Roses And Demons: Warbloom
96 Equilibrados
Notas iniciais
Neste capítulo: o verdadeiro nome da Aurora.
Dias antes, às duas da manhã, uma figura solitária observava o vale diante da face sul do Forte Brokefront, apoiada sobre a mureta que contornava as partes superiores da fortificação. Sob a luz da lua era possível discernir o uniforme da Rosa Branca e seus cabelos dourados, cuja tonalidade parecia se aproximar do branco na fraca iluminação. O rosto do rapaz, contudo era encoberto pela penumbra.
Outro membro da ordem, um pouco mais baixo, alcançou o ar puro e frio da madrugada, vindo de dentro do forte. Seus longos cabelos em trança eram verdadeiramente alvos, mas Electron não notou que havia mais alguém no topo das muralhas antes de ouvir a voz feminina.–Spec-! Não, você é... Electron? Ele se virou para observar Aurora, que não se havia se recuperado completamente da surpresa. A princípio não conseguiu pensar em um bom motivo para que ela estivesse procurando Camilla Ellure tão tarde da noite, mas rapidamente se deu conta que não havia visto a controladora da névoa durante toda a tarde ou mesmo no jantar.–Desculpe Electron, eu pensei que você estava dormindo.–Eu preferi pegar um turno na vigília, então ficarei por aqui pelo menos mais umas duas horas. – Respondeu Leonard, virando novamente o seu rosto na direção de onde certamente viriam os inimigos quando uma nova batalha estivesse para começar.–Mas você já fez isso na noite passada. – A garota resolveu deixar de lado por um momento a busca pela amiga desaparecida e se aproximou. – Electron, você está bem?–É claro que estou, não precisa se preocupar comigo. Aliás, você não estava procurando alguém? Nada foi respondido em protesto e o controlador dos relâmpagos se deu por satisfeito, pensando que seria deixado sozinho. Depois de alguns momentos, porém, ele começou a se perguntar o que Aurora estava fazendo, já que não ouvia passos. A resposta veio com uma sensação frígida no lado direito de seu rosto e, por reflexo, ele virou para o esquerdo.–O que você está fazendo?! – Ele estava levemente irritado, mas quando seus olhos amarelados encontraram os dela, encarando-o de forma repreensiva, sentiu-se quase intimidado.–E essas olheiras? Você não tem dormido há quanto tempo? Leonard virou o rosto novamente, tentando pensar numa forma de fugir da pergunta, mas a menina do gelo, a manipuladora cujo verdadeiro nome era Maya Bonrealis, não lhe daria essa chance.–Fale a verdade, Electron. O que está te tirando o sono? Vencido, o loiro voltou a fitar aqueles olhos claros.–Até agora estamos todos vivos, mas você e Spectra sofreram ferimentos graves nas batalhas que travamos contra Empericia. Os combates a partir de agora vão se tornar cada vez mais brutais, e mesmo que sejamos vitoriosos, as chances de termos que levar algum de nós de volta num caixão só aumentam. Agora que seu amigo estava mais cooperativo, a expressão de Maya mudou para uma mais gentil.–Se o problema é este, temos uma razão para sorrir.–Do que... do que você está falando, Aurora?! – Quando se deu conta de que havia gritado, o controlador dos relâmpagos rangeu os dentes, esperando não ter acordado ninguém.–Se o que você diz é verdade e alguns de nós estejam com os dias contados, que razão melhor para aproveitar o pouco tempo que nos resta? Ficar preocupado e se isolar não vai resolver nada. Mais uma vez, Electron desviou o olhar.–Não sei se consigo agir dessa forma.–Eu gostaria que você pelo menos tentasse. Ficaria muito de vê-lo sorrindo também. Começou com um zumbido seguido de um estrondoso estalo na mão direita de Leonard. O relâmpago disparou com uma velocidade impressionante, mas seu alvo já havia se retirado do caminho. A manipulação elétrica continuou sua trajetória até que, vários metros depois, atingiu as armas de dois soldados, justamente no momento que elas se chocaram, eletrocutando ambos. Electron sequer teve a oportunidade de se dar conta disso, pois teve de afastar a cabeça para o lado enquanto a lâmina de Walters estocava o ar perigosamente perto de seu pescoço. Nisto, pulsos elétricos começaram a dançar pelo cabo da lança e, antes que o capitão tivesse tempo de se afastar, foi atirado violentamente para trás, rolando por meio metro até se chocar contra o corpo de um soldado abatido.