Roommate
8 Don't know what to do
Notas iniciais
Rachel se encontrava sentada em sua cama. Ela estava tão confusa! Seu mundo parecia ter virado de cabeça para baixo, e tudo isso por causa de uma loira que ela não conversava direito há quatro dias. A morena queria descobrir o que estava acontecendo. Seus pensamentos viajavam buscando respostas, mas nada parecia realmente certo. Ela havia considerado a hipótese de estar atraída pela loira. Mas não fazia sentido. Quinn era uma mulher. Rachel Berry não gostava de mulheres. Não daquele jeito.
Desde o quase ocorrido, as garotas só trocavam um “bom dia”, “boa noite” e alguns olhares. Nada demais. Elas quase se beijaram. Duas vezes. No mesmo dia. Rachel não podia acreditar. Por que isso ta acontecendo comigo?! A diva deixou o corpo cair para trás. Levou as mãos aos olhos e quando as retirou de lá, sentiu que elas estavam úmidas. Ela provavelmente estava chorando de novo. Não sabia por que as lágrimas insistiam em cair. Talvez para tentar aliviar um aperto no peito que a estava atormentando ultimamente. A morena sentia falta de Quinn. Elas ainda viviam sobre o mesmo teto. Mas tudo parecia ter mudado.
Rachel levou o olhar até um porta retrato que continha uma foto dela e da loira. Quinn a abraçava os ombros da morena com os dois braços enquanto Rachel os segurava. A diva sorriu. Ela sentia falta daquela “época” quando tudo era simples. Elas eram amigas. Melhores amigas. E era só isso. A morena se sentia com se estivesse passando por aquela fase em que você deixa de ser criança e se torna adulta. Quando tudo deixa de ser simples e passa a ser complicado e desesperador.
Sem saber mais o que fazer, a morena pegou seu celular e ligou para única pessoa em quem ela realmente confiava para ajudá-la nesses momentos.
–Kurt?
– Oi Rach! Quando tempo...
– Eu sei... Me desculpa por não ter te ligado antes, mas eu preciso de sua ajuda. Você pode vir aqui no meu apartamento hoje a noite?
– Claro meu amor... Quer que eu leve algo pra gente jantar? Sua colega também é vegan?
– Ela não vai jantar conosco. Trabalha até tarde.
– Tudo bem então. Te vejo mais tarde... Tchau
– Tchau. – a morena suspirou e tentou procurar as palavras para tentar explicar a Kurt o que estava acontecendo. O problema era que nem ela sabia.
A diva ficou sentada com o rosto entre as pernas por muito tempo. Pensando em tudo e em nada. Tentando achar um motivo para aquela dor que a perseguia desde o ocorrido. Tinham tantos motivos, mas ao mesmo tempo não havia nenhum. A campainha soou fazendo a morena sair de seus devaneios. Num pulo Rachel foi até a porta e deu de cara com o homem alto, de olhos azuis e sorriso encantador que ela aguardava fazia algumas horas. Sem ao menos cumprimentar o rapaz. Ela se jogou em seus braços e deixou as lágrimas caírem.
– Meu Deus Rach! O que aconteceu? — O sorriso de Kurt foi substituído por uma expressão de preocupação. Ele envolver a amiga nos braços e levou-a até o sofá. Deixou que a morena deitasse em seu colo. Afagou suas costas e cabelo até que ela se acalmasse. Uns cinco minutos se passaram até que ela se sentou, secou as ultimas lágrimas que caiam e finalmente olhou para Kurt, dando um sorriso entristecido.
– Oi Kurt. – o amigo sorriu. – Senti sua falta.
– Eu também senti sua falta, meu amor. Mas me conta o que está acontecendo. – Ele olhou para Rachel, preocupado. Colocou as mãos da diva entre as suas, encorajando-a a falar.
– Eu não sei por onde começar... – A morena abaixou o rosto.
– Que tal do começo? – Tentou olhar nos olhos de Rachel.
– Bom... – Ela levou os olhos até o de Kurt. – Você lembra da Quinn, certo? – Kurt assentiu. – Nós desenvolvemos uma amizade bem forte. Eu não sei o que faria sem ela. – Um breve sorriso se formou na face da morena. – Mas ela... Ela é lésbica e parece que sente algo por mim. — Kurt mostrou indiferença.
– E qual é o problema? Vocês não estavam vivendo bem até agora? – O amigo parou por um instante — A não ser que você sinta algo por ela! – Ele disse por fim. Rachel escondeu o rosto entre as mãos.
