Notas iniciais
Sim gente, eu esqueci de postar de novo. Segunda foi feriado, me desculpem, eu nem lembrei. Só me dei conta porque chegaram alguns comentarios e eu me toquei. Foi mal, vou tentar se mais pontual daqui pra frente, espero que gostem.

Haila

CAÇADA MORTAL

Chorei até dormir. Desmond não conseguia entender o que estava havendo, mas não saiu do meu lado em momento algum. Continuou lá comigo até que minhas pálpebras parecessem pesadas de mais para que eu pudesse suportar o fardo de erguê-las.

A noite foi um turbilhão de sonhos disformes. Fleches do terror em Nimbasa, da despedida de Deedee, da ligação do meu pai e também de Serperior. Acordei suada pela manhã, ainda envolta pelo cobertor de Desmond. A ferida no meu braço queimava cada vez que eu respirava.

Leaf estava deitada junto a mim, ainda dormindo em sono pesado, já Desmond e o seu Liepard já estavam de pé, apanhando minhas roupas e objetos de uma árvore. Quando ele os tinha colocado para secar?

Levantei devagar para não acordar Leaf e porque não tinha coragem de me mover ainda. Sangue ainda manchava a bandagem branca, para me lembrar de que eu estava longe de me recuperar.

Assim que me sentei dei uma olhadela rápida no Xtransceiver. Eram quase dez da manhã. Há muito tempo eu não conseguia dormir tanto. E para a minha surpresa também havia ligações de Cilan, ele parecia mesmo estar preocupado comigo. – Descanse mais um pouco – o garoto pediu me olhando de longe, – você tem de ir a um medico, acredito que você terá de costurar seus ferimentos.

Seis dias faltavam para o final do prazo. Se eu ainda quisesse seguir com isso talvez não tivesse tempo de ir a Driftviel e voltar. – Obrigada, por me salvar e tudo mais – respondi sem muita emoção na voz. Novamente aquele sentimento de vazio havia me tomado. Será que Simi tinha se sentido assim antes de morrer?

Não tinha visto minha vida passar diante dos meus olhos, nenhuma luz celestial ou sequer meu avô veio me buscar como nas historia que minha mãe contava. A realidade era muito mais brutal e agonizante. Morrer não era para qualquer um. Morrer é pra quem tem coragem.

– Eu sempre estou disposto a ajudar donzelas em perigo – ele acrescentou dando um sorrisinho.

– Não sou uma donzela. E Kara nunca me pareceu precisar de mais do que alguns trocados para comprar um bota nova – retruquei com a voz carregada de arrogância, mais até do que pretendia.

Me esforcei para levantar e senti a ardência aumentando. Leaf acordou com meu movimento e deu um salto, encarando o mundo a sua volta como se estivesse rodeada de inimigos. Desmond voltou até mim, com minhas coisas na mão e as pôs sobre minha bolsa no chão, – ela sabe cuidar de si própria – rebateu sem nenhuma mesura. Depois caminhou até o outro lado da fogueira apagada e se sentou, sendo seguido por seu Pokémon, – o que aconteceu ontem?

Eu não queria falar sobre isso, mas era o mínimo que eu o devia, – eu estava tentando capturar Serperior. Leaf e eu iniciamos a batalha para tentar enfraquecê-lo, porém ele achou que eu séria uma adversaria melhor e começou a me perseguir. Acho que o resto você já sabe.

– Deduzi que essa Leafeon era sua, ela não desgrudou de você um segundo desde que a tirei da água – ele comentou olhando para a Pokémon ao meu lado. – Você deve ser a pessoa mais azarada do mundo. Serperior nunca atacam humanos, deve haver cerca de dez casos em toda historia de Unova.

– Pois é, a vida não é uma fabrica de realização de sonhos. – Um flash do momento da mordida me ocorreu e em seguida da luz ofuscante. – O que foi aquele ataque? Que nos empurrou pra dentro d’água?

Desmond passou a mão no rosto, sua barba estava por fazer – não me lembro, acho que usamos o Hyper Beam, certo Lierpard? – Perguntou para seu parceiro passando a mão em sua cabeça. O felino roxo ronronou e se moveu de forma preguiçosa fazendo a mão do treinador escorregar por suas costas.

– Eu preciso capturá-lo – soltei ainda encarando o garoto.

