Este é Romeu, uma máscara. Você deve estar se perguntando o que há de relevante ou interessante em uma máscara, por favor, não se antecipe ou se aborreça, a resposta é mais clara do que possa parecer a princípio.

A máscara não é bonita, não custaria caro se você a comprasse, não creio que alguém daria mais do que alguns tostões por ela e duvido que o comerciante teria a ousadia de cobrar mais do que ela vale.

"Ah, Romeu..", Julieta suspirava, por esse Romeu ela não suspiraria, tão pouco se importaria se o visse a venda. Porém não falo essas coisas para menosprezar a importância da máscara, digo apenas fatos, embora os fatos não sejam apenas negativos, felizmente para Romeu.

Romeu, Romeu, o que há de especial em ti? O que há de fazer o meu amor florescer?

Minha cara personificação imaginária de Julieta, não a/o conheço mas tenho motivos para crer que você irá compreender os fatos facilmente.

Romeu é uma máscara de carnaval europeu como aquelas bonitas encontradas em Veneza; Romeu não se mostra triste como Pierrot mas não é alegre como o Arlequim, não chega nem perto da beleza de suas compatriotas tão bem enfeitadas, parece até um pouco insosso se fomos comparar mas a singularidade e compreensão compartilhada entre elas é a mesma e sempre será.

Não choram, não riem, possuem por vezes apenas um sorriso quase enigmático nos lábios, como de Monalisa, um sorriso que tem muito a dizer mas ironicamente diz tão pouco sobre a pessoa que a está usando.

As máscaras existem para dar um sentido fantástico para algo tão banal, entretanto infeliz como a dissimulação dos sentimentos. Pavor e medo, tristeza e repulsa, felicidade e raiva, tudo isso está por trás dessas maravilhosas dissimulações.

Não importa se a máscara é bonita ou feia, hipoteticamente sorridente ou claramente infeliz, no final nem ao menos importa a aparência de Romeu, a de Juliano, a de Fabrício ou Beltrano.

A graça está ao perceber que se olhar diretamente em seus olhos, a porta da alma não irá conseguir esconder seus verdadeiros temores. O teatro da vida exige as expressões tão bem articuladas, por vezes veladas da verdadeira intenção e sentimento, porém, se você olhar com atenção para os olhos das máscaras verá o verdadeiro ator, aquele que se finge tão bem, não mais o personagem.

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