Romance Mortal
6 Missão Japão - parte 1
Notas iniciais
Quarta-feira, 03/11/2010 12:25 P.M
O silêncio mantinha-se entre a azulada e o albino, mas felizmente depois de algum tempo eles chegaram à dita praia.
- Que eu me lembre aqui é território de gangue – disse a azulada, descendo da moto.
- Está com medo, é? – debochou o albino.
- Eu? Medo? Rá, essa é boa – riu ela. – Eu estava apenas comentando, afinal não queremos que você se machuque, não é mesmo Lass? – soltou uma deboche para o albino enquanto este apenas bufava.
- Então vamos tirar a prova agora – ele apenas encostou-se na moto e indicou com a cabeça cinco rapazes que se aproximavam.
A azulada cruzou os braços e observou de canto de olho os rapazes chegando-se. Bufou.
- Não são grande coisa – disse, se aproximando mais do albino e juntando seus corpos para que pudesse sussurrar em seu ouvido.
O garoto passou o braço pela cintura desta, que apenas ergueu a sobrancelha em surpresa.
- As coisas estão ficando interessantes – pensou a azulada, colocando a mão sobre o peito dele e aproximando seus lábios.
Antes de o beijo sequer ter inicio, o braço da garota foi segurado e esta foi puxada para junto do ‘líder’ da gangue.
- O que pensa que está fazendo? – praguejou Mari, irritada com aquela atitude rude. Lass apenas sorriu.
- Tá rindo do quê, moleque? Tem medo de morrer não? – gritou o rapaz que aparentava ser o braço direito do líder.
Lass deu de ombros.
- Eu ri da atitude dela – olha para o líder. – Você não vai deixar essa ‘garotinha’ falar assim com você não, né? – perguntou o albino em deboche fixando seu olhar no da azulada. – Quero ver você se safar agora – pensou com hostilidade enquanto sorria para ela.
Mari franziu a testa para o dono da moto.
- Você virá conosco, garota – afirmou o líder, virando-se e puxando-a pelo braço.
Antes que dez passos pudessem ter sido dados, a garota puxou o membro de volta e virou-se, voltando a caminhar em direção a Lass.
- Hey, volte aqui, sua vadia... – antes que a frase pudesse ter sido completa, ela virou-se e apontou uma arma na cabeça do líder, o que surpreendeu a todos, inclusive o albino.
- Mas o quê? – o dito líder vasculhou suas calças em busca se sua pistola mas não a encontrou.
- Não adianta procurar o que está bem diante de seus olhos – anunciou a azulada. Sua voz, tão fria quanto gelo, ecoou pela cabeça dos rapazes. Foi então que eles a reconheceram.
Mari abaixou um pouco a arma, percebendo a hesitação da gangue. Ela franziu o cenho e mirou na coxa do líder, logo disparando o primeiro tiro, fazendo-o cair de joelhos.
- Vão embora antes que eu machuque mais do que só o Mike – disse, jogando a arma para o líder nomeado Mike. Foi então que o albino percebeu que esta usava luvas negras com detalhes azulados.
O resto dos rapazes ajudou seu líder e logo saíram do local.
Ela virou-se e voltou a andar em direção ao albino.
- Pronto. Agora você tem a certeza de que eu não sou medrosa como as outras vadias idiotas do colégio? – perguntou Mari, com certa irritação na voz. Ele apenas ergueu a sobrancelha em surpresa e, por longos minutos, os dois se encararam.
- Como você adivinhou que eu estava testando você para saber se não era apenas manha de novata que quer aparecer? – perguntou, suas sobrancelhas ainda erguidas em surpresa. Parece que o albino havia encontrado uma ‘companheira de aventuras’.
Mari bufou.
- Avá! Só uma burra não perceberia. Além do mais, quando eles se dirigiram até o senhor... – apontou para Lass. – Você não agiu como agiria normalmente, ficou na defensiva e esse é o primeiro sinal de que está testando alguém – terminou de falar, jogando seus cabelos sobre os ombros.
Ele sorriu.
- Você é esperta. Depois dessa, te pago um milk-shake – anunciou o albino, subindo novamente na moto e fazendo sinal para que a garota fizesse o mesmo.
- Agora você está falando a minha língua – disse com um sorriso para logo em seguida subir na garupa.
