Roses And Demons: Extra
3 Um Paraíso Chamado Utopia
O reino de Utopia é lendário e misterioso, pois há muitos boatos que o cercam. Ainda assim, a maioria das histórias o define como um plano superior de existência, povoado por deuses e anjos benignos que agem em oposição às forças de Pravus. O historiador e estudioso Defteri dedicou vários anos de sua vida a reunir conhecimento a respeito deste paraíso, a fim de sintetizar o que pode ser considerado verdadeiro e o que é invenção. Contudo, não se pode negar o fato de que até hoje ninguém foi capaz de provar a existência de Utopia ou de seus habitantes.
Utopia surgiu como resultado do confronto entre os descendentes de Prima, a criadora, que discordavam sobre como deveriam lidar com a raça humana. Para não ter o desgosto de vê-los lutar, a mãe criou dois reinos espirituais separados de Realia e destruiu as formas físicas de seus filhos para então apartá-los. Enquanto aqueles que foram enviados para Pravus foram incapazes de chegar a um consenso e dividiram o plano entre si, os cinco restantes uniram esforços para fazer sua nova morada prosperar. Adriel, Vitae, Aneth, Argenta e Nobile, os cinco deuses que herdaram Utopia, decidiram seguir as leis criadas pelo segundo mais velho, a Sacra Regulamenta, e por considerá-lo o mais sábio de todos, os outros quatro concordaram que Adriel fosse o líder. Depois disto, Vitae, primogênito de Prima e responsável por moldar os seres vivos de Realia, criou os primeiros anjos, que receberiam a tarefa de construir Utopia Nexus, a cidade onde os deuses viveriam. Embora os deuses convivam em paz e harmonia, Utopia Nexus foi dividida em distritos de igual tamanho que fazem fronteira cada qual com outros dois na cidade com formato perfeitamente circular. A parte central, também com o formato de um círculo, é neutra. Conhecido como Nexus Verus, este é um local onde apenas os cinco deuses são autorizados a entrar e, segundo as lendas, é onde eles realizam suas reuniões para decidir os rumos do paraíso. Posteriormente, Vitae compartilhou o segredo da criação dos anjos com seus irmãos, mantendo os Construtores de Utopia Nexus como seus servos e permitindo que os outros deuses criassem seus próprios. Os anjos, embora possuam formas que em muito lembram as dos humanos, possuem uma psicologia bastante diferente devido ao propósito para o qual foram criados. Eles demonstram uma lealdade cega aos seus mestres e existem apenas para defender seus interesses. O distrito que coube a Adriel é chamado de Autoridade. Ele e seus anjos, chamados Justiciares e representados como nobres guerreiros protegidos por armaduras reluzentes, cumprem o dever de manter a ordem e garantir a proteção de toda Utopia. Para isto eles dedicam especial atenção às ações tomadas pelos regentes de Pravus, a fim de evitar que possam prejudicar o reino celestial. Acredita-se que a cópia original da Sacra Regulamenta, escrita pelas mãos do próprio Adriel, encontra-se em algum lugar deste distrito. O domínio de Vitae foi batizado de Fênix e os anjos por ele criados mantiveram a denominação recebida ainda durante a criação de Utopia Nexus: Construtores, os únicos que possuem uma forma completamente igual à dos humanos, sempre vestidos com túnicas brancas. O maior objetivo do primogênito de Prima é manter o ciclo da vida e impedir que ele seja deturpado. Desta forma, ele e os Construtores continuamente vigiam Realia para identificar quaisquer anomalias e usam sua influência, ainda que pequena, para sanar esses problemas. Há relatos também de que eles são capazes de prover fartura, saúde e vida longo para os humanos que obedecem a seus desígnios, razão pela qual Vitae é o segundo deus mais popular e louvado. Aneth preside sobre o distrito de Sapientia, auxiliada pelos anjos chamados de Magisters, seres ocultos por mantos e capuzes enormes, cuja forma verdadeira é tão desconhecida quanto a dos Justiciares. As lendas dizem que este distrito é o maior repositório de conhecimento de toda a existência, pois tudo que esta deusa e seus servos fazem envolve preservar e organizar aquilo que se conhece nas infindáveis prateleiras de livros de Sapientia. Contudo, como se sabe pouquíssimo a respeito de Pravus, há quem afirme que até mesmo o conhecimento de Aneth sobre os seres das trevas e suas artes são limitados. Argenta reside em Noctis, acompanhada pelos anjos chamados Lunarias cujas formas remetem a belas mulheres de pele e cabelos tão alvos e reluzentes que as fazem ser conhecidas também como anjos de prata. Embora seja louvada pelas bruxas devido a seu conhecimento da natureza e das artes espirituais, a regente deste distrito é mais conhecida por lidar com o aspecto da morte. Acredita-se que todos os humanos, após morrer, têm de encarar Argenta e justificar os pecados cometidos em vida, mas não há um consenso sobre o destino destas almas, tanto inocentes quanto culpadas. Nobile é o mais misterioso e reservado dos cinco deuses, mesmo entre seus irmãos. Responsável por Crono e criador dos anjos Illuminatis, ele mantém um foco que poderia ser considerado doentio no cumprimento do dever que assumiu. Apesar de Nobile ser considerado responsável pela estabilidade do clima e das estações, há especulações ousadas de que na verdade ele seja responsável por controlar o próprio fluxo do tempo, usando seus anjos como ferramentas para tal.
Um dos principais pontos de discussão, a respeito do qual não há consenso algum, revolve em torno da existência de humanos em Utopia. A crença com maior força é a de que após a morte as almas bondosas recebem o direito de viver no reino celestial, enquanto que os que praticaram a maldade em vida são condenados a perecer em Pravus. Contudo, não existem relatos nos registros antigos que possam comprovar, ou mesmo sequer embasar, esta tese. Também existem teorias bastante conhecidas afirmando que as almas humanas vão para um lugar separado, outras que se baseiam na crença da reencarnação e ainda aquelas que determinam que a morte é o fim absoluto. A verdade, porém, permanece um grande mistério que nem mesmo Defteri pôde solucionar.
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