Roses And Demons: Warbloom
59 Anjo e Demônio
Notas iniciais
Agradeço ao Snowpuppet por atentar para o fato de que eu confundi a cor da magia do Elbio. O problema é que eu tive de convencê-lo que não era daltônico e isso deu trabalho.
A uma distância de cinquenta quilômetros de Himitsu existe um antigo casarão de madeira apodrecida. Erguido ao lado de um riacho, em meio a árvores esparsas, o local recebeu a visita de muitos homens gananciosos durante os séculos. Porém, todos que ali buscavam tesouros voltavam de mãos abanando, pois aquele que lá um dia viveu não acumulava ouro e prata. Seu tesouro era algo muito diferente, mas que certas pessoas consideravam ainda mais valioso.
Naquele noite chovia em Empericia e as gotas que caíam rapidamente atravessavam as telhas rachadas e os vidros partidos. A água seguia seu caminho, formando poças e descendo através de fissuras. Tudo culminando numa pequena goteira que pingava no porão, por vezes atrapalhando a leitura de uma figura de manto verde, iluminada por um lampião posto sobre uma mesa.
Por toda a extensão do móvel tão gasto quanto o restante da moradia se espalhavam folhas de papel amarelado, muitas inclusive mofadas. Gabriel D’Illusie lia fervorosamente o pouco conhecimento que havia sido capaz de salvar, ao mesmo tempo contente e frustrado. Os escritos que tinha à disposição o permitiram encontrar uma passagem secreta que o levou até aquele lugar, onde certamente pouquíssimos pisaram. Infelizmente o próprio tempo se encarregou de arruinar muito do que o alquimista buscava, tornando sua busca inconclusiva.
Depois de horas de leitura, ele finalmente afastou-se dos escritos e deu passos vacilantes, apoiando uma mão na parede fria de pedra. Respirou fundo, mas o ar lá quase lhe causava náuseas.
–“Nem mesmo a pesquisa de Defteri é capaz de sanar minhas indagações.” – O alquimista tossiu. – “Mas se eu for realmente levar a sério tudo que está escrito aqui, então aquele que acomete a arma experimental...”
Gabriel apoiou as próprias costas na parede e deixou-se deslizar devagar, até finalmente sentar no chão. Em sua mente, os pensamentos estavam confusos, pois no fundo ele não queria aceitar as palavras do antigo estudioso.
–Possessão demoníaca... – Ele murmurou para si mesmo.
Carregado em asas prateadas, Elbio cruzou os ares em alta velocidade na direção de William, portando uma lâmina que parecia ser feita de luz cristalizada, cuja forma era próxima à de uma espada longa. O manipulador do vento reagiu concentrando a energia que havia criado até aquele momento no punho direito. O impacto criado pelo choque dos golpes fez com que ambos se afastassem, olhos fixos um no outro.
Uma distração perfeita para Luna, que disparou sua flecha. Diante dos olhares apreensivos dos manipuladores, o projétil chegou até o seu alvo, desfazendo-se em pequenos jatos d’água após o impacto.
–Excelente tiro, Luna! – Disse Fernand, alimentando a frágil esperança de que isso pudesse ter nocauteado o alvo.
–Não, o vento deteve meu golpe.
A sacerdotisa foi a única a perceber o que realmente acontecera. Uma barreira de vento, a milímetros de distância do rosto de William, o protegia. Quando isto ficou evidente, os outros não perderam tempo e atacaram também. Yasmin e Fernand avançando e brandindo suas armas. Karin e Samantha lançando ataques à distância.
Um salto de William bastou para tirá-lo da linha de fogo da energia luminosa e das estacas escuras, mas no alto ele era um alvo ainda mais fácil para a manipuladora da água, que dessa vez atirou com muito mais potência enquanto bradava. – Ataquem enquanto ele está no ar e não tem como se esquivar!
