me senti angustiada. Se estava sendo difícil pra mim... – eu gostaria de estar ai contigo.

– Não se preocupe, Tom veio comigo – ele me interrompeu.

Mas ainda sim senti que deveria explicar – eu vim até Driftveil City com Skyla. Tenho algumas coisas para resolver aqui e dentro de alguns dias estarei indo atrás dela. Eu vou ajudá-la a encontra-los Cilan, nós vamos dar a eles o que merecem.

Cilan arregalou os olhos e falhou na primeira tentativa de falar, parecia chocado. – Haila, você não está pensando em ir atrás da Team Plasma, não é?

– Skyla irá atrás deles e eu...

– Haila, você não pode fazer isso, é muito perigoso – ele respondeu espantado.

– Skyla é uma líder experiente e tenho certeza que posso dar conta disso, – respondi confiante, ou pelo menos tentei transparecer isso.

Cilan balançou a cabeça negativamente e apertou os olhos – Haila, você não vai. Eu não posso permitir que você se envolva de novo com essa gente.

– Isso não é escolha sua Cilan.

– Nem perder Simisage foi, – ele rebateu, aumentando seu timbre de voz. – A vida não é um poço dos desejos, onde você joga uma moeda e seus sonhos se realizam, eu já aceitei isso. Porém não vou deixar que mais ninguém que eu gosto seja tomado por eles.

Avaliei seu rosto um segundo, surpresa com a explosão do garoto. Respirei fundo e tentei convencê-lo – acho que não deixei bem claro. Eu vou de qualquer jeito. Preciso fazer isso e pensei que você, melhor do que qualquer um entenderia.

Ele ajeitou o topete e se deu um segundo, tentando retomar a calma. Passou a língua no lábio inferior e voltou a falar, desta vez mais devagar. – E é exatamente por entender que eu não posso permitir isso. Você não quer justiça Haila, o que você está procurando é vingança.

Abri a boca tentando rebater, mas as palavras não saíram. Como ele podia dizer aquilo pra mim? Ele mais que qualquer um deveria estar louco, caçando os responsáveis por Simi. – Eu não... você... não importa o que seja, o que importa é que eles tiraram meu Pokémon e eu não vou deixa-los impunes.

– Esse é o ponto Haila. Ele não era seu Pokémon, era meu – as palavras dele foram como um tapa na minha cara. – Eu não vou deixar que eles te machuquem e se pra isso eu tiver que ir atrás de você e te arrastar até seus pais, eu vou fazê-lo.

Dei uma risada irônica e ergui o braço esquerdo – ótimo, agora Unova inteira está sabendo que eu fugi de casa. Lideres de Ginásio não tem sobre o que conversar?

– Os assuntos deles são incrivelmente chatos. Mas não foi nenhum que me conto, seu rosto está em postes por toda parte – uma segunda voz alegre surgiu. Um instante depois o Xtransceiver tremeu e o rosto meio quadrado de Tom surgiu na tela. – Elisa, cortou o cabelo?

– É de mais pra mim – resmunguei sem paciência – depois nos falamos.

Enquanto desligava o Xtransceiver, poucos segundos antes da tela desligar pude jurar ouvir Tom perguntar: “Ela está me evitando?”.

=8=

Cilan só havia conseguido me deixar mais nervosa, ao ponto de me fazer andar de um lado para o outro no quarto, tentando decidir o que faria nesse momento. Skyla tinha deixado sua cota de problemas pra resolver, apenas sete dias para capturar mais um Pokémon e vencer Clay.

Até ai tudo bem, porém mesmo que eu estivesse tentando não acreditar em tudo o que Dan havia me dito, algo dentro de mim gritava que era verdade, que Skyla havia me lançado um desafio quase impossível. Vencer um líder de ginásio em uma luta de verdade, com seus melhores Pokémon. Aquilo não podia ser fácil.

