Rodovia para o Inferno

3 Capítulo 2: O demônio na Garota


Notas iniciais
Neste capítulo Sam e Dean estão sem Ruby. Editamos o capítulo para corrigir alguns erros de digitação e uma pequena falha na história. Boa leitura!

Sam Winchester

Uma semana se passou desde que Dean e eu brigamos. Logo após deixá-lo falando sozinho sobre o que pensava de Ruby, andei alguns quilômetros até pegar uma carona com um caminhoneiro qualquer e me hospedar no motel mais distante do meu irmão que eu consegui.

Me recusava a parar e refletir sobre o que Dean havia me dito, eu já havia explicado tudo a ele e o mínimo que ele deveria me oferecer era sua confiança. Assim, após passar algum tempo com Ruby, ela me convenceu a fazer as pazes com meu irmão. Para isso, fizemos um trato: ele não tocaria no assunto “Ruby é um demônio, vai nos trair e nos matar” e eu ficaria responsável por ela e por qualquer coisa que ela faça e nos prejudique.

***

Estávamos eu e Dean sem fazer nada, o tédio típico antes de encontrar uma caçada decente, quando ouvi o telefone tocar e caminhei até a mesa onde ele estava posicionado:

– Alô? – atendi.

– Sam, é o Bobby. – a pessoa do outro lado da linha me respondeu.

– Bobby? Que bom falar com você! – eu completei.

– O Dean esta aí? – Bobby perguntou.

– Sim... Dean! – eu gritei chamando-o.

– É o Bobby na linha? – ele perguntou.

Fiz que sim com a cabeça e pus o celular no viva-voz.

– E aí, Bobby! – Dean o cumprimentou.

– Rapazes, tenho um caso para vocês…

– Por que não vai resolvê-lo, Bobby? – perguntei com cordialidade.

– Estou centrado em um caso de vampiros! – ele explicou.

Dean me fitou com ar de interesse.

– Uma mulher foi atacada por seu marido, e algumas semanas antes... – Bobby deu uma pausa no que falava. – Seu cachorro idiota, saia do meu quintal! – ouvi um barulho surdo, parecia que ele estava jogando algo no tal cachorro.

– Bobby? – eu o chamei.

– Sua sogra foi assassinada na casa que eles moram.

– Caso de fantasma? – Dean indagou.

– É o que parece. Tenho que desligar. – e assim Bobby fez.

Eu e Dean fomos até um fundo falso do quarto que estávamos (que dessa vez não era de motel), e pegamos alguns “objetos de caçador”. O Impala estava estacionado logo na porta, entramos no carro e Dean dirigiu até o endereço que Bobby havia enviado por SMS.

Já na estrada Dean começou:

– Já estava com saudades disso…

– Disso o quê? ­– eu interroguei, logo pensei que ele se referia a não estarmos com a Ruby.

– De caçar algo além de demônios, Sammy. – ele completou com naturalidade, sorrindo no final.

Após alguns minutos de estrada (e bastante conversa), finalmente chegamos ao local do caso. Alguns policiais rondavam a casa. Dean e eu descemos do carro e andamos até o mais pomposo, que se encontrava a beira da porta.

– Agente Brouns. – disse Dean.

– E agente Macklemore. – eu completei.

O homem que agora segurava um copo de frapuccino acenou com a cabeça.

– Vamos, entrem... – ele nos convidou.

Sr. Kofer, esse era o nome dele. Ele nos explicou o que havia acontecido e disse que teria que embora com sua equipe, havia acontecido um roubo de gado há alguns quilômetros dali e ele tinha que resolver.

Eu e Dean caminhamos por toda a casa, não achamos evidências de possessão fantasma. O caso era simples e obvio: uma morte e um ataque fantasma. Precisávamos apenas salgar e queimar os ossos da mulher.

Dean ligou para Kofer e perguntou em que lugar a mulher estava enterrada:

– Ela não foi enterrada, agente Brouns.

– Não foi enterrada? – Dean indagou.

– Ela foi cremada. Era um desejo antigo dela... – ele acrescentou.

– Obrigado, agente Kofer. – Dean agradeceu e em seguida desligou.

Dean bufou.

– Ela deve estar presa a algum objeto, Sammy.

Eu andei até o bar do canto da sala, observei as taças de cristal, no canto havia algo estranho. Passei o dedo na substância e afirmei:

– Enxofre.

– Enxofre? – Dean interrogou. – Mas devia ser plasma, Sam! – ele disse com meio sorriso.

– Não estamos lidando com um fantasma, Dean.

Ele me olhou um pouco assustado, devíamos concluir o caso. Liguei para Bobby para perguntar se ele havia nos esquecido de contar algum detalhe do caso:

– Sam... – ele disse me atendendo.

– Você por acaso, se esqueceu de nos contar algum detalhe sobre o caso? – eu perguntei.

– Oh! Claro! – ele exclamou. – Sarah, ela insistiu em trabalhar no caso com vocês…

– Sarah? – Dean perguntou entusiasmado.

– Vocês ainda não estiveram com ela? – Bobby interrogou.