Mas ela estava enganada, pois seu inimigo alcançou o chão de forma impossivelmente rápida, carregado pela força de seu elemento. Yasmin e Fernand se sobressaltaram por estarem diante do manipulador do vento, justamente no momento em que se preparavam para atingi-lo no ar. Sem lhes dar um momento sequer para se recompor ele estendeu um braço na direção de cada e os lançou com violência na direção dos aliados. A ex-capitã girou no ar e caiu sobre Samantha de forma desajeitada. O soldado da terra criou uma barreira atrás de si que deteve o movimento, mas a força do impacto e da ventania obrigou Karin a se defender das rochas que partidas que vinham em sua direção.
–Como pode fazer isso? Eles não são seus amigos? Como consegue ser tão cruel assim, William?!
Elbio atacou com um corte horizontal, que seu oponente evitou ao se abaixar e, com as mãos apoiadas no solo, derrubou o bruxo numa rasteira. Este último somente se safou de outro golpe porque Luna continuava pressionando o manipulador do vento com seus disparos, mas isto a tornou o novo alvo.
–Pode vir! – Ignorando o calafrio na espinha, ela se protegeu com uma espiral de água, acreditando que estaria segura. Novamente, estava enganada, e ficou ensopada quando o vento empurrou o turbilhão para trás.
Com uma expressão cruel, William colocou a mão sobre o rosto da garota e a fez gritar de dor enquanto sentia a eletricidade correr por seu corpo. O contato durou apenas um breve momento, pois o rapaz foi rapidamente envolvido por rochas. Preso no lugar, não conseguiu evitar uma bola de fogo e um disparo luminoso.
–Agora, Elbio, vamos atacar juntos! – Ordenou Samantha, correndo já com os braços dobrados, garras reluzindo à luz da lua.
–Sim! – Foi a resposta, mas antes que eles alcançassem William, este elevou-se no ar, distanciando-se da luta.
–Ele estava fugindo. Covarde! – Reclamou Karin.
–Não, ele está apenas tomando tempo para analisar a situação. Está em desvantagem sendo atacado por todos os lados. – Explicou Yasmin.
–Então não vamos dar a ele tempo de fazer nada!
Com um forte bater de suas asas reluzentes, Elbio lançou-se ao alto, onde reencontrou o adversário. William, que havia se elevado para atacar de cima para baixo, da mesma forma que fez em sua batalha contra Ent, deixou escapar um grunhido de surpresa.
No solo, os cinco manipuladores viam os vultos movimentando-se de forma surpreendentemente hábil, mesmo flutuando, enquanto os céus eram enfeitados de relâmpagos e feixes de prata.
–Parece até... um anjo e um demônio lutando. – Disse Luna, admirada.
–Quem diria que o Elbio é tão poderoso? Está lutando em pé de igualdade com aquele monstro... – Comentou Karin.
–Não, não estão lutando em pé de igualdade. – Corrigiu Samantha que, com seus olhos afiados, foi a primeira a perceber que o bruxo estava caindo.
–Essa não, ele vai morrer! – Gritou Yasmin, mas antes que Elbio chegasse ao solo, a terra formou um poste em direção ao alto e segurou sua perna, trazendo-o gentilmente ao solo. Ele estava inconsciente e cheio de machucados, mas vivo.
–Seu idiota, está tentando se suicidar? – Gritou Fernand em tom exasperado, mas internamente aliviado ao ver que seu aliado sobreviveria.
–É cedo demais para comemorar...
Samantha apontava para cima, e seus companheiros se espantaram com a expressão de desespero que ela tinha no rosto. Logo compreenderam o motivo. Agora sem quem pudesse atrapalhar, William estava prestes a descarregar a fúria das nuvens sobre os manipuladores.
–Desgraçado! Desce aqui e luta como homem!!!
A provocação do soldado da terra foi inútil. Com um movimento feroz dos braços, o manipulador do vento ligou céus e terra com um raio cujo estouro ecoou por quilômetros.
Notas finais
Uma batalha que pode definir o rumo da guerra. Uma missão que pode definir o rumo da batalha. Somente Spectra pode salvar o exército de Chesord.
Capítulo 160: Mérito do Nome
Em breve.
Capítulo 160: Mérito do Nome
Em breve.
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