Rota Zero

24 A Dança e a Batalha - Parte 2


Notas iniciais
Cá estou pessoas!!! Eu tinha escrito um texto enorme nas notas do capítulo, mas a hora que fui postar deu erro de gateway, e perdi tudo T-T. Fiquei p da vida e então serei sucinta desta vez. Boa leitura!

December

A DANÇA E A BATALHA — PARTE 2

Ocorreu um recesso de quinze minutos até começar a segunda etapa. Eu estava nervoso e não conseguia tirar os olhos de David, que exibia não mais um pequeno Snivy, mas um grande Servine. Se eu o enfrentasse, seria massacrado novamente.

Cindy retornou a arena e explicou como seria a segunda rodada do torneiro. Assim como em Castelia, pontos por golpes valiam muito mais do que derrubar seu oponente, de forma que não adiantava apenas bater as cegas. Finalmente a mulher anunciou a primeira luta, e para meu azar, minha foto apareceu no telão.

Respirei fundo e me encaminhei para a arena. Meu oponente já estava do outro lado da arena quando me posicionei. Trajava um vestido amarelo e não parecia nada feliz em me ver.

– Vamos para a primeira luta dessa etapa. No canto esquerdo – apontou Cindy com o braço – temos December com seu energético Riolu, vindo de Aspertia City. No canto direito – disse ela girando o corpo – temos Clarice e seu fofo Audino, vindo de Castelia City.

O Audino da menina nunca tinha se recuperado da luta contra o Scraggy. O rosto era torto e marcado e a fita adornando a cabeça só o deixava ainda mais bizarro.

– Achei que você fosse me ligar para saber se eu ao menos estava bem – Clarice disse alto o suficiente para que quem estivesse nas primeiras fileiras pudesse ouvir. Isso incluía Skyla.

– Aconteceram coisas – disse sem jeito. Realmente tinham acontecido, mas eu teria me esquecido de ligar de qualquer jeito.

– Audino, Pound – e o bicho rosa voou na direção de Chiclete. Ela começou antes mesmo de Cindy autorizar.

Meu Riolu foi pego de surpresa e voou pela arena até quase chegar aos meus pés. Ele estava atordoado, mas levantou rapidamente. O Audino estava parado alguns metros de distância e encarava Chiclete pronto para o próximo golpe.

Achei que ela seria desclassificada ou algo do gênero, mas depois que Cindy recebe u um olhar mortal da menina, decidiu relevar e deixar a luta prosseguir.

– Muito bem, Double Slap. – O Pokémon veio em chamas para atingir Chiclete, mas ele desviou habilmente do golpe. Clarice tentou novamente, mas o Riolu apenas deslizava pelo tablado desviando do combate. Eu precisava atacá-la, mas me sentia mal socando um Pokémon conhecido, ainda mais aquele pobre Audino.

Em algum momento enquanto pensava o que fazer, Audino acertou Riolu. Não foi um golpe forte, mas o placar apareceu, descontando meus pontos. Clarice insistiu no mesmo golpe e se Riolu fosse atingido, meus pontos iriam parar na metade.

– Chiclete, desvie e use Force Palm – o azul saltou quando o Audino se aproximou e deu um soco no pobre bicho que foi lançado do outro lado da arena. O placar de Clarice apareceu e os pontos foram removidos. Fiquei até com dó, seria mais uma cicatriz para o rosto redondo.

A menina pareceu irada e ordenou que o Pokémon tentasse a mesma estratégia. Audino veio como um raio e só não acertou o Double Slap por pura sorte, Chiclete desviou e usou novamente Force Palm. Desta vez não tão forte, mas o bicho cambaleou. Os pontos de Clarice chegaram a metade e a plateia começou a vibrar.

Ela pareceu ainda mais irritada, mas desta vez deixei a bondade de lado. Talvez pelos gritos da torcida me senti impelido a atacar e ordenei que Chiclete usasse Reversal. O golpe foi feito com sucesso, foi lindo ver Riolu acertar o Pokémon e o lançar do outro lado do tablado, aos pés da coordenadora.

Os pontos da menina reduziram ainda mais, mas não zeraram. Era visível que apesar de ainda ter pontos, Audino não estava mais em condições de lutar, mas mesmo assim, Clarice o ordenou ficar em pé e me lembrei do que Louis tinha dito sobre ela e sua indiferença com seus parceiros.