– Não, – eu respondi sem me interessar muito – ainda não.

– Mas espero que a vejamos em breve! – Dean disse com um tom galante.

Eu olhei para Dean, ele sorriu brevemente.

– O caso não se trata de um fantasma, Bobby. – Dean começou contando.

– Achamos enxofre na sala... – eu completei.

– Sarah vai ajudá-los, rapazes... – Bobby disse, parecendo que queria encerrar a ligação.

– Bobby... – eu disse antes que ele pudesse desligar.

– Sim? – ele respondeu.

– Eu... Eu... – me embolei. – Gostaria que localizasse uma pessoa…

Dean me olhou e bufou. Ouvi o suspiro de decepção de Bobby do outro lado da linha.

– A vadia loira? – ele perguntou, adivinhando.

– Ruby. – respondi enfatizando que seu nome não era “vadia loira”.

Já havia dias que Ruby não aparecia e nem sequer dava um telefonema. Ela esteve comigo nos primeiros dias em que voltei a trabalhar com Dean e depois simplesmente desapareceu.

– Vou ver o que posso fazer, Sam. Desligando. – o sinal cessou.

Como o combinado, Dean não sinalizou nenhum pensamento contrário à Ruby quando pedi ao Bobby que a encontrasse. Se tudo continuasse desse jeito, não teríamos muitos problemas com os dois.

Ouvi alguém bater na imensa porta da madeira, parecia que ia derrubá-la.

– Sam. Dean. – uma voz feminina e estranhamente sexy soou por de trás.

– Eu atendo... – Dean disse levantando-se abruptamente.

Ele abriu a porta e fitou a mulher, que vestia um short jeans e uma blusa xadrez dobrada até o cotovelo, dos pés a cabeça, ela nem sequer moveu os olhos.

– Sou Sarah. – ela disse apresentando-se.

– Como nos achou? – eu interroguei antes mesmo dela entrar.

– Vocês deixam pistas, idiotas! – ela entrou. – “Idiotas”, não é assim que o Bobby chama vocês?

Os olhos de Dean brilhavam como o de um cachorro quando recebe um brinquedo novo. Depois de conversarmos durante algum tempo, ela havia nos contando sobre várias caçadas suas e sobre o porquê de ter entrado para esse “ramo”.

Explicamos a Sarah que tínhamos certeza que não estávamos tratando de um fantasma, e sim de um demônio. Ela sugeriu que fossemos até a casa, assim fizemos:

– Trancado. – ela disse enquanto rodava a maçaneta.

Dean pôs as mãos no bolso de dentro da jaqueta de couro, estava em busca se algo para arrombar a maçaneta, rapidamente Sarah retirou de dentro do bolso do short, um grampo de cabelo, com quatro ou cinco delicados movimentos na fechadura: lá estava, a porta aberta.

Ela sorriu cordialmente para Dean e ele respondeu mordiscando os lábios inferiores. Eu revirei os olhos.

– Você e Sam procuram no andar de cima, eu estarei aqui embaixo. – ela ordenou a Dean.

Subimos até o segundo andar, a casa era muito grande, havia vários corredores e várias portas.

Quando viramos a esquerda, no corredor, vimos um homem alto parado ali, por sorte, na frente dele havia um vaso metalizado. No reflexo podíamos ver seus olhos totalmente pretos reluzindo.

– Demônios... – eu sussurrei para Dean

Ele concordou com a cabeça. Retirei a faca de Ruby do bolso do meu casaco, segurei-a com a mão direita, Dean fez um ruído proposital no meio do corredor, o demônio foi até ele, abruptamente fui por trás e cravei a faca em seu peito. Alguns flashes de luz saíram de dentro do corpo do homem, agora morto.

– Precisamos avisar Sarah. – Dean me lembrou.

Quando íamos descer as escadas ouvimos Sarah gritar:

– Dean! Ahrrrr! Dean!

– Sarah. – Dean sussurrou.

Ele desceu as escadas rapidamente e foi até onde o som vinha. Quando olhei para cima, dois deles vinham em minha direção, havia muito tempo que não tomava sangue de demônio, não tinha energia para exorcizar o dois e menos ainda para mata-los.

Pensei rápido. Exorcizei o primeiro deles. Ele contorcia-se aparentando dor, em alguns segundos uma fumaça preta foi expelida de dentro do corpo.

O segundo era um homem corpulento, mas muito rápido. Ele veio em minha direção, parecia ser um pouco burro: com todos os poderes de demônio, para quer lutar a corpo a corpo?

Brevemente peguei um pequeno tonel prateado dentro do meu casaco, com só um gesto eu o destampei e joguei toda a agua que continha ali em cima do demônio. Uma fumaça cinza foi expelida de sua pele, qualquer um diria que aquilo o estava fritando.

Em seguida, avancei para cima dele com a faca, com um golpe curto, furei a garganta dele.

Logo desci atrás de Dean, ele ainda estava procurando Sarah pelos corredores. Agora, ele a gritava:

– Sarah! Sarah!

– Dean! – eu gritei.

– Estou aqui, Sammy. – segui a voz de Dean.

