Roses And Demons: Warbloom

53 Eu Conheço Este Homem


Notas iniciais
Este capítulo pode parecer um tanto corrido, mas minha intenção é não me demorar demais nesta parte e manter o ritmo de tensão dos capítulos anteriores.

Um ponto se movimentava no céu, impossível de discernir para alguém que observasse do solo. Porém, sua velocidade dava margem a uma única certeza: não se tratava de um pássaro. Em outros tempos certamente seria facilmente ignorado por quem o enxergasse, mas todos os camponeses que, por um acaso, viram tal ponto sentiram desagrado e temor, imaginando se poderiam ser forças demoníacas em ação.

Em determinado momento, o ponto se tornou dois. O original deteve-se de súbito no ar, enquanto o segundo descia em linha reta. Logo aquele primeiro foi de encontro ao outro e, novamente como um, continuaram a descer numa velocidade menor.

No chão, Erika se soltou dos braços de Elbio e caiu no chão de forma desajeitada. Rapidamente se levantou, recolheu o saco que derrubou e bateu a sujeira de suas roupas para então apontar o indicador contra a face do bruxo.

-Seu louco, está tentando me matar?

Lumarc apoiava as mãos nos joelhos enquanto respirava, limpando o suor de sua testa no momento seguinte. Em suas costas reluziam asas que pareciam ser feitas de pura energia prateada, mas elas logo se desfizeram numa pequena chuva de penas brilhantes que sumiram antes mesmo de tocar o chão.

-Eu avisei que não conseguia mais te segurar! Além disso, a ideia de viajar dessa forma para ganhar tempo foi sua! – Defendeu-se o rapaz.

-Enfim, já é passado do meio-dia, vamos comer alguma coisa antes de prosseguir o caminho.

-Acho melhor continuar a pé daqui, creio que já estamos na região do confronto. Seria muito desagradável se fôssemos avistados pelos inimigos e ataca-

Elbio virou o corpo para trás e permaneceu olhando fixamente para o sul. Seu olhar mudara, demonstrando traços de seriedade.

-O que foi? – Perguntou a garota.

-Eu consigo sentir traços de energia mágica por aqui. São apenas resquícios, mas talvez valha a pena investigar.

-É possível que minhas irmãs tenham passado por este lugar.

-Se for o caso elas devem estar por perto, já que consigo sentir a fonte dessa energia.

-Vamos encontrá-las! – Decidiu Erika.

-Certo, então me siga.

Depois de algum tempo caminhando, a dupla encontrou uma situação inusitada. Árvores destruídas e vegetação queimada, mas de uma forma que certamente não podia ser resultado de um fenômeno natural.

-Eu tenho uma má impressão a respeito disso. – Comentou Elbio.

-A luta foi violenta... – Disse a princesa empericiana, preocupada.

-Vamos em frente, não é daqui que emana a energia.

Cerca de meia hora depois, a busca teve resultado. Os usuários de magia localizaram, no final de uma trilha de destruição, uma pequena bruxa caída, repleta de ferimentos.

-Não pode ser! – Exclamou Erika.

-Você conhece essa garota?

-Sim, é a Gabrielle D’Illusie!

Pouco tempo depois, a jovem de cabelos escuros devorava um pedaço de pão sem sequer se importar em limpar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Erika se esforçava para não chorar também, acariciando a cabeça da amiga. Elbio comia em silêncio, respeitando a tristeza das bruxas.

-Eles não me mataram, Gabrielle, então é provável que nossas irmãs ainda estejam vivas. Nós vamos salvá-las, eu prometo. – Disse a loira, tentando confortar a irmã de Gabriel.

-S-Sim. – Respondeu ela, soluçando.

-Você disse que foi nocauteada por um homem que controlava relâmpagos negros, certo? – Perguntou Elbio.

-Sim, foi isso mesmo. Você o conhece?

-Creio que não, mas tenho um mau pressentimento a respeito disso.

-Seja como for, vamos comer logo e colocar o pé na estrada. Quanto mais rápido retornarmos para junto da Mestra Anya e do Capitão Lince, melhor. – Apontou Erika.

-Tudo bem, mas agora definitivamente vamos a pé. Não tem como eu conseguir carregar vocês duas!

