Rota Zero

69 Chuva em Twist Mountain - parte 2


Notas iniciais
E cá estamos com a segunda parte das aventuras de Deedee e cia., ansiosos? E quem é de SP vai no AF? Se sim, qual dia? Chega de papo paralelo e vamos a trama, espero que gostem... Boa leitura!

December

CHUVA EM TWIST MOUNTAIN — parte 2

Era completamente diferente quando era apenas Haila e eu. Se ela quisesse pular do alto de um prédio metralhando membros da Team Plasma, provavelmente eu a seguiria. Mas agora, com cinco pessoas no grupo e Dan disposto a cumprir a promessa que havia feito com Clay, as ideias realmente não conciliavam.

— Nós temos que fazer alguma coisa – Haila colocou as mãos na cintura, irritada.

Tínhamos saído por uma abertura minúscula em uma das paredes do escritório improvisado que nem mesmo Dan sabia exatamente aonde dava. Ficava no alto e parecia um duto de ventilação natural. Antes disso, ele pegou uma pasta de documentos similar a que Clay tinha dado a Haila e libertou um pequeno Sandshrew que destruiu o computador sobre a mesa.

Aliás, o pequeno Pokémon ia a nossa frente, no estreito corredor, abrindo passagem com suas grossas garras. A passagem era tão estreita que seguíamos em fila indiana, engatinhando, com Dan encabeçando, atrás de seu Pokémon, seguido por Haila, Lila, e eu, Des fechava a fila. Podíamos ouvir sons vindos do escritório, tentávamos avançar sem o menor barulho, pois se alguém nos percebesse ali seriamos alvos fáceis devido ao tamanho da passagem.

Finalmente chegamos a uma área mais ampla, com teto alto e piso dourado e lapidado, como das fotos que Clay havia mostrado. Mesmo sem nenhuma luz dentro da caverna, o chão brilhava e conseguíamos enxergar uns aos outros nitidamente.

— E estamos fazendo, eu vou tirar vocês daqui – Dan rebateu.

— Você nem sabe onde estamos – Haila cortou encarando o aprendiz. A verdade é que mesmo estando em uma das cavernas iluminadas, o local não era familiar ao Dammian. Ele explicara que havia várias galerias e Clay e ele tinham visitado apenas algumas.

— Talvez devêssemos ligar para a Roxie – sugeri. E Dan deu um sorrisinho, só então percebi que meu Xtransceiver estava sem sinal.

— Com o sinal bom provavelmente já não funcionaria... – Dan disse com aquele sorriso de deboche, como se minha ideia tivesse sido muito idiota.

— Então o que vamos fazer? – Questionei retornando ao assunto.

— Sair daqui.

— Eu voto em ir atrás da Team Plasma – Haila sugeriu.

— Você está louca? Deve ter uns vinte membros – Dan rebateu.

— Talvez – Haila deu de ombros. – Não estou sugerindo um ataque, apenas dizendo que deveríamos espreita-los e saber o que estão tramando.

— Estão atrás de um lendário provavelmente – Desmond completou como se isso fosse óbvio.

— Mas não sabemos se há um lendário realmente, não havia nada em Opelucid. Talvez seja só um tiro no escuro, mas se houver mesmo um lendário e fugirmos, estaremos entregando-o de mãos beijadas.

— Haila está certa – concordei. Não me alegrava nada correr atrás da Team Plasma, mas se houvesse um lendário, mesmo que conseguíssemos avisar aos lideres, ninguém chegaria a tempo.

— E quanto ao Clay? – Des puxou o tema a tona. Quando Dan havia dito que o líder tinha caído, cada um de nós entendeu como bem quis. Poderia ser derrota, sequestro, aprisionamento ou morte. Claro que pela quantidade de disparos, seria ingenuidade dizer que ele estava são e salvo, mas nenhum de nós tinha visto o corpo para dizer que ele estava morto, exatamente como acontecera com Iris.

— Não podemos fazer nada por ele agora – Dan enfiou as mãos nos bolsos.

— Ele é seu mestre – Des protestou, mas Dan não o deixou se alongar no assunto.

— E ele me passou a responsabilidade de cuidar de vocês, e é isso que estou fazendo – completou lacônico.

— Por que Clay só queria lideres dentro da caverna? – Perguntei me lembrando do posicionamento quando a entrada do nosso grupo.

— Ele acreditava que as marcas poderiam estar relacionadas aos lendários. Talvez as escritas nas paredes ajudassem na interpretação dos textos, não sei ao certo – Dan deu de ombros. – Quando os trabalhadores descobriram a primeira passagem, Clay bloqueou tudo e impediu que qualquer entrasse lá.

— Quem fez as fotos? – Des perguntou.

— Eu mesmo – e o fotógrafo fez uma careta. – De qualquer forma, Clay queria manter isso em segredo até ter certeza do que era, e seria assim se a Skyla não tivesse contado para vocês.

— Não só nós... – e percebi todos voltarem os olhares para mim. – A mulher, quando ela pediu para o Clay ir até eles, ela pediu para ele falar sobre a caverna.

— Pode não ser nada – Dan disse descrente.

— Mas e se eles soubessem exatamente o que estavam procurando, não pareceu um mero acaso como em Seaside. Mesmo que realmente não haja um lendário aqui, aparentemente a Team Plasma não está atrás de uma pista qualquer, mas baseado no que Clay descobriu – depois dos ataques cegos em Nimbasa e Opelucid, aquele parecia preciso demais.

— Mas Clay não contou a ninguém...

— Talvez algum dos trabalhadores tenha aberto a boca – Des argumentou.

— Mesmo que algum dos trabalhadores tivesse dito algo, eles só viram a entrada das galerias, não seria algo realmente relevante.

— Significa que eles pegaram a informação de dentro... – Haila comentou pensativa.

— Dizer isso é apontar o dedo para um líder ou aprendiz – Dan encarou a loira.

— Rangers e a polícia estão envolvidos também... – Des comentou se lembrando de todo apoio que Elesa havia angariado.

— Mas Clay tentou manter essa informação o mais restrita possível. Como eu disse, se Skyla não fosse uma fofoqueira, só os lideres e aprendizes deveriam saber da existência da caverna...

— Mas a mulher da Team Plasma foi muito especifica em relação aos símbolos das cavernas – disse pensativo, me lembrando de que quando Skyla nos mandara para Driftveil, ela tinha dito apenas que Clay havia encontrado algo em uma caverna, mas não especificado o que era esse algo.