– Eu não sei o que fazer Kurt! Eu queria poder voltar no tempo e fazer as coisas diferentes. Queria evitar isso. – A diva alterou a voz.
– Rachel Berry! – Kurt fez cara de indignação. – Desde quando você se intimida por uma coisa dessas? Eu sempre te admirei principalmente por você sempre encarar os problemas de frente. E agora você me vem com essa! – A diva olhou confusa para ele.
– Eu não sei o que está acontecendo comigo! – ela gritou.
– Rachel... – o amigo tinha a voz calma. – Qual é o problema se você sentir algo por ela? Ela é mulher, mas e daí? Isso não muda nada. Por que o que vocês podem vir a sentir uma pela outra estará no coração. – Kurt acariciava as mãos da morena.
– Mas Kurt...
– Sem mas. – ele a interrompeu. – Rachel, eu mais do que ninguém, sei o que você está passando. É difícil, é confuso. Mas você não pode simplesmente ignorar.
– Tem tanto coisa em jogo. E eu ainda estou com Finn. – ela tinha os olhos tristes.
– Você ainda não terminou com ele? – Kurt riu.
– Kurt! Ele é seu irmão! E não, eu não terminei com ele. – A morena cruzou os braços em frente ao corpo.
– Você ainda o ama? – Ele perguntou sério.
– Não... – A diva suspirou e deixou os braços caírem sobre as pernas.
– Então o que você está esperando? – O amigo acariciou o rosto de Rachel, que sorriu com o toque.
– Kurt, nós namoramos desde o ensino médio. São seis anos. É muito tempo. Nossas famílias de tornaram uma só. Nós fizemos planos. Ele disse que me amava e eu retribuí. – uma lágrima escorreu.
– Rachel, você precisa pensar no que é melhor pra você. – Ele envolveu a morena num abraço. – Você está com medo de arriscar. De destruir o futuro que você imagina que teria com ele. Está com medo da reação de seus pais. Mas eu vou te dizer uma coisa, você precisa sair da sua zona de conforto e parar de pensar que a vida é um conto de fadas e a vida de vocês dois seria perfeita. – Ele suspirou apertando ainda mais a diva contra o seu peito. – Escuta... Quando você falou pra mim sobre a Quinn pela primeira vez, eu fiquei maravilhado. O jeito que você falava dela. Como era a relação de vocês. Como ela te fazia bem e como ela parecia gostar de você. Foi lindo, Rach. Você nunca falou de ninguém daquele jeito... – ele beijou o topo da cabeça da diva.
–Mas Kurt, tudo é tão...
– Arriscado? Difícil? Confuso? – Ele riu. – Com certeza. Mas essa é a vida, Rach. Me diz uma coisa, quando você decidiu vir para NYC tentar a vida, você arriscou tudo o que tinha. Mas seguiu a sua felicidade.
– Eu sei. Mas é algo que eu tinha certeza que queria. E isso tudo que está acontecendo agora, sabe, a Quinn e tudo mais. Eu não sei é o que eu realmente quero.
– Mas você nunca vai saber se não tentar! – Kurt deu uma sacudida na amiga. – Vamos lá Rachel Berry! Coloque um pouco de emoção nessa sua vida monótona! Termine com Finn! De uma chance a essa mulher! — A morena pôs-se a rir.
– Você falando parece fácil. – Ela riu mais uma vez.
– É fácil. Basta você querer. – Eles se olharam e se abraçaram mais uma vez.
– Quer saber, Kurt? – Ela pôs-se de pé e levou as mãos à cintura. – Você tem razão. Eu vou conversar com Finn e ver no que vai dar. –Rachel disse destemida.
– Essa é a minha estrela! – Kurt se levantou e girou a diva no ar quando ouviu-se a porta do apartamento seu aberta.
Quinn e Santana entravam no apartamento rindo. Kurt estreitou os olhos e em seguida abriu um sorriso.
– Satã?
– Hummel! – Santana olhou para o homem que a examinava com um sorriso.
– Você está ótima. – A latina fez movimentos sexys arrancando risadas de Kurt.
– Desde quando você conhece a anã? – ela apontou para Rachel com a cabeça.
– Desde sempre eu acho... – ele deu de ombros e sorriu.
– Como vocês se conhecem? – A morena parecia indignada.
– Quando eu me mudei para NYC, dividi o apartamento com essa latina aí por um mês. – Os dois sorriram e Rachel aumentou ainda mais a cara de indignação.
– Você aguentou essa aí por um mês!?