Quarta-feira, 03/11/2010 13:35 P.M
- Tá, agora diz. Como você sabia o nome dele? – perguntou o albino, não conseguindo esconder a curiosidade. A azulada sorriu.
- Fácil, a irmã dele é uma conhecida minha – disse ela.
- Você quer dizer sua amiga – ela negou com a cabeça.
- Ela é conhecida minha. Isso não quer dizer exatamente que ela é minha amiga, estamos mais para inimigas mortais do que amigas – a azulada sorriu novamente enquanto tomava o que restara de seu milk-shake de baunilha.
- Você não parece do tipo de garota que tem inimigos... – ele olhou-a melhor. Seus cabelos azulados soltos, seus óculos quase invisíveis frente a seus olhos bicolores, suas roupas negras de detalhes azulados, sua aparência séria onde algumas vezes podia-se ver um sorriso provocador – Pensando melhor...
A azulada rui-se.
- Tenho alguns inimigos, mas acho que já falei de mais de mim. Quero ouvir algo sobre você – a garota apoiou os cotovelos sobre a mesa e sorriu.
- O que quer saber? – perguntou, afastando a taça de sua sobremesa, encostando-se melhor no estofado atrás de si e observando tediosamente a paisagem urbana através da janela.
- Hmmm. Mora com seus pais? – perguntou inicialmente.
- Não. Meu pai está preso com sentença de morte, minha mãe desapareceu quando eu ainda era criança e minha tutora não tá nem aí pra mim – ele sorriu. — E você?
- Meu pai ta por aí com alguma vagabunda, minha mãe foi assassinada quando eu era criança e meu tutor tá... – ela refletiu por uns segundos. – Sei lá onde ele tá — os dois sorriram.
A conversa continuou por um tempo até que estes decidiram que o melhor agora seria ir para casa, ou não.
A azulada levantou-se de seu acento. Em seguida, o albino fez o mesmo.
- Põe na minha conta, Arme – gritou ele para a dona da sorveteria, que o observava com certo brilho nos olhos.
- Hmm. Sua namorada, é? – perguntou Mari, olhando para o albino de canto de olho enquanto estes saíam da dita sorveteria. Ele sorriu.
- Ciúme? – perguntou, erguendo as sobrancelhas para a azulada.
- Nem vem que não tem – respondeu, jogando os cabelos por sobre o ombro. – Apenas percebi o jeito que ela olhou para você.
- Sei – disse ele, rodando os olhos. Um sorriso se formou em seus lábios.
Ela bufou.
- Você se acha, garoto – disse enquanto caminhava em direção a moto.
O albino vinha em seu encalço.
- Eu não me acho, você foi quem ficou com ciúme – disse, fazendo-a virar-se para ele e erguer as sobrancelhas em desgosto.
Sorriu parando frente à jovem.
- Se você diz – deu de ombros. – Mas agora eu dirijo – anunciou a azulada, mostrando a chave entre os dedos.
- Como você a pegou? – ele sentia-se cada vez mais curioso quanto a estas atitudes dela. Poucos eram os que surpreendiam o rapaz. Na realidade, ela era a única pessoa que ele conhecia que, até o momento, conseguiu o pegar desprevenido.
- Você é muito desleixado, sabia? – disse a azulada com um sorriso enquanto subia na moto e a ligava.
Ele bufou.
- Você é mais estranha do que parece – disse, subindo também na moto.
Mari sorriu e ligou o veículo. Logo sentiu os braços do albino envolverem sua cintura.
- Onde vamos? – perguntou ele em seu ouvido.
- Hmmm, deixe-me pensar – disse ela, logo sentindo o celular vibrar em seu bolso. – Ótimo – disse em desgosto, enquanto via quem a ligava.
- Quem é? – perguntou ele, percebendo a hostilidade que se formava no rosto da garota.
- Meu pai – falou Mari, atendendo o celular. – Alô? – Ela escutou atenta ao que o homem dizia e logo desligou o aparelho.
Assim que o fez, o celular do albino também toca.
Lass apenas olha o visor de seu telefone e sua expressão muda para desgosto.
- Parece que hoje não é o nosso dia – comentou ele.
- Nem me fale – sussurrou a garota, dando a partida na moto, sentindo, mais uma vez, os braços do albino envolverem seu corpo. – Mas foi bom enquanto durou.
Logo ela chegou até sua casa e rapidamente desceu da moto.
