Notas iniciais
Olá, mais uma vez! Como em todas as sextas esta ai o novo capitulo de Rota Zero, espero que gostem. Gostaria de lembra-los do que tia Chibi disse nas ultimas notas finais. Estamos abrindo fichas para personagens que não seram fixos na historia. Se quiser criar, um ou mais personagens, independente do que eles sejam (coordenadores, treinadores, sommelier...) deixem nos comentarios com as informações devidas.

Haila

ATAQUE NOTURNO

Obviamente eu não me demorei muito no centro Pokémon. Não queria dar oportunidade, nem tempo de meus pais me encontrarem. Supondo é claro que eles estavam me procurando.

Eu estava com fome e confusa. O corte na minha testa pulsava a cada passo que eu dava.

Striaton City era grande comparando-a com Nuvema. Prédios com em media três, quatro andares abrigavam bares, restaurantes e escolas. As pessoas nas ruas andavam despreocupadas cuidando de suas próprias vidas, mas o fato é que não precisei me demorar muito no Mart do centro Pokémon para ouvir os boatos do Pokémon que estava atacando as pessoas.

Segundo a mulher, cujo qual ouvi a conversa, havia ocorrido um ataque na saída da cidade na noite anterior. De acordo com ela o homem que foi atacado jurou ter visto um Krookodile, mas esse tipo de Pokémon nunca era visto nessa região de Unova.

Os policiais e Rangers envolvidos acreditavam por esse motivo que um treinador deveria ser o responsável por tais acontecimentos, mas nenhuma pista havia sido encontrada.

Consegui sair do centro Pokémon por volta de uma da tarde, meu estomago roncava e então decidi ir ao restaurante mais famoso da cidade. Onde um dia havia sido um Ginásio Pokémon.

Três irmãos tomavam conta do lugar, Cilan, Chilli e Cress. Chefes Gourmet super famosos nessa região.

Como esperado havia um grande movimento de pessoas. Mesas aos montes lotadas, vozes e risadas preenchiam o ambiente com um ar aconchegante e receptivo. Me perguntei como nunca havia feito isso antes, sabe, de sair de casa e tal.

Havia cerca de seis pessoas na minha frente, então tentei me manter distraída olhando para o rosto diferente de cada pessoa que passava pela rua. Mais ou menos uns vinte minutos depois quando uma mesa finalmente ficou desocupada um dos irmãos, Chilli, um garoto alto e magricelo de cabelo vermelho fez sinal pra mim, convidando-me a ser guiada até uma mesa.

Eu estava sentada em uma cadeira do lado de fora esperando minha vez junto a mais algumas pessoas, sobe uma pequena varanda enfeitada com tulipas amarelas. Quando me levantei e comecei a ir em direção a Chilli um garoto de cabelos castanhos se pôs na minha frente e começou a falar com ele.

— Você sabe, somos amigos há bastante tempo, não tem mesmo uma vaguinha se quer pra mim? – Perguntou o garoto. Devo ter demorado menos de um minuto pra perceber que se tratava do empurrado de garotas, meu sangue pareceu borbulhar em minhas veias, a ultima coisa que me faltava era ter que encara-lo novamente.

Agarrei o colarinho de sua camisa e o puxei para fora do meu caminho. Ele me olhou confuso até reconhecer-me, depois suas feições tomaram formas furiosas e ele começou a repetir “ou, ou, ou, ou”. Então o larguei e gritei, – já não basta me empurrar de um penhasco? Tem que roubar minha vez de comer?

— Penhasco? – Chilli se surpreendeu.

Tom franziu o cenho e me encarou com olhos arregalados, – sua louca, você escorreu e caiu. Eu te salvei.

Chilli me encarou agora confuso, – pessoal, por que não dividem a mesa? Sinto que vocês têm assuntos a resolver.

— Não temos nada, – gritamos quase em uníssono.

Saquei minha Pokeball que estava no meu bolso e a apontei pra Tom, – estou avisando, não me force a isso.

Ele gargalhou e apontou pra Pokeball em minha mão, – esse Leafeon? Desculpa, um Hyper Fang de meu Ratata e estará terminando.

Me lembrei de como o Ratata dele parecia forte e senti o impulso de não ser inferior, então fui burra o suficiente pra mentir, – Leaf é meu amigo, não está preparado pra lutar, mas meu... – hesitei por um segundo não sabendo o que dizer, – meu Flareon aqui amigo, ele acaba com seu Pokémon facilmente.

