Rota Zero

43 Desfecho e Resignação


Notas iniciais
Mais uma semana com Haila. Esse capitulo foi um dos que mais me preocupo com a qualidade de enredo desde Haila e Dee se separaram. A tão esperada chegada a Mistralton City. Espero que vocês gostem!

Haila

DESFECHO E RESIGNAÇÃO

Não havia ginásio agora e aquela não era uma batalha por insígnia. As coisas tinham ido de mal a pior. Meu mundo havia desmoronado de todas as formas possíveis e eu estava chegando ao limite. Dessa vez eu provaria que tinha força, que era capaz independente das consequências. Eu já tinha falhado como treinadora vezes demais para recuar dessa vez.

A expressão de espanto ainda tomava o rosto de Skyla e de todos os seus aprendizes. Não fosse pelo ataque Air Slash de Mandibuzz a esfera de energia teria acertado a líder em cheio.

– Haila – ela gritou abaixando os braços que acabara de levantar para se proteger da fumaça vinda da explosão que se originou do encontro dos dois ataques. – Você enlouqueceu?

– Leaf, Swift! – Ordenei desta vez sem hesitar, atacar lideres de ginásio ficaria no meu currículo para sempre, felizmente, eu não me importava mais com o que fosse acontecer comigo. A folha que ornamentava sua testa brilhou e depois de fazer seu típico ronronar ela abriu a boca, lançando dezenas de estrelas luminosas na direção de Mandibuzz.

O Pokémon se esquivou sozinho, batendo as asas apenas uma vez, com tanta força que levantou poeira alguns metros abaixo de si. Leaf o atacou de novo e o mesmo voltou a repetir, mais e mais. – Pare com isso – Skyla ordenou, seu tom de voz estava alterado. Ela estava perdendo a paciência.

Meu cabelo caindo sobre os olhos me incomodava, meu coração batia tão forte que quase chegava a doer.

– Estou cansada de todo mundo me dizer o que eu posso ou não fazer. Leaf use Quick Attack, apoie-se nos chicotes para saltar como treinamos antes – ordenei estendendo a mão, apontando para a criatura de penas negras que voava raivosa sobre Skyla.

Leaf primeiro saltou, assim que suas patas traseiras voltaram a tocar o chão ela começou a correr, mais rápido do que em qualquer outro momento em que a vi fazê-lo. Ela entendia o que eu estava sentindo e estava se esforçando ao máximo para me ajudar ou talvez simplesmente estivesse ficando mais forte a cada batalha travada.

Seus chicotes surgiram, chicoteando fortemente o chão, ajudando-a a ganhar mais altura no salto que se seguiu. Ela foi como um torpedo, acertando o enorme Mandibuzz no meio do peito com o seu próprio corpo.

O Pokémon piou, um piado cheio de agonia e surpresa enquanto era arremessado contra o chão a pouco menos de um metro do grupo de alunos.

– Haila – Skyla voltou a me chamar, em meio aos murmúrios estupefatos dos aprendizes – me atacar não vai me fazer mudar de opinião. Você não irá comigo!

– Eu sei disso – respondi com a voz carregada de raiva. Eu já sabia no momento em que o Clay me dissera que ela partira sem me dizer adeus, me dando uma missão que parecia impossível. Eu sabia o tempo todo, só não queria admitir porque aquilo era tudo o que me restara e agora, agora eu não tinha nada. – Eu aceito minhas escolhas, espero que você aceite as suas – gritei tão furiosa que mal pude reconhecer o som da minha própria voz.

=8=

As pessoas em toda a cidade estavam alvoraçadas, alguns mais preocupados chegaram até mesmo a ligar o desabamento do ginásio aos acontecimentos da semana anterior em Nimbasa City. Eu não podia culpá-los, de certa forma o que acontecera lá influenciara mesmo na morte do Pokémon de Clay.

– Então Skyla pediu que você batalhasse contra Clay? – Perguntou novamente o policial. Seu olhar era firme e não transparecia emoção. Sentada ali, naquela sala cinzenta com apenas aquela mesa e as cadeiras eu me sentia nua. Completamente constrangida e sem jeito.

Era o dia seguinte e eu tinha sido convocada a prestar depoimento e me encontrar com Clay novamente. Ele mal me dirigiu o olhar na delegacia, estava com a mesma feição de ódio que me encarara durante a partida que resultara na tragédia.

Desmond concordou com Danmian, sobre a culpa não ser minha, mas por mais que eu quisesse acreditar, algo dentro de mim ligava aquilo à morte de Simi. Eu era tão culpada daquilo quanto a Team Plasma era da morte de Simi.

A noite que se seguiu ao desmoronamento foi agitada com o interrogatório e as ligações. Alguns mais esperançosos ainda buscavam tirar o Pokémon vivo, mas assim que sua morte foi realmente constatada tentei fugir.

