Rosa do Espinheiro
1 Introdução
Notas iniciais
PRÓLOGO
Em uma terra distante, no norte de um planeta longínquo, há muito tempo, havia um reino chamado Notheran, neste reino viviam pessoas comuns, assim como também viviam fadas. Mas aqueles eram tempos difíceis para as fadas, aliás, para todos os seres que possuíam magia, as pessoas comuns os odiavam e os temiam, pelos seus poderes extraordinários, diziam ter medo do mal que estes seres poderiam lhes causar. Esse ódio e medo e, possivelmente, inveja, se manifestava em violência. As fadas eram perseguidas, linchadas e assassinadas, muitas vezes, quase sem motivo algum.
Ironicamente, neste reino, governava uma fada, Rubi, junto de seu marido, Joseph. Eles formavam um casal feliz, se amavam muito. Como rainha, Rubi trabalhou muito a favor das fadas, se empenhando em melhorar a situação delas no reino. Quanto a Joseph, ele respeitava e apoiava a esposa em sua luta, pois a amava muito, ou assim parecia.
Certa vez, em uma de suas viagens, Joseph parou em uma hospedaria no meio de um espinheiro, na floresta para descansar antes de seguir viagem de volta para casa. Lá ele conheceu uma bela mulher, Talia, com seus longos cabelos dourados como o sol da manhã, seus olhos violeta brilhantes e seus lábios rubros como as rosas, Joseph se apaixonou por sua beleza, e Talia também se enamorou pelos encantos do rei. Naquela noite eles ficaram juntos, e no dia seguinte Joseph seguiu viagem bem cedo, mas aquela não seria a última vez que eles se veriam.
Joseph voltou muitas vezes à hospedaria para se encontrar com aquela que era a nova dona de seus devaneios, sempre usando a desculpa de que iria caçar, mas Rubi já desconfiava de sua conduta. E como era de se esperar, os encontros entre Joseph e Talia geraram um fruto, que se desenvolvia no ventre da mulher.
Joseph, quando recebeu a notícia de sua paternidade, imediatamente quis levar Talia e o bebê para viverem em seu castelo, inventaria alguma desculpa para contar à esposa, no entanto esta já sabia de tudo. Rubi, desconfiada do marido, o seguiu certa noite e descobriu o real significado de sua “caçada”, a fada estava furiosa. Quando Joseph chegou em casa, no dia seguinte, esta o confrontou e ele contou-lhe tudo.
Rubi se encolerizou naquele momento, a única coisa que ela queria fazer era matar Talia e a criança, mas claro, Joseph não iria permitir. O tempo foi passando e se aproximava a data de o bebê de Talia nascer. À esta altura ela já estava vivendo no castelo de Joseph, à contragosto de Rubi. No entanto, a fada ainda não havia se rendido, estava apenas esperando que Talia desse à luz para destruir à ela e à criança que ela carregava.
Joseph descobriu os planos da esposa, e tratou de tirar Talia e seu bebê do castelo o mais rápido possível, porém Rubi os seguiu. Poderosa como era, a rainha fada criou do nada uma carruagem de fogo puxada por dragões, e correu pelo céu, rápido como um relâmpago, atrás da carruagem do marido que fugia na calada da noite, com Talia em trabalho de parto.
Ao avistar a carruagem do marido, Rubi dispara raios e mais raios contra ele e Talia, por sorte de ambos, nenhum raio os atingiu, porém, de repente os raios de Rubi atingem a carruagem do rei, que perde suas rodas e para abruptamente. Joseph sai de espada em punho, para enfrentar a esposa, que já se precipitava contra ele. Joseph não teria chance contra Rubi utilizando apenas aquela espada, mas acabou por derrotá-la. A rainha fada lançou um feitiço sobre o marido, que se refletiu no metal de sua espada e se voltou contra ela. No mesmo instante a rainha caiu no chão inconsciente, como morta.
Joseph e Talia esperaram até que o bebê da mulher nascesse para que eles pudessem voltar ao castelo. Eles levaram Rubi também. Como não queria enterrá-la, Joseph mandou construir um mausoléu para colocar sua esposa, agora para ele morta. Colocou Rubi em um caixão de pedra e a deixou lá. Quanto a Talia, esta se casou com o rei e se tornou a nova rainha de Notheran. Algum tempo depois, Joseph deu uma festa em homenagem à sua nova esposa e filha, a quem decidiram chamar de Rose.
Aquele seria um dia festivo no castelo, que todo o reino comemoraria, de nobres a camponeses, de seres comuns a seres mágicos, bem, alguns poucos seres mágicos. Todos estavam empolgados com a festa, como há muito tempo não se fazia igual no castelo. Porém, não muito longe do grande hall, em um certo mausoléu, algo inesperado acontecia. Um certo caixão de pedra estremecia, estremecia, e estremecia, como uma pessoa que treme de frio. De repente, do nada, a tampa do caixão é arremessada violentamente para longe, atingindo o teto do mausoléu, rachando o limite da construção majestosa e estilhaçando a cobertura de pedra do túmulo em milhões de pedaços. Do esquife, então, ergue-se uma mulher de cabelos negros, bem alinhados, presos em um coque, com alguns fios soltos, toda revestida em vermelho, com os dentes rangendo e os olhos tão em fúria, que seria possível vê-los inflamar.
A mulher levanta-se do caixão, abre a porta do mausoléu de forma drástica, com apenas um simples movimento da mão, e vai caminhando para fora a passos pesados e certeiros.
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