Notas iniciais
Oi amores meus! Antes tarde do que nunca, não é mesmo? Desculpem-me por abandonar a história por esse tempo. Eu tinha metade desse capítulo pronto há um bom tempo e hoje terminei de escrever. Leiam as notas finais, por favorzinho, e boa leitura!

Melody Sparks

Encarei os olhos de Charles e senti meus caninos se alongando e rasgando meu lábio, mas não me importei com a dor aguda que aquilo provocou. Segurei os pulsos do vampiro a minha frente e os apertei, sentindo seus ossos esmagarem lentamente. O lábio do moreno tremeu contra a sua vontade e eu vi o ódio tomar o seu olhar, não dando lugar à dor.

– Larga. – mandei quando senti que seus ossos estavam por um fio de serem triturados por minhas mãos.

– Você acha – rangeu os dentes, porém não me soltou. – que pode fazer o que bem entender e sair impune?

– Assim como você pensa que pode falar a merda que quiser, eu posso muito bem fazer o que me vêm à cabeça. – aumentei a força e o moreno finalmente me largou, dando um largo passo para trás e me encarando com um olhar assassino. Eu havia quebrado seus pulsos.

Desencostei-me da parede e separei levemente as pernas, assumindo a típica posição de luta. Olhei fundo nos olhos de Charles e observei suas pupilas se dilatarem ao extremo, e assumirem um brilho totalmente assustador e sanguinário.

Fechei as mãos em punho com firmeza e as ergui para o meu rosto, protegendo tanto meu maxilar quanto minhas costelas. As mãos de Charles pendiam ao lado de seu corpo, e eu sabia que assim que ele tivesse a chance, avançaria. A solução era eu realizar o ato antes que ele pudesse fazê-lo. Dei uma grande passada para frente e preparando meu braço direito para acertar em cheio a lateral de seu rosto.

Porém eu não esperava que meu soco acertasse a mão de um loiro completamente inconveniente que apareceu lá para defender o irmãozinho. Thomas se moveu rapidamente e logo já estava atrás de mim, segurando o meu braço e me imobilizando.

– Melody, não inventa de brigar agora. – disse calmamente e eu senti o sangue ferver.

– Thomas, – sibilei seu nome e senti sua respiração bater em meu ombro de forma diferente. – ou você me larga, ou vai ser o próximo. – ralhei e pude ver Charles erguer as sobrancelhas de forma surpresa e depois abrir um sorriso debochado.

– Vai, trouxa. – alargou o sorriso e nós dois o fuzilamos, o que fez o garoto jogar a cabeça para trás e gargalhar.

– Thomas, eu mandei me largar. – disse mais uma vez e ele finalmente me soltou, voltando a ficar na minha frente.

– O que aconteceu com você? – franziu o cenho.

– Além do fato de eu ter descoberto que você é um canalha que fingiu que queria me ajudar para no final das contas me largar num lugar qualquer para agarrar a primeira que apareceu na sua frente? – cuspi as palavras e o loiro ergueu as sobrancelhas, completamente surpreso.

– Wow, acho que você a irritou, irmãozinho. – Charles insistia em voltar a abrir a porcaria da boca. – Ela está fervendo de ciúmes. – sorriu torto.

– Olha, Melody... – Thomas começou e eu balancei a cabeça.

– Não, nem se dê ao trabalho. Eu não estou com ciúmes e você fica com quem você quiser, só não me engane novamente. Nunca mais. Eu não preciso de você, Thomas. – cruzei os braços.

O rosto do loiro de olhos verdes se transformou em uma máscara de frieza. Ele sorriu com escárnio e cruzou os braços assim como eu, me encarando como se quisesse descobrir alguma coisa.

– Então como vai fazer para lidar com a sua transformação, Melody?

– Acho que consigo me virar muito bem. Você deve saber disso, já que me largou aqui “confiando” em mim enquanto ia se divertir. – dei de ombros e o encarei.

Logo a voz de Charles preencheu o ambiente.

– Eu não esperava isso de você, irmãozinho. Essas coisas vindas logo do incorruptível Thomas Beaumont, tão bom e preocupado em consertar as burradas que o irmão mais novo comete, são difíceis de acreditar. – rolou os olhos. – Sparks, fala sério, você não achou que ele se importasse mesmo, não é?

Agora eu encarava o moreno de olhos azuis seriamente, quieta, esperando que ele continuasse.

– Ele só te ajudou porque se sente na obrigação de “consertar as coisas que eu apronto”. Para não ficar com peso na consciência. – rolou os olhos. – É uma ideia ridícula, até porque o que aconteceu com você não foi culpa minha, mas ele quer manter a pose de bom moço. – deu de ombros despreocupadamente.