O bicho mal aguentava ficar em pé, mas ela não parecia arredar o pé dali. – Muito bem Audino, Attract.

O Pokémon pareceu fazer um esforço sobre-humano, mas conseguiu realizar o golpe. Apesar de não ter acontecido nada. Eu estava ficando com pena do Audino, melhor acabar logo com aquilo, assim ele poderia descansar.

– Vamos, Chiclete, Quick Attack – seria o suficiente para zerar os pontos de Clarice e não causar muitos danos ao Pokémon. Só que meu Riolu não se mexeu. Ficou parado feito um idiota encarando o Audino exausto do outro lado do ringue. – Chiclete! – Ele me encarou por um segundo antes de voltar sua atenção ao adversário. Tinha uma cara abobada, parecida com a que eu fazia ao encarar Skyla.

– Caso você não sabia, seu Pokémon está sob o efeito do amor da minha Audino agora – a garota começou presunçosa. Ela parecia bem séria naquela luta, me pergunto se teria todo aquele empenho se o adversário fosse outro que não eu – ele não irá mais atacá-la e... – Ela parou de falar quando o placar apareceu e reduziu o restante de pontos que possuía.

Fiquei encarando sem entender, até que Cindy se aproximou e disse que golpes de categorias diferentes não poderiam ser usados em batalha. Attrack era classificado como Cute, enquanto o Audino concorria na categoria Cool. Eu tinha visto algo assim no livro, mas não sabia quais eram as categorias de cada golpe e ia muito mais pela sorte. Sem falar que não sabia que isso era um tipo de infração e tirava tantos pontos.

Cindy levantou o braço esquerdo, lado onde eu estava e me anunciou como vencedor. A plateia aplaudiu, mas não muito animada, afinal Clarice havia perdido por um erro dela. Eu estava feliz, mas não explodindo de felicidade. Estava triste pela pobre Audino, que só descobrira ser fêmea no golpe final e pela Clarice que parecia irritada com seu próprio erro.

Voltei para o vestiário e parabenizei Chiclete. Ele parecia feliz e satisfeito. O efeito do Attrack já tinha passado e David só perdeu a oportunidade de me diminuir porque ele foi o próximo a entrar na arena.

A luta de David e o sétimo colocado foi curta. O Servine simplesmente dizimou o outro concorrente e ele passou invicto, sem perder ponto algum. A próxima luta foi entre uma garota com um Tepig e outra com um Petilil. Para minha surpresa, a garota do Pokémon de grama venceu com facilidade e eu começava a achar que talvez fosse bom me dedicar aos treinos de Couve-Flor.

No final da eliminatória sobramos David, a garota do Petilil, um garoto com um Mareep e eu. Isso tornava maior a chance de eu enfrentar David na próxima rodada, coisa que não me alegrava nada.

Houve outro recesso de quinze minutos e as semifinais tiveram início. Como estávamos apenas em quatro competidores, podíamos assistir as lutas na beirada do palco. Cindy apareceu diante de um telão e com um floreio apresentou a primeira disputa daquela etapa. Emma versus Klaus, a garota do Petilil contra o menino do Mareep. Ou seja, eu enfrentaria David na próxima luta. Ele me encarou com um sorriso medonho e meu estômago deu um giro.

Enquanto os dois competidores se posicionavam ao redor da arena, tentei buscar Haila em meio a multidão, mas não consegui avistá-la em canto algum. Skyla conversava com Elesa e não parecia muito interessada na luta, enquanto o homem fazia anotações em uma folha.

Cindy anunciou e a luta teve início. Por ser uma semifinal achei que seria uma luta demorada e exaustiva, mas acabou antes mesmo que eu pudesse processar o que estava acontecendo. Mareep começou com um Thunder Wave que paralisou a pequena Petilil, então avançou com um Take Down e mandou a Pokémon para fora da arena com tanta força que ela se chocou contra uma das placas de anúncio que separava a arquibancada do tablado principal.

Emma pareceu chocada, o contador de pontos nem ao menos tinha registrado os ataques bem sucedidos de Klaus, mas sua parceira estava fora de combate e ela perdera a luta. Foi tão rápido que até Cindy demorou a entender e anunciar o garoto como vencedor.