– Volte daqui um mês quando estiver recuperada e tente de novo – ele disse em tom de brincadeira. Tentei me alongar, mas a dor não deixou, então caminhei meio zonza ainda até minhas coisas e comecei a guardá-las. Até mesmo o livro da folha havia molhado. – Você não esta brincando não é mesmo?

Não olhei para trás, não precisa de resposta. Estava muito grata a ele por ter salvado a minha vida, mas eu não queria amigos agora. Assim que guardei tudo coloquei a bolsa no outro ombro e chamei Leaf. – Mais uma vez obrigada, – agradeci tentando parecer simpática.

Ele se levantou e abriu os braços, seus olhos estavam arregalados – você só pode estar brincando, não é? Há formas mais rápidas se você quer se matar.

– Obrigada – respondi de novo, mas desta vez sem nenhuma falsa alegria na voz. Serperior atravessou o rio e era isso que eu ia fazer. Escutei um barulho e olhei para trás. O garoto estava correndo de um lado para outro, juntando suas coisas e jogando na mochila – o que está fazendo – perguntei sem conseguir me conter.

Ele mexeu em um bolso da mochila e arranjou uma maça, deu uma mordida nela e a arremessou em mim. Peguei com um pouco de dificuldade, sentindo outra fisgada e o encarei, – se eu não posso detê-la, vou me juntar a você. – Do mesmo bolso ele tirou uma câmera preta com uma lente que deveria ter o dobro do tamanho do resto da câmera. – Bom, você também é linda – ergueu a câmera e tirou uma foto.

Antes que eu pudesse protestar ele tirou outra de Leaf que permanecia grudada a minha perna e outra de seu Liepard que ergueu a cabeça de modo orgulhoso para ser fotografado. – Foi por isso que eu o capturei – me contou sorrindo.

=8=

Atravessamos o rio em uma ponte, poucos metros a cima de onde acampamos. Estávamos andando a passos lentos para que minha ferida não voltasse a sangrar. Não cheguei a dizer a Des, mas o ferimento não parava de arder, meu ombro inteiro parecia ter sido triturado na boca daquele Pokémon.

Seguimos andando no pé da montanha em meio à mata fechada por um longo tempo. O garoto não parava de falar e deve ter me contato metade de sua vida enquanto vasculhávamos a floresta.

Ele queria ser policial quando pequeno, mas acabou indo estudar sobre comportamento Pokémon e recebeu um convite para trabalhar na revista. Estava em Drifveil City para encontrar e tirar fotos dos Deerling nessa estação.

O Pokémon da floresta mudava de cor de acordo com as estações. Isso fica mais claro quando eles evoluem para Sawsbuck e seus chifres ganham folhas coloridas, porém quando jovens sua pelagem no tórax muda quase completamente.

Eu não estava realmente a fim de conversar, não estava a fim de ser sociável com ninguém, essa era a verdade. Não iria colocar alguém no lugar de Deedee, arrumar outro companheiro de viagem, até porque ninguém jamais séria como ele.

Quanto mais eu pensava nisso, mais o falatório do garoto acabava com a minha paciência. Eu estava a ponto de mandá-lo sumir quando ele parou de súbito e estendeu o braço me fazendo parar.

Segui seu olhar rapidamente e me deparei com um Serperior dormindo, metros a frente enrolada em si mesma, no meio das folhas secas no chão. Bem onde uma cortina de luz a banhava.

– Temos de nos aproximar devagar – ele sussurrou.

O encarei com um olhar sério e senti vontade de socá-lo desta vez. – Não preciso de sua ajuda – soltei sem nenhuma emoção na voz.

Ele me olhou assustado e franziu o cenho – claro que não, você estava se saindo muito bem no rio quando te encontrei.

– Caso não se lembre, bonitão, o que fez com que eu parecesse no rio foi o ataque do seu Pokémon – respondi com a voz carregada de sarcasmo, – muito obrigada, você já fez sua parte, mas eu não sou uma princesa do livros de contas de fada, não preciso de príncipes para me salvar.

Ele estava me olhando sério, mas de repente sua face se contorceu e um instante depois ele estava rindo. – Príncipe! Obrigado, nenhuma garota tinha me chamado disso ainda. – Ele passou a mão no cabelo e ajeitou o colarinho – se você quer me afastar com elogios, sinto muito, você esta fazendo isso errado.

Bufou e sai andando a passos largos. O primeiro passo não doeu, mas no terceiro minha ferida pareceu estar se abrindo novamente. Levei a mão instintivamente ao machucado e arfei. Eu tinha que pegar aquele Pokémon a todo o custo.