Me arrependi de ter dito isso no segundo seguinte e foi uma imensa sorte quando Cilan, um dos irmãos donos do restaurante apareceu. O cabelo verde dele chamava atenção. Ele usava terno negro e um pano branco estava repousado sobre seu braço direito revelando que ele ainda estava em serviço – calma pessoal, a junção dos seus ingredientes proporciona um tempero muito picante.

— Nossos o que? – Eu quis saber, não entendi o que ele disse. Tratava-se de uma metáfora?

— Temperos, – interveio Chilli, – ele tem essa mania, – ele nos contou, – sigam-me, aparentemente uma mesa acaba de se desocupar.

Cilan continuou na porta do restaurante enquanto Chilli nos acompanhou até duas mesas no centro do restaurante, ironicamente uma do lado da outra, mas relevei o fato.

Havia um cardápio sobre a mesa, pedi uma torta vegetaria que parecia deliciosa e peguei o Pokedex do meu irmão. Havia dezenas de Pokémon que nunca havia visto, tantas formas e tantos tipos diferentes.

Fiquei atraída por um em especial, Serperior. A forma evoluída de um dos iniciais de nossa região. Muito provavelmente se eu houvesse ido ao laboratório da professora Juniper quando fiz dez anos eu teria o escolhido. Era estranho pensar que eu nunca teria uma vida comum, como outros tantos treinadores por ai, mas ao mesmo tempo eu nem sabia se gostaria de me tornar uma.

Passei por varias miniaturas diferentes até finalmente encontrar os espaços vazios. Por mais que houvesse centenas de Pokémon que eu ainda não conhecia, era estranho pensar que meu irmão, que havia saído para sua jornada há cinco anos, não havia conseguido encontra-los.

Eu estava ansiosa para descobrir quais Pokémon poderiam ser. Talvez eu pudesse ser uma pesquisadora Pokémon quem sabe, descobrindo novas espécies, me esgueirando por cavernas, subindo montanhas, mergulhando no mar, seria uma escolha legal. E eu não achava frustrante não saber o que queria ser, eu achava empolgante. Eu poderia ser qualquer coisa a partir de agora, ser livre.

O movimento no restaurante acabou diminuindo drasticamente de repente, já estava tarde e Chilli veio nos avisar que a cozinha já estava sendo fechada. Pedi um suco de frutas e uma torta de morango que não demorou a chegar a minha mesa.

— Talvez eu devesse capturar mais Pokémon, – murmurei pra mim mesma.

A voz me foi um pouco incompreensível no começo, mas Tom voltou a repetir a pergunta, – você é uma treinadora?

Eu o encarei confusa e tentando não surtar. Respirei fundo e respondi o mais calmamente possível, – eu não sei o que sou ainda.

— Como assim não sabe? – Me perguntou ele virando um pouco a cadeira para ter uma visão melhor de mim. Senti meu rosto esquentar, talvez de raiva, talvez de vergonha, não importava.

— Por que eu deveria responder ao cara que me jogou de um penhasco? – Perguntei cruzando os braços.

Ele revirou os olhos e passou a mão pelos cabelos, – aquilo mal era um morro. Haila não é isso? Você não tem identificação de treinador, mas esta com o Pokedex do seu irmão e ele é. Só fiquei curioso, depois que os irmãos fecharam o ginásio aqui, quase nunca vemos treinadores nessa região.

— Eu sei, – respondi distraída olhando para Cilan carregava algumas bandejas junto de um Simisage. Um Pokémon tipo planta com um topete engraçado – eu não decidi ainda, – respondi voltando a olhar pra Tom, – quero dizer, não sei o que vou ser.

Tom franziu o cenho e sorriu, – isso me parece bom. Você esta viajando pra tentar se decidir então?

Lembrei-me da minha vida em casa por alguns segundos, provavelmente teria me tornado uma criadora de Eevees se houvesse continuado a morar com meus pais. Me vi olhando pro mar e desejando poder viajar e ver o mundo, mas agora senti uma pontada de saudade. Afastei o pensamento e sorri para Tom, – essa é a ideia, – respondi tentando me concentrar apenas no rosto dele, – e como é ser um Ranger?

— A academia é meio puxada, nossos Pokémon são levados ao limite nos treinamentos, mas vale cada gota de suor, – ele me respondeu mostrando o dispositivo de captura em seu braço, – eu posso passar o tempo todo com os Pokémon, cuidando e os observando.

— É uma possível carreira, – comentei.