Corri pelas ruas de Driftveil City o mais rápido que pude. Eu já não me importava mais em chamar atenção. Se fosse pega sem duvida eles descobririam que eu tinha fugido e me arrastariam até meus pais, se tivesse sorte. Na pior das hipóteses seria considerada uma menor infratora e seria mandada para um reformatório.

Meu pai não hesitaria em me mandar para um. Na verdade, acredito que o velho desgraçado ficaria satisfeito em me ver implorar para que ele me ajudasse, mas eu não faria isso. Não faria.

Ouvi o barulho das sirenes logo que avistei a saída da cidade, as pessoas na rua me encaravam assustadas, saiam da minha frente deixam que eu passasse sem interferência. – Parada – uma voz feminina gritou.

– Fique ai – outra masculina meio rouca ordenou – fique ou tomaremos uma atitude.

Olhei para trás e senti meu coração sair pela boca. Minhas pernas estavam queimando, não havia ar no mundo para oxigenar meus músculos. A ferida no meu ombro ardia tanto que temi que os pontos se arrebentassem.

Não tinha para onde ir, apenas um caminho aberto até o bairro mais baixo onde eu poderia me enfiar entre os quintais e com sorte me esconder na mata. Mas eles estavam sobre motos. Cinco deles, talvez mais.

As lagrimas insistiam em querer sair. Leaf sequer tinha tido tempo de se recuperar no centro Pokémon.

Ouvi o baralho de uma Pokeball se abrir, o raio vermelho piscou a minha volta por um instante. Perdi o equilíbrio por um instante e os passos seguintes foram desajeitados. Mordi o lábio inferior e senti o gosto do sangue. Eu tinha que conseguir, faltavam apenas mais alguns metros.

– Confuse – a voz feminina ordenou.

Senti um solavanco forte e o ar escapou do meu peito por um instante. Meus músculos ficaram rígidos e aos poucos meu corpo todo ficou paralisado. Mantive a mesma posição contra a vontade, perna esquerda ainda erguida atrás de mim. Braço direito flexionado. Era como se eu tivesse envolta por agua congelada, mas não havia frio.

As lagrimas começaram a descer. Eu queria gritar, amaldiçoar o mundo, mas não conseguia abrir minha boca. Simplesmente gemer, era tudo o que eu podia.

– Você bem que tentou mocinha – a mulher passou de moto, parando em minha frente. Uma Munna flutuava a poucos centímetros de distancia da moça, seu corpo estava envolvido por uma aura rosada e seus olhos brilhavam.

E agora eu estava ali sentada. Minhas mãos presas juntas atrás das costas, como uma criminosa qualquer, enquanto o verdadeiro vilão estava lá fora. Eu não conseguiria resolver nada, nunca conseguiria levar a Team Plasma a justiça. E agora teria que enfrentar meu pai.

Não respondi ao policial. Não tinha vontade de dizer nada. Estava lutando para não voltar a chorar, tentando ser mais forte do que realmente sou.

– Sua vida ficara mais fácil se você cooperar – voltou a repetir aquilo, já deveria ser a centésima vez.

– Foi o que o próprio Clay me disse.

– Os operários ouviram-na gritando vários tipos de ofensas contra Clay e até mesmo ameaças contra sua vida – continuou olhando para o papel em suas mãos – o que te levou a isso? Algum tipo de vingança? Esta envolvida com a Team Plasma?

Suspirei – eu só queria deixa-lo irritado. Ele iria usar dois Pokémon muito mais fortes que os meus. Eu só queria fazê-lo perder o controle.

– E como você sabia que ele iria usar tais Pokémon – perguntou. Um brilho havia surgido em seus olhar.

Antes que eu pudesse responder a porta se abriu. Um velho de bigode, usando roupa social entrou sem nenhuma mesura e se dirigiu ao policial – as acusações contra Haila foram retiradas. Deixe a garota livre.

O policial levantou bruscamente, arrastando a cadeira – eu estou no meio de um interrogatório...

– Nenhuma declaração dela teria valia sem um advogado ao seu lado – afirmou com um pouco de arrogância – além disso policial, esse é o trabalho para um detetive ou investigador. Retire já as algemas de senhora Haila e se saia da sala.

O policial bufou, seu lábio superior chegou até mesmo a tremer, mas ele obedeceu o homem. A pele onde a algema estava no meu pulso estava avermelhada. Uma linha fina de sangue escorria.

Assim que o policial saiu da sala não me contive – quem é você?

– Meu nome é Lumier, sou Advogado do senhor Clay. Ele me pediu para cuidar do assunto.

– Porque ele faria isso? Quero dizer, porque retiraria as acusações? Eu realmente estou envolvida na morte de seu Pokémon.

– Os outros foram resgatados com sucesso do compartimento na parede. – Ele se aproximou um pouco de mim, se debruçando sobre a mesa e sussurrou – se eu fosse você apenas não questionaria e sairia daqui o quanto antes.

