Rota Zero
30 Cassie: Dia da Desunião
Notas iniciais
Cassie
Deedee e Haila, que até então eu não conhecia, estavam presos em um pequeno vilarejo próximo a Relic Castle, no meio do deserto, mas eu não sabia disso.
DIA DA DESUNIÃO
O telefone nem chegou a tocar, caiu na primeira chamada, como se estivesse desligado ou fora da área de cobertura. O que Deedee andava fazendo?
Eu estava em Castelia naquela manhã sem graça de quinta-feira só por causa de uma excursão escolar e esperava poder vê-lo, mas aparentemente isso não seria possível. Desliguei meu Xtransceiver e encarei o porto de Castelia City. O dia estava estranhamente cinzento e ventava muito. O grupo escolar que viera comigo havia se dispersado pelo local assim que descemos do navio que nos trouxe de Virbank City e antes disso, havíamos tomado um ônibus de Flocessy Town até a cidade litorânea.
Nós havíamos chegado muito cedo e teríamos que esperar por quase duas horas até que o ônibus que nos levaria até Nacrene, objetivo da nossa excursão, aparecesse. A professora responsável pelo passeio pediu para que não nos afastássemos do porto e nem arranjasse nenhum tipo de confusão.
E por isso tinha ligado para Deedee, para matar o tempo. A verdade é que eu não queria estar naquela excursão. Eu morria de vontade de conhecer outras cidades e estava ansiosa para conhecer o grande museu de Nacrene, por outro lado, eu teria que passar dois dias com meus colegas e isso não me animava nada.
Eu gostava de frequentar o colégio de Alder, aprendera muitas coisas diferentes, os professores eram atenciosos e minhas habilidades com Pokémon haviam melhorado muito. Mas eu não me dava muito bem com os outros alunos. Talvez porque eu fosse tida como uma criança prodígio pelo próprio Alder, os outros alunos me evitavam. Não que eu me importasse de não ter amigos na escola, eu poderia muito bem passar meu tempo na biblioteca ou conversando com os instrutores nos corredores, mas em uma excursão, só sobrava os alunos para uma possível interação, já que a organizadora estaria muito ocupada tentando manter tudo nos conformes.
Enquanto esperava o ônibus fiquei observando os grupinhos de alunos que haviam se formado. Os garotos mais velhos conversavam animados em um canto, os mais jovens discutiam sobre seus Pokémon recém-adquiridos enquanto um grupo de garotas fofocava sobre moda.
O grupo de garotas era liderado por Nissya, garota que me odiava por algum motivo desconhecido e que sempre se dedicara a tornar minha vida na escola um inferno. Ela não gostava de mim, então nenhuma de suas amigas estava autorizada a dirigir qualquer palavra a mim. E isso incluía Sophia.
Sophia havia ingressado na escola depois que as aulas já tinham começado. A família dela se mudara de Hoenn para Unova e ela não conhecia ninguém em Floccesy Town. Quando ela chegou, eu me propus a mostrar a cidade e o colégio. Ajudei- a a colocar as matérias em dia e a se socializar com os professores. Mas tudo mudou quando ela começou a andar com Nissya.
Nunca soube exatamente como elas se aproximaram, mas me lembrava claramente quando garota de cabelos chanel e grandes óculos disse que não podíamos mais ser amigas porque agora ela fazia parte do grupinho de Nissya. Eu tinha ficado mal e indignada, afinal, fui a única a se aproximar dela quando chegou, mas se ela preferia Nissya, eu não poderia obrigá-la a andar comigo.
O ônibus demorou a chegar e a viagem para Nacrene foi lenta e tranquila. Da janela do ônibus podia divisar o mar abaixo enquanto cruzávamos a Skyarrow Bridge. Depois de algumas horas dentro do sacolejar sonolento do veículo, chegamos diante do Museu de Nacrene.
O local era enorme, com grandes colunas e janelas. Fizemos uma fila ao descermos do ônibus e entramos, seguindo a professora orientadora. Logo na entrada havia um enorme fóssil de Pokémon Dragão. Era a coisa mais impressionante que eu já vira na vida. Naquele salão havia ainda expositores com fragmentos de ossos e réplicas de vários tipos de Pokémon Dragão, além de grandes pinturas nas paredes representado o habitat natural daquelas espécies.
Logo após aquele salão, o caminho se estendia em um longo corredor, cheio de arcos. Cada arco representava uma sala que abrigava uma exposição diferente, focada em um tipo de Pokémon especifico.
