Notas iniciais
Até que as mudanças no site ficaram legais.

De acordo com as orientações dos soldados, Karin encontraria Fernand ao redor da pilha de mantimentos chesordianos que as tropas de Walters não pretendiam levar consigo. Quando já estava bem perto, a garota ergueu uma proteção diante de si por puro instinto, bloqueando um martelo de ferreiro que certamente teria atingido seu rosto. Outros objetos de periculosidade variada eram arremessados ao redor, obrigando a manipuladora da luz a proceder com cuidado.

–Fernand, pare com isso! Vai machucar alguém!

Ao ouvir a voz da amiga, ele parou de remexer nos objetos descartados e desceu da pilha, que tinha cerca de dois metros e meio de altura.

–Além do mais, o que você está procurando? Você já conseguiu uma armadura nova para compensar aquela destruída pelo William!

–Eu estou procurando garrafas de suco de uva. Acho que estou viciado nas uvas de Chesord. – Justificou-se o soldado.

–O Capitão Walters levaria esse tipo de mantimento, não? Afinal de contas, nunca se sabe quando comida e bebida ficarão escassas.

–Você tem razão, eu vou falar com ele agora mesmo!

Fernand desatou a correr, mas perdeu o equilíbrio e quase caiu quando seu braço foi segurado com firmeza por Karin.

–Não vai mesmo. Já foi difícil encontrar você aqui, imagine se eu tiver que correr por todo o acampamento!

–O que você quer comigo, pirralha? Eu não posso desperdiçar essa chance!

–Yasmin mandou eu te avisar que William está acordado.

A expressão no rosto do manipulador da terra mudou num instante.

–O quê? Vamos até lá imediatamente!

–E o suco de uva? – Provocou Karin.

–Quem é que liga pra essa coisa estúpida, menina? Devia ter dito isso logo de uma vez ao invés de enrolar!

Os cinco manipuladores estavam genuinamente contentes de ter William Storde de volta, tanto que até mesmo Samantha mostrava-se um pouco – apenas um pouco – sorridente. O manipulador do vento, por sua vez, não estava nada satisfeito com os problemas que havia causado, refletindo isto com uma expressão de seriedade. Aos poucos soube dos detalhes importantes a respeito da guerra, escutando tudo com muita atenção e, por fim, deu sua opinião.

–Devemos voltar imediatamente para o esconderijo de Madame Papillon. A batalha entre os exércitos é importante, mas no fim das contas não garantirá que o principal objetivo seja cumprido.

–Então o que precisa ser feito? – Questionou Luna.

–Temos que descobrir o paradeiro de Vladmir Banemare e matá-lo. Além disso, eliminar o Rei Follet seria útil para garantir a vitória de Walters.

–Seria um prazer tirá-lo do jogo. – Disse Samantha, ainda ressentida pelo sofrimento que o rei impôs sobre as bruxas de Chesord.

–Eu acho que ainda tem um pouco daquela coisa que te enlouqueceu em você, William. Mal acordou e já quer matar alguém. – Criticou o manipulador da terra.

–Estou tentando definir um plano consistente para evitar mortes desnecessárias. Como não conhecemos os poderes de Banemare, é muito mais seguro tirar sua vida do que tentar capturá-lo.

Ninguém tinha objeções à estratégia de Storde. Embora não fosse exatamente sutil na hora de definir as ações necessárias, ele nunca deixava de ir direto ao ponto, escolhendo a rota com maior probabilidade de sucesso.

–Temos uma pequena complicação. O cajado de Karin se espatifou enquanto lutávamos contra você. Conseguimos recolher os pedaços, mas não servirão para muito nesse estado. – Apontou a Pyrath.

–Realmente, será perigoso se ela entrar em combate sem controlar direito seus poderes. – Argumentou a manipuladora da água.

–Será que a Madame Papillon não consegue consertar? Eu não quero prejudicar o plano desperdiçando tempo apenas por minha causa.

–Difícil dizer. Não creio que ela seja capaz de reparar o cajado em si, mas replicar sua magia talvez. O problema é que ele foi feito com materiais especiais, então não podemos simplesmente pedir pra ela encantar um pedaço de pau. – Explicou a bruxa do grupo.

