Rota Zero
34 Dania: Ambos
Notas iniciais
Dania
Ambos
Era ótimo estar no Lagrima da imperatriz de novo. Corin e eu estávamos na proa do navio vendo Tim, minha Dewott recém-evoluída nadando na frente do navio. Era engraçado pensar que há uma semana a Pokémon não passava de um Oshawott. Agora ela tinha ganhado tamanho considerável, sua pele tinha ganhado uma tonalidade azul mais escura e sua concha parecia mais brilhante. Seus bigodes estavam engraçados e sua personalidade havia ficado um pouco mais energética.
– Arthur te falou dar ruinas? – Corin me chamou do nada.
Tomei um gole do suco na garrafinha em minha mão e balancei a cabeça positivamente me lembrando de nossa aventura com o Ranger e Aapi. – Me diga, por favor, que nenhum Pokémon lá dentro precisa ser salvo.
Ele sorriu e acariciou Hamal que cochilava sob o sol do fim da tarde. Flareon tinha escolhido um nome engraçado para si. – Ainda não, mas nunca se sabe, não é mesmo.
Franzi o cenho em desacordo e peguei a Pokéball de Tim, trazendo a Pokémon de volta. – Estamos chegando – Arthur gritou apontando para frente.
No horizonte em meio a dunas de areia havia uma pequena vila crescendo em nossa vista, onde varias embarcações estavam ancorando. Corin subiu no primeiro ferro da barra de proteção e colocou a mão sobre os olhos, protegendo o rosto do sol tentando ver melhor.
Corri até o lado dele e sorri quando vi a vela de outro barco como o de Arthur. – Outro lagrima da imperatriz.
– Vários deles – Corin observou.
– Temos que abaixar as velas – Arthur pediu, então olhei pra Corin e sai correndo pelo convés, ele veio logo atrás de mim, porém eu tinha a vantagem e cheguei à corda antes dele – tenham cuidado meninos.
Sorrindo agarrei a corda e puxei, desenrolando aos pouco do pedaço de madeira ao qual estava presa. Em determinado ponto, como Arthur havia nos ensinado eu parei de desenrolar e a corda sozinha fez o trabalho, se soltando e subindo de acordo com que a enorme vela se desprendia e comprimia.
Corin correu e agarrou-a, voltando a enrola-la no mastro, a fim de que ela não abrisse durante a chegada. Bufando ele me encarou e depois a Arthur esperando algum comentário – perfeito garotos – meu tio soltou no final.
No porto tia Tricia estava nos esperando. Ela vestia um short jeans curto, camisa de manga comprida branca e um grande chapéu da mesma cor. Ela sorriu ao me vez e correu para me dar um abraço – olha só como esta crescida.
– Você diz isso toda vez que me vê – soltei me libertando do abraço.
– Então pare de crescer que eu paro de dizer.
– Esse é o amigo que falei. O nome dele é Corin – apresentei. Tris estendeu a mão e o cumprimentou.
– Então você é o famoso Corin? Arthur e Dania me falaram muito de você.
– Dania também fala muito de vocês – ele respondeu meio desconcertado.
***
Chegamos a Relic Castle por volta de meio dia. Corin ficou totalmente atordoado ao ver o barco sendo puxado pela área, se inclinou de mais na beirada tentando ver o Sandile puxando a embarcação de madeira e acabou caindo. O que eu não ia me permitir esquecer tão cedo.
Depois de comermos Tris e Arthur começaram seu trabalho, preparando a ração especial que os Basculin que eles cuidavam iriam comer. Enquanto isso, sugeri que descemos uma volta pela cidadezinha para matar o tempo.
A coisa mais interessante em todo o vilarejo sem duvida era a zona de escavação, Corin e eu subimos um pouco a dunas e chegamos a uma área aberta onde dezenas de barricadas seguravam a areia, impedindo que caíssem de volta nos buracos abertos.
De cima, onde nos estávamos, conseguíamos ver perfeitamente as edificações em ruinas. Grandes rochas de coloração meio amarelada, postas uma sobre as outras. Um grupo de homens, usando chapéus engraçados para se proteger do sol, escavavam com uma paciência inacreditável em volta da entrada do castelo.