Percebi que as exposições do segundo andar e várias alas estavam fechadas. Sabia que o museu tinha sido assaltado recentemente e a polícia local ainda investigava o caso, por isso o local não estava funcionando por completo.
Depois de algumas seções, Lenora apareceu para nos receber com um sorriso afável e responder nossas dúvidas. Apesar de ser simpática e atenciosa, era possível perceber que ela estava preocupada com outras coisas e constantemente algum de seus assistentes aparecia e a interrompia. Até que ao final, ela se despediu desculpando-se por não poder nos acompanhar, pois precisava resolver um problema. Pude ver de relance, quando ela saiu, que um policial a esperava.
O passeio no museu levou a tarde toda e no final do dia, a professora nos liberou para conhecer o resto de Nacrene. Deveríamos estar de volta à frente do museu as oito da noite, para retornarmos a Castelia, onde passaríamos a noite.
Eu estava faminta e fui para um badalado café local. Infelizmente, não fora a única a ter essa ideia porque quase todos estavam lá, incluindo Nissya e sua trupe. Apesar de não estarmos sentadas próximas, podia ouvi-las rir e conversar.
Uma das garotas do grupo comentava sobre o Munna, um Pokémon psíquico que poderia ser encontrado naquela região. De acordo com a tal garota, se você capturasse um Munna, ele poderia realizar seu maior desejo.
Eu nunca vira um Munna na vida, mas já tínhamos estudado sobre o monstrinho no colégio e não me lembrava de nenhum professor dizer qualquer coisa sobre realizar desejo. Munnas eram populares por se alimentar de sonhos ruins e ajudarem seus treinadores a clarear suas mentes, mas não havia nada dessa história de desejo.
E aparentemente, eu era a única que sabia disso. Porque a história da garota causou um alvoroço na mesa. Até mesmo Nissya pareceu bastante animada com a ideia e todas decidiram ir até a floresta nos limites da cidade capturar seu próprio Munna e ter seu desejo realizado.
Quando as garotas saíram, o café ficou bem mais silencioso e finalmente pude me focar na refeição que fazia. Tentei ligar para Deedee novamente, mas o Xtransceiver continuava caindo na caixa postal. Eu me perguntava se ele estaria bem e o que andava fazendo. Me perguntava se finalmente Peach o havia aceito como treinador.
Era estranho pensar que o único amigo que eu possuía era um garoto desajeitado, seis anos mais velho do que eu. Fazia semanas que eu não tinha notícias suas e começava a me questionar se realmente éramos amigos. Talvez só eu pensasse assim e isso começou a me deixar deprimida. Eu gostava do Deedee, não queria que fosse algo unilateral.
Paguei minha refeição e sai da cafeteria. Dei uma volta por Nacrene, seguindo um mapa para turistas que tinha conseguido no café. A cidade era linda, muito maior do que Floccesy, mas ainda assim, mantinha um ar bucólico. As casas eram antigas e grandiosas, todas as construções pareciam contar sua própria história e inspirar sabedoria.
Quando dei por mim, já estava na orla da floresta que delimitava a cidade. O céu escurecia rapidamente, mas ainda havia alguma luz natural. Eu ainda tinha algum tempo livre até o horário combinado, então liberei meus Pokémon.
Prisma saltou pela grama contente de sua liberdade, enquanto Pallaluna sobrevoou minha cabeça dando um pio alegre. Os dois devem ter percebido que meu humor andava para baixo, pois meu Panpour ficou fazendo gracinhas até me ver sorrir, enquanto Pallaluna pegou uma fruta suculenta e bonita de uma árvore alta para me presentear. Não pude deixar de agradecer por ter essa dupla incrível. Mesmo que Deedee me desse às costas, eu nunca estaria sozinha, pois sempre teria meus amigos peludos.
Foi quando ouvi um grito vindo do interior da floresta, era uma voz de mulher. Panpour deu um passo à frente e ficou em posição, esperando meu comando. Aguardei, mas não ouvi mais nada por um longo tempo, até que o mesmo grito se repetiu. Desta vez, acompanhado por um rugido feroz. Então me lembrei de que as amigas de Nissya estavam na floresta. Aparentemente alguém estava com problemas.
Eu não era do tipo heroico, de querer salvar o dia. Mas se havia alguém com problemas, eu não poderia simplesmente virar as costas e fingir não ter conhecimento do fato. Dei um comando a Pallaluna, que passou voando rapidamente sobre minha cabeça e se embrenhou na floresta. De nada adiantaria tentar socorrer alguém que eu não fazia ideia de onde estava.
