Roses And Demons: Warbloom

121 O Mesmo Sentimento


Notas iniciais
Continuando a série, eis dez coisas que Electron jamais diria: - Aí, paz e amor, bicho. - Nnnnnnnnngh... Ê, preguiça... - Ai ai... Aurora, você é uma gracinha, sabia? Adoro você. - Ih, quebrou, é? Ah, relaxa, cara. Eu não conto pra ninguém. Boquinha de siri, falou? - Cara, como eu invejo a Scythe. Vive sozinha, no meio da floresta, sem ninguém pra encher o saco, só com uns bichinhos tranquilos... Só na paz. - Reunião da ordem? Ai, que saco... Não tem como deixar isso pra outro dia? - Meu pai? Tremendo imprestável. Não me ensinou nada de interessante. - Quer saber? Chega de luta, né, Lince? Vamos parar com isso e fazer as pazes. Toca aqui. *Dá um aperto de mão com Lince e lhe dá um tremendo choque* HAHAHAHAHAHA! TROOOOOUUUUXAAAAA!!! - Viper foi pra taverna? Ah, por que ela não me chamou?! Eu queria ir também! - *Jogando truco* Haha! ZAP!

Havia algo no ar impossível de ser visto, mas que Samantha Datch sentia em cada fibra de sua pele. Um poder sombrio que conseguia identificar com muito mais clareza do que na última vez em que o havia experimentado. Tal força desgastava lentamente a energia vital de todos ao redor de Scythe, levando-os à morte, mas algo parecia diferente. A bruxa não precisou pensar muito para chegar à assustadora conclusão: se era capaz de sentir com tanta intensidade, a ponto de parecer que a aura sinistra chegava até seus ossos, só poderia haver uma explicação.

–“Essa maldita! Está usando muito mais poder do que quando lutamos em Sinelth. Desse jeito não vou conseguir durar nem dez minutos lutando!”

O que a manipuladora das trevas não sabia era que Sabrina Grimheart também sofria com os efeitos colaterais dessa técnica terrível.

–“Já estou sentindo minhas forças se esvaindo. É a primeira vez que uso tanta potência numa batalha. Não sei o que pode acontecer, mas preciso correr esse risco.” – A garota de cabelos cinzentos então dirigiu um olhar de preocupação ao seu amigo caído. – “Aguente firme e não morra, Sol, eu prometo que acabarei com isso rapidamente!”

A controladora da morte envolveu sua foice com uma aura negra e então a arremessou girando. – “Preciso forçá-la a usar o máximo de energia elemental.” – Sua inimiga precisou apenas dar um passo para o lado para evitar aquele ataque, mas sua intuição afiada a fez virar o rosto para trás e descobrir que a verdadeira intenção era atingi-la com dardos negros que saltaram da lâmina em direção às suas costas.

–Olhe para a frente, bruxa!

Scythe disparou uma saraivada de ossos afiados, efetivamente minimizando as possibilidades de esquiva com as duas ofensivas vindas de lados opostos. Samantha não desejava fazer isso, mas não tinha outra escolha: criou duas garras enormes de energia negra, iguais à que havia usado para atacar a adversária anteriormente, e com elas bloqueou os disparos.

–“Controlar força elemental vai acabar com minhas forças muito mais rápido do que se eu usar apenas técnicas físicas. Essa desgraçada vai tentar me forçar a recorrer ao poder das trevas o tempo todo.”

Sabrina pretendia mesmo esgotar as energias da rival o mais rápido possível e, para isso, invocou sua foice de volta para a mão esquerda e arrancou do solo outra com o mesmo formato, mas feita de osso, para então avançar brandindo-as perigosamente.

A bruxa evitou o corte duplo inicial e então as duas se engalfinharam numa troca de golpes, em que a guerreira da ordem tentava evitar que se aproximassem demais para aproveitar ao máximo a vantagem que o alcance de suas armas lhe concedia. Contudo, a primeira ainda era inegavelmente superior neste tipo de combate e estava aos poucos levando a melhor, o que obrigou Grimheart a afastá-la vários passos ao desferir um golpe cruzado que rasgou até mesmo o solo com lâminas de trevas.

–“Vamos ver se a ideia que tive observando as manipulações dela é boa.” – Pensou a controladora da morte ao cravar o cabo de sua foice de osso no solo. Ao puxá-lo de volta, ele estava conectado a um pequeno anel e este a outro sucessivamente, igual a uma corrente.

–Não fuja, bruxa!

Ela lançou sua foice para o lado, arrancando mais elos do solo, e então puxou a corrente óssea, fazendo com que a lâmina seguisse em trajetória circular na direção de Samantha. Esta usou o mínimo necessário de seu poder para conseguir um bom impulso e saltar, mas somente quando já estava no ar percebeu que aquela arma improvisada também tinha sido impregnada com poder elemental. Ao ser liberado, tal poder se manifestou na forma de dardos de trevas, obrigando a garota de cabelos negros a se defender com uma de suas próprias manipulações ofensivas.