Revelando degraus bem espaços e ate mesmo algumas estatuadas de Gorluk. Eu não sabia muito sobre eles. Eram grandes e eram meio azulados, as estatuas eram exatamente iguais a eles, porém de cor diferente.
– Isso lembra um pouco o que vimos na ilha, não é? – Corin soltou, olhando fixamente para um conjunto de pilares caídos, mais próximos a nós.
Arregalei os olhos e agarrei o braço do garoto o puxando de volta para a civilização, – nem pense em usar seu toque magico agora, eu não quero encrencas.
– Eu não faço por querer, você sabe, – ele respondeu colocando as mãos atrás da cabeça. – Sua tia é bem linda, agora eu sei por que Arthur se apaixonou por ela.
Olhei pra ele e ergui a sobrancelha – ela é inteligente também, você vai ver quando formos para a zona de reprodução de Basculin.
Enquanto caminhávamos de volta nos deparamos com um lindo jardin. Com flores que eu nunca tinha visto. Corin parou e apontou pra elas – deveríamos levar pra Tris. Acho que ela vai gostar.
Olhei para casa a qual o jardim pertencia e vi, pela janela aberta uma senhorinha vendo TV. Ela tinha a cabeça coberta por cabelos brancos e sua face era coberta por rugas. – Não acho uma boa ideia – comentei. Porém, ao olhar para Corin ele já estava colhendo a primeira.
Assim que o caule estalou ouvimos um latido e como uma locomotiva um Stoutland surgiu detrás da casa, com dentes a mostra. Ele era gigantesco, com pelos extensos que varriam o chão junto a sua passagem.
Gritei sem conseguir conter o susto e comecei a correr, sendo seguida no mesmo instante por Corin. Quando o Pokémon saltou, alcançando a rua, Corin e eu estávamos a alguns metros de distancia o que não impediu que o Stoutland de usar um Thunder Fang no ar para mostrar que não deveríamos nos aproximar novamente.
Meu coração estava pulando e minhas pernas ardiam quando finalmente chegamos à porta da casa de Tris. Corin, ofegante colocou as mãos nos joelhos e com os olhos cheios d’agua murmurou entre a respiração pesada – eu odeio quando você esta certa. Eu odeio.
Arthur abriu a porta nesse momento e olhou com estranheza pra gente. – Meninos, vamos sair dentro de alguns minutos, é melhor entrarem e passar o protetor solar. Não querem ficar parecendo à velha Marsh que mora mais acima na rua. Ela parece uma uva passa.
Dei um empurrão em Corin e entrei primeiro dentro de casa. Ele disse um “ei” desaprovando meu gesto, mas ele sabia que eu estava certa. Alias, como sempre.
=8=
Depois que os Sandile nos deixaram na praia, o Mantike de Arthur nos puxou até juntos das redes que cercavam os criadouros de Basculin. Um grupo de barcos, com barris cheios de ração agora se posicionavam junto a nós.
Depois de alguns momentos constrangedores cumprimentando os amigos dos meus tios, Tris começou a vestir a roupa de mergulho. – Por que você esta tem que entrar na agua? – Corin perguntou.
– Ela tem que checar o estado das redes – respondi satisfeita, com um sorrisinho vitorioso no rosto.
Tris me deu uma olhada e não conseguiu conter o sorriso. – Exatamente. Temos problemas com outros tipos de Pokémon marinhos, como predadores naturais que vivem nessas aguas e até mesmo Corsola que às vezes se enroscam nas redes.
– Essa é a parte mais divertida do trabalho, – Arthur a interrompeu – o mergulho semanal de checagem.
– Então por que você não entra? – Tris perguntou com um olhar serio.
Arthur sorriu e coçou a nuca – acabei de tomar banho.
Corin deu um sorrisinho e se ajeitou no acento no pequeno barco. Assim que terminou de se vestir, Tricia acenou para os outros companheiros, em outros barcos e quase como em sincronia saltaram na agua.
Enquanto isso, Arthur tocou o barco para mais próximo às redes e nos pediu ajuda para começar a jogar a ração. Assim que Corin jogou a primeira mão de ração os Basculin vieram à superfície e começaram a se debater com caldas e nadadeiras surgindo hora ou outra pra fora da agua. Era divertido ver os Pokémon se amontoando pelas bolotas marrons.