=8=

Foi exatamente o que eu fiz.

O prazo final de Skyla tinha vencido e não havia mais possibilidade de ganhar a insígnia, mesmo assim eu ainda queria tentar convencê-la de que eu era capaz. Não sobrara mais nada pra mim. A essa altura ela já sabia do acontecido e muito me admirava que ela não tivesse tentado entrar em contato comigo.

Eu não conseguia deixar de ficar intrigada sobre o que levara Clay a retirar as acusações. Procurei Danmian, mas ele não saiu do ginásio e definitivamente eu não podia voltar lá. As noticias já tinham se espalhado e vários comentários sobre o ocorrido reverberavam pela cidade.

No fim das contas a noticia se instalara como “uma garota de Team Plasma havia invadido o ginásio e matado um Pokémon de Clay. A policia havia conseguido prendê-la depois de ela tentar voltar para terminar o serviço.”. O que decididamente não me surpreendeu. Mesmo assim não pude deixar de agradecer por ninguém me reconhecer.

No segundo dia após o desmoronamento finalmente Liepard, Pokémon de Desmond, foi liberado do Centro Pokémon, praticamente junto aos meus que ficaram finalmente em observação.

Saímos da cidade logo que possível e o garoto me acompanhou até metade do percurso até Mistralton, prometendo me encontrar lá assim que conseguisse terminar o trabalho e sozinha demorei praticamente o dobro do tempo para cobrir o resto do caminho. Cheguei ao Centro Pokémon por volta de meio dia e passei praticamente o resto da tarde inteira lá.

As Pokéball de Leaf e Serperior ficaram em cima da minha cama enquanto eu as observava e pensava no que fazer, em que discurso usar para conseguir que Skyla permitisse que eu me juntasse a ela. Tarefa que se mostrou impossível, eu mal conseguia articular meus pensamentos direito.

Estava exausta e com a cabeça cheia, tanta coisa tinha acontecido de uma vez. Em questão de uma semana tudo o que eu tinha conseguido conquistar pareceu desmoronar. E por em determinado momento tive certeza que minha jornada tinha acabado.

Mais tarde, quando a fome estava me deixando tonta desci até o restaurante e de lá liguei para Alanna.

– Oi. Você? – Perguntou surpresa quando me viu do outro lado da tela. – Alguma coisa aconteceu? Não sabia que tinha meu número.

Dei de ombros, meio desanimada – Você é aprendiz da líder do ginásio, modelo e apresentadora de um programa de radio. Não precisei mais do que duas ligações pra conseguir seu contato.

Ela deu um sorriso orgulhoso e ajeitou o cabelo. – Acho que as pessoas me conhecem.

– Como você está? – Perguntei não conseguindo conter meu nervosismo.

Ela ergueu as sobrancelhas e deu uma risadinha.

– Você nunca se importou em perguntar, o que te deu agora? Do que você precisa?

– Eu não posso estar com saudade? – Perguntei fingindo indignação e ela fez um som com a boca ironizando a bobagem que eu havia dito. Dei de ombros e parei de enrolar – você sabe alguma coisa de December? Como ele está?

– Por que vocês insistem em me perguntar isso? – Se questionou parecendo surpresa – você deveria perguntar diretamente a ele já que parece que sua birra passou.

– Birra? – Perguntei alterando o tom da minha voz. Suspirei profundamente e tentei de novo – Alanna, sem floreios. Sabe como ele está ou não?

– A última vez que soube dele parece que estava indo com Roxie em direção ao metrô, mas não faço ideia de pra onde foi – ela respondeu meio perdida – se você quiser posso passar o número do Xtransceiver dele.

Meu coração deu um pequeno salto – não, não precisa. Tenho que ir. – Ela balançou a cabeça negativamente e começou a mover o braço para desligar o aparelho. – Alanna – gritei e ela voltou a olhar para tela. Comprimi um pouco os lábios e suspirei – Obrigada!

Ela deu um sorriso largo e depois mordeu o lábio – quando estiver pronta é só me ligar.

Se Dee estava com Roxie, ele estava bem. Eu não poderia pedir que ele me acompanhasse, que passasse pelos mesmos tipos de horror que eu estava vivenciando. Eu gostava de mais de Deedee para pedir que me acompanhasse nesse caminho.

=8=

Quando a noite caiu finalmente fui para o ginásio. Depois de pedir informação descobri que ficava em um aeroporto no meio da cidade. Mistralton não era tão grande quanto Nimbasa, então não demorei a encontrar o lugar.

Os portões estavam abertos para que qualquer um pudesse entrar assim que bem entendesse. O lugar era enorme, cheio de galpões cercando as pistas de pouso e aviões de diferentes tipos ornamentavam o lugar, espalhados por todo o aeroporto.