Não demorou muito, Pallaluna reapareceu entre as copas das árvores e com um pio nos indicou que tinha encontrado o caminho. Prisma disparou na frente, seguindo a Pidove, enquanto eu corria o máximo que podia tentando acompanhá-los. Enquanto corria pela floresta, senti que alguém estava me seguindo, e embora pudesse sentir a presença dos Pokémon selvagens que habitavam o local, não consegui precisar o que me seguia ou porquê.
Quando finalmente encontrei a pessoa que gritava, vi Sophia caída no chão, seu Pansear tentava protegê-la de um Vigoroth muito irritado, mas era visível que o pequeno símio não daria conta do bicho. Ele parecia despreparado e muito mais assustado do que a própria Sophia. O Pokémon ergueu a pata para atacar com um Scratch, pronto para fazer picadinho do Pokémon vermelho.
– Prisma, Water Gun – o azulado parou alguns metros de distância e disparou um potente jato d’água. Vigoroth foi atingido em cheio, mas o golpe não o derrubou. Ele deu um uivo irritado e avançou na direção do meu Pokémon. – Finalize com Scald – comandei e um jato quente atingiu o monstro que urrou de dor e se embrenhou na floresta.
Quando o finalmente o perigo passara, Prisma deu um salto elaborado e fez um sinal positivo com os dedinhos símios. Ele sempre fazia tal gesto quando vencia.
Sophia tentava se recompor enquanto seu Pansear parecia impressionado com a vitória fácil que meu parceiro tivera. Pallaluna, que sobrevoava a luta, desceu e se empoleirou no meu ombro.
– Você está bem? – Sophia trazia algumas escoriações nos braços e pernas, provavelmente de se roçar nos galhos e moitas enquanto fugia do Vigoroth.
– Sim – respondeu sem graça.
– Você não deveria enfrentar um Vigoroth selvagem se não está preparada.
– Eu não o enfrentei, Florisa o atacou por engano, achei que fosse um Munna – argumentou. Eu me perguntava como alguém poderia confundir uma coisa fofa e rosa como um Munna com um Vigoroth. Nem mesmo December faria tal coisa.
– Você sabe que não existem Munna em Pinwheel Forest... – Ela arqueou a sobrancelha.
– Claro que sim, Nissya disse que existem muitos por aqui. – Desta vez quem curvou a sobrancelha fui eu, então tudo o que Nissya dissesse era lei?
– Mas não existem.
– E como você sabe? Ah, é. Esqueci que você é a incrível Cassie que sabe de tudo – a Sophia que eu conhecera não era de dizer tais coisas, mas imagino que o contato com o grupinho de meninas tenha alterado sua índole.
– Eu não sei tudo – puxei o mapa da cidade que tinha guardado no bolso – mas está escrito no panfleto da cidade. Você poderia ter pegado um de graça no café. – E estendi o papel para ela, mas Sophia não o pegou.
Sophia me encarava com raiva. Não parecia nada feliz com as coisas que eu dissera a ela e nem um pouco grata por eu ter salvado seu couro.
– Eu ouvi a conversa de vocês no café – comecei – não acha estranho que só você está aqui? Digo, todas pareciam muito animadas em encontrar um Munna e ter seu desejo realizado. Então, onde estão as outras garotas? Ninguém veio te ajudar quando você precisou... – A morena me encarou por trás das grossas lentes dos óculos, pude ver uma pequena centelha de realização passar por seus olhos e o rosto assumir uma expressão decepcionada.
Mas isso durou segundos, porque ela balançou a cabeça e o velho rosto abobalhado de sempre reapareceu. – A floresta é muito grande, elas podem só não ter ouvido. – Era óbvio que ela tentava convencer a si mesma. – Elas são minhas amigas, não iriam me deixar na mão.
Eu não concordava com isso, mas não havia o que argumentar.
Voltamos para Nacrene, uma ao lado da outra em completo silêncio. Ela havia retornado Florisa para a pokéball, enquanto Pallaluna e Prisma nos escoltavam. A sensação de estar sendo seguida me atingiu novamente e desta vez olhei em volta a tempo de ver um Pachirisu.
Estranhei porque sabia que aquele tipo de Pokémon não era comum por aquela região. Ele nos seguia a uma distância considerável e se mantinha bastante atento. Quando percebeu que foi descoberto, tentou se esconder atrás de uma árvore, sem muito sucesso, já que a cauda ainda estava à mostra.