Tris, enquanto dávamos ração, veio à superfície varia vezes para tomar ar e comentou que teria de fazer os reparos em um pequeno buraco na parte inferior da rede. Quando terminamos Arthur pegou a caixa de isopor que estava coberto por uma lona debaixo do acento dele e nos ofereceu garrafas de agua gelada.
O mar estava tranquilo e o sol surpreendentemente não parecia tão quente. As dunas de areias às vezes eram sopradas pelo vento fazendo pequenas cortinas de areia se levantarem e esvoaçarem sobre o mar.
Quase vinte minutos depois, quando Tris já tinha terminado seus reparos algo surgiu na agua, próximo à rede. Tinha escamas douradoras o que me deixou curiosa, nenhum Pokémon que eu conhecia tinha escamas douradas.
– Tris, você viu aquilo? – Arthur perguntou apontando para o Pokémon.
Tris se inclinou e apertou os olhos para ter uma visão melhor, depois inclinou um pouco a cabeça, sequencialmente deixando sua face ser tomada por uma expressão curiosa – é um Magikarp.
Corin fez a mesma coisa que ela, se inclinando e apertando os olhos, porém continuou fazendo careta – mas porque ele tem essa cor?
– É um shiny. – Arthur comentou. – Só pode ser.
– Ele não esta se movendo – reparei com estranheza – ele deve estar machucado. Tio Arthur, você pode pedir o Mantike para nós levar até ele?
– Claro – o homem respondeu sem muito animo na voz.
O Pokémon nos levou até bem próximo ao Magikarp, que além de visivelmente estava também com ferimentos por todo o corpo. – Inclinei meu corpo para fora do barco e depois de me esticar um pouquinho consegui agarra-lo.
Ele era passado então Tris me ajudou a puxa-lo para dentro. – O que aconteceu com ele? – Perguntei com vontade de acaricia-lo.
– Não sei dizer – Tris comentou também abaixada perto dele, – ele precisa de tratamento, precisamos leva-lo conosco.
Arthur voltou a pegar a caixa de isopor e retirou as ultimas garras de lá de dentro, depois a encheu de agua no mar e com um pouco de dificuldade a colocou no meio do barco de madeira. Eu e Tris o colocamos lá dentro juntas e voltamos a nos sentar.
– Ele pode ter sido atacado por um Tentacruel – Corin indicou.
Arthur fez uma careta e balançou a cabeça negativamente – Tentacruel não atacam outros Pokémon, a menos que eles invadam seu território e não tem nenhum dentro de um raio de quilômetros.
– É melhor voltarmos – Tris sugeriu.
Arthur concordou e depois de nos despedirmos das pessoas nos outros barcos voltamos pela areia, assim como viemos. O sol agora estava mais quente e devido à altura das dunas a caixa de isopor estava balançando, fazendo o Magikarp se chocar contra as laterais e mesmo sendo macias, aquilo me incomodou.
Sentei-me no chão, no fundo do barco e abracei a caixa, acompanhando as idas e vindas do barco. – Ele esta bem – Corin comentou me olhando serio.
– Como você sabe? – Perguntei curiosa, ele estava desmaiado, não poderia ter falado com ele.
– Não sei, só acho. Arthur e Tris vão cuidar dele – ele respondeu quase sussurrando.
Dei um sorriso um pouco aliviada, era bom ver Corin simplesmente achando algo. Desde que a irmã dele fugiu de casa tudo tinha piorado pra ele. Corin estava ouvindo os Pokémon com muito mais frequência e até mesmo, como no caso de Aapi, os Pokémon estavam indo atrás dele.
Chegamos ao Relic Castle não muito tempo depois, um dos Sandile de Tris havia evoluído e o barco era mais rápido do que da ultima vez que eu tinha vindo os visitar. Levamos o Magikarp para dentro e Tris o retirou do isopor, colocando-o dentro de outro recipiente de plástico maior, onde normalmente ela colocava a ração dos Basculin.
Primeiro ela buscou em seu armário do banheiro um vidro de Potion, e borrifou um pouco nas feridas do Pokémon, depois colocou algo como uma atadura, porém feita de uma matéria diferente que aderiu a pele do Magikarp. E só então começou a encher o recipiente de agua.
Durante o resto do dia, e também à noite fui até o canto na cozinha, onde Arthur havia colocado o recipiente onde o Magikarp estava, mas até o momento em que eu fui dormir ele ainda não tinha acordado.
