Romeo X Jullian
1 Viagem, Jullian e Sorvete.
Notas iniciais
Se eu pudesse escolher... Eu nunca escolheria ter ido naquela viagem. Mas eu era novo... Sabe? Quem recusaria uma boa ida para Nova Iorque, num grupo de adolescentes bêbados que iriam te levar para baladas toda a noite com sua nova identidade falsa e americana? Eu não aguentaria. E o melhor: O voo iria parar em todas as capitais importantes do mundo para buscar os adolescentes. Tinham um limite de idade de até 16 anos. E eu, por sorte só faria 16 duas semanas depois de completarmos a viagem.
Você deve estar se perguntando, por que esse garoto odiou tanto a porra de uma viagem para Nova Iorque, passando por todas as capitais desse mundo? Apenas um motivo: Jullian Middleford. O americano que me acompanhou durante a maior viagem da minha vida. Ele destruiu a minha vida... Mas eu conto isso para vocês depois, agora, segundo o meu roteiro... Tenho que contar como foi o dia do começo da viagem e até a hora em que o vi pela primeira vez. Então, tá. Aqui vou eu!
Tudo começou naquela simples e comum segunda-feira, enquanto eu estava me arrumando para a escola e escutando o rádio. Eu arrumava o meu paletó azul junto da gravata da mesma cor, até que um grito levou a minha música favorita para a puta que pariu.
— EI, VOCÊ!
— Oi. — Respondi para o locutor da rádio. Sabe como é, forever alone é forever alone.
— ESTÁ ENTEDIADO?
— Bastante.
— SABE FALAR INGLÊS?
— Claro que sei, não sou imbecil que nem você. Seu merda.
— ENTÃO VENHA PARA A MAIOR, MELHOR E MAIS FANTÁSTICA EXCURSSÃO DO MUNDO! UM ANO OU MAIS FORA DE NOSSA AMADA TÓQUIO, ESTUDANDO INGLÊS E CONHECENDO O MUNDO TODO! —
— Hm.
— E VOCÊ NEM PRECISARÁ FAZER ESSE ANO NA SUA ESCOLA!!
— OPA, AGORA SIM. É NÓS, LOCUTOR!
— LIGUE AGORA PARA 3333-2201 E DESCUBRA MAIS DETALHES!
E lá estava eu, sacando meu celular e ligando para o tal número. Por quê? Eu não sei... Não sei mesmo. Apenas fiquei muito animado com isso. Depois que me atenderam, antes que eu tivesse percebido, já estava de malas prontas, me despedindo de meus pais e de meu irmão caçula.
— Não esqueça do protetor, filhinho! — Dizia minha mãe aos prantos. Eu não sabia por que, afinal, agora eles finalmente poderiam alugar o meu quarto, do jeito que sempre quiseram para ganhar um dinheiro extra e ainda teriam um filhinho certinho que nem o Akira. Aquele otaku nerd...
— Meu fihão... Está... VIAJANDO!
— Calma, mãe... E pai... Eu só vou viajar por dois anos. Não é tanto.
— Vamos sentir sua falta, Rome-chan! Agora vem, todos juntos! — Ela nos juntou num abraço grupal humilhante e pediu para um estranho tirar uma foto. Eu não sei porque essas pessoas que tem que ficar tirando fotos dos outros não saem correndo com a máquina. É o que eu faria. Se fosse uma máquina boa, pelo menos.
Ao acabar a seção vamos-humilhar-nosso-filho-para-ele-pensar-que-o-amamos-e-depois-que-ele-sair-vamos-alugar-o-quarto-dele-e-comprar-uma-moto acabou, eu seguia um guia que parecia ser meio gay, ou tinha tomado muito café de noite, e mais umas duas garotas em direção a um enorme avião de dois andares. Que segundo o pessoal do pacote de “férias” era o maior avião que já havia atravessado o mundo DO MUUUUUUNDO. Andamos, andamos até que já estávamos dentro do avião. E sim, eu sou meio distraído mesmo. Por quê?
— Hm... Hikaru Romeo?
— Eu. — Murmurei, timidamente. Agora que eu tinha percebido: Teria que socializar com as pessoas. Fodeu.
— Você senta na cadeira 2c do segundo andar, qualquer coisa é só me chamar. Mas por favor, não chame.
