Rocket Queen
1 14 years of silence + 4 years of pain
— Finalmente! PUTA MERDA! FINALMENTE 18!!!! — acordei gritando; eu nem acreditava que já tinha chegado a idade desejada há todos os adolescentes revoltados com os pais que não os deixam fumar cigarro dentro de casa, mesmo eu nunca precisando de autorização para fazer alguma coisa.
Tomei um banho, vesti qualquer roupa que achei pelo chão, peguei meus cigarros e quando ia descendo as escadas, vejo um bilhete no primeiro degrau junto com uma garrafa de Jack Daniel's, escrito: "toma aqui, eu sei que a primeira coisa que você vai fazer é cheirar a garrafa" — acertou, falei enquanto cheirava a garrafa e lia o bilhete — "do seu irmão preferido, na verdade o único, Luke."
— Filho da puta. — pensei.
Peguei aquele presente maravilhoso e continuei descendo as escadas, quando me deparo com minha mãe com o sorriso até as costas. Ela veio correndo me abraçar e disse:
— Parabéns filha, a mamãe preparou um café da manhã especial para você hoje!
— Obrigada mãe, muito obrigada de verdade, mas eu não vou tomar café em casa hoje. 18 anos. Vou beber essa garrafa sozinha em qualquer bar da esquina.
Minha mãe nunca ligou para as merdas que eu fiz, comecei a beber e fumar com 15 anos, e ao invés de brigar e tentar cuidar da minha saúde, minha mãe sempre deixava 50 dolares em um canto do meu quarto antes de sair para trabalhar. Ela é a mãe dos sonhos de qualquer um. Mas como sempre fui uma filha insatisfeita, eu sempre arrumava algum motivo para reclamar da minha mãe. Mesmo assim, ela continuava sendo a melhor mãe do mundo.
Então mamãe riu, me deu um beijo e disse "se cuida", nunca entendi isso. Sempre achei que era um jeito de ameaçar alguém. Foda-se.
Nascida e criada em Seattle, eu conhecia cada pedacinho daquela cidade, conhecia muita gente também, então eu nunca ficava sozinha quando saia para algum lugar.
Fui para o bar do Joe, um velho fanático por rock e um grande colecionador de quadros autografados por estrelas do rock. De The Doors á Metallica, a banda do momento, e a minha preferida também.
Sempre gostei de conversar com o Joe, ele era um daqueles caras que implicava com qualquer um por qualquer coisa, e que sempre queria ter razão de tudo. Eu amava discutir com o Joe quando estava bebada.
Quando entrei no bar, eu não esperava ter tanta gente. Porra, sete horas da manhã e as pessoas já estavam drogadas e bebadas, até lembrar que sexta feira eles viravam a noite no bar do Joe, porque sempre tinha alguma banda tocando e ninguém nunca via a hora passar quando estava lá. Eu que o diga!
— E AÍ, AMY! — Joe gritou do balcão. Todos olharam em minha direção.
— Joe, seu velho filho da puta! — Respondi enquanto ia para o balcão. — Advinha quem vou chapar aqui hoje?
— Olha, se eu fosse você não bebia tanto hoje. Hoje vai rolar uma coisa foda pra caralho e aposto que você vai curtir.
— O que é, cara? Tem que ser muito foda mesmo, porque essa Daniel's aqui grita meu nome.
Joe riu:
— Uns caras novos por aqui vão tocar aqui hoje.
— E o que tem de foda nisso? Só porque vai ser num sábado?
— Não, caralho. Eles são muito bons. Lembra daquele dia que estavamos conversando sobre uns caras que estavam dormindo num galpão abandonado e ensaiavam músicas lá mesmo? São eles. Guns N' Roses. Não sei porque, mas sinto que aqueles caras vão crescer muito ainda. Quem sabe, lembram do dia que fizeram um show aqui e falam meu nome numa entrevista para a MTV.
Eu ri ironicamente, e respondi:
— Não viaja, Joe. Se isso acontecer, eles vão passar por aqui e fingir que nem viram. É assim que funciona o mercado do rock. Mas já que você está falando que eles são bons, não posso contráriar, Senhor Deus do Rock N' Roll! — Ok, Joe, não vou beber tanto assim, vamos ver se os caras são bons mesmo.
— Qual é, Amy, você vai gostar deles. Agora chega de ideia e abre essa Jack Daniel's aí. — Joe disse enquanto colocava dois copos no balcão.
Bebemos a metade da garrafa e eu ainda me sentia sóbria. Eu sempre achava que estava sóbria, porque sempre cabe mais um pouco.
Joe nunca exagerou na bebida por problemas no fígado ou coisa do tipo. Ele era gordo pra caralho, tomava uma porrada de remédios, não podia nem sentir o cheiro de bebida na verdade. O velho era doido pra caralho!
— Ok, ok, deixa isso para a noite, vou guardar na geladeira e quando os garotos terminarem o show você pode beber quantas quiser. Preciso da sua opinião sobre eles, Amy.
— Pode deixar, Senhor Deus do Rock N' Roll. Agora eu vou sair, porque hoje é meu aniversário e eu não posso ficar presa aqui até á noite. See you later, boy bitch!
Joe riu e me mostrou o dedo.
Saindo do bar, encontrei meus dois melhores amigos, que eram irmãos. Vieram correndo me abraçar, eles estavam indo para o bar me parabenizar. Provavelmente minha mãe avisou á eles que eu estaria lá.
— AMYYYYYYYYYY! Parabéns, porra. Não sei muito o que dizer nesses dias, até porque é chato ficar falando sendo que você não está nem aí. — disse Sam.
— Digo o mesmo, to com preguiça. Acordei cedo só porque o Sam insistiu em te dar parabéns. — continuou James. — Eu adorava o Sam e o James, eles eram os únicos irmãos que quase não brigavam e se davam muito bem, apesar de só falarem de mulheres. Não que eu não goste, mas...
— Valeu, meninos. Agora sem melação, me acompanhem até o outro quarteirão, quero tirar uma duvida. — Respondi.
— O que você quer fazer lá há essa hora? Só vamos encontrar os caras jogados na calçada com uma garrafa de vodka quebrada ao lado. — James disse, enquanto me acompanhava.
— Não, cara. Chegando lá vocês vão ver. Só me acompanhem.
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