Eu e Corin ficamos conversando até tarde, mas não consegui deixar de me preocupar com o Pokémon, apenas quando finalmente cai no sono o pensamento fugiu um pouco da minha mente.
Na manha seguinte, Arthur carregando uma xicara de café na mão veio nos acordar. O deserto até certo momento era frio de manha, então coloquei uma blusa de manga comprida e ainda com short de pijamas fui seguida por Corin até a cozinha com a promessa de café da manha.
Levei um susto quando entrei no cômodo e me deparei com a cara estranha do Magikarp para fora do recipiente. Corri até ele e me abaixei próxima abacia. – Ele esta bem, esta bem mesmo.
– Nada que um pouco de Potion e uma noite de sono não resolvam – Tris comentou preguiçosa, entre meio a um bocejo. Mais um ou dois dias e ele poderá voltar pra casa em segurança.
O Magikarp me encarou e piscou os olhos devagar, como se estivesse feliz em me ver, então devagar levei a mão até seu rosto e acariciei suas escamas geladas. Ele fez um barulho estranho e me cuspiu um jato de agua na cara, me fazendo gritar de nojo.
Corin que estava em pé atrás de mim deu um salto para trás e disse enquanto ria da minha cara – ele gosta de você!
Me levantei irritada, limpando a agua do meu rosto e gritei – que jeito mais horrível de demonstrar.
– Algumas pessoas não sabem demonstrar seus sentimentos – Tris comentou olhando engraçado para Tio Arthur.
Arthur ergueu a sobrancelha e depois olhou pra mim – eu achei uma ótima demonstração de afeto.
=8=
No final da tarde do segundo dia, quando voltamos para casa, Tris e Arthur tiveram que sair um pouco, para se encontrarem com um dos outros responsáveis pelo projeto Basculin, deixando a mim e Corin sozinhos.
Eu e Tim estávamos brincando com o Magikarp quando Corin sentou-se ao nosso lado e comentou – o nome dele é Polarus.
Olhei pra ele curiosa e tive de perguntar – quando você falou com ele?
– Eu o ouvi dizer ontem quando ele te jogou agua na cara, ele estava se apresentando – Corin respondeu colocando a mão sobre a cabeça do Pokémon dourado que piscou devagar em demonstrando que estava a favor.
– Polarus, é um prazer – respondi com vontade de aperta-lo. Apesar de dizerem que Magikarp eram feios, Polarus era uma graça. Até mesmo suas escamas douradas o deixavam mais fofo. – Você sabe me dizer o que aconteceu com ele? – Perguntei quando me lembrei de como o encontramos.
Corin encarou Polarus que fez alguns “glups” como respostas. Corin pareceu não gostar muito do que ele estava dizendo por que sua expressão ficou seria de repente. Depois ele acariciou a cabeça do Pokémon com carinho.
– Então?
– Ele foi expulso do cardume dele por ser diferente – ele revelou me deixando incrédula. – Os Magikarp que chefiam o cardume o atacaram quando ele não quis ir embora. Ele tinha amigos e família lá.
– Por que os Magikarp são tão maus? – Perguntei a Corin nervosa. Só porque ele tinha uma cor diferente não merecia ser machucado ou expulso. Deveria ser muito duro pra ele se afastar de todos que ama.
Nesse momento Tris e Arthur voltaram, conversando animados obre algo relacionado a uma nova mistura feita na ração para os Basculin que os deixariam momentaneamente mais férteis, assim diminuindo o tempo que o projeto duraria.
Eu queria perguntar mais coisas a Polarus, porém Corin ficou meio acuado e foi para a sala. Durante o resto do dia tentei encontrar um momento livre para que Corin pudesse ser meu tradutor, mas estranhamente Tris tinha um amor enorme pela cozinha e mal deixava o cômodo.
Arthur nos deixou dormir até tarde na manha seguinte, saímos da cama quase na hora do almoço e encontrei Arthur brincando com Polarus. Quando ele nos viu comentou – acho que ele esta forte o suficiente para voltar pra casa.
Olhei para Corin nervosa, queria contar a Arthur o que sabíamos, mas mesmo depois da ilha, Corin ainda se sentia acuado em relação a falar sobre seu dom com outras pessoas. Me perguntava até se ele ficaria acanhado de fazê-lo na frente de Tom, que tinha nos ajudado a encontrar Aapi.
