Rostos no espelho

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Sem muita revisão ~corre~

Minha contribuição para o natal sem focar muito no natal q ~as always, and as always muito tarde qqq~

Espero que gostem :3

A garota loira estava olhando para Melissa com aquela íris pacífica. Nada seria o que se poderia chamar de sonho, nem mesmo um piscar de pálpebras, naqueles instantes infinitos que faziam seu estômago pesar.

Era mais como se não conseguisse dormir depois daquele encantamento avassalador e fixo. Ela tinha medo.

Entretanto, a menina, mesmo depois dos primeiros dias que apareceu, continuava naquele exercício de lhe causar desconforto, e Melissa, com o semblante contido o suficiente para não deixar evidente seu desespero, não desviou o olhar.

Os muitos vagalumes azuis, e ensolarados e poentes, circulavam por perto, naquela noite natalínica de causar arrepios, à medida em que era desencarnada, descoberta, desconectada de si mesma, para dar lugar àquela outra, tão mais descansada do que um dia poderia ter se mostrado a ela mesma ou a alguém.

Todos os parentes, depois, como Melissa, ficaram descobertos pela surpresa. Contudo, ela, no fim, escapou desse desentendimento, lhe bastou uma olhadela atenta.

Era que aqueles dentes supranumerários, que atravessavam a sua pele para a superfície, bem como os cabelos loiros, que descoloriam os seus mais escuros, eram todos, todos ela.

Melissa passou a apreciar o seu corpo novo, ainda que doesse olhar para o espelho e ver que aquela menina “de antes” tinha se tornado oculta aos olhos dos outros.

Pelo menos, para os que viam apenas materialmente, o que era uma parte generosa da população que conhecia e desconhecia de sua sociedade.

Entretanto, diferente de quando se separou de sua querida mãe ao nascimento, de seus irmãos mais velhos quando ganhou mais idade, de sua amiga quando divergiram tanto de opiniões que se negaram a manter contato, ela não estava mais solitária, porque agora tinha visto que aquela ela, histórica, e aquela ela, atual, estavam unidas naquele mesmo destino furado, que era o delas e de mais pessoas, assim como tantas outras elas que ainda iriam conhecer.

Então... aquele foi um bom natal, apesar de tudo. E nada mais a impediria de cortar as unhas ao anoitecer, temendo que elas não crescessem outra vez.

Notas finais
Dentes supranumerários: quando há um dente a mais do que se espera que tenha.

Até :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!