Roses and Demons: Hell's Flower
3 Depois da Tragédia
Notas iniciais
Não tenho condições de dar uma previsão de lançamento para os capítulos de Hell's Flower, visto que estou com muitos projetos no momento, mas me esforçarei para postar tão frequentemente quanto possível.
David Follet estava ficando velho e isto lhe desagradava profundamente, algo que se refletia em suas atitudes e forma de governar. Quando príncipe, ficou conhecido por sua bravura e generosidade, mas conforme os fios grisalhos iam surgindo, ele se tornava cada vez mais severo.
Fofocas contadas aos sussurros, fosse por servos do palácio, nobres, soldados ou até mesmo camponeses frequentemente mencionavam como justificativa sua coroação, onze anos antes. Muitos diziam que depois de se sentar ao trono ele deixou o poder subir à cabeça e cedeu à arrogância, tanto que se tornou alvo de uma tentativa de assassinato, dois anos depois. O homem que tentou lhe tirar a vida, Vincent Blacdow, descobriria pouco tempo depois o real motivo na mudança de David. Agora, contudo, o regente tinha tantos motivos para se preocupar que vivia exausto. O fracasso em impedir a derrubada dos pilares culminou em uma guerra com a vizinha Empericia. A batalha chegaria ao seu fim no dia seguinte, mas isto era que ele jamais saberia, pois quando estava prestes a apagar o lampião aceso em seu quarto e dormir, foi surpreendido por uma vez que já conhecia de algum lugar.–Você parece cansado, majestade. – Era uma voz fria que soou com puro desprezo. Follet virou imediatamente e reconheceu o invasor: um homem elegante, de longos cabelos azuis, trajando o uniforme da Ordem da Rosa Branca.–Você! Seu nome é... Vortex, certo? – Disse o monarca, perturbado. – Como entrou aqui? Deveras, era impossível que o visitante tivesse adentrado pela porta ou uma das janelas, pois se fosse esse o caso, David teria ouvido. Evidentemente, isto não representava impedimento algum para o controlador de portais, que sorria.–Pelo visto Vladmir não se deu ao trabalho de lhe explicar os poderes da Rosa Branca. Você realmente não passava de um peão nos planos dele o tempo todo, não é mesmo, majestade?–Saia daqui agora mesmo, antes que eu mande arrancarem sua cabeça! – Retrucou o rei, agravado. Vortex gargalhou diante daquela ameaça, diante da ingenuidade de David Follet, que pensava significar alguma coisa. Mas por mais divertida que a situação fosse, o tempo era precioso e o guerreiro da ordem tinha mais coisas a fazer.–Preste atenção, seu imbecil inútil. Eu vou dar um pouco de significado para a sua existência patética. A sua morte vai me ajudar a induzir as ações de Banemare na direção certa. Dito isto, ele conjurou sua espada katana, uma obra-prima forjada por uma família de artesãos vinda de outras terras, e se aproximou para desferir o golpe fatal. Um mês se passou desde então. “Meu nome é Agas Pyrath. Há pouco tempo atrás eu era apenas um pai de família preocupado em cuidar dos meus filhos e garantir que Yasmin e Olumor tivessem um bom futuro pela frente. Já havia perdido meu primogênito, Roger, embora mais tarde eu viria a descobrir que sua morte havia sido forjada para que se juntasse à Ordem da Rosa Branca. A deserção de Yasmin serviu apenas para aumentar minha tristeza. Há menos tempo ainda eu decidi retornar às formas armadas e liderar nossas tropas na resistência à invasão empericiana. Fiz isso com o desejo de proteger o último herdeiro que me restava, pois preferiria mil vezes morrer antes de ver algo ruim acontecendo a Olumor. Confesso que cheguei a pensar que tudo voltaria a entrar nos rumos quando reencontrei minha filha, soube da verdade sobre Roger – embora a morte de Kenoh tenha sido outro baque – e iniciamos conversas diplomáticas com nossos inimigos. Como fui um tolo em pensar isso! Menos de uma semana depois, Chesord se encontrava sob ataque de legiões demoníacas. Capital foi a primeira cidade a cair e logo o mesmo aconteceu com todo o norte. Eu uni forças com os guerreiros de Froz e Walters e conseguimos manter nossa posição no Forte Brokefront, que se tornou a linha de frente da nossa guerra contra Pravus. Infelizmente, nem mesmo posso dizer que recuperei os filhos que julguei perdidos. Roger simplesmente desapareceu sem deixar rastros e reluto em ter esperanças de que verei sequer Yasmin novamente. É triste, mas ela escolheu seu caminho, e eu ainda tenho um dever a cumprir.” Ao redor da mesa na sala de comando do Forte Brokefront estavam quatro pessoas. O coronel Froz era o mais alto de todos, loiro e de olhos verdes, com os cabelos curtos divididos ao meio e trajando uma armadura reluzente e arredondada. Havia também um emblema de grifo apoiado sobre as patas traseiras em seu peitoral e nas ombreiras, e uma capa branca completava sua indumentária. Capitão Lince Walters era o segundo oficial de Empericia presente e usava uma armadura semelhante à de Froz, mas sem a capa. Seus cabelos negros eram curtíssimos e seus olhos de um tom castanho escuro. Agas Pyrath presidia a reunião, usando ele também sua proteção de combate, que, ao contrário das demais, tinha um formato mais retangular e era adornada com linhas douradas que se espalhavam e enrolavam por toda a extensão. Ele tinha cabelos castanhos compridos, quase escuros, iguais aos de sua filha Yasmin, que mantinha amarrados perto das pontas, e olhos da mesma cor. O outro chesordiano era ninguém menos que Inferno, o próprio líder da Ordem da Rosa Branca, cujo verdadeiro nome era Fabius Illumire. Tinha cabelos negros apenas um pouco mais volumosos que os de Walters, levemente elevados na frente, e olhos escuros como o ébano. Trajava o tradicional uniforme da Rosa Branca e seus caules eram das cores preto e vermelho.