— Você pretende capturar alguns Pokémon dessa região? Quais você tem? – Ele perguntou. Parecia realmente interessado em continuar aquela conversa, mas por mais que ele parecesse agradável, eu ainda estava muito perto da minha cidade, alguém poderia me reconhecer, eu já havia dado a mancada de mentir dizendo que tinha um Flareon além de um Leafeon, para que ele me associasse a minha família apenas meia palavra bastaria. Definitivamente, não era hora de criar vínculos.

— Tenho alguns, – respondi me levantando, – eu tenho que ir, eu diria que foi um prazer, mas... – terminei de dizer apontando para o curativo em minha testa.

Ele se levantou também depressa, fazendo a mesa em que ele sentava chacoalhar e Cilan e Chilli nos encarar, – eu digo que foi um prazer te empurrar.

— Então admite? – Perguntei colocando as mãos na cintura. Apenas quando ele sorriu de volta notei o enorme sorriso no meu rosto. Droga, às vezes me odeio.

— Se isso te faz sorrir, – ele respondeu. Então eu corei e para que ele não visse a cor rubra em meu rosto sai do restaurante quase correndo.

Enquanto fugiu do restaurante meu olhar se encontrou com o de Cilan por um estante, ele sorriu pra mim como se soubesse como eu realmente estava me sentindo. Foi estranho e tão pessoal ao mesmo tempo.

=8=

Quando finalmente sai de Striaton City já era final da tarde, faltando apenas alguns minutos para o anoitecer. Não da pra imaginar o quanto eu queria dormir no centro Pokémon, mas definitivamente eu não queria arriscar.

Na saída da cidade passei por uma linda praça com uma enorme fonte. Ao redor dela havia pontes de faziam o caminho sobre o pequeno rio que cortava a cidade. Arbustos bem cortados e mais um campo de tulipas, desta vez de cor rosa enfeitavam a saída da cidade. Fiquei encantada, caso tivesse mais tempo, ou o luar estivesse mais luminoso com certeza ficaria ali para admirar.

A escuridão não tardou a cair e logo fiquei meio perdida. Sei que a floresta a noite não é um lugar seguro e tal, mas era muito menos provável que eu fosse encontrada nela. Gostaria de ter feito uma fogueira, mas agora já estava escuro e eu não estava a fim de sair para procurar gravetos.

Leaf estava deitada sobre minha barriga quando ouvimos um grito vindo da mata. Me levantei em um salto, buscando desorientada na escuridão a fonte do som. Leaf se encostou a minha perna e começou a fazer seu típico barulho, arqueando as costas e olhando para a escuridão.

Primeiro vi um lampejo em meio à escuridão e logo em seguida o som de folhas e gravetos sendo esmagados começou a invadir a floresta, fosse quem fosse estava correndo com uma lanterna na mão.

Me agarrei a arvore quando ouvi um urro, era assustador e diferente de tudo que eu já havia ouvido. Segundos depois a figura passou correndo atrás de nós e mais dois ou três depois, uma grande forma passou atrás do mesmo.

Vi de relance uma grande calda e a lembrança dos comentários de Striaton City voltaram a minha mente, era o tal Krookodile, só podia ser. Leaf arranhou minha perna de leve e então a encarei.

Ela focou em mim e de súbito começou a correr na direção do Pokémon. Eu quis gritar pra ela parar, mas tive medo de ser ouvida então me lancei atrás dela. Correndo entre arbusto e desviando de arvores, esmaguei dezenas de gravetos que encheram a floresta de barulho.

A pessoa havia voltado a gritar e desta vez eu consegui perceber que se tratava de um homem.

De repente me vi em uma clareira e no meio dela o brilho de uma lanterna criava o contorno da enorme silhueta a minha frente. A pessoa estava caída no chão apontando a lanterna para a criatura que estava de pé quase sobre ela.

Vi o pequeno vulto de Leaf se chocando contra as costas do Pokémon que foi arremessado ao chão do lado do homem. Eu também não havia parado de correr e instantes depois eu estava segurando o braço do homem, tentando ajuda-lo a se levantar.

— Nós temos a vantagem Leaf, ele é um tipo Ground e Dark, – gritei para ela tentando encoraja-la, mas sem acreditar que poderíamos vencer, – use Razor Leaf.

Leaf começou a fazer movimentos bruscos com a cabeça e folhas cortantes começaram a surgir, voando em direção à criatura que acabava de se levantar.

O homem puxou minha camisa e pela primeira vez olhei para seu rosto. Seus olhos estavam arregalados, sua expressão estava cheia de pavor, tremendo ele sussurrou, – ele não é um Krookodile, – e desmaiou, caindo com força no chão.