– Você esta bem? – O garoto perguntou assim que chegou do meu lado. Balancei a cabeça positivamente e voltamos a andar, desta vez tentando fazer o mínimo de barulho possível.

O Pokémon estava imóvel com a cabeça jogada, sua pele escamosa parecia uma linda folha a luz do sol, com verde e amarelo vivo. Demos a volta devagar até podermos ter uma visão melhor da criatura. Percorri os olhos por seu dorso com desapontamento, aquela não era a mesma que me atacou.

– Vamos embora – resmunguei em um sussurro.

Des me encarou e depois apontou para o Pokémon – por que não o captura?

– Não é o mesmo Pokémon.

– Eu sei, o ataque de Liepard tem de ter deixado uma ferida. Haila, esse tipo de Pokémon pode não querer te obedecer mesmo depois de capturado. Não sei se é uma boa ideia.

Não respondi, apenas voltei a andar. Não tinha um motivo de verdade, não era como se eu tivesse afeição por aquele Pokémon, porém ele tinha se mostrado forte e esperto. Se eu tivesse que pegar um Pokémon eu pegaria um que eu tinha alguma ligação, fosse ela qual fosse.

Além disso, eu gostaria de descontar o que ele tinha feito a mim. Levei novamente a mão no ombro e senti a faixa que cobria a ferida sob minha camisa. E eu tinha de fazê-lo para Skyla.

=8=

Serperior eram territoriais. Devemos ter encontrado mais dois deles antes de voltarmos através do rio, percorrendo grandes distancias dentro da mata fechada. Um deles até com filhotes.

Procurar o Pokémon no ultimo lugar no qual eu havia visto parecia bobagem, mas a essas alturas eu não tinha muito mais esperança de que poderia reencontrá-lo. O dia estava passando e meu prazo junto com ele.

Tivemos que parar algumas vezes, a dor em alguns momentos chegou a ser insuportável. A bandagem estava manchada de sangue e Des insistia que deveríamos voltar ao local onde ele montou acampamento e continuar a busca depois.

Porém eu não queria dizer-lhe a verdade, ele não me conhecia, não sabia nada sobre mim. Simplesmente a ideia de estar caminhando junto dele na floresta me parecia errada.

Passamos pelas arvores que antes eu encontrei o Pokémon, refizemos o caminho de volta ao rio e nada. Eu estava quase desistindo quando um grupo de Patrat saiu correndo detrás de um arbusto. Só podia ser um sinal ou um dejavi.

Fomos depressa na direção da qual eles haviam vindo e o encontramos serpenteando pelas raízes. Não tive duvidas. O tamanho, a forma como se movia e principalmente pela marca em seu dorso. Aquele era o Pokémon.

Um calafrio correu por minha espinha ao me dar conta de que aquele era mesmo o Pokémon que havia me deixado a ferida em meu ombro. A textura de sua pele, a força de sua mandíbula. Sua simples presença me fez questionar se eu deveria mesmo capturá-lo.

Des e eu libertamos nosso Pokémon juntos, eu não podia hesitar. Quando o fleche vermelho deixou nossos parceiros no chão Serperior notou nossa presença, girando sua cabeça em nossa direção, colocando a língua para fora para sentir o ar a sua volta.

– Leaf, é hora de viramos o jogo – tentei encorajar minha Pokémon.

Mas Leaf não pareceu precisar disso. Sua cauda estava erguida e sua cabeça estava estirada para frente. Ela estava em posição de ataque emitindo seu ruído tão comum, porém o tom era diferente. Parecia estar cheio de uma determinação nova pra mim.

A Pokémon reagiu sozinha, inclinou um pouco mais seu corpo, erguendo ainda mais a cauda e usou Swift. Uma longa rajada de estrelas luminosas foram em direção a Serperior, que tentou se esquivar movendo seu corpo, porém a grande quantidade de estrelas contínuas o perseguiu até que uma pequena explosão aconteceu, erguendo uma nuvem de fumaça.

Leaf saiu correndo em seguida e se atirou contra a nuvem, rápido demais para que eu pudesse processar a surpresa de vê-la usando um ataque que sempre a deixou desconfortável usando. Serperior fez seu tom típico ressoar e Leaf arfou. A fumaça se dissipou um segundo depois revelando os dois Pokémon que se encaravam de forma perigosa.