–Agradeço ter se juntado a nós, Inferno. Sei que você preferiria não deixar seus colegas, mas espero que entenda a necessidade de termos uma reunião estratégica para nos atualizar e definir os rumos que tomaremos. – Começou Agas.–Está tudo bem, a essa altura já não encontramos mais refugiados com tanta frequência. As bruxas sob o comando de Madame Papillon foram muito prestativas neste sentido, sem a ajuda delas não teríamos conseguido salvar tantas vidas. E pensar que todo este tempo estivemos caçando inocentes... – O guerreiro da ordem apertou os próprios punhos, corroído de remorsos.–Não se preocupe, Inferno. Tem minha palavra de que eles serão compensadas da melhor forma possível quando a batalha terminar. – Disse o general chesordiano.–Quando vocês se juntarão às nossas forças aqui em Brokefront? – Questionou Froz.–Com todo o respeito, coronel, não pretendemos fazer isso num futuro próximo. Enquanto houver a possibilidade de salvar vidas, a Ordem da Rosa Branca vai permanecer no esconderijo das bruxas. Obviamente, não queremos fugir da batalha, mas se for necessário enfrentar os demônios, preferimos agir por lá.–Talvez possamos aproveitar isso, de alguma maneira. – Argumentou Lince. – Eles podem ser poucos, mas uma força de elite como a Rosa Branca pode nos ajudar atacando posições estratégicas mais distantes do forte. Froz deu de ombros, claramente insatisfeito, mas ciente de que os demais comandantes das forças conjuntas não tomariam seu partido.–Não vejo Anya por aqui. Aconteceu alguma coisa? – Continuou Inferno, com uma expressão preocupada de quem já sabia a resposta de sua pergunta, e o quanto era desanimadora.–Ela e suas bruxas voltaram para Empericia. Anya decidiu que não quer mais arriscar as vidas de suas comandadas e, honestamente, acho que nenhum de nós pode culpá-la. – Explicou Agas.–Foi uma decisão lamentável, teremos que nos virar sem ela. – Concluiu Lince.–Pelo menos mantivemos o apoio de Fernand Astrock e outras duas manipuladoras que você provavelmente já deve ter enfrentado, de alguma forma ou outra. Seus nomes são Luna Watlear e Karin Annings. – Mencionou o Pyrath.–Sim. Pelo que soube de meus aliados, nossos antigos inimigos se tornaram muito poderosos com todos esses confrontos. Tenho certeza de que sua ajuda será inestimável.–Fernand ainda está bastante chateado por ter sido derrotado por William, contudo. Ele foi outra perda que nos fará grande falta, ainda mais porque a filha do general Pyrath e aquela bruxa assustadora partiram com ele. – Disse Walters.–No fim das contas vamos ter que resolver isso à moda antiga. Não precisamos de bruxas ou da arma experimental. – O comentário de Froz desagradou os outros comandantes, mas ele não se importou. – Nós somos soldados, é nossa honra e responsabilidade zelar pela proteção de nossos reinos, e resolveremos isso como soldados.–Então, qual o plano? – Perguntou o líder da ordem.–Sobreviver, por enquanto. Não temos condições de iniciar uma ofensiva ainda, portanto precisamos fortalecer nossas defesas. – Explicou Agas. – Não deve demorar para que Banemare tente nos esmagar e, se conseguirmos vencer essa batalha, talvez tenhamos uma chance de iniciar um contra-ataque.
Notas finais
Todos tiveram de encarar perdas desde o momento em que a batalha pelos pilares começou, mas é necessário seguir em frente.
Capítulo 234: Determinação Abalada
Em breve.
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