Achei com facilidade o hangar que exibia o símbolo da corporação Pokémon e me dirigi até lá. Um pequeno grupo de adolescentes conversava na porta, parecendo divertidos com o assunto. Cheguei meio envergonhada e me aproximei de um garoto que parecia não ter mais que a idade de Corin, que estava um pouco desgarrado do grupo.

– Desculpe, você sabe onde posso encontrar Skyla?

Ele me olhou de cima a baixo e depois comprimiu os lábios fazendo uma pequena careta.

– Treinadora, certo? Ela não batalha depois das dezoito horas, você terá que voltar amanha.

– Não vim por isso, meu nome é Haila e...

– Haila? – Ele repetiu surpreso. – Você é a garota de Nimbasa que a ajudou quando o Team Plasma a cercou?

Meu coração deu um salto, ela tinha falado de mim para as pessoas, talvez se eu não precisasse estar tão nervosa. Talvez tudo o que eu precisaria era explicar tudo que aconteceu e ela ficaria satisfeita em me juntar a ela.

– Fui eu sim – respondi de peito cheio.

Ele pegou minha mão e me guiou para dentro do hangar. O lugar estava com as luzes apagadas no primeiro andar, mas dava para ver uma luz acessa em uma janela de uma sala no segundo.

Ele só soltou minha mão quando bateu na porta da sala. Meu coração estava acelerado, mas eu estava mais calma do que imaginei que estaria quando finalmente esse momento chegasse. Era hora de finalmente rever Skyla.

O cômodo parecia uma sala de reuniões. Havia uma grande mesa com várias cadeiras no centro e um sofá de couro preto encostado à parede no lado direito. Mas infelizmente o lugar não estava vazio como eu esperava, Skyla estava de pé, encostada a um armário de madeira mais baixo, do lado contrário a porta e me viu assim que dei o primeiro passo lá para dentro.

Sentados no sofá, para minha surpresa estavam o investigador que comparecera a reunião dos lideres em Nimbasa e Shauntal, Elite Four que eu apenas conhecia pela TV. Sentado em uma cadeira próxima à janela estava um senhor mais velho com um olhar duro.

– Haila? – Skyla disse surpresa – não a esperava.

– Boa noite – cumprimentei a todos que me encararam curiosos.

– Sente-se querida, já conversamos – me pediu e depois olhou curiosa para o garoto que me trouxe. – Fil, obrigada por trazê-la, você já podem se retirar – o garoto me encarou uma última vez e depois deu uma olhada rápida no restante das pessoas na sala, fazendo um sinal positivo com a cabeça em seguida. – Quando digo se retirar quero dizer que quando eu sair dessa sala espero encontrá-lo lá embaixo, não atrás da porta – Skyla completou com um tom autoritário.

A expressão dele mudou de repente e em seguida ele fechou a porta com um baque alto. O detetive encarou Skyla de olhos arregalados e tentou intervir.

– Acho que o assunto do qual estamos tratando não deve ser debatido na presença...

– Não se preocupe – Skyla o interrompeu caminhando até mim, me guiando até uma cadeira da mesa. – Haila se mostrou muito boa em guardar assuntos que ela não deveria ouvir somente para si – afirmou com um tom de voz mais severo.

O homem deu de ombros e continuou com um tom de voz mais rude. Ele não havia gostado de ser contrariado.

– Que seja. Como eu estava dizendo o rastro termina ai. Lenora ainda não conseguiu extrair informação suficiente do que se lembra do livro para poder garantir a localização dos lendários.

Shantal fez um biquinho e depois ergueu as sobrancelhas de forma teatral.

– Se o Team Plasma não fez nenhum movimento obviamente eles também não conseguiram nada. As opções são claras, seguimos os movimentos do alvo e esperamos que ele nos leve a algo que valha a pena...

– E nos arriscamos a perdê-lo novamente como já ocorreu – o velho sentado à mesa continuou, passando por cima do que uma Elite Four dizia com tanta arrogância que senti um frio na barriga. – Ou podemos ir à ofensiva e capturá-lo.

– Você está sugerindo que meus subordinados não dão conta do trabalho? – O detetive Looker perguntou encarando o velho com uma expressão irritada.

– Estou dizendo que é mais seguro e incisivo partimos para uma abordagem mais direta. Não conseguimos nada desde que Nimbasa sofreu o ataque – o velho continuou, aumentando o tom da voz ao decorrer das palavras. – É inaceitável permitirmos que Unova passe pelo mesmo terror de anos atrás. Precisamos encontrar Ghetsis e N, custe o que custar – socou a mesa ao terminar.

Looker se ergueu, sua face estava sendo tomada por um tom avermelhado.

– Você acha que eu estava onde quando aquilo tudo aconteceu? – Perguntou agora aos berros. Cheguei até mesmo a me encolher na cadeira, tamanho meu nervosismo – é burrice arriscarmos mudar de estratégia agora. Esse Team Plasma é tudo que temos, se ele ainda não tiver sido informado do próximo passo não teremos nada.

