Roses And Demons: Warbloom
94 Meu Nome
Notas iniciais
Verdade seja dita, eu gostaria de ter colocado referências à história de Jenipher mais cedo, mas enfim, antes tarde do que nunca, certo?
Os Onze Contos de Utopia são uma coletânea de milhares de anos cujos escritos originais se perderam com o tempo. Não existe evidência de que sejam histórias verídicas, mas pessoas de fé, principalmente aquelas que adoram o deus Adriel, afirmam que sim. Apesar disso, não são todos os contos que envolvem o deus da justiça, mas a crença é de que foi ele que inspirou antigos sacerdotes a perpetuar casos em que os deuses guiaram mortais em Realia, a fim de servir como exemplo de sabedoria.
Um deles envolve um homem que muitos diziam ter sido possuído por um anjo, enquanto outros acreditavam que se tratava de alguém abençoado pelo próprio Nobile. A despeito da origem de suas visões, as palavras que ele profetizava sempre se tornavam verdade. Já em sua velhice, tornou-se uma pessoa famosa e muitos o procuravam para saber a respeito do futuro, mas a maioria voltava sem as respostas que desejavam. Isto porque o homem revelava o que estava por vir apenas para as pessoas que precisavam saber. Assim, uma ladra chamada Jenipher, que nunca havia demonstrado muito interesse pelo caminho religioso, certo dia recebeu uma visita do vidente. O contato foi breve, mas ela não pôde deixar de reconhecer uma pessoa tão importante e foi acometida de uma enorme preocupação quando o ouviu dizer que seria morta pela primeira pessoa que havia roubado. Se o aviso viesse de qualquer outra pessoa certamente seria ignorado, mas não havia viva alma que duvidasse das palavras do homem. Assim, como uma medida de garantia, a ladra resolveu visitar sua cidade natal, onde vivia um nobre, o primeiro indivíduo de quem ela havia tomado algo: um saco de moedas de ouro para ter comida e abrigo depois de fugir de casa. Não foi difícil encontrá-lo, pois ainda morava na mesma mansão. Na época em que o furto ocorreu ainda se tratava de um jovem, mas agora era um homem influente na administração no local. Jenipher o seguiu silenciosamente durante um dia inteiro, esperando uma boa oportunidade para eliminá-lo sem ser identificada. Eventualmente a perseguição a levou até o bairro pobre, local em que havia crescido e de que ainda se lembrava bem. Não seria difícil abater o infeliz e depois escapar por entre as ruelas ladeadas de barracos. Porém, a curiosidade a fez esperar, afinal aquele era um lugar sempre evitado pelos mais abastados. Não podia deixar de se perguntar o que ele pretendia fazer lá. A resposta não tardou a surgir: a vítima estava supervisionando e financiando uma reforma generalizada da comunidade para dar a seus habitantes condições de vida digna. Diante disso, a consciência de Jenipher veio à tona e ela não conseguiu matá-lo. Naquela noite, o nobre recebeu uma visita inesperada. Após ser recebida, a ladra explicou que há muitos anos roubara seu dinheiro e que estava lá para devolvê-lo juntamente com um pedido de desculpas. Contente com a honestidade, o homem a convidou para jantar e quando se sentou à mesa, Jenipher teve a maior surpresa do dia: descobriu que a esposa do anfitrião era ninguém menos que sua irmã mais velha. Naquela momento lembrou que havia mais algo que precisava devolver. Uma pequena boneca de pano que sua irmã adorava e que ela tomou para si por inveja e egoísmo. Um objeto que há muitos anos carregava como um talismã de boa sorte. No fim, mesmo sem comentar com ninguém a respeito das intenções que a levaram até aquela cidade, Jenipher teve a clareza de que se tivesse mesmo cometido o assassinato, verdadeiramente seria morta pela primeira pessoa que havia roubado. O tridente atravessou o corpo de Spectra e caiu no chão alguns centímetros atrás. No mesmo momento em que Chaneel a atacou, a fantasma da ordem revidou com um chute