Rota Zero

2 Promessas Entre Irmãos


Notas iniciais
Novamente seja bem vindo! Para que você entenda um pouco melhor como funcionará o andar da carruagem eu vou explicar no minimo de palavras que eu conseguir como o texto se desenvolverá. Rota Zera conta a historia de dois personagens sobe o ponto de vista de cada um. Em um capitulo Haila, personagem idealizada e criada por mim, contara o que esta acontecendo com ela. E Deedee (December) o personagem de idealizado e escrito por Chibieska, dara sequencia contando os fatos apartir de seu ponto de vista. Como assim? "Eu, Deedee, estou vendo a maça caindo" "Eu, Haila, a vejo no chão". Espero que gostem. E que a historia tenha inicio!

Haila

PROMESSAS ENTRE IRMÃOS

Eu estava encostada sobre as barras de proteção naquela manha olhando o mar e sentindo a brisa que fazia meu cabelo balançar levemente. Podia ouvir os gritos do meu irmão brincando com Dania em frente minha casa, os dois nunca pareciam se preocupar com nada. Bom, não havia motivos realmente naquela idade.

Virei-me de costas e me apoiei nos cotovelos agora olhando a cidade a minha frente, tudo em Nuvema estava igual. A casa da senhora Lisa, mãe de um dos campeões de Unova, bem no centro. O laboratório da professora Juniper um pouco mais a cima e subindo a rua mais a direita minha parte preferida da cidade, o caminho que levava para fora dela.

Claros, havia varias outras casas, vários outros adolescentes e a vida acontecia enquanto eu observava, mas por ironia do destino minha família morava bem ali, onde a estrada em direção a Accumula City começava. Meus pais eram criadores Pokémon e eu tenho convivido com Eevees desde que me entendo por gente. Sempre os achei incríveis, a capacidade de evoluir para vários tipos diferentes era fascinante.

Ganhei meu primeiro Pokémon com dez anos como toda criança que conheço. No entanto, ao invés de ir ao laboratório mais próximo como todo mundo, as pessoas da minha família ganham ovos em casa mesmo.

Lembro-me perfeitamente daquele dia cinco anos atrás quando meu ovo chocou e aquela criaturinha peluda salto no meu colo. Não foi bem dessa maneira na verdade, Eevee estava coberto por uma camada gosmenta, de qualquer coisa que seja, e fazia uma careta muita engraçada franzindo o cenho enquanto se libertava de um pedaço de casca preso a sua cabeça.

Meu pai me explicou que eu deveria retira-la do ovo e passar um pano úmido sobre seu pelo para retirar aquela camada de liquido como sua mãe faria. Relutei um pouco no começo até meu pai ficar nervoso e me ameaçar dizendo eu levaria umas palmadas. Senti ânsia de vomito quando enfiei minha mão no ovo, mas o enjoo passou rápido quando sem querer Eevee escorreu e caiu no chão, meu pai me deu um tapa na cabeça que me fez ficar desorientada.

— Haila – Alguém me chamou, fazendo–me despertar do quase transe que entrei. Era meu irmão mais velho, Jaden. Ele havia voltado de sua jornada fazia três dias e agora havia decidido pegar um barco em Castelia City e seguir rumo para uma nova aventura nas ilhas Laranja, um arquipélago incrível, mas muito longe de Unova. Consequência, meus pais estavam surtando – já tenho que ir – gritou ele acenando de longe.

Seu cabelo loiro se agitava contra o vento enquanto ele arfava seu Glaceon, único Eevee da nossa família em duas gerações a evoluir para um tipo gelo. Não que eu me preocupasse com isso, o meu Leafeon também era o único em três gerações, mas eu sentia uma pontada de inveja toda vez que pensava em Jaden atravessando o mundo e vivendo aventura atrás de aventura.

Ele havia perdido para a Elite Four, mas e dai? Agora ele estava saindo de Unova e indo conhecer o mundo. O que mais alguém poderia querer?

Corin correu até ele e o abraçou, enterrando sua cabeça na sua jaqueta. Meus pais estavam na sacada da nossa casa o olhando de longe. Leafeon fez um barulho estranho que me chamou atenção e saiu andando na minha frente em direção aos meus irmãos – eu já sei, não precisa ser rabugenta – murmurei só para ela.

Corin estava chorando baixinho, notei assim que me aproximei deles. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo grosseiro e sorri, eu estava sem graça não podia negar – então é adeus de novo? – perguntei tentando fugir do olhar dele, eu não queria chorar.

Ele colocou a mão na minha cabeça e chacoalhou atrapalhando todo meu cabelo – por enquanto – disse ele baixinho. Algo na sua entonação fazia parecer que aquilo era uma promessa e isso me deixou mais reconfortada – eu tenho algo pra você.

O olhei curiosa enquanto ele mexia desajeito no bolso e tirava de lá um aparelho vermelho. Reconheci de cara, – seu Pokedex – disse o encarando agora.

— Ele não esta completo sabe, – ele me contou coçando a cabeça, – faltam dez Pokémon ainda segundo a professora Juniper e eu não queria deixa-lo assim.