O velho se ergueu também, empurrando a cadeira onde estava sentado com violência.

– Para o inferno com você e sua estratégia, temos que tomar uma atitude agora, antes que mais pessoas morram.

– Pai – chamou Skyla caminhando em direção ao velho com uma expressão preocupada. Repousou a mão sobre seu ombro e depois olhou para todos – Burgh está à espera de Cheren para se unirem as buscas e o Victory Road está seguro com Iris. Deixem isso com eles.

Shantal se levantou, arrumou o vestido preto no corpo e se fez ouvir novamente: – Já obtive o suficiente, eu informarei Iris de todas as novidades e espero que vocês façam o mesmo com Roxie. Caso descubram algo novo não hesitem em entrar em contato e eu virei correndo. Não confiem nos meios de comunicação tradicionais. Qualquer um pode ser um traidor – e me lançou um olhar frio.

– Estamos à beira de uma guerra meus queridos companheiros. A Team Plasma nunca havia agido dessa maneira. Falarei com o pessoal da penitenciaria de Driftveil City para garantir que mais nenhum dos comparsas de Ghetsis fujam – logo em seguida Looker se despediu, parecendo um tanto quanto insatisfeito.

Skyla levou as mãos ao rosto e suspirou profundamente.

– Estou exausta – relevou olhando para o chão. Havia olheiras sob seus olhos e sua expressão estava desanimada. Já tinham se passado dias desde que a vira pela última vez e parecia que ela não tinha descansado um minuto sequer.

– Eu vou levar os alunos para os dormitórios. Caso precise de mim estarei no hangar seis mexendo no motor daquele avião da semana passada – informou o pai de Skyla, saindo da sala logo em seguida.

Skyla e eu ficamos em silêncio um minuto ou dois, momentos que parecerem demorar uma vida inteira para passar. Depois ela puxou uma cadeira próxima a minha e se sentou.

– Perdoe meu pai, ele ficou muito mexido com a morte de Braviary. Ele havia cuidado dele desde que saiu do ovo. Além disso, anos atrás... – ela hesitou por um instante – perdemos meu tio no ataque a Opelucid.

– Todos nos perdemos alguma coisa para a Team Plasma – comentei me lembrando de todas as mortes e sofrimento que presenciei no ataque de Nimbasa. Não parecia haver limite para a Team Plasma conseguir o que queria. Aquilo deixaria marcas para sempre em mim e todos que viveram aquele horror. – Skyla, você já deve saber, mas sobre Clay...

Ela tocou minha perna e olhou nos meus olhos. Não parecia estar com raiva, ali tinha de uma forma estranha, uma preocupação quase materna – não precisa me explicar. Clay me ligou e me contou tudo, do jeito dele é claro – deu de ombros e continuou – não havia o que fazer.

Balancei a cabeça positivamente e continuei a fitando. Meu coração continuava batendo depressa, eu tinha que perguntar.

– Skyla eu...

Ela se levantou da cadeira e ajustou a calça que estava usando, puxando um pouco na cintura.

– Amanhã, Haila. Temos muito que conversar, mas deixei isso para amanhã.

Me levantei também, queria dizer tudo o que eu tinha pra dizer, eu tinha que fazê-lo de uma vez enquanto tinha coragem.

– Eu quero me juntar a vocês na busca ao Team Plasma. Eu sei que não consegui a insígnia, mas...

– Amanhã – ela respondeu passando por cima de mim – amanhã, Haila, já disse.

Puxei uma boa quantidade de ar e depois soltei devagar tentando me acalmar: – Tá bom.

– Você está no centro Pokémon? – Balancei a cabeça positivamente – Certo. Busque suas coisas e venha ficar no dormitório dos alunos de aviação. Ainda temos algumas camas sobrando no dormitório feminino.

=8=

Havia uma quantidade numerosa de beliches enfileirados em um dos quartos do galpão mais próximo ao ginásio. Dividi o cômodo aquela noite com mais três garotas mais velhas. Elas não me deram muito atenção e eu retribui a gentileza.

Acordei junto delas de manhã, já que elas não se preocuparam em fazer silêncio ou mesmo diminuir a voz. As garotas vestiram macacões azuis e saíram correndo da sala, comentando sobre o teste de voo.

Não sei em que momento aconteceu, mas acabei por pegar no sono novamente. Acordei por volta de nove da manhã com o som das aeronaves do lado de fora. Me vesti depressa e sai quase correndo do lugar.

A pista de pouso estava a alguns metros do hangar. Uma enorme aeronave se ajeitava na pista a vários metros de distância e mais próxima a mim, o grupo de jovens olhava para o céu, acompanhado os movimentos de um pequeno monomotor vermelho que era seguido por cinco Pokémon voadores.

Coloquei as mãos no bolso do meu short jeans e caminhei até o grupo. Skyla estava lá, ao lado deles, acompanhando, séria, os movimentos do avião.