— Se vocês forem desconfiar dos líderes, então é uma longa lista, já temos 7 líderes com 7 aprendizes ou mais, fora os membros da Elite Four, vocês vão mesmo perdurar nessa ideia? – Dan prosseguiu com um sorrisinho. Era só especulação, não tínhamos nem provas para acusar alguém.

Haila abriu a boca para protestar, mas Lila, que estava quieta até então, se manifestou.

— Eu achei o caminho – disse sacolejando o mapa que tinha conseguido no Centro Pokémon.

— Do que está falando, menina, essa caverna não está catalogada – Dan curvou as sobrancelhas em desagrado.

— Mas pelo tipo de rocha e sedimentação consigo nos posicionar – disse apontando paras as curvas de nível no mapa. Para mim parecia apenas um amontado de rabiscos, mas eu sabia que Lila entendia facilmente daquilo. – Se seguirmos até encontrar uma passagem para essa faixa arenosa, o solo ali é mais próximo da superfície, deve existir uma passagem.

— Eu não acho que isso seja confiável – rebateu o aprendiz, mas Haila lançou um olhar de “você não faz ideia de onde estamos não pode opinar” que ele se calou.

Apesar de não ser exatamente um caminho, seguimos as indicações de Lila e a seguimos pela caverna. Vez ou outra, ela parava para analisar o solo e as marcações no mapa. O lugar era bonito e claro, mas mal dava para apreciar a beleza, pois estávamos muito tensos com receio de em qualquer curva cruzar com um membro da Team Plasma.

Além disso, estranhamente, tudo estava muito quieto. Não ouvíamos vozes, equipamentos, Pokémon, nem nada, era como se a Team Plasma não estivesse mais por ali. Logo após sairmos do duto que levava a sala do Clay, ainda era possível ouvir vozes e maquinário, mas quanto mais avançávamos, mais as vozes sumiam, até que após um pequeno tremor de terra, que Dan disse ser comum naquela região, as vozes sumiram totalmente.

Talvez por causa da tensão e do ar abafado da caverna, pareceu-me que andamos por horas. Minhas pernas estavam doendo e comecei a ter a sensação de algo estava nos seguindo. Eu conhecia bem aquela sensação, tinha vivenciado profundamente em Opelucid. Eu não sabia se tinha mais medo, ao espiar por cima do ombro, de ver um membro da Team Plasma ou Zoroark, porque eu não saberia precisar se ele era real.

Depois de atravessarmos uma pequena área alagada chegamos a uma bifurcação. Do lado esquerdo, bem ao fundo do túnel que subia demasiado íngreme, podia-se ver a luz do dia e o som da chuva leve caindo pela borda da caverna e tornando as paredes do túnel mais escorregadias. Já pela direita, o caminho descia sinuoso como se fosse para o coração da terra.

— Essa é nossa saída – disse Lila apontando para o túnel iluminado.

— Eu ainda acho que não é correto sairmos daqui e deixarmos a Team Plasma fazer o que bem entender – Haila comentou desgostosa.

— Nada de lutas, eu já disse – Dan se intrometeu. A loira revirou os olhos.

— Eu já disse que isso não tem a ver com combate, apenas vamos acompanhar suas ações... E se realmente houver um lendário aqui?

— Lendários não são tão fáceis de capturar com um Patrat – e eu não concordava com aquela afirmação, mas me abstive.

— Como se a Team Plasma fosse usar meios muito lícitos para isso – a menina bufou.

— Eu acho que deveríamos chamar a polícia – Des interpôs e Dan não conteve o sorriso em ver que alguém concordava com ele.

— Ótima ideia – e estranhei Haila concordar facilmente – vocês podem ir e Deedee e eu ficamos aqui, certo? – Ah, era esse o plano.

Obviamente Des não gostou nada. Para ele, muitos problemas poderiam ter sido evitados se nós não tivéssemos nos separado em Opelucid. Eu não tinha exatamente uma opinião formada, por mais que eu acreditasse que Des fosse um trainer melhor do que eu e que sua presença na barragem poderia ter evitado o tiro que Haila tomava. Também significaria que Lila e ele teriam ficado na linha de fogo e não apenas evacuando os moradores e saindo ilesos do ataque.

Des, Dan e Haila acabaram entrando em uma discussão acalorada sobre o que fazer, já que cada um tinha seu ponto de vista sobre o que seria certo. Lila ainda consultava o mapa e eu sabia que no final acabaria seguindo Haila.

Foi quando percebi vozes que pareciam vir de muito longe trazidas pelo vento. Poderiam ser das pessoas da cidade ou de estranhos que tinham se aproximado das construções, mas elas me pareciam muito exaltadas. Encarei Lila, mas ela estava concentrada demais no mapa.

— Gente, vocês estão ouvindo isso? – Perguntei cortando a discussão.

— Ouvindo o quê? – A loira curvou as sobrancelhas.

— Isso... – mas era difícil de descrever, era mais como se eu ouvisse dentro da cabeça do que realmente ecoando por ai.

Percebi todos ficarem e silêncio e tentarem ouvir, mas depois de algum tempo, Dan apenas me lançou de desdém.

— Deedee, eu acho... – Haila começou, mas Lila se inclinou para a borda do caminho íngreme.

— Eu posso ouvi-los, parece uma batalha...

Eu não conseguia ouvir tão bem e não saberia dizer o que estava acontecendo, mas Lila parecia empolgada por ter ouvido.

— Acha que pode ser a Team Plasma? – Des perguntou, mas a menina apenas balançou a cabeça em dúvida.

— Talvez, mas eles deveriam estar na caverna, não? – Haila parecia desconfiada, como se suspeitasse que havia um complô para tirá-la de dentro da caverna.

— Eu acho que deveríamos ver, pode ser alguém precisando de ajuda – Lila apontou para o caminho.

— Bem, é nossa saída mesmo – Dan deu de ombros como se não se importasse em ajudar, mas apenas em sair dali e manter nosso rabo seguro como tinha prometido a Clay.

— Eu acho...

— Chega de papo, pidovezinha – Dan empurrou-a contra a parede íngreme, mas antes que ela pudesse reagir, o Sandshrew pulou na parede, enrolando a cauda no tronco magrelo e a içou pela parede.

Se não fosse pelo momento, aquela seria uma cena bastante cômica, com Haila se debatendo enquanto o Pokémon escalava. Ela praguejava contra Dan e reclamava que aquilo não iria ficar assim. Antes de Haila atingir a saída, Dan libertou outro Pokémon. Eu não sabia o que era, mas parecia um Zubat todo roxo com uma cauda em forma de ferrão.

O bicho não tinha força para içá-lo totalmente, mas o aprendiz usava a inclinação da parede de apoio para os pés enquanto o Pokémon o puxava.