–Tem um homem que conhecemos em Chesord que talvez possa ajudar. Podemos fazer um pequeno desvio de caminho e visitá-lo. O que você acha, William? – Propôs Fernand.

–Acho que temos um plano, partimos pelo amanhã. Agora digam onde posso encontrar Lince Walters. Eu tenho assuntos a tratar com ele.

O capitão não sabia exatamente como deveria agir diante do manipulador do vento. Imaginou que ele se ressentia dos integrantes do exército devido ao seu passado – e de certa forma presente – como arma experimental, portanto seria sábio escolher as palavras com cuidado. Afinal de contas, naquela situação a última coisa que ele desejava era ganhar mais inimigos.

–Você parece... hã... saudável?

William não esboçou nenhuma reação e Walters coçou a cabeça, ainda mais confuso.

–Bem, por que não vamos direto ao ponto?

–Eu soube o que está acontecendo. Devo dizer que você realmente é um líder excepcional se conseguiu compensar a burrada que Otrom fez. O rei devia estar bêbado quanto o nomeou como general.

–Ora... obrigado. – Ele definitivamente não estava esperando por um elogio.

–Escute, eu pretendo colocar em ação um plano para eliminar os líderes de Chesord assim que retornarmos à segurança do esconderijo das bruxas. Se você conseguir segurar as pontas até lá talvez possa voltar para casa sem ter que arrasar o reino inteiro.

–Conto com você então. Enviarei uma mensagem ao rei em breve e, se tudo der certo, receberemos reforços. Mas não pretendo promover uma campanha muito agressiva, acredito que é melhor eliminar o problema pela raiz.

Lince agora sentia contentamento em ter aquele manipulador como aliado. Mais do que uma arma, ele tinha uma astúcia que, pelas suspeitas do capitão, poderia realmente colocar o confronto a favor de Empericia.

–Uma última coisa. Se você vai mandar um recado para Jack Secrett, peça para que eles mandem o resto das roupas e as botas que eu estava usando para o esconderijo das bruxas.

–Gosta tanto assim de vestir preto, Storde?

–Idiota, não são meras peças de vestuário. São mais resistentes que aquele colete roxo chamativo que o exército me deu.

–Tudo bem, mencionarei isso na mensagem.

Satisfeito, William retornou para a companhia de seus amigos. Lince também retornou sua atenção a seus próprios problemas, cada um certo de que não tinha muita escolha senão confiar na capacidade do outro.

–Falta um pouco de educação a ele, mas da forma que você o descreveu eu pensei que a arma experimental seria alguém bem mais pirado.

Erika, que havia escutado toda a conversa de um lugar próximo, levantou-se e foi até perto de seu amigo de infância.

–Não chame ele assim, agora ele é um aliado importante.

–E podemos confiar nele? Até alguns dias atrás ele quase matou aqueles manipuladores.

–Não podemos nos dar ao luxo de escolher quem vai nos ajudar neste momento. Além disso, não se esqueça que ele foi uma figura muito importante na derrubada dos pilares. Enquanto estiver do nosso lado, tenho certeza de que será um aliado valioso.

Naquela mesma noite, em Capital, uma garota de cabelos curtos e escuros corria pelas ruas. Era tarde e não havia quase ninguém fora de casa, por isso ela sabia que os passos metálicos atrás de si eram dos guardas que a perseguiam. Exausta e ferida, seria impossível continuar correndo por muito tempo. O sangue que escorria pelo seu rosto embaçava a visão e manchava as roupas de governanta que vestia.

–Ela veio por aqui, não pode estar muito longe.

As vozes estavam mais perto e ela começou a entrar em desespero. Pensava apenas em como queria ver de novo suas irmãs, em como queria ver se Elbio seria capaz de cumprir a promessa feita a Rina. Kate precisava encontrar uma forma de sobreviver àquela perseguição, ou teria o mesmo destino que Milla.

Notas finais
Diante da situação atual da guerra, Elbio Lumarc não sabe o que caminho deve seguir. Capítulo 169: Decida-se, Elbio! Em breve.