– Talvez ele devesse ficar um pouco mais com a gente – indo em direção à mesa.
– É meio arriscado, Magikarp são Pokémon migratórios e não ficam na mesma região durante muito tempo. Caso ele demore muito pode nunca mais ver seu cardume de novo – Arthur comentou se levantando e ajeitando a camiseta.
Uma coisa era ser expulso e ainda poder lutar para voltar, outro, no entanto era nunca mais rever seus amigos e família. Eu não podia pedir que ele ficasse. Suspirei frustrada e olhei para Corin. – Ele vai conseguir, não se preocupe – ele disse tentando me animar quando percebeu meu olhar.
Depois de comermos fomos novamente para os criadouros, desta vez carregando Polarus conosco. Ele parecia nervoso ao ser sacolejado dentro do recipiente e de vez em quando dava balanças bruscas com o rabo.
Depois de alimentarmos os Basculin finalmente Tris sugeriu que soltássemos Polarus. Olhei para ele dentro daquele pequeno pedaço de agua e senti meu coração se apertar. Eu não queria que ele precisasse se machucar para voltar a ficar com seus amigos.
– Tio Arthur, e se ele foi expulso do bando dele? – disse com os olhos fechados com força esperando a cotovelada de Corin.
Arthur arfou e depois soltou – seria uma explicação para os ferimentos que vimos quando o encontramos. Mas as coisas na natureza são assim. Ele pode lutar e mostrar que é digno de estar de volta ou mudar de cardume caso eles realmente não o aceitem de volta.
Tris deu alguns passos, pulando os acentos do barco e colocou a mão sobre meu ombro – sei que esta preocupa com o que pode acontecer com ele, mas ele ficará bem.
– E se não ficar? Não quero que ele se machuque só porque é diferente dos outros – Soltei sem conseguir mais esconder.
– Dania – Corin me chamou me repreendendo.
– Então foi isso? – Arthur perguntou. – Corin conseguiu entende-lo?
– Sim – o garoto respondeu – ontem durante o dia eles nos contou.
Tris se abaixou ficando mais ou menos da mesma altura que eu e olhou nos meus olhos – minha irmã estaria orgulhosa em saber que mocinha doce você se tornou – depois me deu um abraço apertado. – Mas às vezes quando nos amamos algo devemos deixa-lo partir.
Meus olhos se encheram de lagrimas. Eu não queria que ele fosse embora, não queria que ele se machucasse. Então enchi o peito de ar e suspirei profundamente. Tris estava certa. – Vamos fazer isso.
Tris e Arthur seguraram o recipiente cada um de um lado e o abaixaram devagar até ele entrar na agua. Polarus saiu nadando sem nenhum impacto e mergulhou nas profundezas sem olhar para trás.
– Ele vai ficar bem – Tia Tricia me disse. – E quem sabe quando você voltar aqui à próxima vez os Magikarp do cardume dele não estejam de volta. Corin veio até o meu lado e me deu a mão, ele sempre fazia isso quando eu me sentia triste. Não era muito de abraços, mas sempre me dava à mão.
Porém algo aconteceu e como um foguete Polarus deu um salto para fora d’agua. Mergulhou mais uma vez, desaparecendo no azul e de repente voltou, balançando a nadadeira na beirada do barco.
Fez alguns “glupe glupe” e depois espirrou agua na minha camisa. – Já sei, ele gosta de mim – resmunguei olhando para minha blusa molhada.
– Não – Corin me corrigiu – ele quer ficar com você.
– Hum – Arthur arfou – que peculiar.
Me abaixei, ficando meio inclinada para fora do barco e estendi minha mão. Polarus veio nadando depressa e começou a se esfregar como um felino manhoso faria. – Eu também não quero que você vá – revelei finalmente.
– Não temos nenhuma Pokéball, – Tris comentou – mas podemos dar um pulo em Nimbasa City essa semana. Sei que as cosias lá estão estranhas após o ataque, porém acho que você vai precisar de uma.
Meu coração estava dando saltos, eu estava tão feliz por ele ficar comigo que nem pensei que poderia captura-lo. Ou talvez, nesse caso, tenha sido Polarus quem me capiturou.
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