Passei a mão direita pelos cabelos, os empurrando para trás e me sentei na cama olhando para o chão. Minha cabeça parecia que ia explodir, não dormir a noite não só estava contribuindo para minha irritação, estava me deixando louca.

Pensei em ligar para Skyla, mas a ideia de tentar convencê-la de que aquilo era loucura me fez rir. Desde o momento em que a conheci ela me pareceu irredutível, o tipo de pessoa que não deixa margem para discussão. Se aquilo que eu ouvi no carro realmente se tratava de mim, eu estava sendo testada e precisava mostrar que era digna. Eu não podia falhar.

Devo ter levado mais de uma hora naquela manhã para conseguir me decidir, colocar a mochila nas costas e sair pelo route adentro em busca de um Pokémon. O dia estava meio frio e o solo ainda estava húmido. O som dos meus tênis amassando terra novamente me assustou no começo, aquela era a primeira vez em muito tempo que eu faria algo sozinha, sem Deedee para tacar fogo nas coisas ou arrumar uma namorada encrenqueira.

Em determinado momento, antes de alcançar o pé da tão falada montanha decidi que precisa da companhia de Leaf. Ela saiu da Pokéball arredia, já preparada para o ataque quando a libertei próximo a uma ponte que cortava um rio bravio. Me encarou como se estivesse sem graça e depois olhou a natureza em volta.

Alguns Pidove, voavam em um pequeno grupo no horizonte, ganhando altura e piando uns para os outros. Podia-se ouvir o leve barulho de suas assas batendo, trazido pela brisa fria que balançava a copa das árvores.

Eu nunca estivera tão longe de casa como agora, mas algo naquele momento, nas árvores que me rodeavam e no som do rio me entristeceu, como se eu estivesse de volta às matas de Nuvema. Tudo era diferente, mas ao mesmo tempo completamente igual.

Eu não queria pensar naquilo, não queria pensar na minha casa, na minha família. O gosto ferroso de sangue ainda estava na minha boca, uma lembrança constante da mordida que me infringira quando estava nervosa, ouvindo as baboseiras do Senhor Magnus Gray.

Eu não tinha mais um lar para voltar. Tinha que seguir em frente, tinha de mostrar do que era capaz. Serrei os punhos e tentei me focar no que tinha de fazer. Achar um Serperior e não séria nada fácil em uma floresta como aquela.

Sai da estrada quando eram quase onze da manhã, o sol já estava ganhando altura e minha dor de cabeça estava dando uma folga. Vi um pequeno Patrat correndo, seguindo para o oeste e por nenhum motivo incerto decidi ir na direção da qual ele viera.

Por curiosidade eu tinha lido no livro da folha, que a muito ganhei de Lenora, que há poucas espécies de Pokémon Grass onívoras. Coincidentemente Serperior era uma delas e pelo que li, a espécie não mantinha uma relação saudável com os Patrat. As duas espécies eram extremamente territoriais e temperamentais. Além de que, as pequenas bolas pelo serviam vez ou outro da jantar para as serpentes.

Enquanto perdida nos meus pensamentos, Leaf fez seu típico barulho, porém, desta vez, o tom em sua voz era agressivo. Ela arqueou as costas, erguendo a calda de folhas e foi então que ouvi o barulho. Como se uma criança balançasse um chocalho.

Olhei em volta e a principio não vi nada, então esperei e Leaf finalmente voltou a fazer seu grunhido, desta vez olhando para cima. Segui seu olhar até uma árvore mais alta e instintivamente dei um passo para trás quando me deparei com a criatura que erguia a parte da frente do seu corpo ficando em forma de “S”.

Enrolada a galhos grossos, um enorme Serperior nos encarava com olhos vermelhos em chamas e a língua pra fora, tateando ar. Sua calda estava solta, erguida para o alto e agora voltava a balançar, fazendo novamente o barulho de chocalho que nos acabávamos de ouvir.