– Não, Charles, você está enganado. Essa é uma ideia ridícula porque não dá para consertar as burradas que você comete. – descruzei os braços e os deixei penderem ao lado de meu corpo. Fechei as mãos em punho. – Mas diferente do que os dois pensam, eu não sou uma máquina que precisa de conserto. Eu não preciso de ajuda.

– Concordo. – sorriu torto. – Você pode quebrar o pescoço das pessoas como bem entende, não é mesmo? Mas como vai fazer, Caçadora, quando o sol nascer daqui a pouco e você não tiver para onde ir? – seus olhos brilharam de crueldade.

– O sol não vai nascer daqui a pouco. – eu disse, e quando abri a boca para voltar a falar, ele me interrompeu.

– Thomas não te explicou como as coisas aqui funcionam? – ergueu uma sobrancelha, fingindo surpresa e indignação. Estreitei os meus olhos.

– O que? – perguntei, mas o moreno apenas me ignorou. Ele me ignorou e começou a olhar para as mãos e mexer os dedos levemente. Droga, ele já estava se curando.

– Melody, vai embora. – disse Thomas. Ignorei-o.

– Ahm... Não me lembro muito bem, Melody... – Charles voltou a me olhar. – Tem algo bagunçando a minha mente agora... – entortou a boca. – Eu não consigo me lembrar o que tinha para te dizer. – sorriu para mim, totalmente cínico.

Tentei contar até dez e me acalmar, mas quando me dei conta já jogava o garoto contra a parede, e ninguém naquela festa parecia notar o que acontecia ali naquele canto. Ergui a minha mão em punho e agarrei Charles pelo colarinho de sua camisa preta com a outra. Deixei que minhas presas se alongassem e fechei a mão com mais firmeza.

– Diz o que você está escondendo ou eu...

– Vai me morder? Olha, acho que isso pode ser interessante... Estou até considerando a ideia de ficar quieto só pra te provocar mais um pouco.

Soltei seu colarinho e passei a apertar seu pescoço, e com a mão que ameaçava socar a sua cara, segurei seu pulso que mal terminava de se cicatrizar e voltei a triturá-lo.

Charles me encarou com seus olhos azuis e eu coloquei mais força no aperto ao redor de seu pulso. Suas presas cortaram seu lábio inferior e eu vi a raiva em seus olhos, mas por trás daquilo havia diversão.

– Olha, Caçadora, sinto lhe informar, mas já passei por situações piores do que essa. Não sou como os vampirinhos que você encontrava por aí, então isso não funciona comigo. Tenta fazer melhor.

Senti todo o meu corpo tremular com a raiva e um grunhido irritado escapou por meus lábios. Isso fez o vampiro canalha a minha frente sorrir de satisfação.

– Mas vou te dar uma colher de chá. – sorriu torto e com a sua outra mão (o canalha já havia se recuperado) agarrou o meu pulso e o puxou, fazendo-me soltar seu pescoço. – Digamos que esse não é um lugar comum, Melody, é um lugar para criaturas sobrenaturais... Que tem que entreter aqueles que já viram de tudo...

Eu prestava atenção no que o vampiro falava e sentia alguma coisa dentro de mim se remexer com inquietação, como se algo ruim estivesse por vir. Travei o maxilar e voltei a me concentrar em suas palavras.

– O tempo aqui, minha querida Caçadora, passa de uma forma diferente... Para divertir aqueles que possuem todo o tempo do mundo. Acha que ficou aqui por uma hora, duas? Eu apostaria umas quatro, talvez cinco. Ou quem sabe mais... Nem eu sei há quanto tempo estou aqui te observando...

Minha respiração falhou e seu sorriso se alargou momentaneamente.

– Pode ser que estejamos no meio da madrugada... Mas pode estar perto do amanhecer também... – ele se aproximou de meu ouvido e eu não conseguia me mexer, por conta do impacto das palavras. – Então me diga, Caçadora, quanto tempo você ainda vai esperar para virar pó? – sussurrou.

Distanciei-me dele em um pulo, e o vampiro moreno aterrissou com o joelho flexionado. Se não fosse um ser sobrenatural, teria caído com a cara no chão. Reprimi a vontade de quebrar os vampiros à minha frente e decidi que o melhor para a minha sobrevivência seria sair dali o mais rápido possível.

Os efeitos do álcool já eram quase nulos, atormentavam minha mente somente por milésimos. Atravessei o mar de pessoas à minha frente e cheguei até a porta no momento em que outra pessoa entrava. Vi que ainda era noite e me apressei para sair.