— Como vamos subir? – Questionei, eu não tinha nenhum Pokémon que pudesse fazer aquilo.

— Eu posso usar as habilidades do Chardy e do Bulba para nos fazer levitar – Lila disse com um grande sorriso.

— Nem em sonho – Des cortou e o sorriso caloroso sumiu. – Deedee, seu Pignite está recuperado?

— Sim, mas... – só então me lembrei das garras proeminentes nas patas e que elas poderiam se prender nas paredes. Lancei a Pokéball, e o suíno surgiu no corredor dourado com um grunhido feliz. – Só acho que não vai dar para levar todos – mesmo que nos agarrássemos no corpo roliço, seria muita carga para Bacon carregar.

— Eu posso subir com o Chardy... – mas antes que Lila terminasse de falar, um par de chicotes folhosos surgiu e me enrolou pela cintura, me puxando para fora da caverna. Apesar da surpresa, a curta viagem foi tranquila e Leaf me soltou desajeitadamente no chão assim que cruzei a borda.

Estava chuviscando e o Sandshrew e o Gligar, como ouvi Dan o chamar, não pareciam felizes debaixo da garoa. O chão estava lamacento e estávamos diante de uma entrada de caverna que mais parecia uma toca de algum Pokémon enorme. A nossa volta havia árvores grandes e frondosas que tapavam parcialmente a visão do céu cinzento. Dali era possível ouvir nitidamente vozes exaltadas e sons de luta, mesmo que não desse para saber exatamente de onde vinham.

Poucos minutos depois, Bacon surgiu na borda da caverna, com Lila e Desmond pendurados no couro e gentilmente desceu os dois. Lancei um olhar a Leaf, para que ela entendesse como deveria ser feito, mas ela prontamente me ignorou.

— Onde estamos? – Des perguntou assim que firmou os pés no chão.

— Twist Mountain – Lila disse analisando o mapa – Driftveil fica para lá e apontou uma direção em meio às árvores.

— Mas o som está vindo de lá – e Haila apontou na direção quase oposta.

— Isso não é problema nosso – Dan puxou-a pelo braço. – Vamos voltar para cidade e chamar a polícia.

— Você pode dizer que não é problema nosso, mas se for realmente a Team Plasma é problema de todos – e puxou o braço, marchando na direção do som, com Leaf a seguindo.

Não precisamos andar mais que duzentos metros para chegarmos a uma grande clareira. Era possível ver que as árvores tinham sido arrancadas pelas raízes e derrubadas a esmo, abrindo um enorme espaço circular.

Caminhamos um pouco, observando o local e desviando dos galhos caídos. Bacon e Sandshrew iam mais a frente, enquanto Gligar voava ao lado de Dan. Leaf permanecia colada a Haila e todos tentávamos nos manter os mais próximos possíveis, quando de repente Lila tropeçou e caiu. Ofereci a mão para levantá-la, mas quase a derrubei novamente quando percebi no que ela tinha caído.

Saindo debaixo de uma árvore, havia um braço ensanguentado. Trava o uniforme preto da Team Plasma e o sangue ainda escorria lentamente, se misturando a grama e a lama. Senti os dedos da menina cravarem na minha pele quando ela percebeu o que eu encarava.

— O que vocês estão fazendo ai? – Haila veio até nós ao ver que tínhamos parado. Os lábios se abriram lentamente, mas ela não disse nada. Apenas passou a mão pelo meu braço livre e me puxou, me forçando a andar e puxando Lila comigo.

— Haila...

— Não diga nada, apenas ande.

— Mas...

— Eu não sei o que está acontecendo, mas quanto mais rápido soubermos, mais rápido sairemos daqui.

Percebi que gradualmente, Haila aumentava o passo, indo na direção do som. A mão dela permanecia no meu braço e ela olhava para o chão apenas o mínimo para não tropeçar. Foi quando me dei conta que o braço em que Lila caira não era o único. Membros e pedaços de vestes pretas pipocavam em todo o canto embaixo das árvores caídas. Quem havia arrancado aquelas árvores parecia tê-lo feito intencionalmente com o objetivo de soterrar os membros da Team Plasma.

Eu não tinha certeza se todos estavam mortos, pois parecia que vez ou outro eu via algo se mexendo ou ouvia um gemido aterrorizante. Por um segundo, me lembrei de um nível do jogo de videogame que eu precisava atravessar um cemitério e agora, na vida real, isso não me parecia nada divertido.

O som parecia cada vez mais próximo e a clareira parecia não ter mais fim. A chuva, mesmo leve, já tinha umedecido as roupas e sentia minha mão dormente, de tanto que Lila apertava meus dedos. Eu me sentia cada vez mais desolado, como se só houvesse nós cinco no mundo e que ao chegarmos a origem do som seria nosso “game over”. Minhas pernas pararam de responder e quando percebi tinha travado, com os pés enfiados na lama.

Diante de mim, a certa distância, no perímetro da clareira, onde as árvores ainda estavam em pé, havia um Zoroark, exatamente como o de Dreidan. Ele nos encarava indiferente, exatamente da mesma forma que o fizera antes de rasgar a garganta do líder de Opelucid. Desta vez não era minha imaginação, eu tinha certeza que era ele.

Bacon avançava seguindo a abertura da clareira e se afastando do Pokémon, como se não o percebesse. Dan e Des que seguiam a frente pareciam também não tê-lo visto. Eu precisava fazer algo, antes que eles o atacassem, mas antes que minha mão fosse ao bolso em busca de alguma Pokéball, a voz estridente de Lila rasgou meus ouvidos.

Butterfree, o Slowbro da garota, estava parado a poucos centímetros à frente, com as patas rosadas estendidas. Diante da parede invisível que o Pokémon criara, havia uma árvore, que com o impacto tinha rachado e se dividido em duas. Des e Dan tinham pulado para o lado e Bacon e Gligar os tinham protegido.

— Você está bem? – Senti Haila me puxar pelo braço chamando minha atenção. – Você meio que desligou. – Meus olhos correram para as árvores e Zoroark não estava mais lá.

— A árvore... – balbuciei, tentando me situar. Haila apontou para o final da clareira.

Ali havia um elevado no terreno, uma rocha enorme coberta de grama e acima dele um Pokémon. Ele não me era familiar, embora a maioria não fosse. Parecia Ling, só que maior e azulado. Tinha uma aura e presença imponentes e eu me sentia exatamente da mesma forma quando coloquei meus olhos sobre o Keldeo. Era um lendário.