Eu deveria ter dado o comando a Leaf de atacar, mas algo naquela criatura em um primeiro momento me apavorou. Talvez fosse seu enorme tamanho ou a forma como seu corpo se movia devagar, deslizando suavemente sobre os galhos da árvore, me espreitando. Eu não sabia dizer.

Abri a boca, tentando dizer algo para Leaf fazer, mas não consegui, as palavras simplesmente não saíram. Porém a Pokémon reagiu assim mesmo. Abriu a boca e a luz foi se acumulando rapidamente formando a esfera de energia.

Girou a cabeça em um movimento brusco e arremessou a Energy Ball que explodiu no galho onde o réptil estava enrolado. A árvore inteira tremeu, fazendo uma quantidade relevante de folhas começaram a vir ao chão suavemente.

Serperior pareceu ficar nervoso com o movimento e abriu a boca mostrando seus dentes afiados e fazendo um barulho assustador. Como se limpasse o fundo da garganta. – Leaf – chamei dando mais alguns passos para trás.

–Leaf – chamei de novo e a Pokémon me encarou por apenas um instante, voltando sua atenção para Serperior que agora descia da árvore.

Seu corpo se alongou até que finalmente tocou o chão. Ela parecia maior ainda, deveria ter por volta de uns quatro metros e sequer eu podia imaginar quanto pesava. Seu rabo bateu com força no chão, fazendo os guizos de folha fazerem um barulho alto que deve ter ecoado por metros floresta adentro. Serperior queria mostrar que aquele era seu território e que estava disposto a mostrar-me porque, se fosse preciso.

Ela ergueu novamente a parte da frente do seu corpo, ficando em S e voltou a balançar a calda. Voltou a fazer o barulho com a boca aberta, me permitindo ver quase dentro de sua garganta. Engoli seco de dei dois passos para trás. Eu precisava atacar, precisava. – Leaf, Razor Leaf.

A Pokémon me obedeceu de imediato. Deu alguns passos atrevidos para frente e girou a cabeça, lançando as folhas cortantes em direção a Serperior. O Pokémon, em um movimento incrivelmente rápido se jogou para o lado, se esquivando com folga do ataque que acertou a árvore atrás dela, deixando vários cortes na madeira.

No momento seguinte, antes que pudessem fazer algo, ela já vinha em nossa direção, deslizando pelo chão fazendo corpo parecer um S infinito.

A cobra abriu a boca um momento antes de saltar sobre Leaf, mostrando novamente suas presas assustadoras. – Use evasiva e em seguida Quick Attack – consegui dizer um segundo antes dela ser atingida.

A Pokémon saltou para o lado depressa, um único instante antes de Serperior bater com força sua cara na terra úmida da floresta. Em seguida, assim que apoiou suas patas no chão saltou, jogando seu corpo com força contra Serperior que rolou como consequência do choque.

Porém ele pareceu não sentir o impacto, mal se orientou novamente, colocando seu corpo de volta no sentindo certo e voltou a se mexer, mas não na direção de Leaf. Serperior veio atrás de mim.

Demorei mais do que devia para me dar conta do que estava havendo. Arregalei os olhos e sai correndo. Saltei sobre um arbusto e disparei em uma pequena ladeira. Minhas pernas queimaram com o esforço repentino, mas quando ouvi novamente o guinchado de Serperior e o vi vindo atrás de mim, poucos metros atrás, não fez diferença.

Leaf provavelmente estava na nossa cola, mas eu não podia me dar ao luxo de esperá-la. Se Serperior me pegasse séria meu fim. O barulho dos guizos se aproximava a cada segundo me deixando cada vez mais angustiada. Eu precisava fazê-la me perder de vista.