– Aula de pilotagem – me contou assim que me juntei a eles. O garoto da noite passada estava um pouco à frente conversando animado com uma garota, enquanto acompanhava os movimentos do avião com o olhar.

– Não sabia que você era instrutora – comentei e em seguida lembrei-me do comentário que ela fez no hotel, sobre os lideres de ginásio não ganharem tão bem.

– Tem muita coisa que você não sabe sobre mim.

O monomotor mudou seu rumo, dando uma larga volta no horizonte e depois de alguns minutos veio em direção ao solo, pousando sem muita dificuldade na pista. Do avião desceram um dos garotos que conversava na porta do ginásio na noite anterior e o pai de Skyla. A expressão do homem continuava severa, mas Skyla parecia muito contente com a atuação do pupilo.

Os Pokémon que acompanhavam o avião vieram em nossa direção, pousando ao lado do que eu imaginei serem seus treinadores. Inclusive um enorme Mandibuzz mal encarado, que começou a voar em círculos sobre mim e Skyla.

Eu não queria mais esperar, estava morta de curiosidade. Eu precisava saber que posição ela teria em relação a mim. Fiquei andando atrás dela na pista de pouso como um Kangaskhan bebê faz com sua mãe, até que ela decidiu ligar para Elesa e se afastou um pouco do grupo.

Fui tomada por um frio na barriga angustiante enquanto esperava a ligação terminar. Quando ela desligou o Xtransceiveir corri até ela e sorri quando parei em sua frente, totalmente desconcertada. – Skyla, eu preciso saber.

– Haila, podemos falar sobre isso mais tarde? – Ela pediu tentando se esquivar de mim e voltar para os alunos.

– Não, não podemos. – Acabei explodindo.

Ela parou surpresa, me encarando com uma expressão assustada. Suspirou depressa e depois colocou a mão no meu ombro, voltando a se recompor.

– Eu sei o quanto você quer fazer isso Haila, mas essa é uma empreitada difícil demais para uma criança.

Eu demorei um pouco para processar a informação, olhando pra ela sem palavras até me dar conta do que ela havia dito.

– Criança? – Perguntei elevando o tom da minha voz. Afinal, quem ela estava chamando de criança? – Pra te salvar da Team Plasma eu tenho idade, mas para ir junto contigo sou criança?

– Não foi isso que eu quis dizer – ela tentou apaziguar, abaixando mais o tom da própria voz. – Você teve sorte naquele momento. Eu não poderei conviver comigo mesma se algo te acontecesse.

Eu não contive a risada irônica.

– Eu tive sorte? O que teria acontecido se eu não tivesse te salvado? – Perguntei aumento ainda mais meu tom. Ela não ia fazer isso comigo, não agora, não depois disso tudo.

– Não sei, me diga você. O que estaria fazendo se não tivesse a mim para afrontar? – Ela perguntou cruzando os braços – Haila, você é nova demais para se lembrar tudo o que a Team Plasma fez antes com Unova, não tem noção do quanto de gente se feriu.

– Eu não era um bebe, sei tudo o que houve – menti. – Simisage está morto, assim como Braviary. Acha que eu não sei até onde eles podem ir? – Dei um passo para trás, me libertando de seu toque. – Vi pessoas morrerem naquele dia Skyla. Sei o que eles podem fazer, o que você não sabe é o que eu posso. – Sua expressão mudou para algo cheio de pena e meu descontentamento se transformou em ódio.

– Não, não faz ideia. Ninguém sabe além de nós que lutamos contra eles antes. – Seu olhar estava fixo em mim. Ela acreditava mesmo no que estava dizendo, mas isso não queria dizer que ela estava certa. – Espero que você possa entender um dia porque estou fazendo isso. Mesmo que me odeie agora, minha palavra final é não.

Meu coração se acelerou quando enfim ela passou por mim, voltando aos seus alunos. Eu continuei parada por um instante enquanto a raiva tomava conta de mim. Ela não podia fazer aquilo, não podia.

Ela tinha brincado comigo. A carona até Driftveil City, o desafio de Clay, era tudo um jogo? Porque ela tinha me feito passar por toda aquela palhaçada? Me feito pensar que havia uma chance de lutar ao lado dela? Agarrei a Pokéball de Leaf e me virei.

– Skyla – a chamei antes de arremessar a Pokéball, libertando Leaf no meio do caminho entre nós – a escolha não é sua – esbravejei cerrando os punhos. – Leaf, Energy Ball.

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Não importava mais se ela queria ou não batalhar comigo. Ela o faria por bem ou veria seu Pokémon ser abatido sem reagir.

– Eu aceito minhas escolhas, espero que você aceite as suas – gritei tão furiosa que mal pude reconhecer o som.

A líder de ginásio correu para Mandibuzz enquanto eu gritava aquelas palavras, se abaixando perto dele. O Pokémon se ergueu depressa, fazendo um som alto e assustador.