Serperior já havia assumido posição de ataque, encolhendo seu corpo e erguendo sua cabeça. Sua boca novamente estava aberta mostrando seus dentes afiados. Meu coração deu um salto ao ver a situação, Leaf parecia minúscula perto dela, mas ao olhar de novo percebi que a Pokémon não demostrava medo.

Leaf fez seu barulho e me olhou por um segundo, em seus olhos eu pude ver a determinação. Ela queria lutar, queria se vingar pelo que Serperior tinha me feito, aquela era a única explicação.

A coragem da Pokémon me tomou e então tomei atitude – Leaf, Energy ball. – O movimento foi rápido e preciso, porém Serperior era mais rápido. Se esquivou depressa e saltou sobre Leaf de boca aberta. A Pokémon se esquivou saltando para o lado, de novo e de novo, enquanto Serperior repetia o movimento.

– Razor Leaf – gritei e ela respondeu ao comando imediatamente. Fez um movimento brusco com a cabeça e acertou Serperior em cheio. Porém o ataque não fez efeito. Serperior moveu o rabo, que foi tomado por uma luz branca, e acertou a cara de Leaf, a mandando para o chão a alguma distancia.

– Dragon Tail – Des contou olhando para a batalha, imóvel ao lado de seu parceiro.

Leaf se ergueu com um pouco de dificuldade, balançou a cabeça e voltou a se movimentar. Serperior, porém não estava a fim de esperar, saltou novamente e abriu a boca, desta vez dezenas de sementes tomadas por um brilho verde foram em direção a Pokémon.

Leaf usou evasiva por si própria, então girou a cabeça e folhas cortantes foram na direção de Serperior. Os dois ataques se chocaram, as sementes impediram que as folhas acertassem Serperior, porém o mesmo não aconteceu com Leaf que foi atingida na barriga.

O ataque fez a Pokémon parar, desorientada com a força do golpe. A cauda de Serperior brilhou desta vez verde e um instante depois ele estava em cima de Leaf. Meus olhos se arregalaram ao reparar que era Leaf Blade.

Não houve tempo para que ela reagisse. O ataque a acertou diretamente, a lançando em direção a uma arvore que tremeu quando a Pokémon se chocou contra ela. – Leaf – gritei ficando apavorada. Tive o impulso de sair correndo na direção da batalha, mas travei quando olhei para Serperior armando o próximo bote. – levanta, depressa.

Leaf se ergueu com dificuldade, enquanto Serperior já ia pra cima dela. – Use Energy Ball e depois corra – pedi aos berros. Meu coração estava batendo forte e rápido, eu queria ir até ela, queria parar a luta, mas minhas pernas não estavam se movendo.

A Pokémon demorou um pouco mais pra reagir, quando finalmente a esfera foi lançada Serperior estava a poucos centímetros dela. O Energy Ball acertou diretamente Serperior, que pela primeira vez, parecia sentir o ataque.

Leaf saiu em disparada, correndo para o lado contrario ao Pokémon que pareceu se enfurecer com o golpe. Serperior era rápido, fez um barulho assustador abrindo a boca e lançou um jato de um liquido roxo em Leaf.

A Pokémon conseguiu desviar, deixando o liquido corroer a pobre raiz em que caiu em cima. – Eles não são venenosos, não é? – Perguntei revoltada a Desmond.

– Leaf usou Swift e nem por isso é um tipo normal. Isso foi um Gastro Acid – ele resmungou sem tirar os olhos da cobra.

Serperior comprimiu seu corpo e num movimento impressionante se arremessou pra cima, desaparecendo entre os galhos das arvores. Um momento depois uma chuva de folhas cortantes veio do alto em nossa direção.

Só tive tempo de cobrir o rosto e arfar, ao mesmo tempo em que Desmond gritou – Protect. – Liepard se pôs a frente criando uma barreira luminosa, impedindo que recebêssemos o ataque.

Mais rápido do que podemos prever Serperior já estava em cima de nós, se chocando contra e destruindo a barreira de Liepard. Me joguei para o lado apavorada quando ela caiu no chão entre mim e Des, de boca aberta e dentes amostra.

Bati no chão com força e perdi o ar devido à dor lacerante que tomou meu ombro. Me levantei depressa, tropeçando em mim mesma a tempo de ver Serperior morder Liepard e ser parada pelo ataque de Leaf.

A Pokémon acertou Serperior com seu próprio corpo, exatamente onde o ataque de Liepard havia deixado sua marca. A serpente começou a se contorcer no chão e sua cauda a brilhar verde. Ela ia usar Leaf Blade mais uma vez.