A dupla se retirou e David e eu nos posicionamos nos extremos da arena. Enquanto Cindy fazia as apresentações para o público, David resmungou quase inaudível, que eu me arrependeria de ter colocado meus pés em um Contest novamente. Tentei responder algo, mas minha mente estava em branco. Eu não estava pronto para enfrentá-lo, muito menos aquele Servine.

David lançou sua pokeball e Servine surgiu majestoso no meio da arena. Atirei a minha e Chiclete saiu com um pequeno rolamento, então parou próximo ao Pokémon Planta e puxou as pontas da faixa que ainda usava na cabeça. Cindy anunciou e o combate teve início.

– Muito bem, vamos começar com Vine Whip – agora eu conhecia bem o golpe, graças aos treinos com Haila e Chiclete conseguiu desviar habilmente dos tentáculos se aproximavam dele. David pareceu não gostar nada, já que o placar dele apareceu e descontou alguns pontos. – Parece que você andou treinando esse fracote – provocou – mas esse inseto azul não terá chance contra meu Pokémon evoluído. – Servine, Leaf Tornado.

Ele tinha usado o mesmo ataque na primeira vez que batalhamos, então ordenei que Chiclete usasse evasiva e tentasse se manter o mais longe do turbilhão de folhas. Deu certo, a princípio. Talvez porque o Snivy tivesse evoluído, o vento tinha muito mais força, o tornando dobrado de tamanho e as folhas eram tantas que quando meu Riolu foi atingido, mal consegui divisá-lo na bagunça.

Reparei do outro lado da arena que Servine não estava mais ali. Ele deveria ter avançado contra Riolu em um ataque combinado como fizera da outra vez. Gritei o comando para Chiclete, mas sem noção alguma se ele estava me ouvindo preso em meio ao tornado.

Quando finalmente o golpe se desfez, pude ver Chiclete cheio de arranhões provocados pelas folhas, mas Servine estava inclinado sobre o próprio peito. Os placares de ambos apareceram e pontos foram descontados dos dois lados. Eu perdera pontos pelo ter sido pego pelo Leaf Tornado e David por Chiclete ter acertado o Counter com maestria.

O marcador dele chegara a metade e o garoto não parecia nada feliz em estar perdendo, principalmente para mim. Mas apesar da expressão insatisfeita, ela logo foi substituída por uma expressão alucinada, como se ele tivesse tido algum estranho tipo de realização.

– Servine, Vine Whip. – Eu não entendi porque ele repetira aquele ataque, David era muito mais preparado do que eu, não faria algo no desespero. Mas eu não sabia o que estava por vir e indiquei que Chiclete apenas desviasse dos chicotes. Ficamos naquilo no que pareceu durar uma eternidade. Servine não parecia estar realmente fazendo esforço para atingir meu Pokémon, mas Chiclete já estava ficando visivelmente cansado em desviar dos golpes. Decidi dar um fim aquela situação estranha e ordenei que ele atacasse com Force Palm, mas David deu um comando exatamente no mesmo momento que eu. – Leaf Blade.

Enquanto Riolu avançava na direção de Servine, desviando dos tentáculos esverdeados, um pequeno grupo de folhas começou a circundar o Pokémon e tomar a forma do que parecia uma espada.

– Chiclete, desvie – mas já era tarde. Servine o distraiu com uma chicotada que acertou a lateral da cabeça e finalizou com o golpe de folhas afiadas.

Chiclete foi ao chão enquanto as folhas se desmanchavam no ar. O placar apareceu e meus pontos foram reduzidos. Riolu se levantou com dificuldade. Só então percebi que o golpe não fora certeiro. Chiclete virara o corpo no momento final e fora atingido lateralmente. Apesar de não ter tomado o golpe no meio do peito, era possível ver que o ombro estava fora do lugar e a pata esquerda pendia ao lado do corpo em uma posição estranha e dolorosa.

O ferimento na cabeça também estava feio, a chicotada não fora leve e era possível ver um gigantesco hematoma acima do olho.

Não sabia se a plateia estava vibrando pelo ataque de David ou chocada pelo estado do meu parceiro. Era como se eu tivesse apertado um botão e sumido com todas aquelas pessoas. Eu não os ouvia, nem os sentia. Era como se só existe David, Servine, Chiclete e eu.

– Nada mal, hein?! – David guinchou do outro lado da arena. – Achei que você perderia miseravelmente como da outra vez.

