Roses And Demons: Extra

11 Coração da Fúria


Um detalhe esquecido nas páginas da mitologia diz respeito a Prima e seu terceiro filho mais velho, aquele que viria a se tornar o imperador de Pravus e o regente que comanda todos os demais senhores do inferno. Somente alguns dentre os filhos da deusa primordial sabem que duas de suas descendentes também são filhas do imperador. Gêmeas, mas completamente opostas desde o nascimento, elas agora dominam seus próprios domínios diabólicos.

Magnabolos é o oitavo domínio e o que mais se aproxima à noção de inferno, assumindo a forma de um imenso labirinto de túneis inundados de magma. O cheiro de enxofre e carne queimada infecta o ar e as passagens rapidamente se enchem com lava durante as frequentes erupções, que dão ao reino semelhança a um sistema arterial bombeando sangue.

Demônios que aqui vivem também possuem a aparência tradicional com que são retratados. Corpos musculosos, ocasionalmente com tufos de pêlo, e pele de tonalidade vermelha variando entre as cores de sangue e ferrugem. Também possuem grandes asas e garras tão afiadas quanto suas presas, e tudo isto apenas contribui para lhes dar um aspecto ainda mais aterrador. Somente duas palavras são suficientes para descrever uma cria de Magnabolos, contudo: fúria encarnada.

Deveras, se existe algo que atrai o desejo dos demônios deste plano é a possibilidade de torturar almas humanas. Justamente por este detalhe compõem os maiores números entre aqueles que viajam para outros reinos a fim de raptar vítimas. Ouvir gritos de agonia aparenta ser a única coisa capaz de apaziguar o ódio que borbulho no âmago de suas almas corrompidas.

Considerando-se a natureza volátil e brutal de Magnabolos e seus habitantes, costuma existir uma certa concordância ao se dizer que se trata do pior domínio infernal para um condenado. E pobre daquele que tentar escapar para Kronaria ou Antarthos, pois se for pego será sujeitado a tormentos que desafiam a própria imaginação. Talvez até oferecidos pela própria Ardor.

Regente do oitavo domínio e conhecida como aspecto da fúria, Ardor disputa com Tormenta o reconhecimento como regente mais instável de Pravus. Sua aparência não é monstruosa, ironicamente, existindo como uma belíssima mulher de cabelos ruivos, ainda que quase todo seu corpo seja coberto por chamas intensas.

Se existe algo impossível para Ardor, certamente é agir com moderação. Mesmo antes de se tornar uma deusa caída ela já era completamente passional, agindo de acordo com seus desejos e caprichos. Os longos milênios que passou em Pravus serviram apenas para transformá-la num turbilhão de ódio tão intenso que um dia poderia envolver toda a existência.

Ainda assim, diz-se que o aspecto da fúria respeita o poder de seu pai, assim como todos os outros regentes de Pravus, mas se isto de fato é verdade, Ardor se esforça para ocultá-lo. Com efeito, ela parece fazer questão de desafiar o imperador abertamente sempre que surge a oportunidade. Considerando que isto resultaria na destruição de qualquer outro lorde demoníaco (excetuando talvez, a irmã gêmea da senhora de Magnabolos), aparentemente a ligação entre os dois pressupõe certos privilégios.

Ardor não traça planos. Mesmo que o fizesse, sua natureza a impediria de leva-los a cabo. Deste modo, todas as suas ações são guiadas por uma vontade que muda com facilidade, mas se mantém sempre destrutiva. Seria terrível imaginar o que sua influência seria capaz de causar em Realia, isto para não mencionar sua presença.