Quando o encontrei ele estava num corredor mais escuro que o resto da casa, algumas estátuas sinistras eram distribuídas igualmente pelos dois lados.

– Dean! – ouvimos a voz de Sarah chamar. – Estou aqui.

– Sarah... – Dean disse indo ao encontro dela.

Ambos suspiraram de alívio.

Voltamos até o lugar que estávamos “hospedados”, como sempre: Dean e eu havíamos desenhado armadilhas do diabo embaixo de alguns tapetes, o lugar era aparentemente seguro.

– Alguém esteve aqui. – disse Dean mostrando a fechadura que estava aberta.

Nós dois pegamos nossas armas e entramos cautelosos. Quando eu estava alguns passos a frente de Sarah, pareci ouvir o barulho de algo lascando, uma madeira, talvez. Não dei muita importância. Sarah entrou também e nos ajudou a revistar.

– Limpo. – ela disse.

– Limpo. – Dean confirmou.

Eu acenei com a cabeça.

– Eu posso passar essa noite aqui? – Sarah perguntou.

– É claro! – Dean manifestou-se com felicidade. Mal ela sabia o que passava na cabeça dele.

– Amanhã cedo vou embora... – ela completou.

Conversarmos um pouco e tomamos algumas cervejas, na hora de dormir, eu deitei num sofá no outro extremo da sala, Sarah e Dean deitaram-se em camas de casal separadas.

Antes de dormir, resolvi repensar o dia. O barulho de madeira lascando estava me incomodando, resolvi levantar-me e checar as proteções que havíamos entalhado na porta. Dean e Sarah estavam adormecidos. Levantei-me na espreita e fui até a porta; o que o mais temia havia acontecido: as armadilhas estavam partidas, quando me virei para acordar Dean, fui surpreendido:

– Boo! – Sarah disse, estava de pé em minha frente.

Eu suspirei furioso.

– Seu demônio de olhos negros.

Ela sorriu.

– Dean! – eu berrei para acordá-lo. Ela me lançou contra o outro lado do local.

– Matar vocês dormindo seria mais difícil, Sam! – ela disse com ironia.

Dean acordou assustado, pegou a arma na cabeceira da cama, mas eu o interrompi:

– Não atire! Sarah ainda pode estar viva.

O demônio sorriu maliciosamente.

– Não por muito tempo, Winchesters. – com um gesto curto, ela arrastou Dean até mim. – Os dois Winchesters juntos. Não pensei que seria tão fácil... – a maneira da fala do demônio era ainda mais sexy que Sarah. Ela olhou de rabo de olho para minha cama, viu a famosa “faca que mata demônios” sobre ela, com um gesto mais breve ainda, trouxe-a até sua mão. – Não tente, me ferir, queridos... Ou vocês estarão ferindo... Como é mesmo o nome dela? Sarah? – ela deu uma pausa rápida – Estarão ferindo Sarah.

Notando que ela estava me observando com frequência, comecei a olhar de rabo de olho para uma poltrona azul, ela estava em um dos cantos da sala, a almofada que a forrava fora dada por meu pai, em um dos meus aniversários.

A mulher percebeu qual era minha real intenção e iniciou:

– Não será tão fácil assim, Sam! – ela caminhou em direção à cozinha. – não sou tão burra quanto Ruby...

Uma risada frouxa escapou de mim. Quando o demônio tentou movimentar-se novamente, ela sentiu-se presa, como se algo bloqueasse sua saída. Dean sorriu junto comigo e completo:

– Engraçado... Porque Ruby caiu num truque parecido. – Dean disse com um sorriso no canto da boca.

– Vocês acham mesmo que me matar irá resolver o problema de vocês?

Dean abriu a boca para responder, mas ela continuou:

– Todo o inferno quer vocês dois lá embaixo, Winchesters. Eu não sou a única…

– Vale o risco. – Dean disse em tom rude.

“Conversamos” com a vadia por algum tempo, ela mencionou o nome de Ruby novamente. Apenas insistia em dizer “o inferno quer vocês”...

Dean, já com raiva e sem nenhuma paciência com aquele joguinho, esvaziou o balde de agua benta sobre ela, e enquanto sua pele queimava, iniciei o ritual de exorcismo:

– Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, – eu inicie em tom áspero, a mulher debatia-se sentada, seu olho hora estava negros, hora não – omnis incursio infernalis adversali, omnis legio, omnis congregatio, – agora, a mulher largou a barra de madeira – eta secta diabolica.

– Ergo. Draco maledict. Ecclasiam tuam sucuri tibi facias libertate servire. Te rogamos. – a voz grave de Dean soou.

– Audi nos. – nós dissemos concluindo o exorcismo.

A fumaça negra foi expelida do corpo de Sarah, que por sorte ainda estava viva. Explicamos o acontecido a ela, ela tomou seu rumo novamente e eu e Dean tomamos o nosso; Não havíamos matado o demônio que atacou a mulher, porém acabamos com a raiz do problema.

Notas finais
Espero que gostem, por uma série de problemas não pude postar sexta passada :/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.