Roses And Demons: Warbloom

109 Como Nunca Lutou Antes


Notas iniciais
Esse capítulo demorou para sair. No momento estou de férias, então não posso garantir frequência, mas farei o possível para evitar que a série fique parada até Novembro. Uma nota importante sobre este capítulo: A Ordem da Rosa Branca é conhecida em toda Chesord como o grupo de heróis mais fortes do reino, mas algumas vilas isoladas nunca viram seus membros ou sequer sabem do que eles são capazes.

Os primeiros raios de sol despontavam no horizonte enquanto as três crianças descansavam, ofegantes, depois de tanto correr. A garota de cabelos negros apoiou-se nos próprios joelhos enquanto o menino loiro desabou, caindo sentado no chão. Somente o terceiro, o garoto de cabelos encaracolados e castanhos, mantinha a compostura, dirigindo olhares de relance para trás o tempo todo.

–Será que... despistamos...? – Perguntou Maya Bonrealis, respirando descompassadamente.

–Acho que nenhum deles nos seguiu, então por enquanto devemos estar seguros. – Disse Martin Dedsoyon, finalmente sucumbindo a seu cansaço e apoiando as costas num tronco de árvore.

–M-Martin... como você... desde quando você é...? – Thomas Ashfield era o que mais tinha dificuldades para falar, mas seu amigo entendeu o que queria dizer mesmo sem vocalizar a última palavra.

–Um manipulador? Eu já disse, não faço ideia. Eu estava lendo um dos livros do meu pai quando dois deles atacaram minha casa. Mamãe tentou me defender, mas não conseguiu fazer nada. – O jovem fez uma pausa de alguns segundos, durante os quais finalmente aceitou a ideia de que provavelmente as únicas pessoas que conhecia e ainda estavam vivas eram Thomas e Maya. – Naquela hora fiquei com muita raiva e ataquei sem pensar, mas por sorte esse poder estranho se manifestou e eu consegui derrubar os monstros.

–Sorte...? – Comentou o futuro Vulcano num tom claramente melancólico.

–É, eu ainda estou vivo, não estou? Além disso, eu também consegui salvar vocês.

Diante da resposta de Martin, o outro menino ficou em silêncio e de cabeça baixa. Já Maya, levemente recuperada, fez outra pergunta, pois não conseguia conter a própria curiosidade.

–O que é um manipulador?

–Eu li nos livros do meu pai que existem pessoas capazes de controlar os elementos com a força da mente, mas as pessoas da nossa vila sempre diziam que isso não passava de um mito. – Dedsoyon estendeu a mão esquerda aberta e criou um pequeno cristal na palma. – Mas agora eu realmente estou achando que eles existem mesmo e que as histórias sobre a Ordem da Rosa Branca são verdadeiras.

Mesmo derrubado, Vulcano tentou manter a ofensiva, disparando uma rajada flamejante de sua mão direita, mas de nada adiantou diante da proteção de Karin Annings. A menina sorria, inabalada, enquanto seu adversário levantava um tanto desajeitado e se afastava alguns passos.

–“Realmente ela está mais forte do que na última vez, mas eu sei que essa proteção luminosa tem seus limites.”

Thomas juntou as mãos diante do peito e entrelaçou os dedos enquanto seu rosto se contorcia, tamanho era o esforço mental que realizava. Ao ver aquela cena Karin pensou até que o adversário estivesse fazendo uma prece.

–Olha, eu sei que a situação está bem ruim para o seu lado, esquentadinho, mas rezar não vai diminuir o tamanho da surra que eu vou te dar.

–Na verdade estou fazendo o que você pediu. – Abruptamente, ele separou os braços para os lados e, ao mesmo tempo, quatro jatos de magma irromperam ao redor de Karin, atingindo pontos distintos de sua defesa esférica. – Mostrando que posso fazer melhor.

A manipuladora da luz analisou a situação com cuidado, notando que lentamente sua barreira começava a assumir uma tonalidade avermelhada. O guerreiro da Ordem não cessava o ataque, mantendo constantes os jatos, sabendo que eventualmente eles atravessariam a proteção, mas o rosto de Annings estava longe de demonstrar medo, ou mesmo preocupação.

–Você não está fazendo melhor coisa nenhuma!

A discípula de Jack Faith apontou o cajado e disparou um surto colossal de luz que desfez a parte da barreira que atravessou, mas não colocou a menina numa situação perigosa. Pelo contrário, obrigou Ashfield a cancelar a própria manipulação e tentar saltar para o lado, mas isto de pouco de adiantou. O disparo atingiu o chão e o estouro violento arremessou o controlador do magma pelos ares.

Após a queda dolorida, Vulcano ergueu o rosto devagar, deixando transparecer toda a sua incredulidade. Nem sequer fez um esforço para se colocar em pé, apenas ficou lá, observando a inimiga, até que finalmente resmungou.

