Rocket Queen
45 Nunca me deixe
Notas iniciais
Sakura tentava, mesmo que discretamente, se aproximar de mim, puxar uma conversa ou simplesmente ficar perto, mas eu não dava brecha, principalmente porque as amigas dela, que foram responsáveis pela humilhação, ficavam me olhando com desaprovação, aquilo incomodava.
Alguns comentários e boatos começaram a surgir, inclusive dizendo que eu e a rosada tivemos algum tipo de envolvimento amoroso durante a viagem, as pessoas queriam alguma explicação para a mudança repentina de Sakura e ficavam inventando mil hipóteses.
A professora Kurenai melhorou e tivemos que repor a aula, obviamente que tivemos que assistir aula durante a tarde, é triste, eu sei, mas nada que eu não possa sobreviver.
– Crianças — Disse a professora, acho que ela pensa que estamos no jardim de infância.. "crianças" ... Qual é ?! — Quero que se sentem em dupla para fazer um exercício — eu sentia que isso ia dar merda — Sentem-se com seus pares da viagem mesmo — Não falei que ia dar merda ?!
Bufando de raiva, arrastei minha carteira para perto da dela, Sakura ficou meio sem jeito, senti que ela iria começar a tagarelar, então, nem olhei pra cara dela, embora meus olhos quisessem o contrário.
A professora passou entregando as folhas de exercícios para as duplas.
– Sasuke ... — Senti que ela iria começar a puxar conversa, portanto, comecei a ler a primeira questão — O que era a política das alianças ? — Li a pergunta e comecei a responder.
– Sasuke — Ela tentou me chamar novamente, mas eu fingi que nem escutei.
– A política das alianças é uma decorrência das disputas imperialistas e rivalidades que envolviam a Europa no início do século — Eu falava enquanto escrevia — Diante deste contexto encontra-se a tríplice entente ...
– Sasuke ! — Sakura me cortou e eu a olhei irritado.
– Não sei se você sabe, mas temos que entregar isso até o final da aula — Respondi seco.
– Porque tá me ignorando ? — Indagou.
– Não tô te ignorando — Desviei o olhar, voltando a fitar a folha de exercícios.
– Tá sim — Bufou.
– Não tô — Respondi enquanto terminava a questão — O que foi o período da paz armada ?
– Parece criança — Ela murmurou.
– Foi uma forma de confrontar indiretamente ...
– Sasuke ! — Ela me cortou novamente — Para com isso.
– O que você quer ? — Respirei fundo, larguei o lápis e a encarei — Fala logo.
– Poxa, quero falar com você — Ela pareceu triste.
– Não temos nada pra falar — Voltei a olhar para a folha — Quais as diferenças ideológicas existentes entre os Mencheviques e os Bolcheviques ? Ah, essa é mole.
– Eu sei que você gosta de mim ! — Isso me fez esquecer de todos os conteúdos de história que eu já tinha visto, como assim ela sabia ? Estaria blefando ?
– Você é doida — Bufei e tentei me recordar que diabos era Bolchevique, de repente deu um branco.
– Eu ouvi tudo — Ela falou séria e eu a encarei curioso — Ouvi você conversando com o Itachi e com uma moça lá na festa, você gosta de mim — Merda ! Onde eu enfiava minha cabeça agora ?
– E você pisou na bola — Voltei a responder a questão.
– Poxa vida, o que eu preciso fazer pra você entender que eu tô arrependida e que gosto mesmo de você ? — Ela insistiu.
– Explique o que foi o tratado de Versalhes — Li a outra questão, obviamente que fingi nem escutar o que ela dizia.
– Para com isso Sasuke ! — Ela se irritou — Olha pra mim !
– O que você quer comigo ? — Esbravejei — Me deixa responder isso, caramba, para de encher o saco !
– Você fala assim comigo, mas é só pra disfarçar — E era mesmo — No fundo você gosta de mim, só quer fazer de conta que não gosta mais, pra isso tá me ignorando, mas isso é uma máscara.
– Máscara ? — Arqueei a sobrancelha — Como a que você usa ?
Ela abaixou a cabeça, pareceu ter ficado triste ou se lembrado de algo que não gostaria de se lembrar. Mas que mistério ! Isso me fez lembrar do que o Naruto havia me dito, o que a fez sofrer no passado ? Por fora eu nem ligava, mas por dentro eu estava me roendo de curiosidade, e até mesmo de preocupação.
– Sabe ... — Ela suspirou.
– Explique as principais características do imperialismo do século XIX — Li a próxima questão como se não me importasse com o que ela tinha pra dizer.
– Você não é mais o mesmo Sasuke — Ela falou cabisbaixa.
– Sério ? — Ironizei e a olhei nos olhos — E você, quem é ?
