Rodrigo e o horror de Scuti
7 Gato, Chevette e perigo espacial
Eins era um gato hiperativo e maníaco por coisas como peças mecânicas e motores. Passou meia-hora falando sobre como reconstruiu um carro para Rodrigo, sem se importar com a paciência do rapaz. E não parou por aí. O bichano revelou que o Chevette também podia servir de nave para navegar pelo espaço.
— Não é excitante? Isso tudo foi construído pensando numa possibilidade de levar alguém por aí — Eins alisava o bigode de gato.
Rodrigo falou para Eins que ele se assemelhava ao cientista do filme Back to the Future. Até a ideia de construir uma máquina viajante a partir de um carro.
— Não precisa me elogiar, seu bobo... nya.
— Posso te perguntar algo?
— O que o filho da poderosa Sílvia quer saber? Hein, hein? Por acaso quer ser o meu aprendiz?
— Não é isso — Eins olhou de forma protestante. — Só tenho curiosidade como é viver na Terra de Baixo. Acabei de chegar de lá, mas Megav não é um planeta habitado por uma civilização. Queria saber mais sobre outros planetas.
O bichano polia o carro. Suspirando, ele falou que era como viver na Terra. Mas a Terra de Baixo era mais suscetível a governos ditatoriais. Tal como os humanos, espectros civis viviam pacificamente.
— Mas sempre surge algum louco com mania de grandeza, com fome de escravizar e dominar. O império Scuti nem sempre foi assim.
— Perdão?
— Scuti é filho único do antigo imperador. Mas o velho espectro morreu misteriosamente e seu filho assumiu. Isso há 2 milênios. Eu li isso em algum livro de história do meu planeta.
— Eins, você veio de qual planeta? Será que é um desses que foi tomado pelo império?
O gato parou o trabalho e revelou ser cidadão de Obdia-6, o lar do imperador.
Amarilys surgiu e pediu para os dois se prepararem. Um portal dimensional estava para ser feito e não podia existir um resquício de atraso.
— Sabe o que eu acho, nya?
— O quê?
— Vamos entrar no Chevette.
Os dois entraram no carro. O painel do veículo parecia a de um modelo normal até que Eins apertou um botão no teto. O painel do carro era digital e com sensores touch-screen.
— Uau! Você instalou tudo isso?
— Não viu foi nada. Essa belezinha tem aerofólios.
— Incrível! E o que isso faz? — indagou, apertando um botão touch no painel, deixando o gato apreensivo.
— Isso é o piloto automático!
O carro quebrou a parede da garagem e saiu em disparada pelo corredor. Obviamente, Eins estava para morrer do coração quando viu o estrago. O veículo freou poucos centímetros de Amarilys.
— A culpa é toda minha — falou Rodrigo, olhando o semblante da guardiã fulminar Eins.
— Eu não tenho culpa e sou visto desse jeito. Isso é espectrofobia!
— O portal já está aberto. E não apronte quando estiver na Terra de Baixo — avisou ela, como um aviso prévio de alguma ação do gato.
— Eu já saí daquela merda por não gostar de viver lá. Óbvio que não aprontarei. Aff... eu não vou muito com a cara dessa enxerida.
O Chevette entrou no elevador, que era grande suficiente para caber um carro, e subiu ao andar superior. Saindo assim que a porta abriu. O salão estava vazio, mas as pessoas fizeram um circulo para verem o veículo e a partida dos dois ao território hostil. O portal fora aberto com a magia das dez Marias mais poderosas naquele bunker, incluindo Amarilys.
— Tá pronto? — Eins olhou para Rodrigo, excitado.
— Vai com tudo.
— Vamos embora, filho da Sílvia.
O gato pisou no acelerador e foram direto ao portal. Em instantes, o veículo passou e desapareceu dos olhos de todos.
...
A Terra de Baixo era um universo um tanto igual ao dos humanos, porém havia detalhes que deixavam o lugar dos espectros uma verdadeira loucura. O preto do espaço dava lugar a uma coloração violeta. Também era muito mais comum nebulosas.
— Isso parece um sonho — Rodrigo observava tudo ao redor sem acreditar.
Eins mexia em algo. Avisou que o carro foi lacrado e que respiravam o oxigênio pressurizado.
— Instalei uma cápsula de oxigênio de dez centímetros. Apesar de pequena, a cápsula armazena oxigênio para o ano todo. Ah...
— Que foi?
O gato tirou o cinto e olhou para o banco do passageiro. Se inclinou para pegar algo dentro de uma caixa. O rabo de Eins batia no nariz de Rodrigo.
— Aqui. Tome — ele deu um pacote de biscoito e suco em caixa ao rapaz.
— Pensei que pegaria alguma arma.
— A melhor arma é o estômago cheio, nya — Eins comia uma sardinha.
Após o lanche, Eins pediu para Rodrigo se preparar com o impulso do Chevette. Dois propulsores surgiram na traseira do carro e liberou um jato. O carro viajava a 100 mil quilômetros por hora.
— Vejamos... — uma tela surgiu no painel. O objeto mostrada as coordenadas e a distância para o planeta mais próximo. — Sorte que viemos perto de um dos 5 planetas. Vamos levar 7 horas para chegarmos.
— Tanto tempo?
— Menino...! Tu acha que o espaço é um bairro? Agradeça que estamos perto. Dá pra ver o planeta daqui.
O ponto luminoso era o planeta em questão. Apesar de poder ser visto a olho nu, ainda estava a uma grande distância, por isso levariam sete horas até chegarem à órbita.
Um satélite galático em forma de esfera captou a presença do Chevette.
Perto do planeta, uma estação espacial transeunte recebeu a informação do satélite. A estação tinha a forma de uma pirâmide.
— Senhor Docko! Senhor Docko! — um soldado alienígena muito parecido com um grey e vestindo uniforme prateado entrou na cabine.
— Já te disse pra não atrapalhar quando estou com as concubinas — um tentáculo segurou o grey pelas pernas.
— Captamos um sinal de uma pequena nave indo pra Fuji-10! O sinal vem de origem desconhecida, não é do nosso universo.
— O quê?!
A sombra no recinto pediu que verificassem melhor a nave em questão. O Chevette surgiu nos monitores. Logo, descobriram que eram pessoas oriundas da Terra de Cima.
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