Vos escrevo em palavras de desespero o último de meus suspiros, tampouco mares de pesadelos antigos. Em riqueza emergente utilizei meu dinheiro em doses, o resto em investimentos, entre eles a restruturação de Rose Fall. Nos esconderijos da cidade em arquitetura distópica e porventura tão pouco apreciada foi erguido Rose Fall, ideia primordial dos irmãos que projetaram tal escultura viera de pesadelos antigos, e ligações com abismos por tempos esquecidos. Hospital e manicômio, mal sabia eu em plenitude de minhas faculdades mentais sobre o real significado; Um templo a insanidade erguido nos confins de minha amada cidade. Em tentativa de contrariar os meus diversos secretários resolvi fazer uma visita ao hospital, corredores tomado por fobias, portas fechadas e degradadas por um tempo amargo, caminhei ao corredor central e então parei, ouvi um grito, ecos de túmulos jamais cavados, desiquilibrado em meu próprio eixo eu cedi. Acordei afogado em solidão, um quarto de aerodinâmica em curva tenebrosa com o chão pintado em sangue seco, meu peito parecia se contorcer para dentro em dores absurdas, ecos e gritos empestavam minha cabeça, sangue brotava espontaneamente abaixo de meu olho direito e o mundo parecia me castigar, então parou. Em uma epifania de medo corri para fora do quarto, em terror abafadiço e por paralisia aviltante de minha pessoa reparei no silêncio do corredor, o corredor, causador de cólera interna e terror abafadiço tinham como adorno em suas paredes rostos desprendidos a corpos, desfalecidos e com pele flácida, caída, eles se mexiam em movimentos colineares e sussurravam odes a sua loucura. O rosto de um homem idoso, com leve calvície praguejou e implorou por minha fuga, passos tão profundos que pareciam afundar no chão surgiam do nada, entrei em uma das salas e me deparei com um círculo de pessoas, todas com olhos opacos e frios, unhas usando besouros e vermes pútridos como ornamento eram seguimento de seus dedos de cadáveres, eles em uníssono regurgitavam palavras em voz serenas e gélidas – “Ka-ahl moni wairua Ka-ahl.” – No centro do círculo jazia uma menina em vestido singelo, porém de olhos maldosos. Corri novamente e subi uma escada que parecia ter surgido aparentemente do nada, consicente que minhas formas de fuga residem em um mundo fora ao meu sentei-me ao canto de um corredor. A criatura de passos tão profundos subiu em meu encalço, mas no outro canto ela se assentou; Espinhos saindo de suas extremidades e duas patas com garras negras saem do lugar em que se deviam ter dois olhos, no momento ele apenas me encara... Me poupe, me poupe da espera, me poupe da morte, agora a besta se ergue.

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