em seus braços. Ao ser atingida, a primeira largou sua arma, que já estava próxima demais para evitar algum ferimento. As lâminas penetraram a carne da manipuladora, mas antes que perfurassem algum órgão, ela recuperou o controle de seus poderes. O primeiro pensamento de Jenipher foi de alcançar o objeto mágico, mas a névoa se espalhou num instante ao redor e apalpar o chão mostrou-se inútil, já não estava mais lá. Então os ataques vieram de várias direções, impossíveis de discernir. A bruxa reagiu, determinada a resistir até o fim, mas seus braços apenas atravessavam inutilmente a densa cerração. Por fim, ela sucumbiu à agressão incessante e caiu. Pensou que continuaria a ser ferida, mas isso não aconteceu e por quase um minuto inteiro apenas contemplou o mar branco ao seu redor. Aos poucos a névoa foi se dissipando e Jenipher enxergou seu tridente cravado no chão a dez metros de distância e Spectra em pé, sangue escorrendo de seu abdômen, mas com uma expressão firme.–Então esse é o fim? – Disse a discípula de Anya em tom baixo, já conformada com a derrota. Na premonição que a assombrava desde jovem, sua morte era terrível, e nunca havia esquecido a visão do próprio corpo destroçado e tingido de sangue. Mesmo que não quisesse morrer, se fosse ali e agora, ao menos tinha certeza de que sua inimiga não seria tão cruel. De certa forma, poderia considerar uma vitória sobre seu destino.–Sim, a luta acabou. Mas você não me matou da outra vez, então eu também vou deixá-la viva. Considere-nos quites.–Obrigado, Spectra... – Jenipher agradecia por mais do que poupá-la.
Camilla começou a caminhar de volta para onde a batalha ainda rugia, mas ao passar pela oponente caída, parou por um momento.–É mesmo, eu nunca perguntei como você se chama.–O meu nome é Jen... – A bruxa começou, mas parou subitamente. Ellure viu uma sombra de dúvida no rosto dela, imaginando que razão teria para esconder isso a tal altura. – Não, para você eu direi o meu verdadeiro nome. Eu sou Esther.–Seu verdadeiro nome...?–Sim, você me convenceu a parar de me esconder atrás de um nome que não é meu. Spectra não entendia muito bem, mas deixou escapar um pequeno sorriso antes de voltar a olhar para frente. Contudo, começava a se dar conta da gravidade de sua ferida. Estava perdendo bastante sangue e dificilmente teria condições de aguentar a luta por muito tempo. Por mais que lhe desagradasse, estava na hora de voltar para o forte. Enfrentar sozinho duas bruxas não era fácil, mas com a ajuda de soldados chesordianos, Electron as derrotou. Em seguida liderou seus compatriotas para um ponto da batalha em que os inimigos levavam vantagem. Em meio à troca de golpes, ele encontrou alguém familiar, um homem que já havia combatido antes.–Eu reconheceria esse capacete e essa cara de pateta em qualquer lugar. – Disse o manipulador do relâmpago.–E é difícil não lembrar de alguém que pensa que tudo que precisa para entrar numa guerra é de roupas para se ir à igreja e uma lança retornável, certo, seu trapaceiro? – Retrucou Lince Walters. Não havia espaço lá para que pudessem dar vazão ao desejo de se confrontar e suas responsabilidades como figuras de autoridade exigiam que prestassem auxílio a seus inferiores. Mesmo assim, não perdiam um ao outro de vista. Ainda assim, logo se tornou claro que a batalha entre os dois era inevitável, pois suas habilidades superiores faziam com que outros inimigos receassem atacá-los. Frente a frente, com seus subordinados gritando e sofrendo ao redor, os dois avançavam com responsabilidades enormes nos ombros.–Você pagará pelos companheiros que perdi hoje! – Acusou Leonard.–E você pensa que eu gosto de sacrificar os meus?! A espada e a lança retiniram ao se chocar.
Notas finais
O que mais posso dizer? É Electron VS Lince.
Capítulo 195: Soldado para Soldado
Em breve.
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