Notas iniciais
Finalmente estão chegando minhas férias e provavelmente não atualizarei Roses and Demons por três semanas (a partir do dia 18), mas farei o possível para ao menos publicar um capítulo na semana que vem e na subsequente.

Lince Walters sentia que um peso havia sido retirado de suas costas. Por mais que pudesse justificar ao rei que não imaginava que sua filha fosse uma bruxa, uma mentira em que Jack Secrett acreditaria, o jovem capitão ainda assim não deixava de se culpar pela captura de Erika. E isto não se devia somente ao fato de que ela era a princesa, mas também uma amiga querida.

-Em que está pensando, Lince? – Perguntou essa mesma amiga.

Já era tarde da noite e poucas pessoas estavam acordadas no acampamento, em sua maioria os responsáveis pela vigília. O militar estivera conversando com Erika, mas já haviam se passado alguns minutos de silêncio.

-Estou feliz que você tenha conseguido escapar, só isso. Não imagina a minha preocupação.

-Desculpe, eu prometo que tomarei mais cuidado de agora em diante.

O silêncio voltou a reinar, pois todos os assuntos estavam esgotados. Sabendo disso, o rapaz resolveu descansar um pouco. Contudo, ele se enganou ao pensar que a bruxa não tinha mais nada a dizer, pois tão logo quanto ele se levantou, foi detido por uma exclamação.

-Espere! Tem uma última pergunta que eu gostaria de te fazer, Lince.

-Vá em frente. – O capitão estranhou o leve tom de incerteza na voz da amiga.

-Não quero criticar o seu trabalho, mas por que você e a minha mestra estão seguindo um plano tão complicado? Além de tudo que já aconteceu, ela terá que passar mais três dias preparando um ritual sem sequer poder descansar!

Lince entendeu que Erika estava se esforçando para não ofendê-lo e, provavelmente, também estava cheia de ansiedade para dar o troco pelos maus bocados que teve de passar graças ao exército de Chesord.

-Sim, é verdade que já faz um tempo considerável que permanecemos na defensiva, mas isso é necessário. Depois do fracasso que foi o ataque liderado por Otrom, a menor falha pode arruinar as poucas chances que ainda temos.

-Mas dessa forma Chesord teve todo o tempo do mundo para concentrar suas forças! É um milagre que ainda não tenham expulsado vocês dessa montanha! – A bruxa se continha cada vez menos, expressando cada pensamento que vinha à mente.

-Esse tempo todo estive reforçando a segurança do corredor enquanto suas irmãs faziam a parte delas! Eu estaria preparado caso sofrêssemos um ataque, mas tivemos a sorte de o comandante inimigo arrumar outro problema para resolver. – Disse Walters, também exaltado.

-E você acha que vai vencer essa guerra assim?

-Sim, é exatamente isso o que acho. E logo você vai entender porque penso assim.

-É bom esse seu plano funcionar.

-Tem que funcionar, eu apostei demais nele para fracassar agora...

E assim três dias se passaram em relativa monotonia. Mas a despeito da falta de acontecimentos relevantes, o clima era de tensão tanto entre as tropas de Empericia, pois os soldados de Lince se preparavam para a batalha arriscada que viria em breve. Já aqueles sob o comando de Agas temiam o inimigo que causava preocupações até mesmo para a Ordem da Rosa Branca.

-Essa situação não pode se prorrogar, Ent. Quanto mais tempo demorarmos para deter William, maior será a vantagem que concederemos aos nossos inimigos. – Criticou o Pyrath.

-Eu sinto muito, comandante. – Respondeu Peter, envergonhado.

-Soube que o alvo foi localizado ontem. Afinal de contas, o que aconteceu?

-Ele fugiu novamente. Quando o enfrentei dias atrás consegui sentir o quão forte é o seu ódio pela ordem, mas isso não o cega a ponto de fazê-lo lutar até a morte.