Diante do Pokémon e de costas para nós, havia membros da Team Plasma com seus Pokémon. Era um grupo reduzido, com apenas quatro pessoas e eu me perguntava se o restante era formado pelas pessoas soterradas pelas árvores. Mesmo a distancia, era possível ver que os Pokémon estavam cansados e feridos. Em uma olhada básica não consegui reconhecer a silhueta de nenhum dos membros, fosse Rose, Jaden, Bellamy, Thiers ou Dreidan. Todos usavam uniformes comuns, e não havia a pompa dos uniformes que Jaden ou o homem da cicatriz usavam o que me fazia questionar onde estavam os comandantes.

Enquanto tentava me orientar, um Mamonswine avançou pisoteando a grama molhada e prendeu as longas presas no tronco de uma árvore, então a puxou do chão, arrancando pelas raízes e arremessou contra o lendário.

O Pokémon sequer se moveu, antes mesmo da árvore se aproximar, parou no ar, como se tivesse batido em uma parede invisível e foi arremessada de volta. Ela passou zunindo pelos Team Plasma e veio direto na nossa direção.

Haila ordenou a Leaf e a Pokémon tomou a dianteira, reunindo folhas brilhantes em torno de si e foram arremessadas contra o alvo. A árvore foi picotada em vários fragmentos menores, mas com a velocidade que tinham, se tornaram lanças poderosas.

Leaf desviou dos fragmentos habilmente. Puxei Haila para trás do Slowbro e Lila usou Protect para nos proteger.

— Sua imbecil – Dan gritou do outro lado. Meu Pignite tinha girado um tronco de uma árvore caída e os protegido, mas uma lasca de madeira passou zunindo e atingiu uma das asas do Gligar, abatendo o Pokémon. Mesmo a distância, era visível que o aprendiz estava furioso. – Eu vou acabar com a sua...

Des se inclinou, tapando a boca do outro com a mão, mas era tarde demais, a gritaria de Dan tinha atraído a atenção dos Team Plasma para nossa presença. O lendário pareceu não se incomodar com nossa presença e permaneceu imponente sobre a rocha.

Ouvi o grupo se alvoroçar e rapidamente um membro se voltou na nossa direção. Cobrindo a pequena distância que nos separava. Ele tinha feições marcantes e um nariz largo, ao lado dele, o grande Mamonswine veio marchando. Enquanto ele avançava, o restante dos membros voltava seus ataques para o lendário que não fazia esforço algum para desviar ou anular os ataques.

Enquanto o homem se aproximava, eu acreditei que aquela não seria uma batalha complicada, afinal, era apenas um membro. Estávamos em maior número e era visível que o Pokémon de gelo já estava cansado. Entretanto, Mamonswine se revelou um páreo difícil.

Dan tomou a dianteira, recolhendo seu Gligar ferido e mandando o Sandshrew que nos guiara para o combate. Com um movimento gracioso, o Pokémon de terra sumiu no solo úmido com Dig. Mas o Team Plasma ordenou que o Mamonswine usasse Earthquake. Mesmo que eu não conhecesse o ataque, o nome dizia por si só.

O chão começou a tremer intensamente, árvores mais jovens, com raízes pouco profundas balançaram na base, enquanto as copas folhosas das mais antigas se desfaziam em uma chuva de folhas. Haila puxou Lila e eu para o chão, tentando manter nossa estabilidade. Vi meu Pignite fazer o mesmo, enquanto Des se agarrava a pelagem curta para não cair.

Quando o ataque cessou, Sandshrew apareceu, quase como se tivesse sido cuspido pela terra. Ele estava confuso e atordoado, com várias escoriações e visivelmente fora de combate. O membro da Team Plasma deu um novo comando e o Mamonswine avançou na direção do pequeno tatu, como se fosse esmaga-lo.

Des pediu para o parceiro se esquiar, mas o Sandshrew permanecia imóvel no chão. Gritei para Bacon e ele pulou na frente, tentando segurar o enorme Pokémon pelas presas e prendendo as unhas no chão para não ser arrastado. Haila se levantou e comandou Leaf, mas antes que a Pokémon pudesse fazer algum movimento, o homem libertou um grande Swellow.

Era um Pokémon grande e majestoso, que içou voo assim que saiu da Pokéball e com um movimento de asas, mandou uma rajada de penas cortantes na direção da Pokémon. Leaf conseguiu saltar, mas não foi tão ágil. Uma parte da rajada acertou uma das patas dianteiras e graças a isso a Pokémon foi ao chão após o salto.

Mesmo que Haila quisesse ajudar Bacon na batalha, agora ela tinha sua própria para resolver e mandou Leaf contra-atacar. A Pokémon se pôs em pé, com pata ferida levantada e atacou com Magical Leaf, mas o Swellow apenas desviou com uma manobra.

Leaf lançava ataques sem muito sucesso enquanto se esquivava com dificuldade no terreno acidentado. Haila gritava comandos, mas os ataques da Pokémon não surtiam efeito. Do outro lado, Dan havia recolhido seu Sandshrew e Des mantinha a Pokéball na mão, mas sem invocar seu parceiro.

Eu sabia, pelas coisas que Haila havia me contado, que Des não era muito a favor de batalhas. Ele via seu Liepard como um companheiro de jornada e não uma arma. Não podia negar que compartilhava muito desse pensamento, mas considerando as atuais circunstancias, eu não poderia me dar ao luxo de ficar neutro.

Bacon tinha sido arrastado alguns metros, mas ainda mantinha as mãos firmes nas presas longas do Pokémon gelado. Eu tinha gritado, em meio a barulheira das batalhas, para usar Flame Charge, mas ele parecia não ter me ouvido.

— Eu vou te ajudar – ouvi Lila dizer ao meu lado. Ela sacou uma das Pokéball e lançou-a no ar. Um dos Psyduck, não sabia qual era qual, apareceu em meio ao faixo de luz avermelhado. – Muito bem, Chardy, vamos ajudar o Bacon.

E o pato correu desengonçado na direção de Mamonswine e meu Pignite. Butterfree, o Slowbro, continuava ao lado dela, usando sua habilidade para nos manter seguro caso algum ataque viesse em nossa direção.

Vi o pato avançando com dificuldade, desviando dos troncos caídos. Quando ele estava próximo o suficiente, ouvi Lila gritar o comando e senti meu sangue gelar. Meus olhos se moveram na direção dela e minha boca se abriu para protestar, mas suas palavras já dançavam no ar e o estrago já estava feito.

Charmander levou as patinhas à cabeça, os olhos se tornaram brancos e rolaram nas orbitas. Confusion. Eu desejei por um segundo que o ataque não tivesse sucesso, mas meu desejo não se realizou. E se já tínhamos um problemão com um Mamonswine poderoso, agora ele estava descontrolado.