Chiclete estava com um braço debilitado e com vários ferimentos. Servine ainda sentia a dor do Counter que o atingira no peito e respirava com dificuldade. Nenhum dos dois Pokémon poderia lutar por muito mais tempo. O próximo golpe, fosse de que lado viesse, provavelmente seria o último e acabaria com a luta.

Apesar de tudo, o azulado parecia infinitamente feliz de estar vivendo tudo aquilo, mostrando seu valor. E eu estava feliz por ele. Aquele era o momento, ou eu daria as costas ao desejo do meu parceiro ou arriscaria tudo.

– Chiclete, Reversal! – Eu decidi arriscar.

À distância em que os dois estavam Servine não teria como desviar. Riolu se preparou e executou o golpe, atingindo o Pokémon Planta em cheio. Não fora um golpe bonito e bem executado. O ombro deslocado atrapalhara a execução, mas mesmo assim, mandou o bicho ao chão.

Um sorriso se abriu nos meus lábios ao ver Servine caído. David fez um careta e o placar apareceu sobre ele.

Enquanto os pontos eram subtraídos, pude ver o Pokémon se por em pé com dificuldade absurda. Ele estava muito ferido, um dos olhos fechados e as pernas tremiam tentando estabilizá-lo. Os pontos diminuíram, mas não zeraram. Em partes porque o golpe de Chiclete não fora executado graciosamente. Era um Contest e a beleza da coisa valia muito mais do que o combate em si.

– Isso ainda não acabou – resmungou o moleque – Leaf Blade.

Meu sorriso desapareceu e os segundos passaram terrivelmente lentos enquanto via as folhas dançarem em torno de Servine e assumirem a forma de uma espada. Mesmo que meus pontos não zerassem, Chiclete não teria mais condições de batalhar se fosse atingido novamente.

Pior, não fazia ideia de que tipo de ferimento ele receberia desta vez. Vi-o debilmente colocar a pata direita diante do peito, tentando minimizar o ataque iminente. Fechei os olhos, não queria ver o destino terrível do meu parceiro.

De repente, pude ouvir os gritos na plateia, foi como se eu tivesse desligado o botão de mudo. Eu deveria estar delirando porque tive certeza de ouvir a voz de Haila alta e clara no meio da multidão. A voz dela foi a última coisa que ouvi.

=8=

Quando abri os olhos, encarava um teto branco e sem graça. Meu corpo estava deitado no que parecia ser uma maca, minha cabeça doía e meu braço estava estranho. Ajeitando-me no leito consegui divisar meu braço esquerdo enfaixado e preso em uma tala. O dedo mindinho enfaixado também, enquanto os outros permaneciam livres.

– Seu dedo está quebrado – uma voz feminina falou. Me era familiar, mas não era Haila. Só então me dei contada da garota sentada ao meu lado em uma cadeira de desmontar. Clarice. – Eu não acredito que você tomou uma decisão tão estupida.

– E o que ele deveria ter feito? Agido como você? – Desta vez era a voz de Haila. Ela estava do outro lado do quarto, encostada na janela.

– Vai dizer que a vitória não é importante? – Provocou.

– Claro que sim, mas nem todo mundo é como você. – Haila respondeu atravessado.

– Diferente do que você pensa, eu me importo com meus Pokémon – Fez uma careta.

– Sei sei, vi muito bem. Usou até um golpe ilegal para tentar vencer...

– Escute aqui, só porque fiz aquilo não quer dizer que eu não me importe com meu Audino. Mas não entro nos Contest para perder – argumentou.

– É mesmo? Até agora não vi você ganhar nenhum – Havia aquele sorriso no rosto de Haila que sempre significava que ela tinha ligado o “foda-se, você é um babaca, não dou a mínima para o que você acha.”

As duas entraram em uma discussão desnecessária enquanto eu tentava me lembrar do que havia acontecido e de como eu tinha quebrado o dedo.

– Ei – interrompi a discussão acalorada – o que aconteceu?

– Você não se lembra? – O tom de Clarice não era o mais animador. Balancei a cabeça negativamente.

A garota do vestido amarelo pareceu procurar quais melhores palavras para me contar, mas Haila foi direita – Você perdeu.

Então David havia vencido, mas como?

– E Chiclete? – Se eu havia perdido, Servine havia atingido meu parceiro e zerado meus pontos.