–Não dá, ela é forte demais para mim.

Karin, que se aproximava devagar, estava visivelmente aborrecida e veio com um tom de forte reprimenda.

–É isso? Você mal apanhou um pouquinho e já quer jogar a toalha?

–Poupe-me da humilhação e acabe logo comigo. – Retrucou o jovem, rangendo os dentes.

–Na verdade Yasmin disse que não deveríamos matar vocês, mas me surpreende que você não tente nem ao menos salvar a própria vida. Quer dizer, seus amigos não ficariam tristes se você batesse as botas?

Agora os dois já estavam a menos de um metro de distância e Vulcano, que enxergava naquela situação algo bastante incômodo, sentou-se e, com o rosto baixo, voltou a resmungar.

–Meu melhor amigo já morreu faz tempo. Não bastasse isso, eu não passo de uma ferramenta que serve apenas para lutar até quebrar.

–Credo, seu codinome na Ordem da Rosa Branca deveria ser Depressão. É quase um poder elemental, até eu estou me sentindo mal perto de você!

Dessa vez Thomas não respondeu nada, apenas se levantou e, sem sequer olhar na direção de Karin, deu as costas e começou a ir embora, mas deteve-se ao levar uma pancada do cajado da menina na cabeça.

–Escuta aqui, chorão. Eu sei que você se sente triste porque perdeu uma pessoa importante e concordo que ser um manipulador às vezes é realmente um saco. Mas tem pessoas na ordem que se importam com você, não é? Como você acha que eles se sentem com você agindo dessa forma?

Com seus limites extrapolados, Ashfield virou e bateu o pé no chão, gritando enquanto as lágrimas que não conseguia conter escorriam pelo rosto.

–E o que você sabe sobre como eu me sinto?!

–Eu não sei muito, mas tenho uma amiga que perdeu o tio e sempre viveu atolada de responsabilidades por ser uma manipuladora, mas ela não chora pelos cantos como você. – Vulcano sabia muito bem de quem a adversária estava falando, afinal era uma garota que se tornou bastante conhecida depois de trair o exército de Chesord. Ainda assim, ele não disse nada e a manipuladora da luz prosseguiu. – E como amiga, eu quero que ela seja feliz, não um poço de amargura.

Essas palavras faziam com que o controlador do magma lembrasse de Aurora, que sempre tentava animá-lo, fazê-lo ver o lado positivo da vida apesar dos percalços. Mas ele não conseguia, mesmo depois de dois anos ainda não havia superado a morte de Martin. Por causa disso, o quanto teria entristecido Maya ou mesmo os outros membros da ordem que sempre se preocuparam com ele, como Ent e Inferno? Até mesmo aquele abestado do Sol.

–Não posso acreditar que uma pessoa como você possa estar a serviço dos demônios. – Disse Ashfield, finalmente. – Afinal de contas, o que vocês pretendem com essa guerra?

–Olha, talvez você não vá acreditar em mim, mas desde o começo o objetivo de Empericia era capturar o homem que criou toda essa mentira de demônios terem destruído o mundo, um tal de Vladmir. Agora a Yasmin está tentando encontrar o pai dela para propor uma trégua até que o Inferno chegue aqui.

–Inferno está a caminho, mas por quê?

–Porque é claro que ninguém em Chesord acreditaria numa história dessas se não fosse contada por alguém importante, não é? Ou vai me dizer que você aceitou tudo que eu acabei de falar numa boa?

Thomas colocou a mão esquerda sobre o próprio rosto, mais confuso do que nunca. É verdade que depois de tanto tempo combatendo os Empericianos ele já tinha sérias dúvidas sobre a veracidade da história da invasão demoníaca, mas não sabia em que acreditar. De algo, contudo, tinha quase certeza: a menina diante de si era inocente demais para ser uma serva do mal.

–Seja verdade ou mentira o que você disse, não temos mais motivos para lutar. Eu acho que já passou da hora de baixar as armas e esclarecer esta luta sem sentido entre Chesord e Empericia.

–Nada disso! Você vai continuar lutando comigo até me convencer de que realmente está dando o seu melhor!

–Você não pode estar falando sério! Além disso, não tem como me convencer a lutar!

–Aí é que você se engana, Vulcano, eu tenho sim. – Karin abriu um sorriso travesso. – Eu vou continuar nocauteando os soldados do senhor Pyrath até você decidir me enfrentar para valer!

–Ora, sua! – Thomas estava pasmo com a atitude da oponente. – Eu estava lutando com você para valer!

–Não estava não! Só quem briga com vontade de viver é que briga com todas as forças. Então é melhor você lutar como nunca lutou antes, pirralho!

Notas finais
Forçado a lutar, Vulcano se recorda do exemplo de seu melhor amigo. Capítulo 210: Por Nós Mesmos Em breve