O Pokémon deu um urro assustador, tão alto e vibrante que o chão pareceu tremer mais do que durante o Earthquake. Ele forçou suas presas para frente, arremessando meu Pokémon contra uma árvore. Vi Bacon cambalear, mas conseguir se manter em pé.

Enquanto meu Pokémon se recuperava, Mamonswine começou a correr descontroladamente. O bater das patas contra o solo retumbavam e seu treinador gritava comandos que o Pokémon parecia não ouvir. Eu já tinha vivenciado aquilo com Chiclete durante meu último Contest, e não tinha sido nada bom.

— Corram – ouvi minha voz gritar em meio às árvores.

Dan puxou Desmond e o arrastou na direção das árvores altas que faziam o perímetro da clareira. Bacon se ajeitou e correu junto com eles, cobrindo a retaguarda. Ver meu Pokémon agir de forma tão independente me deixava muito orgulhoso, mas eu não tinha tempo para aquele sentimento no momento. Lila retornou seus parceiros nas Pokéball e começou a correr, me puxando com ela.

Pelo canto dos olhos vi que Haila ainda batalhava contra o Team Plasma, que parecia ter desistido do Mamonswine e voltava sua atenção à garota. Leaf estava com uma orelha caída e um rasgo acima do olho que jorrava sangue. O Swellow parecia ter perdido parte das penas, mas estava levando a melhor. O problema é que eles batalhavam bem na direção que o Mamonswine corria.

Eu sabia que Haila não era estúpida de permanecer ali, mas percebi que o Team Plasma fazia de tudo para mantê-la próximo de sua Pokémon e de forma que ela não tivesse escapatória. Soltei da mão de Lila e corri na direção deles. Não era uma atitude inteligente, mas eu precisava fazer algo.

Haila estava tão concentrada na luta que só me viu chegar quando enrolei os braços na cintura dela e a puxei um passo para trás, em um movimento semicircular.

— Leaf, árvore – gritei o mais alto que consegui sem saber se realmente a Pokémon atenderia. Segundos depois, o Mamonswine passou pisoteando exatamente aonde Haila se encontrava. O chão estremeceu e ele seguiu a corrida até chegar a orla da clareira e fazer a volta.

Eu sentia Haila tremer diante do meu abraço, em parte por susto, em parte por apreensão. Após a passagem do Pokémon, era possível ver vincos profundos no solo e o Team Plasma tinha se jogado atrás de um tronco para se proteger. Mas não havia nenhum sinal da Pokémon folhosa.

— Leaf... – a voz da loira saiu fracamente, tentando identificar o verde característico em meio a relva pisoteada. Foi quando a Pokémon apareceu. Descendo lentamente de uma árvore usando seus cipós. Aparentemente, ela tinha atendido meu pífio comando – Por Arceus, você...

Mas a frase foi interrompida pela cena que se seguiu. O Team Plasma saltou de trás do tronco, com uma segunda Pokéball na mão, provavelmente visando minha presença. Haila deu um passo para frente e Leaf assumiu posição de batalha. Minha mão foi para o bolso, com Bacon fazendo a proteção de Lila e os outros, eu precisaria contar com outro parceiro.

Foi quando um pedaço de árvore passou voando e atingiu o Swellow em cheio. Pokémon e tronco voaram mais alguns metros antes de caírem com um baque surdo no chão quase aos pés de Dan e Des. O Mamonswine arfava enquanto restos de árvores e folhas eram visíveis presas a sua pelagem. Ao seu lado, era possível ver em meio aos troncos caídos, um espaço vago.

— O que diabos você está fazendo? – Gritou o homem diretamente para o Pokémon. Ele parecia furioso. – Você é muito fraco para ser controlado por um simples Confusion – e a voz se dissipou pela floresta.

O Pokémon arfava e espumava. De repente, disparou a correr. Haila fez um sinal para Leaf e começou a correr. Eu corri atrás delas porque era o que me parecia certo a fazer. O Mamonswine se aproximava enquanto o Team Plasma liberava um novo Pokémon, mas eu não tive a chance de ver quais formas surgiam do facho vermelho, pois o Mamonswine simplesmente passou por cima dele, como uma locomotiva e em seguida, fez o mesmo com seu treinador.

Senti minhas pernas fraquejarem, eu podia ouvir os gritos abafados do homem e o som dos ossos se quebrando. Era um som horrível, pior que o da barragem cedendo em Opelucid. Eu sabia que não era culpa do Pokémon, mas havia uma parte minha que estava aterrorizada e de repente comecei a sentir as mesmas sensações que tinha quando achava que Zoroark estava por perto.

Meus pés vacilaram, me enrosquei em algo e fui ao chão, a cara enfiada na grama molhada. Levantei o rosto e vi tinha tropeçado na Leaf, que tinha perdido velocidade devido à pata machucada. Haila já estava quase no limite da clareira quando percebeu que a Pokémon não a acompanhava, fez menção a voltar, mas Des a segurou.

Após atropelar seu treinador, o Mamonswine fez uma longa volta na clareira e vinha em minha direção. Tentei me levantar, mas percebi que a barra da minha calça estava enroscada nos galhos das árvores do tronco caído. Mandei Leaf correr, mas sabia que ela não seria rápida o suficiente.

O Pokémon estava se aproximando e eu não teria outra opção que não fosse lutar. Minha mão foi ao bolso do moletom, sem saber realmente qual Pokémon deveria escolher. Minha visão começou a ficar turva e tenho certeza que em algum momento não era mais um gigantesco Mamonswine avançando, mas sim um terrível Zoroark.

Senti um par de mãos me puxar com força e ouvi o som da minha calça se rasgando. Eu via Haila, Lila e Des, no final da clareira com olhares ansiosos. Só então percebi que era Dan que me puxava, com meu braço passado pelo seu ombro, me obrigando a correr.

Eu carregava Leaf desajeitadamente com o braço livre e tentava manter velocidade na corrida. A distância que nos separava do resto do grupo era curta, mas me pareceram quilômetros. O Mamonswine estava quase nos alcançando quando vi um facho vermelho passar por mim.

Espiei sobre os ombros e vi Serpio se enrolar no corpo do grande Pokémon, travando suas patas e derrubando-o no chão. Quando emparelhamos com o resto, devolvi Leaf para Haila que abraçou a Pokémon e a retornou a Pokéball. Mesmo que Leaf não estivesse gravemente ferida, com a perna machucada ela perdia seu grande diferencial, que era a agilidade.

