Roseira Púrpura
3 Espinhos
Notas iniciais
Uma semana havia passado desde as provas, os alunos então se amontoavam perto do quadro de avisos, onde já havia sido colocado o ranking de notas. Poucos minutos depois se iniciou uma confusão, um aluno estava em cima do outro no chão, agarrando com muita força a gola da camisa do menor que estava por baixo, eles não falavam nada, apenas trocavam um intenso e furioso olhar.
Logo a diretora da escola foi chamada, ela teve muito trabalho para fazer com que se separassem, já não era a primeira vez que os dois demonstravam de maneira violenta o ódio um pelo outro. Os dois foram levados até a secretária, mas como ninguém havia se machucado eles acabaram sendo liberados, mas foram avisados de que seriam expulsos se brigassem novamente.
Félix, o que tinha iniciado a briga, empurrou de repente seu rival nos armários, aproximou-se dele e cuspiu vários xingamentos contra Allen que apenas continuava sorrindo para provocar o maior. Félix então cobriu o pescoço do outro com as mãos, como se quisesse muito o estrangular ali mesmo... Mas ele nunca havia machucado o pequeno rival de verdade, apenas queria ser o melhor em tudo e aquele anão lhe atrapalhava.
Allen assistiu o moreno afastar-se de si, ainda reclamando baixinho. Crispou os lábios expressando sua irritação, já não bastava todos os comentários sobre ele ser estranho, um idiota de sua turma tinha que estar sempre o metendo em confusão e chamando ainda mais atenção.
Ele bagunçou seus cabelos alaranjados, este hábito sempre lhe acalmava. Decidiu que apenas iria entrar na sala de aula no próximo período, seus colegas provavelmente já teriam se esquecido do ocorrido e não lhe fariam mais perguntas idiotas, como em sua briga anterior com Félix, em que foram acusados de ser um casal briguento.
O que não fazia nenhum sentido, mas aquelas mentes maliciosas não conseguiam aceitar o fato de que alguns garotos e garotas não precisavam de um relacionamento sério em suas vidas.
O baixinho então subiu duas escadarias, em seguida andando por um corredor estreito, com paredes cheias de quadros e pinturas dos antigos funcionários e ex-alunos. Seu destino era a biblioteca, um de seus lugares favoritos.
Era uma sala bem iluminada, um pouco pequena, mas muito bem organizada. As paredes vermelhas e o teto branco, onde havia inclusive um vitral no centro, permitindo que além da luz artificial, luz natural entrasse na sala, os vidros coloridos formavam a imagem de uma borboleta azul, que era parte do brasão da escola.
Aquele não era um local agradável apenas pela quantidade e variedade de livros, mas também por seu silêncio e conforto, com tanta paz o menino poderia passar horas trabalhando em suas criações; bonecas.
Retirou da mochila uma caixinha de ferramentas e uma boneca inacabada, ainda faltavam muitas coisas como olhos e cabelo, mas no momento a preocupação de Allen era fazer com que os olhos da boneca pudessem se mover para os lados, no entanto estava tendo problemas com essa montagem.
Analisou cada parte das peças que mantinham os olhos presos, quando conseguiu, por fim, fazer o primeiro olho rolar para a esquerda e para a direita, o sinal tocou, anunciando o segundo período de aula. O menino juntou suas coisas rapidamente e subiu mais uma escadaria, para enfim adentrar a sala da turma um do primeiro ano do ensino médio.
Os olhares impiedosos imediatamente focaram-se nele quando abriu a porta, tentando ser sorrateiro como um gato e obviamente falhando, logo os cochichos começaram e pelo que se pode ouvir, Félix havia espalhado o falso boato de que Allen o provocara e o ameaçara.
Aquele cara só poderia estar brincando, pensou o aspirante á artesão, espalhando os cadernos e polígrafos pela mesa, junto com o estojo.
Podia sentir o olhar cruel de Félix sobre si, e se perguntava como um rapaz inteligente e talentoso era capaz de perder seu tempo com aquela infantilidade.
Mas Allen não daria o braço á torcer, e Félix o estava subestimando demais, os dois sabiam que não teria mais espaço para um dos dois ali.
Aquela rivalidade era como uma bomba prestes á explodir, e quando isso acontecesse, muitos sairiam feridos.
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