Passei pelo segurança como um furacão e quando vi já estava do outro lado da rua suspirando aliviada. Não durou muito, no entanto. Ao olhar para cima, contemplando o céu estrelado, notei que ele já não estava tão negro como deveria.

Pude sentir que tudo em mim havia congelado no momento em que notei que o sol já ia nascer e se eu permanecesse na rua mais um pouco, queimaria. Uma pequena chama se acendeu em mim, lembrando-me da sobrevivente que sempre fui, e que não iria morrer pelas mãos da luz do sol.

Eu tinha uma velocidade sobre humana e a usaria, então corri sem olhar para trás, preocupando-me somente com o céu e o sol que estava para nascer. Esse céu que eu tanto estava atenta se avermelhava cada vez mais e eu tentava trancafiar o desespero que crescia em mim no fundo do meu íntimo, para que eu não tivesse lidar com ele no momento.

Minha velocidade nunca antes parecera tão insignificante, pois parecia que na competição contra o tempo ela estava em desvantagem. Porém logo consegui ver a floresta de pinheiros que ficava perto da mansão dos Beaumont e convidados.

Adentrei a floresta e a quantidade de árvores me impedia de acompanhar o progresso do céu com perfeição, então foquei a minha atenção no caminho à minha frente.

A casa ficava na outra extremidade da floresta de pinheiros, perto de outras várias mansões, a maior parte abandonada. Eu conseguia ouvir o barulho do bater de asas de algumas corujas e o caminhar de outros animais noturnos.

Parei de correr e olhei para cima, por entre as copas das árvores, para ver que o céu já se avermelhava com a presença cada vez mais constante do sol.

Mais alguns segundos e eu senti minha pele descoberta começar a formigar levemente e esse formigamento ir aumentando sua intensidade gradualmente. O desespero se agitou em mim e eu respirei fundo para tentar me acalmar, o que não foi de grande ajuda.

Foquei no caminho a minha frente e agucei a minha audição, como sabia que podia fazer, e com um pouco de esforço consegui ouvir o som de duas vozes ao longe. As vozes pertenciam à Elizabeth e Ethan, que pareciam discutir algo de importância considerável.

A casa não estava longe e a única coisa que eu precisava era ignorar a dor que os primeiros indícios de sol causavam à minha pele e correr antes que o fogo me consumisse por completo.

Já na metade da floresta ouvi um barulho estranhamente familiar que só consegui reconhecer quando uma flecha abriu um rasgo em meu ombro. Olhei para a direção que ela veio e reconheci o uniforme de caça vampiros que um dia eu usei.

Não fiquei lá para que a pessoa me reconhecesse, e esse ataque repentino fez com que eu tivesse que pegar outro caminho para a mansão. Forcei o meu corpo a ir ao limite da minha velocidade, e decidi que lidaria com as consequências de tanto esforço depois, quando já tivesse tirado a minha vida de risco.

Senti que os primeiros raios de sol estavam chegando antes mesmo de eles aparecerem de fato. Minha pele formigou com mais intensidade, como se estivessem enfiando finas agulhas em meu corpo e então senti queimar. A dor começou a mexer com meus sentidos e eu já estava começando a cambalear e tropeçar em meus próprios pés.

Constatei que havia chegado à casa pouco antes da minha visão ficar turva e continuei indo em direção à porta, e preparei-me para jogar meu corpo contra ela para conseguir entrar.

Minha mão alcançou a maçaneta quando o sol chegou até mim. Girei-a e lancei-me contra a madeira da porta, fazendo com que ela se abrisse e eu caísse contra o piso de madeira do hall de entrada da casa dos Beaumont.

Ouvi algumas vozes e senti alguém me arrastar para longe da porta. O cabelo loiro de Elizabeth caiu em meu rosto e eu desmaiei segundos após isso.

Notas finais
Gracinhas, o que acharam? Bem, eu tenho uma novidade! Criei um tumblr para a fanfic e para nossos vampiros lindos *o* Pra ter mais interação, assim vocês podem mandar asks, tirando dúvidas ou sanando curiosidades, e eu também pretendo postar trechos legais lá, e também spoilers, assim vocês ficam sabendo quando um capítulo novo está em andamento, já que demoro muito para postar aqui. E claro, vocês vão poder me cobrar lá haha O link é esse: http://dearbeaumont.tumblr.com/ E a senha (sim, eu coloquei uma senha só pra ficar mais divertido u.u) é: sparks É isso, pessoinhas felizes. Beijinhos :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.