Quando finalmente chegamos ao museu, a maioria dos estudantes já estava no ônibus. Sophia me abandonou e foi correndo ao encontro de Nissya. Pude ver que ela precisou se explicar do porquê de chegar na minha companhia.
Retornei Prisma e Pallaluna para suas respectivas pokéball e me preparei para entrar no ônibus, só então percebi que o Pachirisu ainda me seguia. Ele estava mal escondido atrás de uma lixeira e me encarava com um olhar pidão. Eu não sabia o porquê daquela expressão, mas talvez ele estivesse com fome. Então separei um pokébloco que trazia na mochila e coloquei no chão, alguns metros da lixeira. Pude ver o focinho mexendo, sentindo o cheiro da refeição, mas a professora me chamou antes que o Pokémon viesse comer o aperitivo.
=8=
Ficamos em um hotel bem simples em Castelia. Ficaríamos ali até o dia seguinte, quando embarcaríamos no navio que nos levaria de volta para Virbank City. Eu estava cansada e meio chateada com Sophia. Não só ela não me agradecera, como fizera minha caveira para Nissya. Não que a menina precisasse de motivos para me odiar mais, mas agora, graças aos comentários de Nissya durante o jantar, todos achavam que o Vigoroth ter atacado Sophia era culpa minha.
Antes de dormir fui até a recepção do hotel. Estava morrendo de sede e havia uma máquina de refrigerantes no hall principal. Quando cheguei, o grupinho de Nissya estava ali, rindo escandalosamente do fato de Sophia ter acreditado na história do Munna. A garota parecia constrangida diante da zoação que o grupo fazia, mas não dizia nada. Apenas encarava o chão e corava.
Eu não estava nem um pouco animada em participar daquilo, então desviei meu caminho e fui até a varanda, podia esperar elas voltarem para o quarto para pegar meu refrigerante. Havia uma brisa marítima agradável e Castelia estava toda pintada de luz, dando um aspecto muito bonito.
A brisa balançava as palmeiras plantadas nos vasos que adornavam a varanda e as folhas verdes dançavam ao sabor do vento. Folhas verdes e azuis. Espera, não existem folhas azuis. Analisei o vaso com cuidado e percebi que embrenhado em meio as palmeiras estava um Pachirisu. E aparentemente era o mesmo que eu encontrara em Pinewheel Forest, mas como ele tinha chegado até ali?
Os olhinhos brilharam ao me ver e mexeu o nariz, então saltou do vaso e se agarrou na minha perna. Reprimi a vontade de gritar, achando que iria me machucar, mas simplesmente enlaçou minha canela fina com os bracinhos curto e me lançou outro olhar pidão.
– O que você está fazendo aqui? Como chegou até... – Só então me lembrei da professora discutindo com o motorista do ônibus, reclamando que alguma coisa estava no teto do veículo, fazendo um barulho infernal na volta para Castelia. No final, quando o ônibus estacionou diante do hotel, o motorista analisou o teto, mas não encontrou nada.
– Você não veio no teto do ônibus, veio? – O bicho pareceu me entender e confirmou com um aceno de cabeça. Cara, isso tinha sido muito perigoso. – Mas o que você faz aqui?
Como resposta, aumentou o aperto na minha perna. Era impressão minha ou ele gostava de mim?
– Desculpe amiguinho – me abaixei tentando fazê-lo soltar da minha perna. – Eu não posso ficar com você – apesar do esforço que eu fazia, ele se prendia ainda mais em mim e balançava a cabeça negativamente.
Exatamente o que eu tinha feito para ele ter se afeiçoado a mim?
Aparentemente ele entendia minha dúvida, porque largou minha perna e começou a gesticular. Graças ao bom Arceus, nós tínhamos aulas de linguagem Pokémon. Era uma aula opcional que quase ninguém fazia, mas que eu julgava muito importante. Ensinava, através de interpretação da linguagem corporal, entender as necessidades dos nossos parceiros.
Como eu não conhecia Pachirisu, não dava para entender perfeitamente o que ele queria, mas ele tinha visto Prisma e Pallaluna e gostado muito deles e queria ser igual. E por igual entendi ser criado por mim. Não me lembrava de história alguma com um Pokémon selvagem que aceitasse de bom grado ser capturado, muito menos que se oferecesse de tal forma.
Eu não tinha planos de ter um novo Pokémon no meu time, mas já que Peach estava com Deedee, eu tinha um lugar vago. Assim, sem nenhum esforço de captura, Pachirisu ingressou ao meu time.