-Imaginei que isso pudesse acontecer, e foi por esse motivo que dei a você a responsabilidade de localizá-lo.

-Comandante? – O controlador das plantas percebeu que Agas estava prestes a dizer algo importante.

-Não podemos aguardar para sempre e eu estive preparando os soldados já prevendo essa possibilidade. Amanhã partirei para o Corredor Uivante para expulsar de vez nossos inimigos de Chesord.

-Vamos deixar de lado a busca por William?

-Nada disso. Eu pretendo levar Electron e Sol comigo, mas você e os outros devem concentrar todos os esforços em localizar aquele menino. Eu o quero morto ou capturado, e conto com você para conseguir isso!

Em outras palavras, Agas estava colocando Ent como responsável pelo acampamento enquanto estivesse fora. Uma responsabilidade enorme dessas não era algo que o velho desejava, mas sentia-se lisonjeado pela confiança que era depositada em si. Ele não podia decepcionar o comandante, e faria de tudo para deter o manipulador do vento de uma vez por todas.

-Eu garanto que ele não vai escapar novamente. Vamos caçá-lo sem descanso.

Dez horas depois, já era tarde da noite. Impaciente e de braços cruzados, Lince Walters observava a encosta que descia em direção ao interior de Chesord. Ao seu lado estava Erika Secrett, com uma expressão de leve preocupação.

-Se ele não tem disciplina suficiente sequer para retornar no horário combinado, então certamente será um erro levá-lo ao campo de batalha. – Disse o capitão, irritado.

-Não seja tão rígido, pode ter acontecido algo que justifique esse atraso. Além disso, ele tem um potencial grande demais para ser ignorado. – Propôs Erika, tentando apaziguar a situação.

-Não importa o quão forte ele seja, se não é capaz de seguir ordens, então só vai nos atrapalhar.

Alguns vultos se destacavam em meio à escuridão na subida pedregosa. Walters logo percebeu que seis pessoas estavam vindo ao seu encontro.

-E essa agora?

Em pouco tempo ficou evidente que uma das pessoas era Elbio Lumarc, quem ele esperava, e juntamente com ele havia outro rosto conhecido: Fernand Astrock. As outras quatro garotas eram apenas vagamente familiares, mas eventualmente o capitão as reconheceu.

-É aquele cavaleiro que vimos na corte do rei! – Exclamou Karin.

-Mais respeito Karin, agora ele é o comandante deste pelotão do exército empericiano. – Mencionou Erika.

-É sério isso?! Mas o que aconteceu com o Otrom? Eu pensei que era ele o responsável por liderar a invasão! – Espantou-se Fernand.

Lince simplesmente baixou a cabeça e a balançou negativamente, deixando claro qual havia sido o destino do General Dragão.

-O rei não mentiu quando disse que a situação estava difícil... – Disse Yasmin.

-Bem, desculpe quebrar o clima de lamentação, mas eu só queria dizer que os encontrei pelo caminho e resolvi levá-los até você, capitão. – Justificou-se Elbio.

-Entendo, mas por que vocês estão aqui? Pensei que o plano era que vocês colaborassem com as bruxas para atacar diretamente a capital. – Questionou Lince.

-O plano é esse, mas para cumpri-lo viemos buscar algo muito importante. Tenho certeza que a mente astuta e cruel de William vai bolar num instante um plano para assassinar o tal Vladmir Banemare. – Respondeu Astrock, em tom de brincadeira.

-O único problema é que não sabemos ao certo onde começar a busca. Mas parece que o Elbio pode nos ajudar com isso. – Afirmou Luna.

-É verdade, eu senti uma concentração de energia suspeita enquanto verificava os arredores. Se não se importa, eu gostaria de ajudá-los a encontrar William.

-Então vieram procurar a arma experimental... – Disse o capitão, pensativo.

Notas finais
Lince Walters decide que está na hora de colocar seu plano em prática.

Capítulo 156: Findando a Trégua

Em breve.