— Ei, você não é o amiguinho da Rose? – Eu conhecia aquela voz engraçada. Quando corremos fugindo do Mamonswine, tínhamos nos aproximado dos Team Plasma que batalhavam contra o lendário e Ed, o garoto que estivera comigo quando Rose perdera o controle do Tyranitar, estava ali. – Sabia que tem uma boa recompensa por essa sua cabeça cor de rosa e da sua amiguinha?

Seu Tropius estava lutando contra o lendário, junto com um Machamp, mas ele sacou uma nova Pokéball e um Blastoise apareceu. Antes mesmo que pudéssemos assimilar, o Team Plasma proferiu um comando e os grandes canhões que o Pokémon trazia nas costas mandaram água para todo lado.

A força do disparo me derrubou no chão e senti água entrando pelo nariz e boca. Quando consegui me orientar, Haila estava encharcada, mas estava em pé e Ling diante dela.

— Pretende me derrubar com isso? – Ed provocou apontado para a Pokémon, mas Haila não respondeu.

— Ling, Energy Ball.

A Pokémon concentrou toda a energia que podia diante de si e arremessou a esfera esverdeada na direção do Blastoise. O Pokémon era pesado demais para desviar, mas rebateu o ataque com um esguicho de água.

— Como eu disse, você vai me derrubar só com isso? – Zombou.

Consegui me colocar em pé e parei ao lado de Haila. Serpio ainda se engalfinhava com o Mamonswine, que mesmo dominado ainda tentava revidar, preso dentro do Confusion. Lila estava ainda no chão, confusa do que fazer, ela não era acostumada a batalhas que não fossem dentro dos Contest. De onde estava não conseguia ver Des e Dan, mas Bacon deveria estar cuidando deles.

— Eu posso cuidar dele sozinha – Haila resmungou quando me juntei a ela.

— Eu sei – respondi – só não estamos aqui para derrotar a Team Plasma, mas salvar o lendário.

Ela me encarou por um instante, então seus olhos se deslocaram para a arena de batalha e não protestou mais, na verdade, poderia jurar que um sorriso malvado havia estampado seus lábios. Atirei uma Pokéball e Chiclete apareceu. Ed o encarou por uns segundo.

— Oh, como são justos, dois contra um? – Gracejou. – Eu vou fazer vocês se arrependerem de terem cruzado nosso caminho. Blastoise, Rock Slide.

O Pokémon se abaixou e revolveu o solo até tirar um pedaço de pedra e arremessar contra nós. Ling não era tão ágil como Leaf e não conseguiria saltar para o lado na curta distância onde nos encontrávamos.

— Chiclete, Rock Smash.

O Pokémon fechou o punho e desferiu um soco na pedra que voava em sua direção, despedaçando-a em pequenos fragmentos. Não pude deixar de sorrir com o sucesso, eu sabia que Haila tinha treinado o comando, mas eu nunca o tinha usado.

— Blastoise, de novo. – Rangeu os dentes e mais pedaços de pedra vieram na nossa direção. Chiclete deu um passo à frente, cobrindo Ling e usou novamente o Rock Smash, pulverizando a pedra.

— Muito bem Chiclete, continue assim – gritei e ele confirmou com a cabeça. Repetindo o procedimento cada vez que o Blastoise lançava um novo Rock Slide.

— Eu não tenho tempo para brincar com vocês – Ed cerrou os dentes, para ele, nós éramos apenas perda de tempo diante da captura de um lendário. – Hydro Pump.

– Chiclete, agora – talvez porque não estivesse prestando tanta atenção a batalha, Ed não percebeu que a cada Rock Slide que usava, meu Lucario avançava cada vez mais para perto do Blastoise, diminuindo a distância e permitindo um golpe físico.

O Pokémon esticou o braço e com um movimento parecido com que os lutadores de karatê usam para quebrarem pedras, ele atingiu Blastoise, com mão em forma de lâmina. O golpe acertou-o no peito, que com o impacto se desequilibrou e caiu de costas, mandando água para todo lado, como se fosse um chafariz.

— Isso não é nada, Dragon Tail – Ed comandou e apesar da sua arrogância, dava para perceber que ele não ficara nada satisfeito. De costas, Blastoise girou no casco e atingiu as patas de Chiclete, derrubando –a no chão. – Finalize com Giga Impact.

Blastoise se virou ficando parcialmente em pé e se preparou para o golpe, Chiclete não conseguiria desviar aquela distância.

— Focus Blast – foi o primeiro comando que me veio a cabeça, mas era já esperava pelo pior, já que era um ataque que precisava de um tempo para reunir energia e concentrá-la.

Apesar do golpe pela metade, Blastoise também não tinha um bom ângulo para o Giga Impact. Os dois golpes se chocaram, produzindo uma onda de choque e mandando os Pokémon para cada lado.

— Haila – gritei, enquanto Chiclete cai na grama molhada.

— Ling –Haila gritou para a Pokémon que tinha ficado na retaguarda. – Energy Ball.

— Isso não vai funcionar – Ed gritou desencorajando-a, mesmo que seu Pokémon estivesse caído e com escoriações. Seu sorriso se alargou quando viu a esfera luminosa passar direto por Blastoise, errando-o por mais de um metro. – Onde você está mirando, fedelha? Errou feio– provocou.

— Eu não errei – o sorriso de Haila se abriu no rosto, maior e mais presunçoso do que o de Ed. Então estendeu a mão, apontando. Ed acompanhou e viu seu Tropius caído.

Durante toda a batalha, estrategicamente, ele mantinha Blastoise como um escudo para seu outro Pokémon, o plano era abrir a guarda e permitir um ataque direto. Eu não gostava de atacar um Pokémon pelas costas, mas como eu dissera a Haila, nossa função era proteger o lendário, e ela parecia ter entendido bem o que eu planejava.

Ed não era como a maioria dos Team Plasma. Ao ver seu parceiro caído, correu para ajudá-lo, deixando Blastoise exposto.

— Ling, Energy Ball – Haila comandou novamente. Mas antes que a Deerling canalizasse energia suficiente, uma cauda rochosa passou pelo meio do campo de batalha, acertando Blastoise em cheio e o arremessando contra a rocha alto, sobre a qual o lendário estava.

— Vocês demoram demais em batalha – Dan resmungou, ao lado dele um gigantesco Onix.

O Blastoise estava no chão, desacordado, e na rocha, o desenho do seu casco tinha sido perfeitamente impresso. A rocha fez um estalo e uma grande rachadura surgiu, mas o lendário sequer se mexeu.

— Seus desgraçados – Ed gritava enquanto tentava acudir ambos os Pokémon – Matem todos eles! – Esbravejou para os companheiros enquanto apontava em nossa direção.