=8=
Estava sentada no porto em Castelia, os outros alunos transitavam por ali enquanto esperávamos o navio que nos levaria de volta a Virbank City. O dia estava tão sem graça como o anterior, mas finalmente Deedee tinha dado algum sinal de vida. Em algum momento da madrugada, o infeliz me mandou uma mensagem através do Xtransceiver. Explicava muito por alto que tinha ficado sem sinal por dias e que me ligaria em breve. Dizia que Peach estava bem e finalizava com uma foto fazendo um V com os dedos. Não pude deixar de sorrir enquanto relia a mensagem pela décima vez. Ele estava bronzeado e o cabelo muito maior e desajeitado. Além disso, havia um pequeno Trapinch aninhado no ombro, mordendo da beirada da touca do moletom.
Então ele tinha pegado mais um Pokémon? Eu ficava muito feliz por ele, e mais feliz ainda por ele não ter se esquecido de mim. Decidi responder a mensagem com outra. Disse que estava bem e contei sobre a “captura” da Pikarina, nome que tinha dado ao meu Pachirisu, que descobri ser uma fêmea. Mas antes que eu pudesse enviar, Sophia parou ao meu lado.
Tinha uma expressão acanhada e enrolava as mãos na beirada do vestido de forma desajeitada.
– Sinto muito por ontem – começou. – Eu disse aquelas coisas para você, sobre ser a sabe tudo.
– Ah – bem ela não era a única a dizer isso e eu realmente não considerava uma ofensa.
– E sinto muito se não agradeci apropriadamente por ter me ajudado na floresta e se no final, Nissya acabou falando mal de você para outros.
– Tudo bem. Além disso, o que a Nissya fala sobre mim não é culpa sua.
– Na verdade, eu não queria que ela achasse que eu estava com você porque queria, então eu inventei uma história. – Então era por isso que eu tinha virado a vilã? Não estava tão surpresa assim.
Sophia ficou esperando alguma reação minha, mas eu não tive nenhuma, só queria acabar aquele assunto logo e mandar minha mensagem para o Deedee.
– Você estava certa sobre o Munna – prosseguiu ao ver que eu não me manifestara – não existem Munnas por ali e eles não realizam desejos – eu avisei. – Elas fizeram aquilo só porque sabiam que eu iria acreditar. Nissya disse que foi engraçado me ver correr em direção a floresta achando que um Munna faria o Peter gostar de mim.
Eu não fazia ideia de quem era Peter, mas Nissya sabia e tirou proveito disso.
– Você estava certa sobre elas não me ajudarem e nem estarem lá. No final, elas não são verdadeiramente minhas amigas – a voz saiu chorosa.
– Eu sinto muito por você – não havia o que dizer. Estava na cara que Sophia estava no grupo só parece ser motivo de chacota, ela não combinava com aquelas meninas e provavelmente Nissya só a havia aceitado para que eu ficasse sozinha. Sim, ela seria capaz disso.
– Talvez nós possamos ser amigas de novo – sugeriu enquanto o rosto corava.
Eu não era hipócrita, sentia sim falta de ter amigos. Era solitário no colégio e triste ter que dizer a minha mãe que o dia tinha sido bom e que meus amigos gostavam de mim, sendo que não havia nenhum. E eu sentia falta de Sophia. Ela não era muito esperta, mas era boazinha e dedicada, aprendia rápido e tínhamos muitos gostos em comum.
– Você está com medo de ficar sozinha? – Ela me encarou surpresa, como se não esperasse que eu dissesse tal coisa. Ela deveria estar cansada das gracinhas de Nissya, mas se virasse as costas para a menina, sabia que nunca mais seria recebida de volta e sabia também que dificilmente alguma outra garota no colégio manteria sua amizade.
– Você também está sozinha, então não vejo por que não podemos ser amigas – parecia que ela estava implorando. Eu realmente sentia falta dela.
– Desculpa, mas eu já tenho um amigo. Eu não preciso de você. – Sophia ficou vermelha como uma pimenta, abriu a boca, mas não disse nada. Vi lágrimas se formarem nos olhos enquanto se afastava.
Eu gostava de Sophia, mas não precisava desse tipo de amizade. No final, eu não era tão solitária assim, eu tinha meus parceiros e tinha December. Apertei o botão de enviar a mensagem no meu Xtransceiver, ele provavelmente ficaria feliz por mim.
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