Já era noite quando o trio alcançou o acampamento do Capitão Walters. Ele e a líder das bruxas ficaram muito felizes com o retorno da filha do rei, mas ao mesmo tempo lamentaram a perda de quase todo o grupo de Gabrielle. Devido a isso, Anya fez questão de deixar claro para a garota que não era culpa dela. Além disso, como o time de Jenipher teve sucesso, o plano prosseguiria conforme o combinado.

Outro motivo de alegria era a presença de Elbio, cujos poderes surpreendiam até mesmo a própria Anya, que desconhecia a existência do Ritual das Almas Unificadas. Lince deixou claro para o recém-chegado que o caminho que ele pretendia seguir seria cheio de dificuldades e perigos, mas recebeu como resposta um sorriso e palavras de um homem determinado: “Eu preciso proteger o sonho de uma pessoa muito querida para mim”.

Contudo, o maior espanto do dia veio depois, tão surpreendente que o Capitão Walters arregalou os olhos. No momento em que Gabrielle descreveu quem havia lhe causado tantos ferimentos num instante, o militar gritou.

-Eu conheço este homem!

-É mesmo? Quem é ele, Lince? – Perguntou Erika, preocupada com a reação súbita.

-William Storde, a arma experimental! Mas me disseram que ele tinha sido morto durante a batalha na capital de Chesord!

-Ele foi morto naquela batalha! Eu vi o corpo dele! – Exclamou Elbio.

-Mas não tem erro. A aparência, os poderes, a forma de agir, o homem que atacou Gabrielle é definitivamente William, mas que diabos ele está fazendo aqui?

-Eu não sei, mas se essa pessoa é realmente tão perigosa, talvez seja melhor informar o rei. – Sugeriu Anya.

-Farei isso. Enviarei uma mensagem imediatamente para ele. – Disse Lince.

Começo da tarde do dia seguinte. No pátio do castelo do Rei Follet, dois homens trocavam golpes de espada, ambos vestindo o uniforme da Rosa Branca. Um deles preciso e veloz, Vortex, o outro forte e agressivo, Inferno. Em dado momento, eles cessaram o treinamento, dirigindo-se a uma pequena mesa onde haviam deixado uma jarra de água e dois copos.

-Por sinal, como vai a sua perna, Vortex? Eu sei bem como é demorado se recuperar de uma fratura.

-Não se preocupe, graças à magia dos sábios eu já estou quase totalmente recuperado. Mais alguns dias e poderei lutar como se nada houvesse acontecido.

-Assim espero, pois recebi um pássaro arcano com uma mensagem perturbadora hoje pela manhã. – Comentou o líder da ordem, evidenciando a importância do assunto com seu olhar.

-O que houve?

-É aquele rapaz que nos causou tantos problemas enquanto tentávamos proteger os pilares. Ele ainda está vivo, e parece que guarda muito rancor.

Enquanto isso, no esconderijo de Madame Papillon, Fernand e Yasmin eram os únicos que não haviam terminado a refeição. A ex-capitã tentava comer em silêncio, mas o soldado da terra fazia comentários de tempos em tempos.

-Não tem comparação, esse suco de uva chesordiana é o melhor! – Disse ele.

-Qual a diferença entre a uva daqui e a de Empericia? – Perguntou a Pyrath, desinteressada.

-Eu sei lá, mas esse suco é muito bom!

A conversa foi interrompida pela chegada de Samantha, que estava com uma expressão preocupante até mesmo para seus padrões. Só de olhar para a bruxa, Fernand já estava assustado, temendo ser responsável por algo que a desagradou.

-Madame Papillon recebeu uma mensagem do rei de Empericia. – Disse a manipuladora das trevas.

-Ah, é só isso? Garota, você quase me fez ter uma parada cardíaca aqui! – Reclamou Fernand.

-É a respeito do William. Ele está vivo, mas fora de controle. Foi visto atacando a Ordem da Rosa Branca nas proximidades da fronteira.

-O que foi que você disse?! – Responderam os outros dois em uníssono.

Notas finais
Surge um novo objetivo para os cinco manipuladores. É hora de voltar à ação.

Capítulo 154: Caos e Incerteza

Em breve.