Assim que atravessei mais alguns arbustos arfei, havia um rio na minha frente. Mudei meu rumo, tentando acompanhar sua margem, porém era tarde. Serperior estava próxima o suficiente para me pegar. O Pokémon saltou sobre mim de boca aberta e abocanhando meu ombro com sua mandíbula. Senti minha pele sendo rasgada enquanto os dentes afiados furaram a carne.

Um instante depois estávamos no chão, parte da calda dela dentro do rio e o resto do seu corpo já começavam a girar, me levando junto no movimento. Meu coração estava a mil e uma dor lacerante me envolveu. As lagrimas foram aos meus olhos na mesma hora. Não fosse pelo grito de alguém, provavelmente eu teria desmaiado pelo pavor ou pela dor.

Uma luz ofuscante veio em nossa direção, atingindo o tórax do Pokémon, que foi empurrado bruscamente para dentro do rio. Senti o solavanco, enquanto ainda estava presa a boca da criatura, consequentemente sendo puxada para dentro do rio. Tentei gritar, mas minha boca se encheu de água me calando a força.

Serperior me virou junto de si e me puxou mais para baixo. Eu estava sem ar, não estava preparada para isso. O sangue do meu braço pintou a água em minha volta enquanto ela movia a mandíbula como uma cerrasse minha clavícula e eu me debatia como podia, tentando me soltar.

A dor foi tanta que não pude conter a vontade de gritar. A falta de ar me corroeu e a necessidade de respirar me fez convulsionar, comecei a beber agua e sem poder controlar tentei espirar pelo nariz.

Senti a agua descer queimando, enchendo minhas vias respiratórias. Eu estava me afogando. Levei a mão ao meu ombro e senti as escamas do Pokémon. Senti o movimento feito por ele de um lado para outro, levando meu corpo consigo.

Então em um ultimo movimento desesperado encontrei algo molengo e o apertei com força. Era seu olho. A escuridão começou a tomar, mas a angustia e a necessidade de ar não diminuíram. Estava doendo, eu precisava respirar, precisava. Apetei com mais força, então ele finalmente abriu a boca, puxando suas presas de volta, rasgando parte do meu braço com isso.

Eu estava livre do Pokémon, mas meu corpo não reagia, movi meus braços desesperadamente e também minhas pernas, mas não havia força. Minha mente não conseguia focar em nada além de ar, eu precisava de ar, precisava chegar à superfície, mas tudo o que eu fazia era afundar.

Enquanto lutava, me debatendo debaixo d’agua o mundo foi se fechando a minha volta e olhando para a água manchando de sangue, apaguei.

=8=

Faltava algo, era ar. Puxei o máximo que pude, abrindo os olhos de uma vez, me sentando na grama quase como se meu corpo estivesse convulsionando. Eu ia morrer, eu tinha certeza, se já não estivesse morta.

Minha visão turva foi voltando aos poucos e um garoto de cabelos castanhos foi tomando foco, sentado na minha frente. Leaf surgiu do nada, pulando no meu colo, fez seu típico barulho e passou a cabeça no meu peito.

Então a dor voltou, levei a mão ao ombro e o olhei, me assustando com o tanto de sangue que havia na minha camisa rasgada. O buraco dos dentes estava ali também. Quatro buracos, dois de cada lado.

– Você está bem ? – O garoto perguntou, – por Arceus, o que estava fazendo? Serperior dessa montanha são extremamente perigosos. As pessoas usam as cavernas há anos para atravessar tentando se esquivar deles.

Ele também estava molhada, sua roupa estava toda colada no corpo, tal qual o cabelo. Ele pegou o pote que estava do seu lado e melecou o dedo com uma pasta verde. Tentei me afastar dele, me arrastando para trás, porém ele me segurou e sem ao menos me perguntar lambuzou minhas feridas com aquilo.

A ardência era insuportável, gritei de dor e por mais que eu lutasse foi impossível, voltei novamente para a escuridão.