– Se não há como te fazer abrir os olhos pelo amor, farei isso pela dor. – Skyla se ergueu com os punhos cerrados. Ela finalmente percebera que eu não estava brincando, que eu não ia parar de atacar enquanto ela não decidisse revidar. Aquilo não era para provar nada a ela, aquilo era pra provar para mim mesma que eu podia – Mandibuzz. Suba!

O Pokémon voador bateu asas novamente, se lançando no ar ferozmente. Agora eu não sabia dizer quem parecia mais feroz. Skyla ou o Pokémon. Não consegui conter o sorriso de prazer – Leaf – gritei de todo pulmão – Magical Leaf.

O Pokémon de penas escuras se esquivou tão rápido do ataque que mal pude acompanhá-lo com os olhos.

– Fury Attack – Skyla pediu, apontando para Leaf. Mandibuzz piou como se aquilo fosse um grito de guerra. Seu bico se iluminou e um instante depois ele estava sobre Leaf, tentando sucessivamente acertá-la. Um dos golpes foi preciso, deixando um arranhão ombro de Leaf, mas a Pokémon se lançou para trás, criando alguns centímetros de distância da ave.

– Os chicotes – pedi depressa e os dois Pokémon começaram uma troca furiosa de golpes. Leaf acertando a cara do Pokémon, se afastando o quanto podia e Mandibuzz mantendo sua estratégia. Até que os dois se jogaram para trás, ofegantes e machucados, mas não menos dispostos a se engalfinhar.

Skyla não esperou que nenhum dos dois pudesse tomar folego, se pôs a frente e gritou: – Suba e depois Dark Pulse.

– Magical Leaf de novo – pedi depressa. Não podia negar o quanto eu estava gostando daquela situação. Enquanto Leaf fazia seu movimento, lançando dezenas de folhas cortantes, envoltas por uma aura arroxeada, Mandibuzz abriu o pico. Um brilho de um roxo mais escuro começou a ser emitido do fundo da sua garganta e um instante depois anéis negros começaram a ser lançados em forma de raio contra Leaf.

Os dois ataques se encontraram no ar, a mais de dois metros de altura. Silvos e pequenas explosões começaram a reverberar mais que os aviões na pista de pouso, até que uma onda de fumaça fez o meio de campo entre nós desaparecer.

– Brave Bird – Skyla gritou fazendo os alunos entrarem em êxtase. Voando sobre a cortina de fumaça vi Mandibuzz iniciar um mergulho feroz e seu corpo ser tomado por uma luz azulada.

Eu não conhecia o ataque, mas não precisava, tudo em mim gritava por mais. Eu só precisava que Skyla cometesse um erro. – Leaf – chamei sua atenção – carregue a Energy Ball – não havia muito tempo para pensar, ele estava vindo para cima de nós. A Pokémon abriu a boca e a esfera de energia verde apareceu.

Mandibuzz estava em cima dela, o Pokémon grunhiu de forma assustadora e fechou as asas, se lançando com tudo contra a Pokémon, – agora – Leaf arremessou a esfera e saltou – os chicotes – gritei com ela ainda no ar.

Mandibuzz acertou em cheio a Energy Ball que explodiu estrondosamente no meio da pista. A onda de choque que se formou acertou Leaf que acabava de encostar seus chicotes no chão tentando se lançar o mais longe possível, a fazendo cair e ser empurrada alguns centímetros, desaparecendo em seguida em meio a fumaça que se formara.

– Pare – Skyla gritou, mas era tarde de mais.

Mandibuzz surgiu rolando no chão furiosamente. Suas asas se abrindo de forma amorfa no asfalto grosso, enquanto seu pescoço pelado pendia com força ora no chão ora no alto. O barulho do seu corpo se debatendo contra o asfalto que cobria o chão do aeroporto foi perturbador.

– Mandibuzz – chamou Skyla com urgência. O Pokémon pareceu estar desacordado por um momento, mas no outro começou a se mexer com dificuldade. Um guinchado que parecia um uivo de dor e ódio veio da criatura, de forma tão desconcertante que senti como se agulhas perfurassem minha pele.

Aquele Pokémon definitivamente não era um Pokémon comum, tal qual sua treinadora que estava de olhos arregalados, num misto incógnito de surpresa e raiva.

Um sorriso ainda ornamentava meu rosto, eu ainda não tinha acabado.

– Leaf – chamei mais uma vez recebendo olhares assustados de Skyla e seus discípulos – Solar Beam.

– Não, Haila... não – gritou Skyla saindo correndo em direção ao Pokémon caído.

– Leaf – gritei de novo. Á Pokémon estava parada me olhando com as orelhas caídas – vamos acabar com isso. Agora. –Gritei apontando para o Pokémon, mas Leaf não se moveu, continuou me encarando sem sair do lugar. – Leaf, o que você está fazendo?