Sakura apenas abaixou a cabeça e ficou calada enquanto eu resolvia os exercícios de história, quando terminamos fomos liberados.
Todos os alunos já tinham ido embora, e quem estava lá na frente ? Eu e a rosada.
Estava chovendo pra caramba, Sakura tinha que esperar passar pra poder ir embora, eu tinha que esperar meu irmão, pois minha mãe só trabalha de manhã e durante a tarde ele pega o carro pra poder ir para a faculdade, ainda faltava quase uma hora para ele sair, eu iria sozinho se não fosse a chuva, mas ela atrapalhou tudo e, ainda por cima, me deixou a sós com Sakura no portão da escola.
Estávamos um ao lado do outro, mas não nos falávamos, eu ainda estava puto demais pra isso, embora eu quisesse abraça-la, Sakura parecia estar com frio.
– Sakura — A chamei enquanto abria a mochila para tirar minha jaqueta — Toma.
– Não precisa — Ela respondeu se fazendo de forte, mas estava tremendo.
– Você não precisa ficar com frio — Embora eu estivesse com raiva, não iria deixa-la daquele jeito, eu me preocupava — Pode pegar, depois você me devolve.
– Eu não quero — Ela falou de uma maneira severa, como se estivesse com muita raiva.
– Tudo bem — Dei de ombros e guardei a jaqueta novamente.
Nesse momento um carro preto parou lá na frente, Sakura estremeceu quando viu o veículo, e mais ainda quando uma barata descascada dos cabelos ruivos saiu de lá.
– Droga — ela murmurou e só faltou se encolher num canto.
– Que surpresa Sakura — Ele falou de forma irônica — Eu não esperava que teria o prazer de te ver aqui, ainda mais com seu namoradinho — Ele falou enquanto me analisava.
– O que faz aqui seu idiota ? — Ela perguntou.
– Estudei aqui, já esqueceu ? — Ele sorriu de forma cínica — Claro que não esqueceu, não tem como, não é ? — Minha vontade era de arrancar os dentes dele — Enfim, preciso de uns documentos do meu ensino médio.
– Eles ficam lá na coordenação — Ela falou como se quisesse expulsa-lo de lá.
– Poxa vida, porque tá me tratando assim ? Logo eu que te dei tantas lembranças boas — Gente, que cara insuportável.
– Você só me trouxe arrependimento — Ih, começou a dr... Mas tava ficando interessante. — Você não pensou nisso naquele dia, não foi ?! — Sassori falou de maneira maliciosa — Você bem que gostou...
– Me deixa em paz Sassori ! — Ela berrou — Já não basta o mal que você me fez antes ? Pra que ficar me importunando agora ? Que prazer é esse que você sente em ficar lembrando daquela época ?
– Porque eu sei que isso ainda mexe com você — Ele aproximou seu rosto de dela, Sakura parecia enojada — Eu sei que eu ainda mexo com você.
– Deixa ela em paz ! — Esbravejei e ambos me olharam espantados, principalmente a Sakura, acho que ela não esperava alguma atitude minha — Deixa ela em paz seu idiota !
– Olha, tá virando homenzinho ... — Ele sorriu de forma debochada, pegou seu celular no bolso, desbloqueou e começou a mexer em algumas funções — Você sabia que a sua namoradinha é uma vadia ?
Meu sangue ferveu ao ouvi-lo falar aquilo, Sakura arregalou os olhos incrédula. Sassori virou a tela do seu celular para mim, mostrando-me um vídeo desumano e nojento que logo reconheci os protagonistas. Tinha uma menina de treze anos no máximo, ela tinha os cabelos loiros mas logo vi quem era. Sakura ! Ela estava transando com Sassori no vídeo, ou melhor, parecia estar sendo forçada, ele fazia o serviço todo.
Fiquei horrorizado com aquela cena, a Sakura era uma criança que foi iludida por ele. Agora a ficha estava caindo ... Sassori a iludiu e deu um pé na bunda depois de conseguir o que queria, com certeza aquele vídeo rodou pelos quatro cantos da escola e da faculdade..
Então era disso que a Sakura tanto tinha medo, era disso que ela se escondia, esse era seu grande trauma... Eu não sabia qual vontade era maior : Chorar ou dar na cara dele. Era algo doentio, qual foi o prazer que ele sentiu nisso ? Desde a nossa conversa na fazenda que eu já tinha deduzido que Sakura já não era mais virgem, mas eu não pensei que ela tivesse perdido tão cedo e de uma maneira tão cruel; com certeza aquela foi a primeira vez dela, um momento que geralmente é tão especial e mágico para as meninas, para Sakura se tornou um pesadelo.
