Notas iniciais
É, eu demorei de novo, não foi? Desculpem-me, sério. Tive inúmeras provas (final de bimestre é um saco) e fora a preguiça que me aplacou... Mas finalmente está aí. E esse é o final... Muito obrigada a todos que tanto elogiaram e gostaram dessa história, o que faz um escritor são os seus leitores.

- Vamos, Wild... Seja inteligente. — Pressionava o líder, já tendo a certeza de que ele iria aderir ao seu lado. O que ele não esperava é que seria atacado.

O caçador avançou diretamente nele, acertando um tiro em seu braço e o derrubando no chão. Colocou um dos pés na barriga deste, abaixando-se para fitar seu desespero mais de perto enquanto apontava uma das scarlets para a sua cabeça. Ele parecia mesmo adorar assistir o medo alheio. Os outros caçadores acabaram por se mover e tentar separá-los.

- Nem mais um passo ou o desgraçado morre.

Apreensivos, os caçadores se afastaram.

- TOLO! Irá trair sua própria raça?! — Perguntou indignado o líder caído no chão.

- Pensei mesmo que fosse mais inteligente... — Disse o moreno, ainda com aquele sorriso diabólico no rosto. — O que seria mais negócio? Entregar uma alma e ganhar metade de uma fortuna que um dia irá acabar... — A scarlet se aproximara mais ainda da cabeça do haros inimigo. — Ou garantir o ganho contínuo realizando missões junto dos pirralhos?

- Interesseiro como sempre. — Cochichou Sieghart, de braços cruzados e um pequeno sorriso no rosto. Ele parecia estar aliviado... Assim como todo o resto.

- Não... Você não o faria... — O líder olhava a arma em sua cabeça com bastante medo.

- Aprenda a não se intrometer em meu caminho. — O caçador finalmente disparou, explodindo os miolos do outro de uma vez só. O sangue voou para todos os lados e o haros soltou uma gargalhada, saindo de cima do agora defunto. Por fim, ele encarou com aquele mesmo olhar assassino os outros três que restavam.

- Irão sumir daqui ou eu terei que enviar mais almas a Hades? — Apesar de tudo o que tinha feito, ainda sorria. Nunca presenciei um sorriso tão frio e assustador como aquele.

Os outros três se entreolharam, começando uma corrida desenfreada para longe dali. Pareciam três idiotas correndo, o que de fato eram; tanto o caçador quanto o resto da Grand Chase acabou caindo na gargalhada. A situação era tão ridícula que chegou a ser cômica.

- Andem logo com o tal ritual antes que mais imprevistos aconteçam. — Essa foi a última coisa que ele disse, após guardar as scarlets e voltar para um canto qualquer perto do grupo. Eu devia mesmo agradecê-lo... Mas o moreno não parece o tipo de pessoa que adora agradecimentos. E não quero correr o risco de ser morta de novo.

- Bom... Já que tudo foi só um grande susto... — A azulada ajeitou os óculos no rosto enquanto falava. — Que tal começarmos isso? — Ela tentou sorrir, de novo. Algum dia eu teria que dizer a ela que seu sorriso soava meio falso.

Ela me mandou deitar no chão, ao lado do meu corpo. Ele ainda estava bem intacto... Era assustador presenciar. Mari então recitou algumas palavras que pareciam uma linguagem bem antiga, a mesma que alguns monges da minha antiga cidade costumavam usar às vezes. Parecia algum feitiço... As marcas do meu corpo começaram a brilhar, e Mari apenas pediu para que eu fechasse os olhos. Não sei direito o que aconteceu, mas senti alguma energia estranha agir sobre mim... Era como se eu estivesse perdendo a consciência.

- Lin? — Pude ouvir sua voz chamando meu nome. — Está melhor? Tente abrir os olhos...

Levantei-me, estava um pouco tonta. Balancei a cabeça e finalmente abri os olhos... Tinha algo diferente. Alguma coisa que eu simplesmente não conseguia explicar.

- Ei... O que houve...? — Eu estava bastante confusa.

- Consegui! — Exclamou animada a azulada. — Oh, pelas Deusas! Eu consegui mesmo!! — Tive a impressão que ela estava mais feliz consigo mesma do que com a minha suposta volta.

- Como é a sensação de não ser mais uma alma penada, hein semideusa? — Aproximou-se Sieghart, com aquele costumeiro sorriso relaxado de sempre.

- Está bem bonita, lady. — Sorriu Ronan, enquanto fazia uma mesura. Era realmente muito bom ver todos tão felizes daquele jeito.

- Ah, gente... Obrigada! Muito obrigada! — Algumas lágrimas de alegria escorreram pelo meu rosto. Era tão bom senti-las na pele... — Eu não teria chegado até aqui se não fosse por vocês. Tudo acabou agora!

Entre todos os membros, o único que não se manifestou hora alguma foi, claro, o próprio caçador. Enquanto as comemorações aconteciam, ele limitou-se a ficar no canto de braços cruzados e seu costumeiro semblante sério. Talvez ele não gostasse muito de estar tão perto da alegria das pessoas... Por achar que se manter longe dela seria melhor. Perguntei-me várias vezes no que ele estava pensando, se era algo bom ou ruim... Sempre fora muito misterioso, isso é verdade.

Querendo ou não, a situação era de certa forma irônica. O haros que começou toda essa complicação... Agora membro da Grand Chase e meu aliado. Sinto que o destino pregou-me uma peça. Ou talvez me ajudara, já que não seria mais negócio para ele me matar — como ele mesmo disse — para conseguir algum dinheiro, porque ele sabe que se tentar alguma coisa, os chasers o expulsariam da grande caçada. E isso de forma alguma seria uma boa negociação.

Passados os momentos de alegria, damos meia-volta e resolvemos voltar. Arrumaríamos mais alguma missão quando chegássemos na cidade, ou descansaríamos. Acho digno e justo que todos tenham algum descanso. Ainda me sinto culpada por tê-los envolvido nisso, por falha minha eles correram o risco de serem mortos por Caçadores de Recompensas. Talvez algum dia eu encontre as palavras certas para pedir desculpas.

No meio do caminho, algo chamou a minha atenção. Era um brilho vermelho no horizonte; ninguém mais parecia ter notado. Quando me aproximei pude ver o que era exatamente: uma rosa vermelha. E ela pingava sangue, exatamente como no meu primeiro sonho que deu início a todo aquele pesadelo.

Mas ela era de certa forma diferente, mais bela... Não haveria uma rosa daquela no meio do caminho a toa. Talvez fosse Agnécia tentando me mostrar alguma coisa? Mas logo quando a última gota de sangue caiu no chão, ela desaparecera. Era como se tivesse se desintegrado em pequenos pontinhos vermelhos brilhantes, que foram para o céu. Tive a certeza que aquilo era obra de Agnécia.

"Todo esse pesadelo acabou, iluminada criança. Agora, apenas siga os seus amigos."

FIM.

Notas finais
Bem... Nos vemos por aí!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!