– Berry, respeito. – Santana falou e olhou fundo nos olhos da morena, fazendo-a estremecer. E só então a presença de Quinn foi notada na sala. A diva e a loira trocaram sorrisos tímidos. Até que Kurt abriu um sorriso ainda maior e foi até a psicóloga cumprimentá-la.
– Quinn! Rachel falou muito sobre você. – eles apertaram as mãos.
– Rachel também falou bastante sobre você, Kurt. – A loira tinha um sorriso convidativo e agradável no rosto. – Então... Vocês querem comer alguma coisa?
– Rachel falou que você não jantaria em casa, então eu nem me preocupei em trazer algo, me desculpe.
– Não tem problema! Nós fizemos compras. – Quinn apontou para as sacolas que não haviam sido notadas até agora.
Eles arrumaram a mesa e jantaram. Foi tranquilo e talvez pela presença de Kurt e Santana, o clima tenso não estava transparecendo. Tudo parecia normal novamente e isso deixava Rachel muito feliz. Eles jogaram conversa fora como de costume. Kurt e Santana foram até a sala colocar o papo em dia enquanto Quinn e Rachel arrumavam a mesa e lavavam a louça.
O único barulho que se ouvia era o da água que saia da torneira. A loira lavava e a morena enxugava. As duas se seguravam para não falar. Mas ambas já estavam ficando sufocadas. Foi Quinn quem quebrou o silencio.
– Rach! Me desculpa! – Ela soltou de uma vez só e então olhou para a morena. A diva não pediu mais nada, nem disse mais nada, apenas abraçou a loira que a retribuiu. – Eu não queria que tudo ficasse esquisito entre a gente. Eu não quero mais isso, Rach. – A psicóloga dizia entre os cabelos da loira.
– Shh... Tá tudo bem Quinn. – Elas ficaram abraçadas por um tempo e então continuaram a fazer cuidar da louça. Conversaram e deram risadas como nos velhos tempos. Se alguém as visse agora acharia que nada havia acontecido. E elas estavam felizes com isso.
Kurt e Santana forem embora. As amigas decidiram por assistir um filme e acabaram adormecendo no sofá. Quando Rachel acordou, a loira já havia ido trabalhar. A peça da morena havia sido suspensa por alguns dias, pois o teatro estava com alguns problemas no encanamento. Então a diva passava muito tempo em casa. Ela procurava manter distancia de Louis e Sam vivia escondida nos cantos do apartamento. Vez ou outra ela aparecia para brincar com a morena.
A loira, sabendo que Rachel ficava sozinha, decidiu levar a morena para almoçar fora.
– Pretende fazer algo hoje à tarde? – Quinn perguntou com a boca cheia de sushi.
– Quinn! – A morena riu depois de alguns pedaços da comida caírem da boca na loira. – Vou conversar com Finn. – A psicóloga deu uma leve engasgada. Tratou logo de tomar água.
– Conversar? – Disse tentando engolir o resto da comida.
– É. – A morena deu de ombros. – Quero resolver isso. Acho que não está mais funcionando. – A loira pulava de alegria. Por dentro, claro. Ela sabia que isso não mudava o fato de Rachel não querer ela do jeito que a loira a queria. E ela não sabia se teria coragem de por a amizade das duas em risco de novo. Mas saber que a morena estava livre a dava certas esperanças.
Quinn deixou Rachel em frente ao apartamento de Finn. A vontade de tirá-la dali era grande. Por que ela bem sabia que os dois poderiam se resolver e isso acabar em sei lá onde. Ela preferia não pensar. A loira arrancou o carro deixando uma Rachel assustada para trás. O que arrancou risos da psicóloga.
Quinn não sabia o motivo. Mas não conseguia engolir aquele tal de Finn. Eles nunca tinham conversado por mais de dois minutos. E ela também não fazia questão. A loira sabia que tinha ciúmes dele, mas ela também não gostava de vê-lo junto da Rachel por que em sua opinião eles simplesmente não combinavam. Ele era tão gigante e desengonçado e a ela é tão pequena e delicada, as vezes...
Rachel respirou fundo e foi até a portaria do prédio. O porteiro a deixou subir, afinal eles já se conheciam. Bateu na porta três vezes até que Finn a atendeu.
– Rach? O que você faz aqui? – Ele estava estranho.
– Queria conversar. Você tem um minuto? – A morena ia entrando quando Finn a segurou pelos ombros.
– Espera só um pouquinho. – E ela esperou um pouquinho... Bem pouquinho. A diva foi a procura do seu namorado. Seguiu-o até o quarto e de repente ficou estática com a cena que viu.