=8=

Não houve sonhos, apenas a escuridão e a quietude. Eu estava coberta por alguém quente e uma fogueira trepidava ao meu lado. Já era noite e o vento balançava as folhas das árvores sobre mim.

Meu braço ainda doía, mas surpreendentemente muito menos. Olhei em volta com a visão ainda um pouco disforme e vi que ao lado de Leaf havia outro Pokémon. Era um Liepard. Um Pokémon felino, de pelos roxos. Por todo o seu corpo haviam espalhadas manchas claras que o ajudavam a se misturar com a paisagem, se aquilo era possível com a sua cor.

Ouvi alguns ruídos e os dois Pokémon me encararam. – Achei que não acordaria hoje– o garoto ressurgiu, se sentando na minha frente. Leaf se ergueu e veio caminhando junto de Liepard na minha direção.

– O que houve? – Perguntei tentando voltar a me sentar, desta vez devagar.

– Achei que você me responderia isso quando acordasse – o garoto respondeu, – te encontrei sendo devorada por um Serperior, não fosse pelo ataque do meu Lieapard. – Ele ficou em silêncio um pouco e colocou a mão no queixo – Haila, não é?

Olhei para o rosto dela, ainda meio tonta e aos poucos o reconheci. Ele era o garoto que estava com Kara quando eu joguei a torta em sua cabeça. Nossa, aquilo parecia tão distante agora. – Sim, mas... – coloquei a mão no ombro assim que senti outra fisgada. Minha camisa Havia sido rasgada mais ainda e uma bandagem havia sido colocada sobre os ferimentos.

– Não se preocupe, Serperior não são venenosos.

– Eu sei – respondi sem realmente saber.

– Como está se sentindo? – Ele quis saber.

As minhas ultimas lembranças voltaram a minha mente e meus olhos voltaram a encher de lagrimas – no fundo do rio. Eu não... eu me afoguei – disse com dificuldade de formular a frase. Leaf me encarava triste. Onde eu a tinha metido.

– Serperior saiu nadando e eu pulei na água – ele começou a me contar, – quando te arrastei para a margem você não estava respirando, então fiz respiração boca-boca.

Toquei meu lábio e o encarei. Aos poucos eu estava me sentindo pior. Ainda parecia que um caminhão tinha me atropelado, mas a dor física não era o pior. Quanto mais às lembranças do acontecido se tornavam claras na minha mente, pior eu me sentia.

Talvez eu ter morrido tivesse sido melhor. Sequer pude capturar um Pokémon sem quase ser morta, como eu queria ir atrás da Team Plasma e me vingar pelo que eles fizeram a Simi? Senti a primeira lagrima descendo do meu olho esquerdo, rasgando minha pele até pender no meu queixo.

Eu não tinha forças, eu não tinha. Leaf estaria livre de ser arrastada por uma treinadora fraca como eu se Desmond tivesse me deixado morrer afogada. Estaria livre de todas as batalhas que ela teria de passar e eu da dor.

Eu estava chorando agora, chorando com volúpia. Meu peito subia e descia depressa. Eu ainda podia sentir como se tivesse me afogando. Eu estava chorando porque era fraca e não conseguia sequer morrer e acabar com isso. Eu estava chorando porque eles mataram Simi e porque Deedee não estava aqui para me dizer o quanto eu fui idiota.

– Fique calma, acabou – Desmond disse se ajoelhando no chão e me puxando para o seu peito.

Tentei empurrá-lo, mas a dor no meu ombro me fez ceder. Seu peito era quente e seu abraço forte. Então me cansei de conter e chorei alto, aos berros no meio da floresta. Chorei porque não sabia mais o que fazer ou pra onde ir, chorei porque tudo estava dando errado e eu não conseguia virar o jogo. Chorei porque meu pai estava certo, eu não tinha capacidade para terminar essa jornada.

Chorei de saudade de Deedee.

Notas finais
E o que acharam? Pois é, muita coisa na cabeça da menina. Foi mal gente.