Era um presente incrível, mas isso também soava como uma promessa caso eu o aceitasse. O tipo da promessa que eu cumpriria com gosto. Já tinha conversado com meus pais sobre sair em uma jornada, mesmo não sendo isso que eu queria, e eles ficaram loucos. Vieram com um discurso idiota de que meninas amadurecem mais tarde que os meninos e que o mundo não era lugar para uma garotinha e bom, cinco anos depois e eu ainda estou presa aqui.

— Acho que posso resolver isso, sabe quais são os Pokémon? – Perguntei pegando o objeto e o colocando no bolso.

— Isso cabe a você descobrir.

— Mas você vai ficar sem nenhum, – relutei, – como fara em uma nova região?

Ele deu aquele sorriso manhoso que sempre dava e isso me fez sentir mais melancólica. – A professora Juniper me deu um Nationaldex.

— Incrível, – gritou Corin nos fazendo sorrir.

— Ei garoto, por que você não vai lá pegar minhas Pokeball? Eu deixei em cima da mesa, – Jaden pediu a Corin que assentiu de imediato com a cabeça e saiu correndo com os braços abertos.

Eu simplesmente odiava esse clima de despedida, estava tão frustrada por ficar presa em Nuvema, eu tinha decidido falar com meus pais de novo, mas já imaginava qual seria a resposta do Sr. Gray “você ainda não é madura o suficiente e precisamos de alguém pra cuidar dos Eevee.”, eu já estava cansada disso.

De súbito Jaden agarrou meu braço e começou a me puxar em direção ao parapeito da cidade, – o que esta fazendo? – Perguntei nervosa, ele não costumava agir assim.

— Segure isso, – murmurou ele como se houvesse alguém ali para escutar. Quando olhei para sua mão estendida havia cinco Pokeball.

— Por que você... – comecei a questiona-lo e só então me dei conta do que ele estava fazendo. Será mesmo?

— As esconda depressa, – ele murmurou olhando para trás, – Haila, eu sai de casa porque estava cansado dessa vida, – então ele olhou para trás a tempo de ver nossos pais saindo pela porta de casa, – não deixe que eles te prendam, – me pediu, – não deixe.

Senti um frio na barriga de repente e quando segurei as Pokeball percebi que tremia um pouco. Eu e meu irmão éramos muito próximos antes dele partir, mas nunca imaginei que ele me conhecia tão bem.

Quando vi meu pai vindo junto da minha mãe apertei o máximo possível as Pokeball no meu bolso. Corin corria com os Pokémon de Jaden na mão – eu vou manda-los pra cá assim que chegar as ilhas, vou ficar apenas com Glaceon – ele nos contou.

Meu pai estava com cenho franzido, seu olhar era severo como sempre, mas havia algo nele diferente aquela manha. Nada que eu pudesse decifrar, no entanto, – você não vai seguir a rota? – Ele perguntou.

— Não, vou pelo mar, é mais rápido, – meu irmão respondeu para minha surpresa.

Meia hora mais tarde ele foi embora. Minha família ficou no parapeito o olhando partir montado em seu Wailord. Era incrível o tamanho daquele Pokémon baleia. Eu senti vontade de saltar do parapeito e fugir junto de meu irmão, mas com meus pais ali me olhando eu nunca teria coragem.

Fiquei de costas para meus pais e Corin enquanto eles voltavam pra casa. Sentindo a preção que aqueles objetos faziam no meu bolso era um lembrete constante de que meu irmão havia partido e queria que eu partisse também.

Esse pensamento fazia meu estomago congelar, porem me deixava tão eufórica que me dava vontade de rir. Leaf voltou a fazer seus barulhos estranhos então a encarei. Ela me olhava curiosa como se sentisse minha ansiedade, – o que acha que devo fazer? – Perguntei sem esperar resposta.

Talvez se eu aproveitasse um momento de distração dos meus pais a noite eu conseguisse fugir. Não, meu pai iria atrás de mim com seu Flareon e seu Vaporeon. Eu até poderia ter alguma chance contra Vaporeon, mas Flareon além de ser um tipo fogo era muito melhor treinado que Leaf. Franzi o cenho e a encarei novamente “Pokémon inútil” murmurei.

Eu tinha uma vantagem de qualquer forma. Conhecia a floresta muito melhor do que meu pai. Não obviamente até Accumula, mas isso poderia me ser uma vantagem caso fosse necessário. Caso eu não fosse vista fugindo teria uma larga dianteira. Mas pra onde eu iria?

O dia se arrastou para meu desprazer. Fiz todas minhas repetitivas tarefas diárias, cuidando da estufa de ovos e dando comida aos Pokémon, e quando a noite finalmente caiu, eu já não tinha mais certeza de nada.

Fomos para a mesa jantar como todas as noites e enquanto comíamos eu não resisti e toquei novamente no assunto, – bom, eu estava pensando... – comecei o mais devagar que pude, – acho que já esta na hora de sair casa.