Olhei para a rosada ao meu lado, ela estava estática e chorando muito por ver, mais uma vez, sua intimidade exposta daquela maneira. Ela saiu correndo dali, não se importou com a chuva forte, deveria estar querendo sumir.
– Você é doente ! — Falei com raiva e empurrei aquele ruivo.
– Ih, ficou bravinho ... — Ele falou debochado, mas eu nem dei moral, saí correndo atrás da Sakura.
(...)
" Eu vejo você aí em pé
Em pé sozinha
Esse lugar é muito solitário pra você
Pra você ficar "
(...)
Aquela sensação voltou, novamente tive a mesma sensação de quando fui exposta pela primeira vez. Me senti envergonhada, não queria que o Sasuke soubesse, por mais que estivesse pra lá de arrependida, a última coisa que eu queria era que ele soubesse. Mas ele soube, e o pior foi que ele viu tudo o que aconteceu, foi constrangedor.
Saí correndo sem rumo, não me importei com a chuva ou com o frio, o que eu queria era sumir dali, fiquei com vergonha do Sasuke e com mais ódio do Sassori.
Mas aquele moreno estúpido e inconsequente saiu correndo atrás de mim, só que naquele momento eu queria ficar bem longe dele.
– Sakura !! — Ele gritava — Espera aí.
Ele estava chegando perto, tratei de me apressar mas me desequilibrei e quase caí, quando parei para recuperar o equilíbrio, Sasuke me segurou pelo braço.
– Agora você não vai fugir — Disse ele, estava gelado e, com certeza também estava morrendo de frio, já era quase 19:00.
– Me larga ! — Tentei me soltar, mas ele é mais forte — Não era você que não queria papo comigo ? Então me solta !! — Berrei, eu já não segurava mais as minhas lágrimas.
Fui surpreendida por um abraço, me senti mais calma, aquecida e segura, eu estava nos braços dele, aquela sensação era boa.
– O que você fez para merecer tudo isso ? — Ele perguntou, mas não pareceu estar dirigindo essa pergunta à mim, era como se falasse consigo mesmo — Agora eu compreendo, Sakura.
– Sasuke ... — Solucei — Me desculpa Sasuke, me desculpa — Eu estava com a cabeça apoiada em seu peito, o coração do rapaz batia forte.
– Quem sou eu pra te julgar ? — Ele passou a mão pelos meus cabelos.
– Você ... — Olhei em seus olhos negros — Eu amo você — Sorri — Você me ama ?
– E você duvida ? — Ele respondeu com um sorriso sincero.
Senti uma imensa paz interior, respirei fundo e fechei meus olhos, nossos rostos se aproximaram e nossos lábios se tocaram.
Foi um beijo que começou delicado, ele pediu passagem com a língua e eu cedi, nosso beijo se tornou algo mais intenso, senti meu corpo leve, como se estivesse flutuando, eu queria que aquele momento jamais acabasse.
(...)
" Se você precisa de um ombro
Ou se você precisa de um amigo
Eu estarei parado aqui
Até que a dor acabe
Ninguém precisa da tristeza
Ninguém precisa da dor
Eu odeio te ver
Caminhando lá fora
Lá fora na chuva
Então não me castigue
Ou pense que eu, eu te ofendi
Como aqueles que te levam
E te fazem sofrer
Muito longe "
(...)
Nossos lábios se separaram por falta de ar, a chuva também não ajudou muito, embora tenha parecido uma cena de filme.
Sakura já estava pra lá de perdoada, eu não queria mais pensar no que passou, só queria viver mais momentos como aquele ao lado dela, aquela rosada irritante era o amor da minha vida.
Passei a mão delicadamente pelo rosto dela, eu não sabia o que era lágrima e o que era água da chuva, mas se ainda restavam lágrimas, com certeza não eram mais de tristeza.
– Não me deixe mais — Ela me abraçou forte — Você vai ficar sempre ao meu lado, não vai ?!
– Vou — Beijei sua cabeça — Esqueça o que houve com o Sassori, eu jamais te farei chorar.
– Obrigada — Ela falou alegre.
A chuva já estava cessando, eu já não sentia mais frio, após aquele beijo não tinha nem como sentir.
– Acho que vamos ficar resfriados — Comecei a rir.
– Também acho — Ela riu — Nosso primeiro beijo não foi num momento muito feliz.
– Mas não podia ter sido melhor — Segurei seu rosto e me aproximei dela, selando novamente nossos lábios — Vamos, eu te levo pra sua casa — Falei ainda com os lábios próximos dos dela.
– Vamos.
(...) " Nunca me deixe
Diga que você estará sempre lá
Tudo o que eu sempre quis
Foi para você
Saber que eu me importo " — Rocket Queen (Guns'n Roses)
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