Meu coração estava na boca e a dor não me deixa pensar. O som dos guinchados de Serperior e os silvos de Leaf estavam me deixando desesperada. As lagrimas estavam vindo, mas eu não queria chorar. Levei às mãos as orelhas e fechei os olhos com força antes de ver Liepard desaparecendo por completo enquanto Des a chamava de volta. Por Arceus, aquilo tinha que acabar.

– Sua idiota – Desmond gritou em meio à confusão, – Leaf vai acabar morrendo, seja uma treinadora e comande-a.

Assim que abri os olhos vi Leaf caindo com uma ferida aberta na cocha e Serperior já estava se jogando contra ela novamente, cheia de fúria e ferocidade. – Swift – gritei apavorada e a Pokémon me olhou com os olhos cheios de pavor. Era tarde de mais.

Seperior a prendeu em meio aos dentes e a jogou para o alto. Seu corpo bateu contra os galhos da arvore sobre nós e caiu inerte no chão, emitindo um baque oco no choque.

Procurei Desmond sem conseguir dizer uma palavra e meu coração quase parou quando o vi, correndo com um galho grosso na mão em direção a Serperior. Sua expressão estava vazia, olhos arregalados e sem vida.

Antes que eu pudesse reagir ele estava cravando o pedaço de madeira na ferida do Pokémon que se debateu na mesma hora, acertando o rabo em Des que caiu em consequência. Eles iam morrer.

Cerrei os punhos e sai correndo, as lagrimas estavam escorrendo agora, não dava mais pra controlar. Peguei outro galho qualquer e me pus entre Leaf e Serperior. O Pokémon ergueu seu dorso ficando em posição de ataque, fazendo seu barulho infernal balançando a cauda como se sua vida dependesse disso e me mostrando de novo sua boca cheia de dentes.

Meu braço doía tanto que eu não conseguia mais processar a dor direito, a bandagem agora estava coberta de sangue, mas não importava mais – você não vai pegá-los – gritei, – se quer alguém, que seja eu, desgraçado – gritei tão alto que senti minha garganta arranhar.

Serperior deu o bote, acertando a cabeça com uma força descomunal no meu peito. O impacto fez com que eu fosse ao chão na mesma hora. Bati a cabeça com força em uma raiz exposta e minha visão ficou turva, meio escurecida por um instante. Até mesmo meu ouvido começou a zumbir e foi como se todo o som a minha volta desaparecesse por pelo menos um momento.

– Vem me pegar – gritei de novo sem saber ao certo onde Pokémon estava. Depois comecei a tossir, o mundo parecia não ter mais ar suficiente, a dor no meio peito era forte, eu não estava conseguindo respirar.

Quando senti seu corpo escamoso me enrolando senti em parte alivio, em parte terror. Ele estava me envolvendo novamente e desta vez não tinha ninguém pra me salvar, mas talvez ninguém também para morrer. Eles teriam tempo para fugir e minha angustia teria fim.

Seu corpo me prendeu e me impediu de me mover, suas escamas frias começaram a me apertar em seu ataque mortal. Arranhei seu corpo com as unhas e tentei gritar, mas não consegui. Ele se moveu mais uma vez, dando um arranque forte que aumentou ainda mais o aperto.

– Haila – Desmond gritou. Senti quando ele deu a primeira paulada em Serperior – solte-a, solte-a – começou a repetir furiosamente enquanto golpeava o Pokémon.

Meu corpo estava preso voltado para o chão. Quando minha visão finalmente voltou a se focar completamente tudo o que eu via era o chão de terra e folhas secas. Eu não estava conseguindo mais respirar direito, a dor no meu ombro agora era um aliado que impedia que meus pensamentos se perdessem.

Ela deu mais um guinchado e mais uma vez outro arranque. Ouvi meus ossos estalarem e o ar escapou por completo. Tentei inspirar, mas não parecia haver espaço para meu pulmão se mover, se encher de ar. Meu corpo começou a se debater sozinho, se convulsionando desesperadamente em busca de ar.

Eu ia morrer ali e nunca teria a oportunidade de dizer para Deedee que eu o amava como irmão. De pedir desculpas por ser tão arrogante e agradecer por me ver do jeito que só ele via. Eu ia morrer sem dizer que eu era uma idiota, mas que eu precisava provar para meu pai e Jaden que eles estavam errados. Se não, nada do que eu tinha feito até então teria valido a pena.