–Maldição, esses ataques são perigosos. Enquanto Lince se levantava, trêmulo, mas ainda capaz de combater, o controlador dos relâmpagos desabava sobre seus joelhos, abraçando o próprio abdômen. Um instante antes de seu ataque anterior conectar, ele havia sido atingido por um murro cujo impacto era aumentado pelas luvas de metal do empericiano. Este, por sua vez, fez menção de avançar.–Afaste-se! – Electron estendeu a mão direita e liberou um raio em direção aos pés do capitão, forçando-o a parar, ao mesmo tempo em que ergueu sua lança, reverberando de energia. Cinco feixes relampejantes se alçaram ao alto a partir da ponta e traçaram uma curva para então cair sobre o alvo. Walters fez o melhor que pôde para evitar o ataque quíntuplo, mas ao final foi atingido no ombro por um dos relâmpagos. Como resultado, sua ombreira foi danificada e uma dor lancinante acometeu seu braço esquerdo. Essa era a oportunidade de que Leonard precisava para colocar um ponto final, então se preparou para lançar uma rajada fulminante.
Fechando os olhos por um instante e segurando sua arma com ambas as mãos, ele começou a acumular tanta energia que o próprio ar ao seu redor se tornava estático. Lince percebeu as intenções na hora e sua única forma de impedir que o controlador dos relâmpagos usasse a manipulação à vontade estava perdida, devido à distância que os separava. Uma sensação de perdição iminente ameaçou destruir sua força de vontade, mas algo no fundo de sua consciência veio à tona. – “Agora faça valer a confiança que o rei colocou em você.” – Era a mesma frase que havia cruzado sua mente há um tempo que parecia muito distante, quando enfrentara Erika para convencer Anya a ajudá-lo. Mas desta vez, ele completou o pensamento. – “Não, a confiança que todos colocaram!” O empericiano lembrava que o cadáver em que tinha batido enquanto rolava pelo chão carregava um escudo e viu ali sua única possibilidade de escapatória. Abaixou-se e tentou retirar, mas mesmo sem vida ele ainda mantinha um aperto firme na mão. Sem tempo, o capitão endireitou a ponta de sua espada para o chão e com um golpe poderoso atingiu uma parte desprotegida pela armadura logo abaixo do ombro.–Desculpe por isso, mas me dê uma mão! Arremessando braço e escudo juntos, ele assistiu enquanto Leonard finalmente disparava seu poder acumulado. Porém, o impacto foi perto demais do manipulador e o obrigou a cobrir o próprio rosto para não ser cegado. Esta posição vulnerável durou apenas dois segundos, mas nisto já se via face a face com Walters, que desferiu um corte horizontal. Por muito pouco Electron conseguiu se afastar, mas seu oponente estava determinado a causar dano e, aproveitando o impulso do ataque, acertou um chute abaixo do peito. O ataque seguinte foi uma estocada direcionada ao coração, mas mesmo se encolhendo de dor, Leonard reagiu e bloqueou com sua lança. Para seu azar, Lince já contava com isso.–Esse braço te deve uma! – O punho esquerdo atingiu o rosto do guerreiro da ordem e um dente saltou. Mesmo assim, ele estava longe de aceitar uma derrota e disparou um relâmpago com sua mão livre. Bastou um passo para o lado para que Lince o evitasse, mas no instante seguinte foi atingido. A lança perfurou sua ombreira danificada, lascando e quebrando o metal.–Naquele momento você criou... um ponto fraco...? Os dois guerreiros abriram um pouco de distância. Suas feridas não eram necessariamente graves ou profundas, mas o desgaste logo levaria a batalha ao fim. Fosse quem fosse o vencedor, nenhum deles teria condições de lutar mais depois deste confronto. Desta forma, se convenciam de que finalmente era hora de deixar de lado a segurança. Somente arriscando uma derrota seria possível haver um vencedor.
Notas finais
Nesta batalha mortal, uma possibilidade surge. Mas apenas se Electron e Lince foram capazes de baixar as armas e declarar
Capítulo 197: Trégua
Em breve.
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