Vi os dois membros restantes vacilarem, pois teriam que ignorar totalmente o lendário, mas quando Dan incitou seu Onix contra eles, tiveram que revidar. Um dos Team Plasma, que tinha o cabelo em estilo militar e deveria ter aproximadamente a idade de Burgh, libertou um Golem, que saiu girando de dentro da Pokéball e rolou pelo terreno acidentado.

Ele rolava diretamente na direção do Onix, mas Dan comandou um Dig e a cobra de pedra desapareceu na terra, após um tremor. Mesmo sem um alvo, o Pokémon continuou girando, indo na direção de Des.

Ele libertou seu Liepard, que era menor e menos imponente do que eu imaginava. Assumiu posição de batalha, mas não parecia muito certo do que fazer. Foi quando o Golem saiu do chão, não em um salto, mas como se estivesse levitando.

Só então percebi que Lila tinha libertado um de seus Psyducks e que este matinha o Pokémon de pedra flutuando no ar. Mas talvez pelo peso do monstro, ele não flutuava graciosamente como as bolas no Contest, mas desajeitado, como se estivesse prestes a cair.

O homem fez uma expressão furiosa e lançou duas Pokéball no ar. Um Purugly surgiu arreganhando os dentes e avançou na direção de Ling. A Pokémon deu um salto para o lado desviando de uma unhada e acertou um Stomp, lançando o Pokémon quase aos pés do treinador.

Da outra, surgiu um Unfezant, que deu um rasante na direção do Liepard, que encarava o treinador em busca de comando.

— Fury Swipes – Des comandou sem muita certeza. E esse vacilo fez seu Pokémon errar o ataque. Enquanto o Liepard saltava, Unfezant fez uma manobra, virando o corpo e desviado. As asas se abriram majestosas e eu sabia que ataque viria, Sissi tinha usado conta mim no último Contest.

— Bacon – gritei a plenos pulmões. Era meu Pokémon mais próximo e o único que conseguiria proteger Des.

Ao ouvir meus gritos, o suíno saltou na frente do fotografo, enquanto Liepard retornava a curta distância em corrida. Ao perceber que teria que enfrentar dois adversários, o pássaro deu a volta e mirou o próximo alvo: Haila.

Mas antes que Unfezant usasse Air Cutter, em Deerling, que estava distraída lutando com o Purugly, um vulto verde cruzou o céu, abocanhando sua cabeça e derrubando-o no chão.

Serpio pousou no chão, ruidosamente, sobre o corpo do pássaro e começou a balança-lo de um lado para o outro, como uma boneca de trapo. O Pokémon voador tentava se libertar sem sucesso.

O chão começou a tremer, e o Onix surgiu, tentando abocanhar o Machamp. Apesar do seu tamanho, ele não era um Pokémon veloz, dessa forma, o Pokémon lutador conseguiu saltar, pulando em sua cabeçorra e começou a desferir socos contra a couraça de pedra. A luta entre os dois provocava uma barulheira infernal e eu mal conseguia me orientar no meio daquilo tudo.

Foi quando senti Chiclete me jogar no chão e me cobrir com seu corpo, mesmo com a cara enfiada na grama consegui ver que Ling fizera algo similar com Haila. Só então entendi, o que estava acontecendo. Uma rajada de vento intenso veio rasgando o ar, cortando os galhos das árvores. O impacto atingiu nossos Pokémon em cheio. Vi as patas de Lucario se firmarem no chão, impedindo de ser arrastado, mas a força do vento, abriu cortes por toda a pele, e seu sangue começou a jogar, gotejando no meu rosto.

O vento passou, o Pokémon rolou de lado, exausto e sangrando. Ling estava caída ao lado de Haila, um rasgo profundo na lateral do corpo. O Psyduck também tinha tomado e como consequência libertado o Golem. Lila tinha pulado atrás de um tronco caído, assim como Dan. Liepard tinha protegido Bacon e Des e trazia um corte enorme entre os dois olhos.

— Ianto, seu imbecil, tome cuidado onde mira – berrou o homem de cabelo militar. Seu Purugly estava caído no chão, com um machucado grande nas costas, um Air Cutter certeiro. Provavelmente, em meio a ventania não tivera tempo de se esconder.

No alto, majestoso, havia um Sigilyph, que batia as asas lentamente. O Onix, que tinha ficado fora do campo de ataque, ainda se debatia tentando tirar o Machamp de cima de si. Serpio, quase na orla da clareria, ainda se divertia com o Unfezant. Eu não tinha certeza se o Pokémon estava morto, mas seu corpo rodada molemente a cada investida da cobra esverdeada.

— Sigilyph, Air Cutter – comandou Ianto, um rapaz loiro de cabelos longos atado em uma trança apertada. Ele não parecia furioso ou frustrado com nossa intromissão, apenas terrivelmente entediado.

O Pokémon abriu as asas e preparou um novo ataque. Diferente de Sissi, aquele Sigilyph conseguia fazer um Air Cutter com uma intensidade impressionante, quase como um tornado. Só tive tempo de puxar Chiclete, envolvendo-o em um abraço e tentando impedir que o ataque o atingisse em cheio.

O ataque veio, mas nunca nos atingiu, sendo barrado por uma parede invisível. Butterfree estava parado a certa distância e fazia uma barreira grande o suficiente para nos proteger. Ouvi Haila soltar o ar e retornar Ling para a Pokéball.

— O que é essa merda?

— Um Sigilyph, voador e psíquico, meus Pokémon não ver ter chance contra isso – Haila respondeu, os olhos buscando Serpio que parecia entretido demais para oferecer ajuda.

— Vá ajudar o lendário – respondi, embora ele não parecesse minimamente de ajuda, já que o Machamp estava entretido com o Onix e o único Pokémon que sobrara era um Haunter, que parecia não fazer nada a não ser encarar o lendário. – Eu vou dar um jeito.

— Como?

— Eu tenho um plano – na verdade era só uma ideia, e não exatamente um plano, mas era melhor do que nada. – Quando eu disser, corra, certo? – Ela não me parecia muito confiante, mas confirmou com a cabeça.

— Chiclete – balancei o Pokémon nos braços, que parecia apenas parcialmente consciente. – Preciso que você faz uma coisa para mim – os olhos tremaram – apenas uma.

Lentamente, Chiclete se colocou em pé. Havia vários cortes por todo o corpo e sangue tingia o pelo azulado.

— Lila – chamei e a cabeça cabeluda brotou de trás de um tronco – Desative o Protect. – Ela pareceu vacilar, mas ordenou e Butterfree baixou os braços.