Assenti para aquele estranho (e bipolar) homem e subi as escadinhas para o andar de cima. Era realmente um avião muito grande, hein. Tinha de tudo: Lan house, cozinha, lugar para comer, cadeiras que reclinavam e viravam camas e o melhor: MÁQUINA DE SORVETE. Isso sim seria uma viagem maravilhosa. Fui devagar e de cabeça baixa para a fileira de assentos e procurei o 2c. A fileira 2 inteira estava vazia. A não ser pelo ruivo que estava jogando Nitendo DS no canto e com suas pernas esticadas no meu lugar. Meu lugar. Fui na minha mesmo, né, fazer o quê e me sentei nas pernas dele, fingindo que nada tinha acontecido. O mesmo corou de modo animal e ficou me encarando, depois de começar a gaguejar... Estranho.
— O-O-O-O que... Q-Q-Quem é você?
— Acho que sou seu... Colega de cadeira. Mas deixa eu te ensinar uma regra básica para conviver comigo: Nunca coloque seus pés por cima da minha cadeira. Ok? Ok. — Ele me olhou assustado, o que me fez dar uma leve risadinha. Ele parecia um cara engraçado, ainda mais por ficar corando gaymente desse jeito. — Aliás, sou Romeo Hikaru. — Estendi minha mão para ele, com um sorriso no rosto.
— E-E-Eu sou... Ju...Jullian. Jullian Middleford. — Ele segurou na minha mão, mas começou a suar e logo a soltou.
— Então, Ju... — Ele pareceu ficar ainda mais nervoso com o apelido. Porque toda essa festa, amigo? E então eu percebi... Estava sentando nas pernas dele e muito perto... Daquela parte. Rapidamente me levantei e mais rapidamente ainda Jullian colocou as pernas em seu devido lugar: O chão. Beeeeem longe do meu lugar. Esse garoto aprendia rápido. Gosto disso. — Me desculpe. Mas enfim, de onde você é, Ju?
— Ah, sou da Califórnia. Muito prazer, Hikaru! — Ele pareceu bem mais aliviado depois que eu sai de cima dele, mas... Ainda parecia tímido... Seria ótimo brincar com esse garoto.
Depois de umas horas, eu já sabia exatamente tudo que eu deveria saber sobre Jullian Middleford: Ele era filho único, tinha 17 anos (mas disse que tinha 15), morava com a mãe e o padrasto, estudava em um colégio interno só para meninos (Dureza...), era BV, gamer e adorava biscoitos e variados tipos de doce. E ele já sabia tudo sobre mim, tudo mesmo. Poderíamos virar BFs já.
E como eu não tinha comido nada desde o café-da-manhã, uma hora eu ia sentir muita fome. Então me levantei sem dizer nada para Jullian e fui em direção a maquina de sorvete. Peguei uma casquinha só e fiz uma enorme montanha de sorvete e levei até o meu lugar. Ju (novo apelidinho carinhoso!) riu ao perceber o tamanho da minha pilha de sorvete.
— Vai comer isso tudo, Rome-chaaan? — Sim, ele sabia meu vergonhoso apelido.
— Claro que não, né Ju. Trouxe pra você também. É só lamber. — E então, comecei a lamber o sorvete e de vez em quando dava umas olhadas para Jullian, que estava super corado ao me ver fazendo aquilo. Parei, né. Tantos olhares podem deixar um garoto chupando um sorvete bem envergonhado. — O que foi...? Quer também? Vem cá!
— Não... Obrigado...
Então peguei um pouco de sorvete e sujei minha boca, me aproximando lentamente do ruivo. Olhava em seus olhos, sentindo meu rosto esquentar e meu coração acelerar de leve.
— Pega, ou eu vou ter que te forçar a comer isso? — Ao falar isso, nossas bocas já estavam a apenas milímetros de distancia e Jullian estava desviando o olhar e ainda estava corado. Ele era tão sexy... E QUE MERDA DE PENSAMENTO É ESSE? PORRA, ROMEO HIKARU, TU É HOMEM CARALHO. Afastei-me rapidamente, percebendo que a mão do ruivo em cima da minha coxa. Por mais que eu tivesse me afastado, nossos olhares ainda estavam conectados. Eu não conseguia me separar dele... Não conseguia. E eles só se separaram minutos depois, quando o sorvete derreteu e caiu todo na minha calça. Legal, agora era os dois olhando para as minhas intimidades sujas de sorvete de baunilha.
Sem falar nada, eu me levantei e fui me limpar né. E quando eu voltei, Jullian estava deitado na sua cadeira, dormindo no canto. Será... Que eu tinha feito algo de errado?
Não, espera... O que estava acontecendo comigo? Estava preocupado com um garoto que tinha acabado de conhecer... Será que tinham drogas no sorvete? Só podia.
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