Eu não queria morrer como uma marionete, não queria morrer sem que Cilan me perdoa-se, sem que eu pudesse tirar Corin daquela casa. Eu não queria morrer.

A floresta se encheu de luz em fim e os gritos de Desmond desapareceram por completo. Finalmente era hora.

O impacto foi algo inexplicável. Meu corpo girou no alto antes de voltar a cair no chão. Busquei ar incontrolavelmente, colocando a mão em cima do meu peito que subia e descia tão rápido que minha mente não podia acompanhar.

Leaf ainda brilhava e a rajada de luz ainda desaparecia quando Desmond colocou suas mãos nos meus ombros. – Solar Beam – disse com dificuldade, olhando pra minha Pokémon que estava de pé, com a pata machucada fora do chão.

Mesmo mancando saiu correndo e se atirou contra Serperior, acertou tantas vezes com os chicotes que mal pude acompanhar seus movimentos. A Serpente começou a se arrastar com dificuldade para longe de Leaf, porém a Pokémon estava tomada por algo que eu jamais havia visto.

Leaf saltou e usou Razor Leaf, enchendo o chão a sua volta com folhas cortantes, errando seu alvo. Depois atinou a correr e assim que tomou alguma distancia girou se corpo, usando um fraco Energy Ball que explodiu em cheio em Serperior, que finalmente caiu desacordado.

Me levantei com dificuldade e olhei para o Pokémon caído no chão. Leaf estava voltando devagar, sem tocar a pata no chão. Eu ainda estava chorando. Estava chorando por tanta coisa que sinceramente não entendo como tanta coisa podia ser sentida.

Me joelhei e abracei Leaf quando finalmente ela estava perto o suficiente. Ela fez seu típico barulho, dessa vez com um timbre fraco e triste. Não a apertei mais forte porque não tinha forças, a dor era tanta que se tivesse tempo para pensar, teria medo de perder meu braço.

– Me perdoe – disse quase sem voz. Ela tinha lutado sozinha, tinha feito tudo isso por mim. Leaf tinha quase se matado a fim de descontar o que Serperior me fizera. Que tipo de treinador deixa seu Pokémon se arriscar assim? Que tipo de treinador não sabe a hora de parar? Meu peito estava subindo e descendo depressa, as lagrimas chegavam a pingar.

– Temos que voltar para Driftveil City – Desmond surrou, – você e os Pokémon precisam de tratamento. – Leaf estava encolhida nas minhas pernas, seu corpo estava quente e ensanguentado. A tomei nos braços e mordi meus lábios para suportar a dor enquanto eu me erguia.

– Vai ficar tudo bem – sussurrei para Leaf retirando a Pokéball da bolsa. Minha mão tremia tanto que mal pude apertar o botão.

Assim que a Pokémon desapareceu no raio de luz eu sequei as lagrimas. Meu corpo inteiro agora parecia tremer. Dei o primeiro passo e ele foi o mais difícil, eu precisava cuidar de Leaf e isso era tudo o que importava agora.

– O que faremos com ele? – Desmond perguntou apontando com o queixo para o Serperior estirado no chão.

Caminhei devagar até próximo a ele e me apoiei em uma árvore. A que custo eu tinha finalmente conseguido abatê-lo? Dan estava certo quando disse que eles são poderosos, porém eu tinha quase perdido outro Pokémon, que tipo de monstro eu era?

– Leaf deu tudo de si para derrotar esse Pokémon, – procurei Pokeball na bolsa e depois de escolher uma qualquer a encarei um instante antes de conseguir pensar em qualquer coisa. Eu não sabia mais o que queria, mas agora, mais do que tudo devia isso a minha parceira.

Arremessei o objeto redondo que acertou a cauda do Pokémon. A luz vermelha a tomou e um instante depois o raio desapareceu levando consigo Serperior. A Pokeball não tremeu. Não houve resistência. Depois de piscar a terceira vez a Pokeball se apagou, ficando inerte no chão úmido da floresta.

As vezes você faz escolhas e as vezes as escolhas são feitas por você.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Serperior foi um Pokémon bem dor de cabeça, espero que não ter apelado demais. Tentei da justificativa a tudo o que aconteceu, mas não sei ao certo se consegui. Gostei muito de escrever esse capitulo e espero que voces gostem de ler tanto o mesmo tanto. Alem disso quero ressaltar que criei adaptações para algumas citações nesse capitulos de Jhon Green e Gayle Forman.