Notas iniciais
Essa é minha primeira fic, então perdoem a falta de experiência com escrita ^^"

O dia estava bom, foi por isso que decidi ir ao parque aproveitar o resto dia por lá. No entanto, o sol ficou mais forte e muito quente para um passeio da tarde, por isso mudei de ideia e fui fazer o supermercado. Afinal de contas acabara de chegar das férias e a geladeira precisava de reposição com urgência! Voltaria a trabalhar logo na Segunda e precisaria começar a cozinhar de novo.

Até curto muito cozinhar, sempre levo minha marmita de almoço para o trabalho, mas é que a preguiça das férias ainda estava em mim, por isso acabei comendo delivery por dois dias seguidos. Se minha mãe sequer sonhasse que estava fazendo isso, seria levada de volta para casa antes mesmo que conseguisse terminar de soletrar “delivery”.

Estava, tecnicamente, vivendo sozinha por duas semanas, mas na prática eram apenas dois dias, já que entrara de férias e viajara para a Ilha Jeju assim que me mudara. Mas mereci essa viagem, e como! Trabalhei feito uma louca para conseguir o dinheiro e o luxo de quinze dias inteirinhos de férias. Levou um ano para que meu chefe reconhecesse meu trabalho e mais um para que conseguisse o convencer de me deixar tirar férias.

Não que eu me importasse em trabalhar duro, de jeito nenhum, na verdade gosto muito de me esforçar ao máximo e ficar algumas horinhas extras para ter certeza que dei o meu melhor. Talvez isso se deva a maneira como meus pais me criaram: pronta para ser a número um sempre. Aos dez anos, só tinha notas A+ e já falava fluentemente o coreano da minha mãe e o italiano do meu pai. Agora, com vinte e três, também falo inglês e estou aprendendo português para entender aquelas novelas tão engaçadas deles.

Nunca tive muitos amigos. Por ser multirracial, foi difícil me relacionar com as outras crianças completamente coreanas. As minhas diferenças físicas, embora sutis, sempre foram um empecilho para novas amizades e existe um certo preconceito aos “misturados”, se é que você me entende. Foi por isso que acabei focando nos estudos ao invés de me socializar, o que, de certa forma, foi positivo já que agora possuo meu próprio apartamento em um bairro próximo aos meus pais e um emprego bom em uma empresa de renome em Yeoido.

Estava saindo do supermercado quando meu telefone vibrou no meu bolso. Quem poderia ser? Minha mãe já havia me ligada de manhã. Estranho… Era uma mensagem de um desconhecido em um aplicativo esquisito que não me lembrava de ter baixado.

“Oi?”

“Oi?”

“Você consegue ver essa mensagem?”

“Sim, consigo, mas... QUEM É VOCÊ?”

“Finalmente conectado. Graças a Deus! Não é todo dia que você recebe uma mensagem de um estranho, não é mesmo? Encontrei esse celular na estação de metrô e não tem muita informação além de um endereço. Você se importa de checar para mim?”

“Sim, eu me importo muito. Por que você não simplesmente entrega aos policiais? Eles saberão o que fazer”.

“É que estou fora do país no momento... Sei que surpreendi você com esse pedido tão repentino, mas apreciaria muito a sua ajuda.”

Algo soava suspeito, então tentei recusar.

“Olha, sinto muito, mas estou ocupada no momento.”

“Por favor! Você é a única pista que tenho para encontrar o dono e eu realmente queria ajudar. É parte da minha religião fazer boas ações todos os dias.”

Tudo ainda parecia muito suspeito, mas decidi ajudar. Não tinha nada a perder além do tempo. Então, por que não?

“Ok, tudo bem, mas irei embora imediatamente se alguma coisa parecer errada.”

Ele me agradeceu e enviou o endereço. Surpreendentemente, o local era muito próximo de onde estava, não precisaria nem pegar um táxi, apenas caminhar algumas quadras para direita.

“Ok, estou aqui… e agora? Ninguém atende a campainha.”

“Tem uma senha na porta, né? Vou te enviar o código. Você pode tentar.”

“Não tenho certeza sobre isso. Parece muito errado invadir a casa de alguém assim.”

“Não se preocupe, é seguro. Se realmente não tiver ninguém em casa, você pode deixar um bilhete com as minhas informações.”

“Hmm... Ok. Pode dizer a senha.”

Coloquei as compras no chão, digitei o código e abri a porta. “Olá?”, não parecia ter ninguém em casa. Peguei o celular para avisar o desconhecido, mas algo muito estranho tinha acontecido com o aplicativo e ele tinha sumido.