Eu me agachei tentando verificar se ele estava bem, mas uma onda de energia negra arremessou Leaf a um metro de distancia chamando minha atenção. O enorme Pokémon saltou caindo em cima de Leaf.

Gritei em um misto de medo e desespero, agarrei a primeira pedra que vi na frente e a arremessei atingindo a cabeça do Pokémon. Ele rosnou e moveu sua cabeça em minha direção.

A noite estava muito escura e a única luz era da lanterna caída a centímetros do meu pé. O Krookodile se esqueceu de Leaf por alguns segundos, vindo sobre duas patas, em minha direção.

— Droga, – resmunguei dando alguns passos para trás, não desviando o olhar do Pokémon que parecia pronto para atacar.

Olhei para Leaf na esperança de que ela estivesse suficientemente bem para me dar uma ajudinha, mas ela continuava deitada no mesmo lugar que havia caído.

O Pokémon se aproximava cada vez mais, minha barriga estava gelada, eu sabia que correr ia só atrasar o que estava por vir. Ergui os punhos na altura do queixo e gritei na esperança de amedrontar o Krookodile, – ei, cai dentro.

Dei um soco no ar e meus olhos se encheram de lagrimas, senti que minhas pernas tremiam. Eu não iria dar conta de algo daquele tamanho, – Leaf?! – Sussurrei como ultima esperança, enquanto o Pokémon se erguia na minha frente.

Então o raio de luz vermelho surgiu na minha frente. Um brilho quente explodiu a poucos centímetros de mim me fazendo cair. Um Emboar em chamas surgiu urrando com os braços erguidos, – use ember Emboar, depois Arm Trust, – uma voz conhecida gritou.

Enquanto uma rajada de brasas atingia o Krookodile, Cilan com seu Simisage e Tom vinham correndo em minha direção.

Agarrei o homem que havia desmaiado pelo braço e comecei a puxa-lo para longe da batalha, logo Cilan e Tom me ajudavam, – senhorita Haila, – me cumprimentou Cilan sorridente, – fico feliz em tornar a vê-la.

— Sem cortesias Cilan, temos uma batalha para vencer aqui, – Resmungou Tom enquanto seu Emboar acertava um soco no Krookodile.

Simisage surgiu de repente com Leaf no colo, eu corri até eles e segurei Leaf no colo. Ela parecia bem, não havia nenhum corte e isso me deixou mais calma. Não que desse pra ficar muito, o Emboar de Tom realmente parecia forte, mas havia algo de errado com aquele Pokémon.

— Emboar, evasiva seguida de flametower, – comandou Tom que estava agora poucos passos a minha frente.

Cilan agora estava abaixado perto do homem que eu encontrei, ele ergueu um pouco a cabeça dele e começou a falar coisas baixinho que eu não podia entender. Então ouvi o grito de surpresa de Tom.

Quando olhei para frete o Krookodile estava sendo envolto por algo como um nevoeiro negro, sua forma estava mudando gradativamente diante de nossos olhos. Sua pele escamosa pouco a pouco se tornava cheia de pelos negros e instantes depois estávamos diante de uma criatura assustadora e totalmente diferente.

Tom deu um passo para trás e praguejou, – que merda é essa?

O mais depressa que pude mandei Leaf para a Pokeball e encontrei o Pokedex do meu irmão. Assim que abri e apontei-o para a criatura as informações surgiram.

“Zoroark o Pokémon transformador, – Zoroark é um Pokémon dificilmente visto pelas pessoas, graças a sua habilidade de imitar a aparecia de outros Pokémon usando ilusão ele pode passar despercebido até mesmo por olhos bem treinados.”

E um dos espações vagos no Pokedex de Jaden se preencheu. Tive um pequeno surto de excitação por ter dado o primeiro passo, mesmo que sem querer, para completar o Pokedex do meu irmão. Mas que logo foi ofuscado, pois de alguma forma o Zoroark conseguiu derrotar o Emboar de Tom e ainda por cima acertar Cilan na fuga que se iniciou, jogando o garoto no chão que pareceu também ficar desacordado.

A enorme criatura se jogou na floresta correndo, o Simisage de Cilan então grunhiu ou algo do tipo e começou a segui-lo, – Simisage, – gritei. E ignorando os gritos de Tom me joguei na floresta atrás dos dois.

Notas finais
Suino, Suvino, Surrino, Subino. Espero que tenham gostado. Haila é meio louca e tal.... diria que ela é a senhorita bipolaridade. Não deixem de nos dizer o que acharam. E esperamos suas fichas. As informações necessarias estão nas notas de Chibieska e Deedee. Att: Julio, seu amigo do bairro.