— Flash Canon – comandei. Lucario baixou os braços diante do corpo e duas esferas cinza-azuladas surgiram em suas mãos. O ar em torno dele começou a girar, levantando grama e sujeira. Então ele jogou as mãos para frente, como se desse um impulso e as esferas se tornaram uma rajada intensa de luz. Apesar da beleza do golpe, não tinha nem metade da força do que ele recebera do Skarmory durante o Contest, mas atingiu o Pokémon voador.

— Haila – gritei, e a menina aproveitou a luz ofuscante que acompanhava o golpe para correr pelo campo e chegar até o lendário. O tal Ianto a acompanhou com os olhos, sem saber se deveria impedi-la.

Durante o golpe, vi meu Lucario ceder, caindo de joelho, então as patas baixaram, desfazendo o canal do ataque e cair desacordado. Mas ele não era o único no chão. Sigilyph estava no chão, com uma asa destruída. Não tinha sido o Flash Canon de Chiclete que o derrubara.

Diante de mim, sobre um tronco, estava Marsh, todo branco e imponente em meio aquela sujeira. Enquanto o Team Plasma se distraia, eu lancei a Pokéball do Pokémon, que aproveitou a claridade ofuscante do Flash Canon para acobertar sua presença e atacar com Bite.

Os treinos pesados de Haila estavam surtindo resultado e eu teria que agradecer o resto da vida a ela, pois eu era uma moleza para treinar.

Apesar de ver seu Pokémon ferido, Ianto não demonstrou expressão alguma.

— Psybeam – O Sigilyph se ajeitou como pôde e lançou o ataque. Marsh saltou para o tronco do lado e sequer se abalou.

— Marsh, Bite – E o Absol saltou na direção do Pokémon. Sem poder voar, ele seria um alvo fácil, mas meu Pokémon mal chegou a atingi-lo, sendo lançado para trás, como se ele tivesse tomando o ataque. Tentei novamente, mas o mesmo aconteceu.

Marsh parecia irritado e eu também estava ficando impaciente sem entender o que estava acontecendo.

— Ele está usando Reflect – Lila gritou. Isso explicava muita coisa, mas não explicava como eu conseguiria passar pela barreira.

Enquanto eu pensava, vi Ianto usar Roost no Sigilyph. Era um golpe voador que recuperava parcialmente o Pokémon, eu conhecia graças a minha mãe e seu fascínio por Pokémon Voadores. Eu não poderia deixar ele terminar pois isso o colocaria em vantagem, mas como passar a barreira?

— Disable – ouvi Lila ordenar, enquanto pulava o tronco e se aproximava. Apesar disso, nada aconteceu. Sigilyph ainda usava Roost e Ianto ainda mantinha a mesma expressão indiferente. – Tente agora – ela falou com uma piscadela.

— Marsh – eu não tinha certeza se aquilo daria certo, mas quando Absol saltou, o Sigilyph revidou com Psybeam. O que provava que seu escudo refletivo tinha caído.

— Mantenha-o longe – Ianto ordenou e o Pokémon começou a lançar ataques aleatórios, apenas para não permitir que Marshmallow chegasse muito perto.

— Eu tenho uma ideia – Lila falou e eu nunca tinha um bom pressentimento sobre isso. – Peça para o Marsh voltar – e mesmo que eu não achasse as ideias da Lila brilhante, era melhor do que nada.

Pedi e Marsh saltou para trás, ficando alinhado comigo.

— Muito bem, Butterfree, use Yawn – ela disse confiante. Eu sabia muito pouco sobre, era tipo uma névoa que deixava o adversário sonolento, mas não era muito potente. Entretanto, como Sigilyph estava cansado e machucado, o efeito foi instantâneo e o Pokémon caiu adormecido. – Sua vez – ela deu um passo para lado como se me desse passagem.

Eu não entendia por que ela me mandava atacar um Pokémon adormecido, mas antes mesmo que eu pudesse pensar sobre, percebi que o Sigilyph estava prestes a despertar. Yawn não era como Sleep Prowder e em breve ele já estaria em batalha novamente.

— Mas um ataque físico... – comecei, mas Lila me cortou.

— Não físico – e finalmente entendi aonde ela queria chegar.

— Marsh, Dream Eater – Lila conhecia o golpe e tinha me explicado enquanto treinávamos para o Contest de Opelucid, mas nunca julguei aquilo útil.

Marsh fechou os olhos e ficou imóvel como se meditasse, então o Sigilyph começou a se debater e gritar como se estivesse em um pesadelo horrível. Era algo pavoroso de se ver e até seu treinador inexpressivo curvou as sobrancelhas. Então o Pokémon teve um espasmo, como se convulsionasse e ficou imóvel. Marsh abriu os olhos violáceos e encarou o Pokémon desmaiado do outro lado.

— Eu disse nem mais um passo – pude ouvir o vento trazer. Espiando por cima do ombro de Ianto, Haila estava quase perto da rocha onde se encontrava o lendário, mas Ed, que tinha guardado seus Pokémon apontava uma arma para ela. Mas havia tantas batalhas acontecendo simultaneamente, que ninguém realmente pareceu perceber.

Lila e eu tínhamos derrubado o Sigiliyph, mas estávamos muito longe e não conseguiríamos correr até a loira a tempo.

Foi quando percebi Dan se esgueirando através das árvores para atacar Ed por trás. Seu Onix tinha se livrado do Machamp, mas o Golem agora o atacava e os dois se batiam com tanta força que o atrito de seus corpos rochosos produzia faíscas.

Com uma manobra, o Onix derrubou o Golem no chão, enterrando-o parcialmente e começou a chicotear com a cauda, no que eu julgava ser um Iron Tail. O treinador encarou seu Machamp, Unfezant e Purugly abatidos, depois Ed apontando a arma para Haila, o Haunter que permanecia flutuando placidamente próximo ao lendário e Ianto, que parecia não ter mais Pokémon disponíveis.

— Nós não vamos perder aqui – esbravejou – Golem, Self-Destruction.

Foi como se essas palavras permeassem o ar e toda a algazarra das batalhas se silenciasse. Vi Des chamar seu Liepard de volta, Dan pular sobre Ed e Haila se abaixar. Lila me puxou pelo braço, nos jogando no chão e gritou para Butterfree.

Um silvo agudo cruzou a manhã chuvosa e então a explosão aconteceu. O claro ofuscou minha visão, o som era ensurdecedor e mesmo com o Protect do Slowbro ativado, ainda pude sentir a onda de impacto. Então tudo ficou escuro.

Notas finais
N/T: Não betei de novo por pura preguiça... Beijokinhas e até semana que vem com a parte 3.