–“Isso, use mais a sua energia!” – Sem largar a corrente, Sabrina se abaixou para que ela passasse sobre sua cabeça e disparou quatro lanças de osso na intenção de manter sua adversária ocupada. Após destruí-las com suas garras, a bruxa notou que a foice estava prestes a completar a volta e que desta vez não teria tempo suficiente para saltar sobre ela. Num misto de instinto e raiva, Datch envolveu a arma presa a seu punho com a força de seu elemento e destroçou a lâmina óssea com um poderoso golpe.

–D-Droga...!

A manipuladora das trevas caiu de joelhos, respirando ruidosamente e com dificuldade. Para a sua sorte, Scythe não pôde aproveitar imediatamente aquele momento de vulnerabilidade, pois também arfava devido ao desgaste que sofria. Ainda assim, ela buscou forças e lançou uma rajada cortante, forçando Samantha a se erguer rapidamente para o lado.

Não foi possível para a garota de cabelos negros evitar um ferimento, ainda que pouco mais que superficial na perna, e isso a fez perder o equilíbrio novamente. No momento em que se ergueu, seus membros já estavam sendo enrolados por correntes iguais à que Grimheart havia criado anteriormente. Elas apertavam seus braços, pernas e o pescoço, restringindo os movimentos.

–“São resistentes demais... não consigo quebrar...”

Com a inimiga imobilizada, Sabrina avançou para desferir um golpe com sua foice, mas antes de alcançá-la suas correntes foram trucidadas por deixes negros que rapidamente se esntederam a contiveram. Agora era a controladora da morte quem se via imobilizada enquanto a bruxa estendia o braço direito para cravar suas garras.

Sem se deixar assustar, Scythe elevou do chão uma massa ósseo no formato de um punho, atingindo a manipuladora das trevas, que cambaleou, errando o corte por centímetros e deixando que suas amarras de escuridão afrouxassem. A guerreira da ordem não perdeu a deixa e girou sua foice.

Um grito de Samantha escapou enquanto sangue respingava no uniforme da Rosa Branca e no chão. Mesmo tentando esquivar com um pulo, ainda assim havia sido atingida e agora se contorcia no chão, gemendo.

–“Não deveria tê-la subestimado, lutando sozinha consigo entender como Scythe é poderosa. Mas isso não fica assim...!” – A discípula de Anya tentava se colocar em pé, mas não era capaz. – “Eu preciso vingar os três séculos de perseguição que as bruxa sofreram! Preciso fazer com que o exército, a Rosa Branca e até o rei sintam na pele o meu ódio! Por que não consigo me levantar?!”

Uma lágrima escorreu pelo rosto daquela garota, mas a controladora da morte não notou. Ela se aproximou devagar, pronta para desferir o golpe final.

–Quando me atacou pelas costas pude perceber que não estava tentando me matar. Imagino que você me quisesse viva por algum motivo, então vou demonstrar a mesma generosidade agora. – Não houve resposta, então ela prosseguiu. – O corte não foi muito fundo, você vai sobreviver. Mas agora terei que colocá-la para dormir.

–“É isso? Eu vou ser mesmo derrotada aqui?”

Palavras ditas pelo manipulador do vento vieram de súbito à mente de Samantha.

“Pelo menos eu posso contar com você.”

Sabrina estava prestes a usar o cabo de sua foice para atingir a cabeça da oponente e nocauteá-la, mas antes que tivesse a oportunidade se afastou rapidamente, erguendo uma proteção de ossos, ao notar que ela se erguia gritando. – NÃO!!! – Com um golpe a barreira foi destruída e a garota de cabelos cinzentos percebeu que havia algo com uma textura claramente sólida nas garras, escuro e parecido com cristal, mas aquilo logo se desfez.

–“Eu fui me lembrar disso justo agora...” – De cabeça baixa, a bruxa respirava devagar. – “William não passa de um egoísta e Fernand é um imbecil. Por que estou sentindo um aperto no coração por pensar que eles ficariam decepcionados se eu fosse vencida assim?”

Nisto, uma lembrança da batalha travada em Capital veio à tona. Em sua mente ela podia ver William, correndo pelo pilar e se lançando diante de um ataque de Inferno para protegê-la. Samantha não queria aceitar, mas desconfiava que talvez seus laços de companheirismo tivessem se fortalecido aos poucos, tornando-se talvez mais relevantes que a amargura que sentia pelo destino infeliz das bruxas.

–“Será que esse é o mesmo sentimento que motiva Scythe? E justo depois de eu ter chamado ela de tola. Mas que se dane, o que importa é que eu absolutamente não quero perder essa luta!”

A controladora da morte hesitava, sentindo um frio intenso que parecia emanar do corpo da manipuladora das trevas. Só podia estar alucinando, mas tinha a impressão de que alguns cristais de gelo estavam se formando ao redor. Diferente dos de Aurora, aqueles eram escuros como breu.

Notas finais
Graças ao poder da aura de Scythe, ela e Samantha não conseguirão se manter em pé por muito tempo. A luta pode ser definida num instante. Capítulo 222: Gelo e Morte Em breve.