– Finn. O que significa isso? – Ela tinha os punhos fechados enquanto observava Finn tentando esconder uma mulher dentro do seu armário.
– Rach! Não é o que parece! – Ele estava assustado. A morena se virou e foi em direção a porta. Recusou-se a deixar as lágrimas caírem, ele não as merecia.
– Me solta! – A morena gritou quando sentiu a mão gigante no seu ombro.
– Vamos conversar!
– Não temos nada pra conversar! A cena que eu vi já explicou tudo. Acabou Finn. – Ela cuspiu as palavras.
– Quer saber, Rachel! Eu fiz isso por que você não dava mais bola pra mim! — Ele gritava. – Você só quer saber daquela sua amiga lésbica que não sabe pentear o cabelo e acha que algum dia vai ter algo com você!
– Não ouse em falar da Quinn desse jeito. Ela é mil vezes melhor do que você, Hudson! – Rachel deu um tapa na cara de Finn e saiu do apartamento enquanto o homem esfregava o rosto para abafar a dor.
A morena não derrubou uma lágrima sequer até chegar em casa. Abriu a porta do seu apartamento e se deparou com Quinn deitada no sofá. Rachel não esperava encontrá-la lá.
– Quinn, você não vai trabalhar? – A loira se deu conta da presença da diva. – Cancelaram a consulta. – deu de ombros. A psicóloga tornou a observar a morena que não havia se movido. – Rach, está tudo bem? – A diva foi cedendo. Deixando a tristeza transparecer. Os lábios se curvavam enquanto tentavam conter o choro. Quinn se levantou para ir até Rachel, quando a mesma começou a derrubar lágrimas e lágrimas e caiu de joelhos no chão. – Rach! – A loira gritou e em seguida correu até a morena e envolveu-a em um abraço.
Rachel escondeu o rosto nos braços de Quinn enquanto a mesma se balançava para frente e para trás como se tentasse ninar a diva. – Rach, me diz o que aconteceu... – esperou alguns segundos até a morena conseguir responder.
– Ele me traiu. – disse em meio às lágrimas. Nesse momento, o rosto pálido da loira se tornou um vermelho fulminante. ELE NÃO TINHA O DIREITO DE FAZER ISSO COM ELA. Pensou enquanto abraçava a morena mais forte.
– Eu não acredito que ele fez isso com você. – Ela disse friamente. – Você está chorando por que vocês terminaram?
– Não. Estou chorando por que não acreditava que ele fosse capaz de fazer isso comigo. Não comigo, Quinnie. – Disse entre lágrimas. A loira estava com o coração amassado, rasgado, destruído. Aquela pessoa que ela tanto amava naquele estado por causa de um imbecil. Aquilo não era justo.
– Rach. – ela segurou o rosto da diva entre as mãos. –Não importa o que aconteça. Eu vou estar aqui com você. Eu vou cuidar de você. E aquele monstro nunca mais vai encostar em você. – Ela beijou a cabeça da morena e foi descendo até a ponta de seu nariz. Demorou por lá.
– Desce mais, Quinn. – Rachel sussurrou enquanto a loira ainda beijava seu nariz. Ela se surpreendeu com o pedido.
– O que? – Quinn tinha entendido. Só precisava ter certeza. Seus rostos continuavam extremamente pertos.
– Me beija, Quinn. – A morena disse em um sussurro quase que desesperado. A loira não precisava de mais nada. Ela preencheu o pouco de espaço que ainda existia entre as duas e encostou seus lábios de leve nos da morena. Por um momento, nada passou de lábios. Quinn tinha medo que a diva a rejeitasse se ela tentasse algo mais. Então sentiu a língua de Rachel pedindo passagem. A loira permitiu e então o beijo se tornou mais apaixonado. As lágrimas da diva se misturavam ao beijo. Quinn tirou as mãos do rosto da morena e levou as até a cintura da mesma. Rachel entrelaçou os dedos nos fios dourados. E as duas ficaram ali. Se conhecendo. Explorando. Depois de um tempo Quinn decidiu quebrar o beijo. Seu coração estava a mil por hora. Ela não sabia o que dizer. Não sabia o que estava sentindo. Encostou sua testa na da morena e as duas finalmente se olharam nos olhos. Um sorriso saiu dos lábios da loira. Enquanto um mais tímido apareceu nos lábios da morena. Depois de alguns segundo Rachel disse:
– Isso é...
– Maravilhoso? – Quinn completou.
– Loucura... – Ambas soltaram risos leves, baixos e curtos.
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