- Não tá esquecendo de nada não? – perguntou o albino, com certa malicia na voz.
Ela apenas o olhou de canto de olho e sorriu.
- Está querendo demais, moleque – disse a azulada, virando-se e ajeitando sua bolsa no ombro. Logo pôde-se escutar a moto do albino partindo.
A garota adentrou sua casa e observou o moreno sentado no sofá. Percebia-se que este estava nervoso, pois foram raras às vezes em que ele viu o pai da azulada pessoalmente e, realmente, a expressão do homem amedrontava qualquer ser vivo. Exceto, claro, sua filha, que conseguia ser tão fria quanto ele próprio.
- Pai – disse a garota friamente, vendo o homem virar-se para ela com uma expressão séria.
- Tenho mais um serviço para você, Mari – anunciou o homem.
O caso devia ser importante, disse Mari a si mesma. Eram incrivelmente raras as vezes em que seu pai vinha lhe passar um ‘trabalho’ pessoalmente.
Ela sorriu e tirou sua pistola da bolsa.
- Quantos terei de matar? – perguntou a azulada.
- Nenhum, eu espero... – falou o homem, fazendo com que a azulada e Sieghart ficassem surpresos. – Você irá para o Japão montar um contrato com o chefe da Yakusa.
- Farei o que o senhor manda... chefe – disse ela, caminhando para a escadaria e subindo esta. – Arrumarei minha malas. Quero partir ainda hoje – anunciou jogando a arma para Sieghart. — Quanto mais rápido eu voltar, mais rapido verei Lass de novo — ela riu consigo mesma e logo adentrou seu quarto.
O albino mantinha sua moto em aceleração moderada. Observava a frente e desviava dos carros, mas sua atenção estava voltada para a azulada.
Como podia tal garota mexer com ele? Perguntou-se isto por várias vezes.
Freou a moto rapidamente, já parando frente ao prédio onde trabalhava.
Desligou seu veiculo, pegou as chaves e desceu, já caminhando em direção a entrada. Passou pela recepção, onde uma loira acenou para ele e logo virou-se para paquerar o ruivo que fingia lhe pedir um informação.
O garoto adentrou no elevador e subiu até o último andar, onde, assim que as portas se abriram, deu de cara com seu chefe, Dio, que apenas lhe entregou uma pasta cheia.
- Está aí tudo o que você vai precisar para esta missão – anunciou o mais velho, entrando no elevador e apertando o botão para que a porta fechasse.
Lass abriu a pasta e passou os olhos pelos papéis.
- Japão? – perguntou, franzindo o cenho.
- Sim. Você terá que impedir que a Yakusa faça um contrato com a máfia daqui – iniciou Dio. – Tome cuidado.
O garoto bufou.
- Eu mato esses caras antes mesmo que eles cheguem ao Japão – disse o albino, fechando a pasta e encarando seu chefe com um sorriso convencido.
- Fui informado de que apenas uma pessoa está sendo mandada – falou o mais velho. – Um especialista.
- Especialista? Que eu saiba, os especialistas são raros hoje em dia. Não acho que a máfia se arriscaria a esse ponto – disse o albino, meio surpreso.
- Não se deixe enganar, Lass. Especialistas são raros, mas são difíceis de confrontar, você sabe disso melhor do que ninguém. Eles adaptam-se a qualquer situação – Dio encarou o albino. – Eles podem ser qualquer pessoa.
As portas do elevador se abriram e o jovem saiu deste.
- Não se preocupe, chefe. Posso lidar com um especialista, afinal eles são raros por minha causa – anunciou, sorrindo convencido enquanto as portas fechavam-se frente ao mais velho.
- Você não vai, Elesis – falou, virando-se e encarando a ruiva que preparava-se para puxar a pasta de suas mãos.
- Droga – resmungou ela em desgosto.
O albino passou pela ruiva zangada e logo viu a recepção vazia. Provavelmente Lire estaria se agarrando com Ryan atrás do prédio. Logo seus pensamentos foram invadidos pela azulada. Ele balançou a cabeça, tentando afastá-los, mas era impossível.
Subiu na moto e partiu rumo a sua casa.
Queria acabar logo tudo isso para que pudesse vê-la o mais rápido possível. Não que ele gostasse dela, claro que não, mas, para ele, a companhia dela era algo um tanto... agradável.
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