Roses And Demons: Extra

5 Mesmo no Inferno Existem Leis


Até os mortos podem fazer a travessia entre um plano diabólico e outro. Muitos são raptados ainda em plena Eolian por demônios sedentos pelo desejo de atormentar os recém-chegados que desconhecem o terror de Pravus. Porém, também muitos enumeram os que fogem do primeiro inferno na perspectiva de serem poupados da ira de Tormenta e seus demônios. Mal imaginam essas pobres almas que Tribuna reserva destinos ainda mais terríveis.

À primeira vista o segundo domínio parece um lugar mais convidativo ao se deixar para trás a paisagem cinzenta e se deparar com um extenso complexo metropolitano que remete a uma cidade da idade antiga. Templos, fóruns e colunatas se erguem por toda parte enquanto demônios de aparência humana, embora dotados de características que os diferenciam claramente dos mortais, vêm e vão pelas ruas pavimentadas.

A aparência de civilização não passa de uma fachada, contudo, pois os filhos das trevas que vestem túnicas brancas e andam altivos são tão corrompidos quanto os que pertencem aos outros domínios. Supõe-se que suas aparências se devam ao fato de que possuem afinidade com o elemento da luz, uma ligação que não representa nada para eles em termos de ética ou moral. Não, a luz de Tribuna não é uma luz de esperança. Sob o domínio de seu regente, este é um local onde se preza a ordem calcada na força bruta e na tirania.

Os mortos que vêm parar aqui, seja por conta própria ou por terem sido abandonados, são rapidamente coletados por agentes do soberano e despachados para outros domínios. O regente gosta de fingir que aplica justiça aos condenados e que os julga de acordo com as transgressões cometidas em vida para então sentenciá-los ao inferno adequado. Isto é, contudo, mais um passatempo que qualquer outra coisa, pois no caos que permeia os demais domínios é comum que um morto conheça diversos deles durante sua eterna estadia em Pravus.

Já os humanos que permanecem aqui logo descobrem que os demônios de Tribuna possuem um gosto saliente por torturas elaboradas. Para eles a ordem absoluta significa submeter outros seres à sua vontade e causar agonia de tantas formas quanto possível nada mais é que uma expressão dessa obsessão a que os gananciosos habitantes deste domínio se dedicam quando não estão disputando influência dentro e fora do plano infernal.

O nome do regente de Tribuna é Lucero, um ser de aparência angelical com longuíssimos cabelos alvos e dez asas negras. Como aspecto da tirania ele faz questão de demonstrar tal característica em todas as suas ações. Tendo tomado para si a responsabilidade de criar e manter o código de leis infernais, muitos são seus inimigos. Mesmo que não exista qualquer companheirismo entre os lordes demoníacos, pode-se dizer que a maioria deles guarda um rancor especial por Lucero.

Ainda assim, a despeito da situação delicada em que se colocou, o anjo maligno protege sua posição graças ao vasto poder que detém, cujos limites são desconhecidos, e também ao apoio do imperador, que julgou por bem que mesmo em Pravus existissem leis para evitar que os demônios se tornassem indisciplinados demais. Isto, contudo, não dá a Lucero o direito de legislar como bem entender. Ele sabe muito bem que se passar dos limites pode sofrer punições piores do que as dos humanos que apodrecem no inferno.

O código de leis de Pravus, conhecido como Demonis Regulamenta, não está escrito em livros ou pedras. Ele é talhado com runas de fogo nas almas de vítimas escolhidas pelo próprio Lucero. Tais runas jamais desaparecem, exceto quando sobrepostas para eventuais – e corriqueiras – adaptações, e proporcionam um tormento indescritível proveniente do próprio poder do regente de Tribuna, o qual pulsa de cada runa destruindo muito lentamente a noção do “eu” e deixando no lugar a acepção cada vez mais nítida de que nunca passaram de extensões da existência do próprio Lucero.