Rosana: A Dariganiana que conquistou Meridell
3 Desconfiança
Notas iniciais
Decorar. Cortar. Pintar. Costurar. Tecer. Montar. Na oficina do pai, essa era a rotina de Rosana. Ela gostava de fazer os enfeites, a ajudava a se descontrair, a pensar, muito mais do que os passeios feitos pelo reino. E também gostava de trabalhar, não nasceu para ficar em casa admirando os produtos feitos por sua família, no que fosse preciso, ela ajudava.
— Oh não! — Exclamou Rosana. — Acabou a linha azul. Como irei terminar esse bordado? O Valério talvez tenha, a mãe dele trabalha com costura na loja de brinquedos. Irei até lá.
Valério Falca, filho de artesãos e donos da loja de brinquedos de Darigan. Seu pai era marceneiro e fazia ótimos brinquedos de madeira. Sua mãe era costureira e fazia lindas pelúcias e roupinhas de bonecas e bonecos. Valério herdou o talento do pai e faz verdadeiras obras de arte com a madeira. Ele também tem uma característica peculiar, ele é bem determinado e não se prende muito ao que seus pais querem. Por exemplo, ele namora uma garota que sempre encontra na Central de Neopia, seu nome é Indira e ela mora na Ilha do Mistério. Pela regra que impera no reino, dariganianos só podem se casar com dariganianos, porém, quando se apaixonou, Valério a ignorou totalmente. Óbvio que Indira, não conhece os pais do namorado, muito menos foi até o Reino de Darigan, mas para ele não há problema, quando se casarem, ela irá morar com ele, já combinaram. Os pais dele ficaram reticentes com esse namoro, mas pela felicidade do filho, aceitaram e vão receber Indira de braços abertos.
O galpão da marcenaria ficava atrás da loja de brinquedos, Rosana chegou e encontrou Valério preparando uma madeira para o corte. Ele tem cabelos pretos e olho verde cor de oliva, tem o rosto alongado e orelhas pequenas. De fato, era muito bonito.
— Boa tarde, Valério. — Disse Rosana.
— Boa tarde, Rosana. — Responde Valério. — Deseja fazer encomenda de algo?
— Na verdade, o que procuro não tem relação com a marcenaria. Tem a ver com o serviço de costureira de vossa mãe. Sabes se ela tem linha de costura azul? Estou trabalhando em um bordado e a minha linha acabou.
— Sim, ela tem. De qual azul tu precisas?
— Azul escuro.
— Vou até o ateliê de costura. Logo trarei sua linha.
Valério saiu e não demorou para voltar. Trazia o carretel de linha azul escuro.
— Fico grata, Valério. — Rosana agradeceu. — Em breve devolverei, avise sua mãe para não se preocupar.
— Fique à vontade para devolver quando puder, minha amiga. Aliás, minha mãe não usa tanto esta linha. Até breve.
— Até breve.
...
Ao retornar para sua casa, avistou o Master Darigan, um Korbart alto e branco, com uma densa e curta barba bege claro. Ele usa um longo manto branco, com detalhes em verde e amarelo, e duas argolas grossas na calda. Estava acompanhado de sua esposa. Teresa Cristina, uma fada que usava um lindo e longo vestido azul claro rendado e suas asas também são azuis e delicadas, que combinam perfeitamente com seus cabelos negros e olho azul celeste. Os dois conversavam enquanto se encaminhavam para o castelo. Rosana se aproximou para ouvir um pouco da conversa, não tinha o hábito de ouvir a conversa dos outros, mas a empolgação dos dois a deixou curiosa. E ficou mais intrigada quando ouviu de Teresa Cristina dizer “Teremos o que queremos, meu querido”. Ter o quê? De quem? Isso deixou Rosana intrigada.
Ao voltar chegar em casa, Rosana contou para a sua mãe que ouviu uma conversa entre Master Darigan e Teresa Cristina, sobre ter o querem e que ficou intrigada sobre o que era.
— Ora, Rosana, parece que vive em outro lugar. Não te lembras do acordo de ajuda à Moltara? — Perguntou Lígia.
— Ah, sim. Os moltaranos são um povo muito simpático, é uma pena que outros povos neopianos não os conheçam. Fico contente em saber que estamos os ajudando, pois, eles são muito pobres. — Rosana sorriu.
— Não se esqueça de que, em troca, nós teremos o minério e as obsidianas deles.
— Mas para o quê? O minério de Moltara não tem serventia nenhum para o reino.
— Assuntos da realeza. Por enquanto fique feliz em saber que estamos ajudando um povo necessitado.
A conversa não ajudou muito, a deixou mais intrigada. Moltara recebe ajuda do Reino de Darigan, porém, nunca viu o minério moltarano sendo utilizado no reino, afinal, teria pouca serventia por lá. Pelos sorrisos maliciosos de Teresa Cristina e Master Darigan, Rosana começa a desconfiar que esse acordo de ajuda não esteja sendo feito por caridade. Teme até de pensar que há algo mais sério acontecendo.

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