– O que você está fazendo? Mandibuzz não consegue nem se levantar, garota – o garoto que tinha me levado até o escritório de Skyla na noite anterior gritou, saindo do meio dos alunos de aviação. Olhei para o lado e encontrei Skyla com seu Pokémon nas mãos. A luta já tinha acabado, Mandibuzz estava desacordado.

Skyla me lançou um olhar cortante. Eu nunca a havia visto daquela maneira, nem mesmo no dia do ataque em Nimbasa. Leaf continuava parada, me encarando do mesmo jeito. Ela, pela primeira vez em muito tempo tinha se negado a seguir minhas ordens e agora parecia ainda em choque com meu comando.

Todos a minha volta me encaravam com olhares reprovadores, como se eu tivesse acabado de cometer uma grande atrocidade. No fim, talvez eu realmente estivesse disposta a fazê-lo. Eu não sabia mais quem eu estava me tornando.

Abaixei a cabeça por um instante. Pensando em tudo o que tinha feito, até onde tinha chegado. Desde Nimbasa eu tinha feito tudo errado e tudo tinha dado errado a minha volta. Eu tinha descontado minha raiva no mundo e em quem estava próximo a mim. Não perdi só Simi naquele dia, perdi meu rumo, perdi Deedee.

Outros alunos de aviação começaram a gritar xingamentos, todos furiosos com minha atitude. Senti meu rosto esquentar enquanto os ouvia dizerem coisas horríveis. Eu as merecia. Continuei ali de pé até que suas vozes exaltadas diminuíram o tom. Era como se algo tivesse desligado dentro de mim e o mundo tivesse novamente tomado foco.

– Skyla, me desculpe – pedi sem olhá-la, mas alto o suficiente para ter certeza de que ela me ouviria.

Busquei a Pokéball de Leaf e apontei para ela, diferente de mim ela não merecia aquilo. Apertei o objeto e o raio vermelho foi em direção a Pokémon, porém ela saltou se esquivando dele. O fiz novamente e Leaf voltou a se esquivar.

Arregalei os olhos surpresa. Ela não queria voltar, mas por quê? Leaf estava parada, ainda me olhando e eu não podia compreender sua expressão. – Leaf – sussurrei, vendo pelo canto do olho os alunos se juntando a Skyla, preocupados com Mandibuzz.

Eu queria dizer a ela que aquilo não era culpa dela, que ela não precisava ouvir aquelas coisas. Dizer-lhe que eu havia passado dos limites e que não voltaria a fazê-lo. Então me dei conta, eu não havia passado dos limites somente com Skyla, também o havia feito com Leaf.

Caminhei até ela e me abaixei, colocando a mão sobre a cabeça dela. Eu queria abraçá-la, mas sabia que aquele não era o momento. Leaf tinha orgulho tal qual a mim e eu o tinha testado.

– Desculpa. Você tem se esforçado mais do que deveria pra tentar me ajudar, eu não deveria pedir tanto de você, não deveria usá-la como uma arma. Você é minha melhor amiga.

Leaf desviou o olhar e se esgueirou entre as minhas pernas dobradas tocando a Pokéball com o focinho, desaparecendo um instante depois em meio à luz vermelha.

– Fico contente que tenha percebido isso sozinha – ouvi a voz de Skyla bem atrás de mim. Me virei, levantando depressa, assustada com a proximidade repentina. – Eu implorei a Clay que retirasse as acusações contra você porque acreditei que fosse apenas uma fatalidade o que houve com seu Pokémon e com ele próprio. Mas depois de hoje não sei mais quem é você.

– Skyla, eu... – tentei dizer, mas as palavras não vieram. A raiva tinha ido embora, sendo substituída novamente por aquele vazio que me perseguia quase sem folga e agora também um bom bocado de vergonha. Aquilo não tinha o sabor que eu imaginei.

Ela balançou a cabeça positivamente, seu olhar estava menos rígido. Pra ser sincera, ela parecia desapontada.

– A vida, com frequência, deixa marcas nas pessoas, – colocou a mão no meu ombro e olhou dentro dos meus olhos – espero que realmente aceite as suas escolhas. Você vai ter de viver com elas.

Notas finais
Então, como foi? O que achou? Eu imaginei essa cena desde o dia que decidi junto a Chibieska que Leaf nao ia morrer e sim Simi. No fim do capitulo quando Skyla e Haila tiveram aquela interação mudou tudo na minha cabeça. Era pra ter sido Elesa, só que eu acabei roubando a Skyla pra Haila, era pra ser apenas admiração do Deedee. A questão foi só pesar a mão na pressão psicológica antes da chegada para fazê-la surtar e atacar uma líder de ginásio deliberadamente. Ao ponto de ser tão cruel a ponto de fazer sua Pokémon parar de obedece-la. Haila chegou ao ponto mais baixo.