Meu irmão estava sentado à esquerda de meu pai, que estava na cabeceira da mesa, soltou o garfo o deixando cair sobre o prato e quase gritou, – você também?

Minha mãe deu uma olhada de rabo de olho para meu pai que não esboçou reação alguma, então voltei a falar, – eu estava pensando nisso há um tempo sabe...

— Quais são seus planos? – Meu pai me interrompeu enquanto empurrava o prato para longe de si sobre a mesa. Seu tom de voz grave fez minha barriga gelar de repente.

Meus lábios tremeram quando tentei falar da primeira vez, mas a voz não saiu, – pensei em uma jornada, – falei baixo tentando não encontrar seu olhar, pois já imaginava a severidade contida neles.

— Você vai entrar na liga? – Ele questionou.

— Querido ela não quis... – minha mãe começou a dizer, tentando amenizar a situação.

Mas eu estava cansada, seria fazer isso agora ou passar o resto da minha vida continuando o negocio da família, – quis sim mãe... – eu a interrompi, – eu ainda não sei, eu poderia...

— Poderia o que? – Meu pai disse alterando seu tom de voz – Ser uma treinadora? Sinto muito, você é fraca de mais pra isso – Corin fez menção de interromper, mas mamãe em um salto atravessou a mesa e o puxou – esqueça esse assunto e termine de comer.

Senti que estava tremendo novamente, odiava admitir o medo que sentia do meu pai quando ele se exaltava, mas uma pontada de raiva havia surgido no fundo de mim, ainda acuada pelo medo, mas raiva.

Minha mãe voltou depressa com um olhar preocupado, – filha, já chega desse assunto – ela me pediu enquanto segurava meu braço, – vai para o seu quarto.

— Eu posso ser uma coordenadora Pokémon também, – quase gritei enquanto me virava de costas e seguia em direção as escadas. Foi à primeira coisa que consegui pensar, não que fosse uma ideia engenhosa e realmente boa, mas era uma. Meu pai gargalhou estridentemente. Minha mãe aumentou a aperto em meu braço me puxando com mais vontade em direção ao meu quarto.

Quando cheguei não havia mais duvida, eu podia ser tão forte quando Jaden se eu quisesse e ele sabia disso, deveria saber pelo menos. Se eu conseguir me tornar uma boa treinadora Pokémon nunca precisaria voltar pra casa e eles teriam que me respeitar.

Eu estava tão nervosa, queria gritar, queria descer lá em baixo e desafiar meu pai em uma batalha, mas sabia que Leaf não conseguiria vencer, não hoje. Enquanto colocava algumas mudas de roupa na mochila senti lagrimas quentes escorrendo pelo meu rosto.

Quando finalmente pus tudo, incluindo as Pokeball e o Pokedex do meu irmão eu saltei na cama e agarrei meu travesseiro. Chorei de raiva, chorei de frustração, chorei de medo. Soquei a cama, gritei deixando que o travesseiro contivesse meu grito.

Estava na hora de mostra-lhes quem era a fraca. Eu ia voltar aqui algum dia pra desafiar meu pai e vence-lo e só então eu me sentiria livre de verdade.

Esperei cerca de duas horas até que todas as luzes da casa se apagaram e sobre as pontas dos pés peguei minha mochila e fui em direção ao cofre no primeiro andar. A senha era uma mistura de datas de aniversario conhecida por todos da casa.

Sentia-me suja por roubar minha família, mas eu não conseguiria ficar uma semana fora sem dinheiro. Peguei algumas notas e as joguei na mochila com as luzes ainda apagadas.

Então ouvi a voz de Corin. Dei um salto me afastando do cofre. Meu coração palpitava a mil por hora, – o que você esta fazendo? – Ele me perguntou enquanto abaixava o copo de agua em sua mão.

Suspirei tentando me acalmar e o puxei pra perto de mim. Me encostei no sofá e me abaixei ficando numa altura próxima a dele, – eu vou embora.

— Você também não, – disse ele coçando o olho. Ajeitei a camisa listrada do pijama que ele estava usando e senti meu coração se cortar.

— Eu volto pra te buscar quando for a campeã da região, – contei como se fosse um segredo, falando baixinho próximo ao ouvido dele.

— Você promete? – Ele perguntou.

Cruzei os dedos e ergui a mão mostrando para ele a posição dos meus dedos na escuridão, – é uma promessa, – desabafei. O puxei para mim e o abracei forte, cheirei seu cabelo e senti as malditas lagrimas voltando para meus olhos novamente, – volta pra cama – era hora de partir.

Enquanto ele subia as escadas eu e Leaf saímos pela porta da frente. A lua estava cheia e o céu cheio de estrelas como sempre. Encarei aquelas ruas, aquelas casas por algum tempo temendo um dia esquece-las.

Enquanto caminhava em direção à rota de saída senti que chorava novamente. Dei uma ultima olhada para minha casa antes de começar a correr, com a esperança de que a distancia amenizasse minha dor.

Notas finais
N/T: Reviews são sempre bem-vindos! Fale conosco. Nos xingue, nos elogie. Seus comentario são sempre importantes.