– Ele vai ficar bem – respondeu a loira. – Eu o levei até a unidade móvel do Centro Pokémon. Só precisa de descanso.

– Mas, o Servine não o atingiu com o Leaf Blade?

– O golpe atingiu você, por isso do dedo quebrado – ela indicou minha mão. – Você não foi derrotado, foi desclassificado por invadir a arena.

– Entrar no campo de batalha é desclassificação automática, você deveria saber – Clarice complementou. Eu não sabia disso e nem fazia ideia do que tinha feito.

– Você simplesmente entrou na arena correndo e pulou na frente do Chiclete. O Servine não teve como desviar o golpe. Você apagou na hora. – Pelo jeito deveria ter sido algo mais cômico do que trágico, pela cara que a garota fazia. Parecia que ela queria rir. Mas eu realmente não me lembrava de ter invadido. Talvez fosse o medo por Chiclete, a adrenalina. Ou talvez Servine tivesse me batido na cabeça e eu tivesse perdido a memória. Bom, acho que não. Eu deveria ter agido por impulso, no calor do momento.

– Você não deveria ter feito isso. Mesmo que tivesse perdido poderia ter concorrido ao terceiro lugar – Clarice falou ajeitando o cabelo.

– Que terceiro lugar? Com que Pokémon ele iria competir? Acha que se Chiclete tivesse tomado aquele golpe teria condição de continuar batalhando? – Haila parecia querer esganar a discípula de Burgh.

– Mas ser desclassificado é uma mancha para a carreira de qualquer coordenador – empinou o nariz.

– Isso não importa – interrompi – se Chiclete está bem, então tudo bem. – Eu não estava animado com o Contest e nem queria realmente participar. Fiz apenas por meu parceiro e mesmo no final, quando ele estava ferido, parecia estar se divertindo. Então pouco importava se eu não tinha vencido, se eu não teria a fita ou se minha “carreira” como coordenador ficaria manchada.

– Você lutou muito bem – Haila me parabenizou – e sua apresentação foi ótima. Tenho certeza que você vencerá o próximo. – Eu queria dizer que não haveria próximo, mas se Chiclete quisesse, depois de tudo, eu também iria querer. – Aliás, é bom que você ganhe o próximo, não vou ficar arrastando um perdedor por Unova. – Haila estava sendo muito compreensiva, deveria ter imaginado que tinha algo errado. – Se não, vou te despachar para Castelia. Aposto que lá tem o tipo de gente no mesmo nível.

– O que você está insinuando? – Clarice tinha ficado realmente brava. – Que eu me recorde, você não estava com essa bola toda quando saiu do ginásio do meu mestre.

Haila fechou a cara. Mesmo com a vitória sobre Elesa, ainda não gostava de se lembrar da derrota para o líder inseto. – Eu não vou ficar aqui perdendo meu tempo com uma perdedora nata. – Bufou – Se quiser me encontrar – disse a mim – vou estar na unidade móvel, com o Chiclete – e saiu batendo a porta.

– Você não parece triste em ter perdido – Clarice falou de repente, quebrando o silêncio que havia preenchido o quarto desde a partida de Haila.

– E eu não estou.

– Como pode não estar? Você estava tão perto...

– Eu nunca achei que fosse realmente vencer. O meu progresso foi muito importante, mas a vitória realmente não importava – e não importava mesmo. Eu não estava ali pelo glamour, pelo dinheiro ou para honrar o nome da família.

– Então por que você não desiste? – Curvei as sobrancelhas surpreso diante de tal sugestão. – Se você não está interessado em vencer não deveria tomar o tempo de outras pessoas que trabalham duro para isso. – Pelo jeito ainda estava brava de ter sido derrotada por mim.

– Acho que não posso mais fazer isso – sorri. – Chiclete ficará muito triste se não puder mais dar suas piruetas em público. – Esse era o tal vínculo do qual Cheren falara quando deixei Aspertia. O caminho pelo qual eu deveria seguir. Espontaneamente meu sorriso se alargou ainda mais, eu seria eternamente grato por ele ter dito tais palavras.

Notas finais
N/T: Sinto que serei assassinada por esse final... Enfim, comentem, reclamem, tirem meu couro (e do Júlio também, já que ele aprova todas as besteiras que eu escrevo.) Beijokinhas e até!